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24 março 2019

Tem cara de festa :: Quinta do Noval Extra Dry White


País: Portugal
Região: Douro
Produtor: Quinta do Noval
Uvas: Malvasia Fina, Gouveio, Rabigato e Códega
Maturação: 90% em balseiros de madeira velha e 10% em cubas de aço inoxidável
Álcool: 19,5%

Não é hábito meu (e acredito que dos brasileiros de um modo geral) comprar e experimentar vinhos do Porto brancos. Se for seco penso que é ainda mais raro. Mas, já que estamos aqui para experimentar o que há de melhor nesse quase infinito mundo do vinho, resolvi ter a experiência. 

Ressalto que a indicação mais comum para esse tipo de vinho é para elaboração de drinks, como o famoso Portonic, que para uma dose tem os seguintes ingredientes: 70 ml de vinho do porto branco seco gelado, 1 gomo de limão siciliano, 1 ramo de hortelã fresco, água tônica e cubos de gelo. Misture tudo e divirta-se! Se puder, beba acompanhado com uma porção de amêndoas torradas (dica do produtor). 

Na taça tem uma coloração amarela com reflexos esverdeados. Tem aromas em boa intensidade, lembrança floral. Em boca é refrescante, elegante, equilibrado e com boa acidez. Uma sensação interessante porque o cérebro está preparado para um vinho doce, mas o que chega é um vinho seco, que parece até salgado em virtude da complexidade. Final um tanto ligeiro, mas muito agradável e festivo. 

Os portugueses costumam aconselhar bebê-lo "fresco antes de uma refeição". Não gelado, entendeu?


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela Adega Alentejana e encontrado no mercado na faixa entre R$150-170. 



19 junho 2016

Um clássico nunca sai de moda :: Taylor's Select Reserve Port


É incrível como perdemos oportunidade de bebermos vinhos de sobremesa, principalmente os tradicionalíssimos vinhos do Porto. Parece que ainda não damos tanta importância à harmonização entre a sobremesa e o vinho, o que para os portugueses deve parecer um sinal de ignorância nossa e de certa forma incompreensível, já que o brasileiro tem um paladar tão adocicado pelo costume com frutas e doces.

Mas, esse débito que o blog tem com os vinhos de sobremesa hoje diminui um pouco e diria que de forma muito elegante! Isso porque no último dia 23 de maio o pessoal do Winebar realizou mais uma degustação virtual e recebi uma garrafa para participar e comentar aqui as minhas impressões. 

Dessa vez o evento aconteceu com os vinhos da Taylor's, casa mais que tradicional em Portugal, fundada em 1692, e sinônimo de qualidade quando se trata de Vinho do Porto. Quem participou como entrevistado foi o Fernando Seixas, diretor da vinícola, que bateu um papo descontraído com o Daniel Perches.  

* Para assistir ao programa pelo Youtube: https://goo.gl/ckdOyc

O vinho que me foi enviado para a degustação foi o Select Reserva, elaborado a partir de um lote de vinhos jovens produzidos nas áreas do Baixo Corgo e do Cima Corgo, na região demarcada do Douro. Segundo a vinícola, para a composição desse lote foram escolhidos vinhos "pela sua profundidade de cor, frutado intenso e paladar cheio e firme", estagiando cerca de três anos em tonéis de carvalho, mantendo seu frescor, frutado e cor. Tem 20% de teor alcoólico.

Não é um vinho para ser guardado por longo tempo, já que está pronto para o consumo logo após o seu engarrafamento. Ideal para acompanhar queijos mais estruturados e ricos, frutas secas e sobremesas feitas à base de chocolate.


Aqui em casa harmonizamos com uma torta da Doces Bárbaros, um lugar bem bacana para comprar doces aqui em Uberlândia. 

Na taça o vinho tem coloração vermelho rubi, com bordas alaranjadas (granada). Os aromas são elegantes e clássicos, lembrando frutos silvestres e uma pontinha de álcool aparecendo. Talvez seja a temperatura, porque não sirvo esses vinhos gelados, como vejo por aí em muitos restaurantes. O ideal é na casa dos 15º C. Em boca é untuoso e não tem um adocicado exagerado, pois a fruta abundante e a boa complexidade estão em harmonia com o dulçor. Final persistente, repetindo o frutado intenso.

Vinho para ser bebido já, porque tem um perfil mais frutado, menos complexos que outros estilos de vinhos do Porto. Não guarde!  


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Qualimpor e pode ser encontrado em lojas virtuais com preços variando entre R$89 e R$96. 

Saúde a todos!



24 abril 2016

Com a Tannat também se faz vinho de sobremesa: Alcyone Reserve 2007

Foto: Instagram @vinhoparatodos

Quando estivemos no Uruguai, em 2013, não visitamos tantas vinícolas quanto gostaríamos, mas uma de nossas visitas foi bem especial, pois fomos muito bem recebidos na Viñedo de Los Vientos, numa tarde gelada, pelos simpáticos proprietários da bodega.

Um dos vinhos que compramos foi esse de sobremesa, que ficou guardado na adega por todos esses anos, esperando uma boa ocasião para ser aberto. 

É um 100% Tannat que passou 12 meses por barricas de carvalho francês e tem 17% de teor alcoólico. 

Na taça tem coloração rubi, bem profundo. Bastante aromático e complexo, com notas de chocolate, tabaco, café, caramelo e frutos negros bem maduros. Na boca é macio, aveludado, untuoso. A sensação mais marcante é o alto dulçor, mas com boa acidez que deixa o vinho mais harmônico. Boa complexidade em boca, repetindo as sensações olfativas. Final longo, prazeroso, com álcool sem incomodar. 

Em razão do dulçor bem intenso do vinho, parece que as sobremesas menos doces serão mais indicadas nas harmonizações. Fiz alguns testes com chocolates e o que se saiu melhor foi o amargo, porque o contraste foi mais interessante. Um meio-amargo ou um chocolate ao leite deixam tudo bem doce e menos interessante. Também acredito que as tortas com frutos secos, castanhas e amêndoas cairão bem.  


Detalhes da compra:

Essa garrafa eu comprei na própria vinícola, mas a Wine importa o outro vinho de sobremesa da vinícola, pelo que posso concluir que esse aqui seria vendido no Brasil a um preço superior, talvez abaixo dos R$ 100. 

Saúde a todos!



13 dezembro 2015

Para fazer bonito com a sobremesa: Ciclos Tardío Malbec-Tannat 2011


É uma pena que os vinhos de sobremesa apareçam pouco por aqui, mas parece ser uma tendência do consumidor brasileiro o pequeno consumo desses vinhos. Por outro lado, as experiências que temos normalmente são muito agradáveis e bate aquele arrependimento de não abrirmos os vinhos que temos na adega. 

Esse aqui nós ganhamos há algum tempo do amigo Fernando Pupim, que o trouxe da Argentina e, ao que parece, não é exportado para o Brasil. É elaborado pela Bodega El Esteco, no Vale de Cafayate, com uvas super maduras, com alta concentração de açúcar, das variedades Malbec e Tannat. Tem passagem longa por barricas de carvalho francês e americano (24 meses). Tem 13,8% de álcool. 

Um vinho muito prazeroso, de boa complexidade, que acompanhou muito bem um pavê de amendoim que os amigos Paulo e Carol trouxeram para um jantar aqui em casa.

Na taça uma coloração densa, um rubi bastante escuro, com alguns reflexos dourados. Bastante aromático, revelou uma pontinha de álcool, frutas muito maduras, geleia, compota, mas também aparecendo baunilha, chocolate e um tostado provenientes da passagem por barricas. 

Em boca o dulçor não é exagerado, sendo possível apreciar a boa fruta e a boa complexidade que a passagem por madeira deu ao vinho. Os taninos são macios e existe bom equilíbrio entre acidez e o açúcar. Final longo, muito prazeroso, deixando a sensação de que os 500 ml de uma garrafa não são suficientes. Ótima experiência.

* Talvez alguém que não tenha muita experiência com esse tipo de vinho possa ficar em dúvida se pode ser comparado a um vinho do Porto. A resposta é não, porque para esse Tardío não há acréscimo de aguardente vínica para interromper a fermentação e deixar o teor de açúcar mais alto, já que as leveduras param de consumir o açúcar da uva. Nesse vinho de hoje o açúcar percebido em boca vem da própria uva super madura, por isso no rótulo há a indicação de ser um vino dulce natural


Detalhes da compra:

Os vinhos da vinícola são importador para o Brasil pela Bruck, mas não encontramos esse produto em seu portfólio. Então, não dá pra saber exatamente o preço que custaria por aqui, embora no mercado argentino seja vendido na faixa dos $110 Pesos, o que daria R$44 para nosso mercado. Considerando os impostos e os demais acessórios, creio que seria vendido por aqui perto dos R$80, tantum speculando!  

Saúde a todos!



30 abril 2014

Ótima opção para as sobremesas: Cockburns Porto Vintage 2006

Um ótimo exemplar de vinho do Porto que passa de 4 a 6 anos em barricas de carvalho.

Gostaria de beber vinhos do Porto com mais frequência. Esses fortificados são ótima companhia para as sobremesas, embora os portugueses também gostem de servi-los antes e durante as refeições. 

Na última Páscoa servimos esse vinho em casa para acompanhar os chocolates e mesmo depois de alguns dias aberto e guardado na adega de tintos está em ótima forma. Diferentemente da maioria dos Porto que bebemos aqui no Brasil esse tem a indicação da safra em seu rótulo (2006). 

Segundo o IVDP (Instituto dos Vinhos do Douro e Porto), o vinho que recebe a classificação LBV (Late Bottled Vintage) é um Porto Ruby de um só ano, "selecionado pela sua elevada qualidade engarrafado depois de um período de envelhecimento de entre quatro a seis anos". São vinhos prontos para o consumo quando lançados no mercado, mas alguns continuam o envelhecimento em garrafa. 

É elaborado pela Cockburn's, casa fundada em 1815 pelo escocês Robert Cockburn que serviu em Portugal durante a Guerra Peninsular, de 1808 a 1812.

Na taça o vinho tem cor rubi intensa, formando lágrimas finas na taça. Nos aromas percebe-se o teor alcoólico mais elevado (20%), mas sem incomodar. Muitos frutos vermelhos e negros. Na boca é intenso, com bom corpo, muita fruta, doçura presente mas em equilíbrio com a ótima acidez. Aveludado e de boa complexidade. Final longo e prazeroso.
    
Foi ótimo com os chocolates da Páscoa, mas também combina com queijos. Um vinho para ser apreciado vagarosamente, em pequenos goles. 

O ideal é servi-lo levemente resfriado (em torno dos 13-15 graus), porque à temperatura ambiente aqui do Brasil é o álcool ficará agressivo. Se estiver gelado você não conseguirá aproveitar todas as boas características de aromas e sabores.


Detalhes da compra:

Essa garrafa foi enviada ao blog para avaliação pela assessoria de imprensa da Cantu, importadora do vinho. É vendido na faixa dos R$ 90-100 em lojas virtuais. 

Saúde a todos!




21 setembro 2012

Esse veio na mala: Indómita Late Harvest 2009


Compramos esse vinho em janeiro de 2011, quando estivemos na Viña Indómita, localizada no Vale de Casablanca. A sede da vinícola está no alto de uma colina, de onde pode ser vista uma grande área de planície daquele vale, onde a empresa possui 200 hectares. No Vale do Maipo estão outros 400 hectares de vinhedos. 

Já comentei um Sauvignon Blanc aqui (relembre) que deixou ótima impressão e desse vinho de sobremesa esperava a repetição da qualidade. É elaborado com as uvas Gewürztraminer e Sauvignon Blanc e parece não estar disponível no mercado brasileiro. 

Na taça a coloração é dourada. Aromas com muita fruta tropical, especialmente manga bem madura. Na boca é untuoso, com repetição da lembrança frutada. A acidez está presente, mas o dulçor é mais intenso, deixando o vinho menos interessante do que poderia ser. Final longo.

Avaliação VPT = 85 pontos. 

Saúde a todos!



12 agosto 2011

Lapostolle Semillon Late Harvest 2007

Quando estivemos no Chile em janeiro fomos à Casa Lapostolle, no vale de Colchagua. Chegamos no intervalo de um dos tours e resolvemos não esperar. Apenas tirei algumas fotos e conhecemos as intalações da vinícola, que é linda por sinal. Minha esposa aproveitou para descansar os pés num espelho d'água que existe na entrada do prédio principal, com vista para os vinhedos cultivados na planície, mas também tomando conta de parte das encontas dos morros. De lá é possível avistar os vinhedos da Viña Montes também.

No varejo me chamou atenção esse colheita tardia, porque é o único vinho deles que não está no mercado brasileiro, segundo me informou a vendedora. É produzido com 100% da uva Semillon, cultivadas no famoso vinhedo Apalta, um lindíssimo lugar que produz uvas para os melhores vinhos da vinícola. Paguei $6.000 pesos pela garrafa (algo em torno dos R$ 24).

Na taça tem coloração dourado bem claro. Aromas iniciais lembram petróleo, o que não é incomum nessa tipo de vinho. Frutos de polpa branca e mel completam as variações olfativas. Na boca é mais doce do que esperava (gosto pessoal) e acidez é discreta. Essa combinação deixa o vinho menos atraente do que poderia ser. Final longo, mas a acidez (ou falta dela) deixou o vinho um pouco chato. Mesmo assim será ótima companhia para sobremesas não tão doces, como uma combinação que sempre fazemos por aqui: Gorgonzola e goiabada.
Teor alcoólico de 15%.


01 junho 2011

Anakena Late Harvest 2009 #cbe



O vinho desse mês para a Confraria Brasileira de Enoblogs (CBE) foi escolhido pelo confrade Leonardo Araújo, do blog Viva o Vinho, um dos fundadores da CBE e quem sugeriu o nome que ela passou a usar. Já são 56 meses desde então, sempre com a participação de ótimos blogs.

O tema recaiu sobre um estilo de vinho ainda pouco valorizado pelo consumidor brasileiro, mas interessantíssimo sob vários aspectos, especialmente quanto à sua complexidade e capacidade de harmonização com queijos, frutas e doces.

O vinho que escolhi foi comprado no varejo da Bodega Anakena quando estive por lá em janeiro. Não me lembro quanto custou, mas não foi caro e pode ser encontrado no mercado brasileiro. É elaborado com uvas do Vale do Rappel, sendo 25% Viognier e 75% Moscato de Alexandria, com parte delas atingidas pela ação do fungo botrytis cinerea. Tem passagem por barricas de carvalho francês e americano. O açúcar residual está em torno dos 100 g/litro, talvez um pouquinho mais.

Para meu gosto pessoal duas coisas são importantes num vinho desses: não pode ser extremamente doce e precisa ter acidez para não deixá-lo chato. É o caso desse. Na taça coloração dourada. Aromas intensos lembrando mel e damasco. Na boca é intenso em sabores, com dulçor elegante e acidez em boa conta. Final complexo e de longa persistência.
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25 fevereiro 2011

Club des Sommeliers Monbazillac AOC 2008


Monbazillac é uma AOC do Sudoeste da França, criada em 1936 e localizada na região da Dordonha, cuja principal cidade é Bergerac. É uma appellation dedicada à produção de vinhos doces de sobremesa. As uvas permitidas são Semillon, Muscadelle e Sauvignon Blanc, plantadas por cerca de 2.000 hectares de vinhedos.
Para a produção desse vinho as uvas são colhidas após a ocorrência da podridão nobre (
botrytis cinerea). A diferença básica entre os vinhos dessa região e os de Sauternes (além do preço) é a presença mais forte da uva Muscadelle no corte.
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O vinho comentado hoje é fruto da boa ideia do Grupo Pão de Açúcar de trazer a seus consumidores vinhos de grandes regiões produtoras. Pela garrafa paguei R$29, mas já o encontrei a R$39. Foi produzido em engarrafado para a rede de supermercados pela Les Chais Beaucairois, sediada em Beaucaire.

Na taça o vinho apresentou coloração amarelo palha, com notas esverdeadas. Aromas em boa intensidade. Frutos brancos. Maracujá muito evidente e também abacaxi. Na boca é discreto. Acidez baixa. Faltou intensidade, mas tem boa fruta e não é exageradamente doce. Final repetindo aromas com boa persistência. Álcool a 13% sem incomodar.
Como é um vinho de sobremesa, a garrafa não foi consumida no mesmo dia e quando aberta nos dois dias seguintes, o vinho caiu drasticamente em qualidade. O late harvest dessa mesma linha é bem superior (relembre o comentário). Valeu como uma experiência que não se repetirá.

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28 janeiro 2011

Don Ziero Vintage Clássico 2002

Esse é um surpreendente produto brasileiro, elaborado pela Vinícola Cordelier, no Vale dos Vinhedos. Comprei uma garrafa (R$ 45) no varejo da vinícola localizado no andar de baixo do excelente restaurante Don Ziero. Arrisco a dizer que por esse preço não há vinhos do Porto melhores no mercado brasileiro. Pelo menos os que conheço não tem a mesma personalidade.
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Na taça um vinho com boa evolução, de coloração vermelho grená e bordas alaranjadas, formando lágrimas finas na taça. Os aromas vieram em grande intensidade, um frutado maduro, lembrando frutos secos, mel, tabaco e álcool de leve (18% de teor).
Tem bom corpo, com taninos marcando presença, assim como uma boa acidez. Adocicado em boa medida, sem exageros, sem ser enjoativo. Final longo, frutado, com boa complexidade, toques amadeirados, tabaco, chocolate e mel. Álcool aparecendo sem destoar. Palato com fruta e madeira, chamando para o próximo gole. Combinação perfeita para sobremesas e queijo Gorgonzola.
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Enviei mensagem para a vinícola tentando descobrir mais detalhes técnicos sobre o vinho, como variedades e método de elaboração, mas não me responderam. Mas essa falta de atenção não me impedirá de visitá-los na próxima vez que for ao Vale e comer no ótimo restaurante Don Ziero.
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23 outubro 2010

Montes Vindima Tardia 2008


Esse é um vinho que tem personalidade. Produzido pela Viña Montes com uvas 100% Gewürztraminer originárias do Vale do Curicó (200 km ao sul de Santiago), não tem passagem por madeira. 70% das uvas colhidas foram atingidas pela botrytis cinerea, fungo responsável pela "podridão nobre", algo possível apenas em grandes anos.

Servido à temperatura correta 10-12ºC, apresentou coloração amarelo dourado. Aromas intensos, destaque inicial para muito maracujá e abacaxi em segundo plano. Damasco, mel, flores brancas e frutos secos vieram com um tempo em taça.
Bom corpo, untuoso. Acidez "picante", evidente no primeiro contato com a língua. Continua com boa fruta e um pouco de mel. Equilíbrio entre doce e acidez. Chama para o próximo gole.
Final de média persistência. O adocicado não marca o palato, mas a fruta seca e uma grande citricidade. Vinho refrescante, nem um pouco chato.
Pela garrafa paga-se algo em torno dos R$53. Vale o que custa, sem dúvida.

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27 setembro 2010

Porto Burton's Tawny

Continuando minhas postagens a respeito de alguns Porto que comprei a preços acessíveis ($40-60), comento hoje esse Tawny elaborado, segundo o rótulo, pela Caves Messias, tradicional vinícola fundada em 1926, que tem produzido e comercializado vinhos das principais regiões demarcadas de Portugal: Bairrada, Beiras, Dão, Douro, Vinho Verde e Vinho do Porto.
Seus vinhos são bem distribuídos no Brasil, sendo encontrados facilmente em supermercados e casas especializadas. Mas esse Tawny, que pela legislação passa por envelhecimento em madeira, sequer está no sítio da vinícola. Provavelmente é um produto de qualidade inferior para os padrões do consumidor português. Daí, mandam pra nós!

Vinho de coloração vermelho grená, com bordas alaranjadas e muita transparência. No nariz o destaque inicial é para o álcool (19%) que chega primeiro e incomoda um pouco. Frutos secos e uma certa lembrança de tabaco.
Na boca surpreende pelo pouco corpo. Adocicado toma conta e encobre a fruta. Certo desequilíbrio. Final curto, prevalecendo o álcool. No palato uma discreta lembrança de frutos secos e mel, que desaparece rapidamente. Fundo de taça com notas de tabaco.
Não é um vinho ruim mas para o dia-a-dia há outros muito melhores na faixa de preços. Não compraria outro, apesar do preço acessível ($45).
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01 setembro 2010

Ramos Pinto Porto Tawny #cbe

Hoje é dia de comentar o 46º vinho para a Confraria Brasileira de Enoblogs. A indicação veio do confrade André Muricy, do blog Bebendo com os Olhos, que sugeriu um "Porto branco seco". Porém, procurei em todos os locais de venda em Uberlândia e não consegui encontrar nenhum produto. Como não havia tempo hábil para encomendar e receber a tempo de comentar, preferi postar sobre um Porto que há tempos estava aqui para degustar. Não é a mesma coisa, mas não passarei em branco...

A Casa Ramos Pinto foi fundada em 1880 por Adriano Ramos Pinto (aos 21 anos de idade), jovem artista, frequentador do centro artístico portuense, alcançando rapidamente o objetivo de conquistar o mercado brasileiro e, devido ao aumento do volume de negócios, oferece sociedade ao seu irmão Antônio, em 1896.
Antônio era proprietário de uma casa de fotografias na cidade do Porto. A partir da sociedade a casa passa a se chamar Adriano Ramos Pinto & Irmão, cabendo a Adriano o aperfeiçoamento das técnicas de divulgação e promoção do vinho e a Antônio a gestão comercial da firma.
Esse é um pequeno trecho da importante história dessa vinícola, cujos vinhos licorosos estão entre os mais vendidos no Brasil há muito tempo. Por essa garrafa paguei (se bem me recordo), algo em torno dos $75. É um vinho mais interessante que os dois anteriores que comentei recentemente, apesar do preço mais alto.
O vinho é resultado de um blend de vinhos de 3 a 5 anos, elaborados a partir das castas Tinta Roriz e Tinto Cão. Pelo número do lote parece ter sido engarrafado em 2007.
Na taça uma linda coloração rubi com bordas acastanhadas. Muito lacrimoso (19,5% de teor alcoólico). Aromas em grande intensidade, frutos secos e mel. Na boca tem bom equilíbrio entre doce, álcool e características frutadas. Macio, com final longo marcado pela lembrança de frutos secos, mel e madeira. Boa opção para o dia-a-dia numa faixa de preços acessível.
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13 agosto 2010

Santa Julia Tardío 2008

Esse foi o sexto vinho da degustação promovida pela importadora Ravin, no dia 26 de julho na sede da SBAV-SP, para apresentação dos produtos da conhecida e conceituada Família Zuccardi, com a presença de seu diretor José Alberto Zuccardi.
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Dados técnicos: elaborado com uvas de Maipú e Santa Rosa, um corte de 85% Torrontés e 15% Viognier. As uvas foram colhidas em maio. Depois de prensadas passaram por maceração com as cascas e fermentação com leveduras selvagens. O processo de fermentação foi interrompido por um choque a frio. Teor alcoólico de 9,5%.
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Vinho de coloração dourado claro. Aromas intensos. Inicialmente identifiquei uma fruta muito comum no cerrado chamada Cajá-Manga, que depois desapareceu dando lugar para frutos secos, mel e notas lembrando aspargos. Na boca é macio, repetindo frutado, com acidez moderada e final mediano.
Quem acompanha o blog sabe que tenho me dedicado (timidamente) a comentar vinhos de sobremesa (veja menu à direita). No caso dos colheita tardia, busco equilíbrio entre fruta e adocicado e uma boa acidez, características que não deixam o vinho chato e permitem uma gama maior de harmonizações. Esse me pareceu menos interessante justamente porque lhe faltou um pouco de acidez e talvez um pouco mais de álcool. Preço: R$49.
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Obs.: o sétimo vinho servido foi um Tempranillo, uma das especialidades da vinícola, que acompanhou o jantar. Mas àquela altura eu já não queria fazer mais anotações. Bebi o vinho sem maior atenção e prefiro não comentá-lo aqui, embora tenha gostado.

21 julho 2010

Porto Dom José Ruby

Quando comentei um porto branco aqui no blog (relembre), tive certeza de que não conhecer esses vinhos seria um grande sinal de ignorância. Passei a ler mais a respeito e a degustar esses licorosos nas oportunidades que tinha, especialmente em restaurantes.
Recentemente comprei três vinhos básicos, de preços modestos (na faixa dos R$40-60), para começar a experimentá-los com mais atenção. O primeiro comentado é esse produzido pela tradicional Real Companhia Velha. Um porto ruby, que passa três anos em cascos de madeira, elaborado através da vinificação de diversas castas como Touriga Nacional, Touriga Francesa, Bastardo, Tinta Roriz, Tinta Carvalha, Tinto Cão e Mourisco, em percentagens não definidas, conforme informações do site da vinícola. Garrafa do Lote 9043.
Na taça apresentou coloração rubi, com reflexos deixando o violeta e ficando mais próximos de um discretíssimo alaranjado. Aromas com boa intensidade, com as esperadas notas de frutos secos e presença alcoólica (19%). Vinho perfumado, mas sem muita complexidade. Na boca tem bom corpo. Açúcar se sobrepondo à fruta, o que me pareceu um tanto exagerado. Final curto para frutado e doçura, com prevalência do álcool e um pouco de mel no palato. Fundo de copo com discretíssimo defumado.
Vale o que custa, sem ser exuberante ou complexo. Para se ter em casa e servir sem esperar suspiros. A própria vinícola o considera um vinho para o dia-a-dia, que foi
servido a 15ºC, a temperatura recomendada pelo produtor. Servido gelado, como é comum nos restaurantes brasileiros, perde em aromas. Servido à temperatura dos trópicos, o álcool passa a incomodar. Cuidado!
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09 junho 2010

Club des Sommeliers Reserva Late Harvest 2006


Os vinhos dessa linha são produzidos por vinícolas de todo o mundo e rotulados para o Grupo Pão de Açúcar. São produtos baratos e com o propósito de mostrar ao consumidor as características de vinhos de diversas regiões. Esse "colheita tardia" é produzido no Chile pela Carta Vieja.
No rótulo não há muita informação quanto às uvas, mas no site do Pão de Açúcar encontrei que é elaborado com a Sauvignon Blanc, mas é uma informação sujeita a confirmação.
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Na taça um amarelo bem intenso, com fortes nuances esverdeados. Untuoso. Aromas em boa intensidade. Quando mais gelado revelaram-se frutos tropicais, como abacaxi, leve defumado e uma discreta nota química, lembrando derivados de petróleo e borracha. A uma temperatura mais alta revelaram-se ervas e especiarias, com eucalipto muito evidente.
Na boca tem bom equilíbrio entre açúcar e acidez, com presença amadeirada no retro-olfato. É untuoso, mas com bom frescor.
Final longo, com destaque para defumado e notas cítricas. Fundo de copo lembrando ervas. Boa complexidade para um vinho de R$33. Se custasse R$60, talvez não merecesse as quatro tacinhas abaixo, mas é muito agradável e foi divertido notar as alterações nos aromas. Foi a melhor compra que fiz dessa linha.
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13 abril 2010

Surazo Late Harverst 2004

Experimentei esse vinho numa degustação promovida para divulgar os vinhos de seu importador. Essa linha de produtos foi criada pela Viña Santa Mônica para o mercado europeu. Surazo é o vento que corta os vinhedos na região do Vale do Rapel, contribuindo para que o amadurecimento das uvas ocorra de forma mais lenta.
O enólogo da vinícola é Don Emilio Solminihac, o primeiro sul-americano a formar-se em enologia em Bordeaux, isso no ano de 1952. Sua elegância pessoal reflete em seus vinhos. Um deles é o vinho mais antigo em comercialização no Chile, um tinto de 1993.
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Este "colheita tardia" é elaborado a partir das variedades Sémillon (53%) e Riesling (47%), com passagem de 5 meses por barricas de carvalho francês. É o tradicional "corte bordalês" para esse tipo de vinho, já que é utilizado na região de Sauternes desde a segunda metade do século XIX.
Conta a história que em 1850 a colheita do Château d'Yquem foi retardada e as uvas foram atacadas pelo fungo Botrytis cinerea, resultando em vinhos doces. Tal produto caiu nas graças do então Czar da Rússia, fazendo nascer a expressão "podridão nobre".
Na taça um bonito amarelo dourado, muito brilhante e límpido. Aromas intensos, frutos brancos como abacaxi em calda, mel em boa dose e notas florais dando boa complexidade.
Na boca apresenta o adocicado típico, mas com boa dose de acidez, deixando o vinho mais interessante. Final longo, prevalecendo floral sobre o mel, com notas tostadas aparecendo também.
Ponto alto para a acidez sobre o doce e para a boa complexidade. Ficou ótimo com os chocolates da Páscoa.
Tem 13,5% de teor alcoólico.
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01 junho 2008

Porto Comenda White

O 16º vinho do mês foi escolhido pelos amigos do Gourmandise, que integram agora a “Confraria Brasileira de Enoblogs”. Particularmente, é um desafio este comentário, porque minha experiência com vinho do porto é muito limitada. Recorri ao site da empresa e ao amigo João Barbosa para maiores informações, sem muito sucesso. Parece que a marca, segundo João, é apenas para exportação, mas o setor de exportações da vinícola Manoel D. Poças Júnior não me respondeu.
A empresa, localizada em Vila Nova de Gaia, foi fundada em 1918 e hoje é comandada pelos netos do fundador. Produz várias marcas de vinho do porto: Pousada, Porto Seguro e Poças, todas bastante conhecidas no Brasil. A marca Comenda é importada exclusivamente pela Cia. Brasileira de Distribuição, do Grupo Pão de Açúcar. Comprei a garrafa por R$ 34,90, no Extra.
Não encontrei as castas com que é produzido o vinho, mas os outros white da empresa são feitos a partir de um corte de Malvasia Fina, Códega, Rabigato e Viosinho. Por analogia, talvez o nosso vinho também possua este corte. Se não for, que me a empresa me mande alguma notícia, ora bolas!

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No copo, uma coloração dourada, com reflexos alaranjados. Transparente. Aromas "adocicados", flores brancas e mel. Álcool presente no nariz (19%), mas sem comprometer, já que tratamos de um vinho com adição de aguardente vínica. Na boca, um vinho untuoso, doce e potente. Boa acidez, com algumas "agulhas". Retro-olfato lembrando o floral e novamente o mel. Final longo. Vinho que vai bem como aperitivo ou sobremesa.
Considerando minhas limitações, posso dizer que é um vinho bom, mas sem complexidade. Os aromas lembrando a mel são um pouco exagerados. Deixam o vinho um pouco chato, mas é adequado para quem deseja ter um vinho do porto em casa, sem gastar muito.