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29 janeiro 2014

Cava é uma região ou um tipo de espumante? Ou seriam os dois?

A principal região produtora de cavas é Penedès, na costa do Mediterrâneo, próxima à cidade de Barcelona. Mapa: http://winefolly.com

A Espanha elabora espumantes desde 1872, quando Don José Raventós, que estava à frente da bodega Codorníu, resolveu utilizar as uvas de sua região, Penedés, para obter um vinho semelhante ao que tinha visto em Champagne.

No início, os espanhóis chamavam seu espumante de champán ou xampany, mas com o passar do tempo, vendo que seu produto tinha qualidade, mas características diferente dos champagne, encontraram no nome cava sua melhor identificação. Essa palavra de origem catalã significa cave ou adega.

Então, cava é o nome do espumante que simboliza a Espanha e utilizado obrigatoriamente a partir de 1972. Para ter essa designação no rótulo precisa ser elaborado pelo método tradicional, desenvolvido em Champagne e conhecido por método champenoise. Por esse sistema o gás carbônico, responsável pelas bolhinhas, é obtido através de uma segunda fermentação que ocorre na própria garrafa do espumante, individualmente.

Um anúncio antigo da bodega Codorníu que ainda utilizava a expressão "champagne" para seu espumante. Fonte: http://www.codorniu.com/campanas/grafiques/2/1/9.html

Mas, cava também é uma DO (Denominación de Origen), isso significa que está ligada a zonas geográficas autorizadas, que pela legislação atual correspondem a 160 municípios espalhados por 7 comunidades autônomas: Catalunha, Aragão, Navarra, Extremadura, Rioja, Álava e Valência.

Curiosamente, esses espumantes podem ser elaborados em qualquer uma dessas regiões e receber no rótulo a designação cava, sem a necessidade do acréscimo da designação DO, uma das poucas exceções possíveis. Afinal, cava é cava! 

Apesar dessa ampla quantidade de regiões autorizadas, 90% da produção vem da Catalunha, sendo que desse total 75% se concentram na zona de Penedès. Um espumante genuinamente catalão!


Uvas autorizadas 

Na produção do cava as uvas nativas (autóctones) são as mais importantes e foi assim desde o início. No entanto, para a produção de um espumante mais “globalizado”, mais próximo do gosto internacional, variedades francesas típicas do Champagne também são hoje autorizadas.

O cava tradicional leva principalmente as três variedades abaixo, vinificadas em separado para contribuir com suas características particulares no produto final:

- Macabeu (branca), conhecida como viúra em outras regiões da Espanha, dá um vinho floral e com pouca acidez, mas boa fruta.

- Xarel-lo (branca), é responsável pelo aroma de terra dos cava, por seu corpo e estrutura.

- Parellada (branca), uva que dá qualidade e leveza ao espumante, tem acidez mais pronunciada e aroma floral. Proporciona cremosidade e delicado aroma. 

São também autorizadas as tintas Garnacha e Monastrell, mas a “rainha das uvas brancas”, a Chardonnay, tem sido cada vez mais utilizada, além da outra francesa, a Pinot Noir, para elaboração dos espumantes rosados.


Níveis de açúcar

Os cavas são classificados de acordo com a quantidade de açúcares, lembrando que essa quantidade é o que resta de açúcar ao final da fermentação, por isso chamamos de “açúcar residual”. Assim, conforme a lei espanhola, temos:

- Brut Nature – 0-3 gramas por litro (sem adição de açúcar após a “degola”).
- Extra Brut – até 6 gramas de açúcar por litro.
- Brut – até 12 gramas.
- Extra-seco – entre 12 e 17 gramas de açúcar.
- Seco – entre 17 e 32 gramas.
- Semi Seco – entre 32 e 50 gramas.
- Dulce – mais de 50 gramas de açúcar por litro.


Elaboração

Para esses espumantes o método de elaboração é necessariamente o champenoise, o mesmo da região francesa de Champagne, em que a segunda fermentação ocorre na própria garrafa.

Por esse método quando as leveduras estão agindo no consumo do açúcar e produção de álcool e gás carbônico as garrafas são colocadas em cavaletes com o bico para baixo. Assim, é necessário movimentá-las diariamente para que os resíduos que se formam sejam direcionados ao bico para depois serem retirados na "degola" (dégorgement).

Esse processo é realizado manualmente na maioria dos países, inclusive na França, mas na Espanha criou-se um sistema mecanizado para realizar essa tarefa em grande escala e menor custo através de uma máquina conhecida como giropaleta (foto abaixo), invenção dos engenheiros da Freixenet no início dos anos 1970.

Foto: http://en.wikipedia.org/wiki/Gyropalette


Os cavas permanecem pelo menos 9 meses em contato com as leveduras, conforme regras do Conselho Regulador. Para ser um Reserva o espumante fica pelo menos 15 meses em adega antes da comercialização. Já o Gran Reserva exige 30 meses de amadurecimento nas caves.  


Alguns produtores importantes (em ordem alfabética)



Para saber mais: 

- Visite o site do Consejo Regulador de Cava.


Saúde a todos!
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Obs.: esse texto reúne apenas informações básicas sobre a região. Ampliações e correções podem ser feitas. Envie suas sugestões para: vinhoparatodos@gmail.com.

30 janeiro 2013

Bebendo a aprendendo: Coteaux-d'Aix-en-Provence AOC

Mapa vinícola da Provence, com suas sub-regiões em destaque. Fonte: Wikipedia.

Os vinhos da Provence são famosos em todo o mundo, especialmente porque formam uma dupla inquestionável com a culinária local. Karen MacNeil, em seu A Bíblia do Vinho, afirma:

Os vinhos da Provença sempre desempenharam um papel de apoio para os encantadores e deliciosos pratos locais. Na verdade, até recentemente o vinho assumia mais ou menos um papel subalterno. A comida era a verdadeira (e única) estrela. Agora isso começa a mudar, mas há também um fenômeno em ação: a comida provençal tem um surpreendente efeito sobre o vinho provençal. Cada vez mais os profissionais de vinhos que relatavam não estar impressionados com os vinhos provençais, depois mudam de ideia quando experimentam esses mesmos vinhos com os pratos locais. 

Coteaux-d’Aix-en-Provence é uma AOC (Appélattion d'Origine Contrôlée) e uma das 11 sub-regiões da Provence, localizada em torno da antiga cidade de Aix-en-Provence, no departamento de Bouches-du-Rhône. A cidade tem cerca de 146.000 habitantes atualmente.

A área dessa AOC está situada na zona oeste da Provence, estendendo-se desde o Mar Mediterrâneo até o Rio Durance (ao norte) e o Vale do Rhône (a oeste). A leste o limite é a cadeita de montanhas Sainte-Victoire.

A expressão “AIX” está presente em treze municípios e quatro povoados franceses. Deriva do latim aquae, que significa água. O nome da principal cidade da região foi dado em 1932 pelo então presidente da República, Paul Doumer.

Em termos de reconhecimento vinícola a região começa a despontar em 1946 quando torna-se Coteaux du Roy René. Passados dez anos adquire a denominação Coteaux d’Aix VDQS (Vin Délimités de Qualité Supérieure), um degrau abaixo da AOC, denominação essa que foi conquistada em 24 de dezembro de 1985.


Clima e solo 

O clima da região é mediterrânico, com verões quentes e secos e invernos amenos e ensolarados. A influência do vento mistral, seco e frio que sopra no outono, é diminuída por uma cadeia de montanhas ao norte, conhecidas como Trévaresse e Luberon.

Esse clima permite aos vinhedos uma ensolação de 300 dias por ano, com temperaturas médias de 6,5ºC em janeiro e 24ºC em julho. No inverno as temperaturas podem ser negativas, mas no verão podem superar os 40ºC.

O solo é antigo e pobre, o que poderia ser complicado para outros cultivos, mas ideal para as parreiras. É formado por faixas de calcário, xisto e quartzo no litoral e argila e cascalho mais para o interior, com grande capacidade de drenagem. 


Vinhedos

Os vinhedos dessa apelação ocupam cerca de 4.000 hectares, distribuídos em 49 comunas (municípios), que pertencem aos departamentos de Bouches du Rhône e Var.

São 501 produtores de uvas, cuja produção é utilizada por 12 cooperativas vinícolas e 66 propriedades ou châteaux.

Château Vingnelaure, cujo proprietário, Georges Brunet, foi quem levou a Cabernet Sauvignon de Bordeaux para essa região da Provence, em 1960. Foto: http://www.enprovence.fr

Regras para os vinhos

Assim como em outras regiões da Provence, há uma grande quantidade de uvas permitidas, mas as principais são as seguintes:

Tintas: Grenache, Cabernet Sauvignon, Cinsault, Syrah, Counoise e Mourvèdre

Branca: Vermentino

Os vinhos são elaborados em cortes, com as seguintes proporções:

- Os tintos e rosés devem conter pelo menos 60% de Grenache. As variedades Carignan e Cabernet Sauvignon podem participar com até 30% e as demais, Cinsault, Syrah, Mourvèdre e Counoise participam com no máximo 40%.

- Já os brancos levam no máximo 70% de Vermentino, Bourboulenc e Clairette. A Ugni Blanc (conhecida na Itália como Trebbiano) pode participar em até 40% do assemblage.

Segundo o Sindicato responsável por regular os vinhos da região, a produção anual é de cerca de 19 milhões de litros, sendo 76% de vinhos rosés, 19% de vinhos tintos e 5% de brancos.

Foto: http://avis-vin.lefigaro.fr

Alguns produtores importantes (em ordem alfabética) 


Para saber mais: 



Saúde a todos!
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Obs.: esse texto reúne apenas informações básicas sobre a região. Novas informações e correções podem ser feitas. Envie suas sugestões para: vinhoparatodos@gmail.com.

21 janeiro 2013

Bolgheri DOC: um pedacinho importante da Toscana




Bolgheri é uma DOC (Denominazione di Origine Controllata) de pequenas dimensões, situada ao sul de Livorno e ao redor de uma vila que lhe dá nome, quase no Mar Tirreno (Mediterrâneo). 

Em termos vinícolas pertence à Itália Central, mais precisamente à importante região da Toscana, que tem outras importantes sub-regiões, como Chianti Classico, Carmignano e Brunello di Montalcino. 

Em termos de divisão política, a região de Bolgheri está na Província de Livorno, na comuna de Castagneto Carducci, que tem aproximadamente 9.000 habitantes, em dados de 2011.


A temperatura média anual é de 14º C, com média de 18 graus de abril a setembro, 7,5 graus de dezembro a janeiro e 24º C em agosto. As chuvas chegam a 600 mm anuais e são bem distribuídas, sendo mais abundantes durante o crescimento vegetativo, menos frequentes durante o amadurecimento da fruta e novamente abundante após a vindima. O mês mais chuvoso é julho. Essas características levavam os mais velhos a dizerem que não se poderia produzir vinhos de excelência com uvas plantadas nessas condições e tão próximas ao oceano.

Em termos históricos, essa pequena região começa a ganhar alguma importância a partir do vinho Sassicaia, comercializado a partir da safra de 1968, elaborado de vinhedos plantados em 1944 pelo Marchese Incisa della Rocchetta, num terreno pedregoso de sua propriedade (San Guido), distante a 10 km do mar.


Era um vinho elaborado apenas com Cabernet Sauvignon, portanto, fora das tradicionais regras italianas, não podendo receber a designação DOC. Coube à imprensa internacional, na década seguinte, apelidar esse e outros vinhos de supertoscanos, porque elaborados com predominância de uvas internacionais (Cabernet Sauvignon e Merlot), por vezes cortadas com a tradicional Sangiovese.

Atualmente esse verdadeiro representante da rebeldia dos produtores da região tem sua própria denominação, a Sassicaia DOC. 

Na esteira desse sucesso outros produtores  se estabelecem na região, como o Marchese Lodovico Antinori, que em 1981 funda a Tenuta dell'Ornellaia, que elabora o famoso vinho que leva seu nome. Atualmente essa propriedade pertence à família Frescobaldi e tem Michel Rollando como consultor e Axel Heinz como enólogo chefe.

Esse pedacinho da Toscana, berço dos internacionais supertoscanos, é repleta de produtores notáveis, bastando ver a lista apresentada ao final desse post.  
 


Variedades autorizadas em Bolgheri 

Tintas: Sangiovese, Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc são as mais utilizadas, mas há vinhedos de Syrah e Petit Verdot.

Brancas: Vermentino é a principal uva, mas também há vinhos menos expressivos elaborados com Sauvignon Blanc e Viognier.

Regras para os vinhos


Para que os vinhos elaborados nessa região sejam rotulados como DOC, precisam seguir algumas regras resumidas abaixo. Se estiverem fora dessas parâmetros, devem ser classificados como Toscana IGT (Indicazione Geográfica Típica).

- Alguns vinhos recebem no rótulo a classificação Bolgheri DOC Superiore. A expressão "superiore” indica um vinho mais envelhecido que um DOC e com teor alcoólico maior, entre 0,5% e 1% (Fonte: Atlas Mundial do Vinho).

- Os vinhos tintos devem ser elaborados em corte. A Cabernet Sauvignon pode participar em até 80% do vinho, a Merlot com 70% e a Sangiovese também com 70%, complementados em menores parcelas pela Syrah e Petit Verdot.

- Há excelentes vinhos tintos varietais elaborados na região, como o Paleo (Cabernet Franc), Masseto e Messorio (ambos com 100% Merlot). A alta qualidade tem levado o Consórcio responsável pela regulação regional a estudar a possibilidade de incluir esses monovarietais na DOC.

- Os rosados dessa DOC tem uma tradição implantada desde os anos 1970, quando Antinori elaborava seu Rosé di Bolgheri. As uvas mais utilizadas são Sangiovese e Malvasia Nera, mas também Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah.

- Os vinhos brancos são elaborados principalmente com a uva Vermentino, vinificada sozinha ou em cortes com a Sauvignon Blanc e Viognier. São elaborados desde os frescos vinhos que não passam por madeira, combinando com a culinária do Mediterrâneo, quanto outro estilo mais complexo, com as uvas fermentadas em barricas de carvalho.


Alguns produtores importantes (em ordem alfabética):

 

Para saber mais

- Visite o site do Consorzio per la Tuteladei Vini Bolgheri DOC.


Saúde a todos!
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Obs.: esse texto reúne apenas informações básicas sobre a região. Novas informações e correções podem ser feitas. Envie suas sugestões para: vinhoparatodos@gmail.com.