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08 março 2018

Divulgação :: Orestes de Andrade Jr. é o novo presidente da ABS-RS

Quem lê esse blog há algum tempo sabe que não costumo replicar notícias, mas abro exceção sempre que encontro motivos para isso. Hoje, o motivo é divulgar que o amigo Orestes de Andrade Jr., jornalista com muita história no mundo do vinho, assumirá a presidência da ABS-RS. 

Compartilho abaixo a nota que recebi da Assessoria da ABS-RS. 


Orestes de Andrade Jr. é o novo presidente da ABS-RS

Orestes de Andrade Jr. é o novo presidente da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-RS). O jornalista, radialista e sommelier ficará três anos no comando da secção gaúcha da ABS. Ele sucede Andreia Gentilini Milan, que será a diretora financeira da entidade para o triênio 2018-2020. Orestes Jr. era vice-presidente da ABS-RS, cargo que agora será ocupado pelo jornalista Marcos Graciani. O secretário da nova diretoria é o também jornalista Maurício Roloff. Todos são sommeliers formados pela ABS-RS, que tem entre seus objetivos a formação de profissionais para a cadeia do vinho e da gastronomia.

“Vamos continuar trabalhando em equipe para consolidar o papel de incentivador da cultura do vinho no Rio Grande do Sul, com foco na melhoria do serviço em bares e restaurantes, com especial atenção aos produtos elaborados no Brasil”, afirma Orestes Jr. O novo presidente da ABS-RS ainda diz que entre as metas da sua gestão está o aumento das turmas do Curso de Sommelier Profissional, o incremento de parcerias com vinícolas e importadoras e a implementação de atividades regulares para os associados da entidade.

Sobre o número de associados, que hoje são 53, a meta é chegar a 200 em três anos. “A Andreia fez o mais difícil, iniciar e seguir com regularidade e qualidade as atividades da ABS-RS. Agora o desafio é manter o que já foi conquistado e avançar ainda mais”, observa Orestes Jr. “Tornamos realidade o sonho antigo de ter uma unidade da ABS no Rio Grande do Sul, principal polo produtor da bebida no Brasil”, comemora Andreia Gentilini Milan, que deixa a presidência da entidade, ressaltando o suporte e a parceria da ABS-SP durante todo o seu mandato.

A sede da ABS-RS segue no Spa do Vinho Hotel e Condomínio Vitivinícola, em Bento Gonçalves, no coração do Vale dos Vinhedos. “Mas teremos uma subsede em Porto Alegre, que receberá a maioria das nossas atividades”, revela Orestes Jr. Em três anos, a ABS-RS formou 230 sommeliers no RS. O grande diferencial dos cursos oferecidos é que eles ocorrem dentro das vinícolas da serra gaúcha. Isso atrai interessados de todo o Brasil. No último curso aberto no início de março, estão presentes alunos de seis estados – Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Maranhão.

NOVA DIRETORIA DA ABS-RS | 2018/2020

Presidente: Orestes de Andrade Jr.
Vice-presidente: Marcos Graciani
Diretor Tesoureiro: Andreia Gentilini Milan
Secretário e Diretor Executivo da Área Técnica: Maurício Roloff
Diretor executivo Institucional: Júlio César Kunz
Diretor executivo de Marketing: Marcelo Vargas
Diretor executivo de Cursos: Vinícius Santiago

CONSELHO FISCAL

Silvana Gentilini
Débora Paixão
Jean Sonza

24 julho 2016

Divulgação :: Taylor's inaugura centro de visitas - uma verdadeira imersão no universo do vinho do Porto


Após meses de reestruturação e modernização, a Taylor´s anuncia a abertura de seu novo Centro de Visitas, localizado no coração da zona histórica de Vila Nova de Gaia. Um passeio pelo complexo e delicioso mundo do Vinho do Porto e da Taylor´s que proporciona ao turista uma experiência inesquecível!

Para Adrian Bridge, diretor-geral da Taylor’s, a empresa sentiu a necessidade de oferecer aos mais de 100 mil visitantes anuais um outro tipo de experiência, mais adaptada ao século XXI e que se destaque dos outros 16 centros de visita às caves de vinho do Porto que estão por perto.  Para isso, a empresa investiu mais de um milhão de euros nas novas instalações. 

A visita custa 12 euros e está disponível em áudio-guia em cinco idiomas: inglês, espanhol, francês, alemão e português; e leva os turistas através das caves que abrigam os antigos tonéis e mais de 1.500 pipas, onde envelhecem os vinhos do Porto antes da comercialização. Cada visitante ficará livre para escolher quanto tempo deseja dedicar às 11 áreas em que se divide o tour completo: o percurso rápido leva 20 minutos e o completo pode levar até duas horas. 


O tour começa pela história da marca, criada em 1692, contada por áudio, fotografias e vídeos. Os visitantes percorrem os túneis que abrigam a lendária coleção de vintages da Taylor´s, alguns com mais de dois séculos. Estas garrafas especiais encontram-se deitadas umas sobre as outras e repousam neste local até atingir a maturidade perfeita. Um dos pontos altos da visita é a garrafeira Vintage, que abriga uma das mais raras coleções de vinhos do Porto Vintage. Uma verdadeira viagem ao universo do vinho do Porto! 


Após este trajeto, os visitantes seguem para a sala de degustação, local onde podem provar o Taylor´s Chip Dry e o Taylor´s Late Bottled Vintage, sempre com os comentários de um expert da empresa. Para os que desejarem uma degustação mais completa, com inclusão de outros vinhos e até mesmo com alguns snacks e chocolates para harmonização, um novo valor é cobrado. 

Adrian Bridge destaca: "Sentimos que estava na hora de atualizar a nossa visita usando tecnologia moderna. O áudio tem conteúdo para uma visita de duas horas para os turistas que desejarem ver e aprender tudo o que puderem. No entanto, muitos vão preferir ir mais rapidamente para a sala de provas, onde têm acesso a uma ampla gama dos nossos vinhos do Porto."

Centro de Visitas Taylor´s
Horário: 10:00 às 19:30pm (última visita começa às 18:00)
Entrada: 12€ por pessoa
Rua do Choupelo nº 250, 4400-088 Vila Nova de Gaia

No Brasil, os vinhos Taylor´s são importados e distribuídos pela Importadora Qualimpor.

Fonte: Assessoria de Comunicação - São Paulo. 





27 maio 2015

Ainda em solo argentino: o autêntico Karim Mussi e sua bodega Altocedro


A receptividade em todos os lugares que visitamos na Argentina foi impressionante. Tudo sempre organizado para nos receber com o melhor da hospitalidade de nossos vizinhos. 

Em nosso primeiro dia na Argentina fomos a Coquimbito, no departamento de Maipú, província de Mendoza, a 1.150 quilômetros da capital Buenos Aires. Ali, Karim Mussi assumiu uma vinícola antiga e montou a Bodega Altocedro, que iniciou a produção dos primeiros vinhos em 2001 e utiliza uvas de seu vinhedo de 5 hectares, localizado em torno das instalações principais, com idades variando entre 15 e 104 anos. 

Karim, proprietário e enólogo chefe da vinícola, tem personalidade muito forte, extremamente simpático e ao mesmo tempo desafiador. Mostra em seus vinhos e em suas palavras que sabe muito bem o que quer, onde quer chegar e não se interessa por produzir vinhos de “modismo”.

Karim Mussi Saffie tem 39 anos de idade e pode ser considerado um enólogo e empresário de vocação e formação. Em 2007 foi reconhecido pelo Conselho Empresário Mendocino com o prêmio Jovens Mendocinos Destacados, na categoria Negócios. Em 2008 o Altocedro Reserva Malbec foi eleito pela revista Wine Spectator como um 100 melhores vinhos do mundo. Segundo o site de sua bodega, Karim é mais que feliz ao falar de política mundial, atualidades, filosofia britânica do século 17 e rock dos anos setenta (The Doors e Led Zeppelin são suas bandas favoritas). 

Quando se refere à elaboração de seus vinhos, fica clara sua paixão e parece “incorporar” um grande alquimista para misturar os cortes, preservando sempre a boa acidez, o frescor e cuidando para que o teor alcoólico não fique tão elevado. 


Iniciamos nossa degustação junto à sua equipe com um torrontés de Salta, um vinho que me impressionou pelos aromas. Sempre espero muita mineralidade nos vinhos dessa região e esse também apresentou muita fruta também, uma lembrança clara de lichia e uma acidez excepcional. Karim nos explicou que a torrontés é colhida em três etapas: mais verde, mais madura e bem madurinha, demonstrando nessa técnica o prazer que tem em ser um “alquimista”. 

Quando fala de seus vinhos Gran Reserva o enólogo diz que prefere que se pareçam com uma “dama elegante” e não com um “macho musculoso”. Conversei bastante com ele e descobri que ele conhece muito bem o Eduardo Valduga, filho do Juarez Valduga, que esteve por lá durante a elaboração do Mundvs Malbec, vinho de DNA argentino que faz parte dessa linha internacional da Casa Valduga. Para a próxima safra, o vinho da vinícola brasileira terá uma personalidade mais próxima dos vinhos da Altocedro. 


Tivemos ainda uma feira organizada para nós, em que degustamos os vinhos da Finca el Origen, Argento, Finca Agostino, Tapiz e Trivento. Foram 3 a 4 vinhos de cada produtor e por ali ficamos para um jantar caloroso ao lado de pessoas apaixonadas pelo que fazem. E fazem muito bem!

Durante o jantar o vinho que me acompanhou foi o Altocedro Año Cero Pinot Noir, da safra 2013, com uvas de La Consulta. Um belíssimo vinho para coroar uma visita harmoniosa e de muito aprendizado. 

Tim-tim!




23 abril 2015

A Patagônia e a bodega dos dinossauros!


Quando chegamos à vinícola da Família Schroeder, que fica no Vale de San Patrício del Chañar, a 53 km da cidade de Neuquén, fiquei impressionada e maravilhada com a estrutura da bodega, preparada para receber muito bem os turistas e com um maravilhoso restaurante, com uma vista perfeita para os vinhedos. 

O mais interessante ainda estava por vir: ao iniciarmos a visitação nos deparamos com um enorme esqueleto de dinossauro encontrado ali no início da construção da vinícola e preservado com muito cuidado. Os visitantes têm informações a respeito do dinossauro (Panamericansaurus Schroederi), de 75 milhões de anos.     

Os ossos verdadeiros foram retirados e ali foram deixadas réplicas, mostrando como foram encontrados e há muitos painéis contando a história dessa descoberta. 


Neste dia degustamos 21 vinhos e toda a degustação e visita foi acompanhada pela Carolina, uma excelente anfitriã, que inclusive providenciou que a bandeira do Brasil estivesse hasteada em nossa homenagem, uma gentileza que me emocionou. 

Nossa degustação foi dividida por uvas: primeiro degustamos todos os sauvignon blanc, depois os chardonnay, pinot noir, malbec, merlot, cabernet sauvignon, alguns cortes de uvas tintas e finalizamos com espumantes extra brut, nature e um Asti para a sobremesa. Gostei muito dos vinhos sem passagem por madeira, com muita fruta presente, boa acidez e para mim com uma característica gastronômica muito clara. Tenho gostado muito desse tipo de vinho, mais puros, que mostram o quanto nosso paladar muda com o passar dos anos, com a experiência em degustações. Voltamos a gostar do que é mais simples.


Depois dessa degustação fomos para o restaurante Saurus, onde iniciamos com um mimo do chef Sebastian Grimaldi: torradinha integral com creme de truta e um toque de beterraba. A truta patagônica é um dos peixes mais saborosos que já comi. 

A Carolina fez questão que o chef nos oferecesse em pequenas porções um pouco de tudo que o cardápio do restaurante oferece. Para mostrar as entradas: lagostin defumado com creme azedo de abacate, terrine de coelho com pimentões assados, purê de damasco com aioli, polvo marinado, truta confitada com quinoa andina. Estava tudo perfeito, mas a terrine de coelho me conquistou.

Meu prato principal foi um raviolli de truta defumada, apesar de serem oferecidos vários pratos de carne, mas havia prometido que em Neuquén daria preferência sempre aos peixes. Estava perfeito, mas eu e meus colegas de viagem sempre trocávamos uma garfada do prato alheio, para degustarmos um pouco mais da culinária local. 

Na sobremesa novamente um mix de tudo para degustarmos todas as opções do cardápio. Enfim, uma visita imperdível para quem for à Patagônia conhecer seus vinhos. 

Tim-tim!







26 março 2015

Os vinhos da Patagônia pelas mãos de Marcelo Miras

Bruno Agostini, Marcelo Miras, eu e um dos filhos de Miras, que também trabalha no projeto familiar.

Na última coluna comecei a contar sobre nossa visita à Patagônia, para conhecer os vinhos argentinos do fim do mundo, que assim podem ser chamados não só pela distância considerável que precisamos percorrer para chegar a essa região, mas também porque suas condições climáticas severas nos dão essa sensação. 

Depois de conhecer a Humberto Canale e provar muitos de seus ótimos vinhos, fomos conhecer o projeto familiar do enólogo Marcelo Miras, principal responsável pelos vinhos da famosa Bodega del Fin del Mundo. E, como disse na coluna de domingo passado, fiquei encantada com sua proposta e principalmente com o resultado na taça.

Na conversa que tivemos ele disse que “não pratica enologia” em seus vinhos, não interfere, não usa maquiagem, para que seus vinhos se apresentem de “cara lavada”. Disse, com orgulho, que utiliza o conceito uva + homem = vinho! E, apesar de trabalhar na maior vinícola da Patagônia revela muita simplicidade ao falar de seus vinhos, que elabora com sua família e sem ajuda de nenhum empregado. Ele, sua mulher e um dos filhos nos receberam com muito carinho. São donos e funcionários do projeto. Não tem como não funcionar!

Ao se apresentar deixa claro que não pertence a uma geração de enólogos, mas a duas delas: “dos enólogos mais jovens eu sou o mais velho”. Experiente, mas inovador.  

Saí de lá ainda mais apaixonada pelo mundo do vinho argentino, especialmente por descobrir muitos deles com uma personalidade tão forte, capazes de acabar com aquela ideia simplista de que todos os vinhos são muito parecidos. 

O apaixonante vinho com Trousseau Nouveau, uva um tanto rara na América do Sul.

Basta um gole de algum dos vinhos de Marcelo Miras para percebermos sua identidade própria. Aliás, eles até possuem uma certa “padronização”, se podemos dizer assim, porque todos são elegantes e com acidez bem presente, feitos para acompanharem uma refeição e não somente servir de aperitivo. Dos brancos elaborados com semillon e chardonnay, o seu rosé de malbec, os excelentes tintos de pinot noir, malbec e cabernet franc, todos possuem essas características. 

Provamos 14 vinhos elaborados por sua família e todos são encantadores. São duas linhas, uma jovem, que busca a expressão mais franca das uvas utilizadas, e outra reserva, com passagem do vinho por barricas de carvalho.    

São vinhos sem disfarces, acompanhados de uma delicadeza intrigante. Para mim a frase que define melhor esse produtor é: a riqueza da simplicidade, que deixei escrita a ele com muito carinho. 

Ganhei uma garrafa de um de seus vinhos, o Trousseau Nouveau 2014, que provocou reações emocionadas quando foi degustado na ocasião. Essa uva é conhecida em Portugal como bastardo e na França como gros cabernet. Possui taninos impactantes e grande acidez, mas a degustação desse vinho em casa será um capítulo à parte, que farei questão de relatar por aqui.

Tim-tim!

Os excelentes Pinot Noir, Merlot e Malbec da linha Reserva.

Três ótimos vinhos da linha Joven: Merlot, Malbec e um Blend da safra 2014.

O vinho da esquerda, da linha Reserva, prova que a Cabernet Franc está se tornando uma uva imperdível na Argentina.



19 março 2015

Visitando a Patagônia (e o brilho nos olhos)

A exuberante vista de um mirante patagônico.

Em nosso quarto dia de viagem saímos pela manhã de Buenos Aires com destino a Neuquén, na Patagônia. Confesso que de todo nosso roteiro este era o que mais fazia meus olhos brilharem. 

Sabia que ali encontraria vinhos diferentes daqueles que estou acostumada a experimentar no meu cotidiano. E foi assim que iniciei a viagem à Patagônia argentina, cheia de expectativas e com o propósito de ver o país muito além dos malbec, em busca de algo que me fascinasse. 

Iniciamos a viagem acompanhados pela Maria José, uma francesa que nos mostrou tudo sobre aquela pequena cidade onde o Rio Negro é o lugar preferido de seus habitantes, que usufruem não só de suas águas para a alimentação e agricultura, mas também como fonte de lazer. Por ali encontramos, além dos vinhedos, a cultura abundante de árvores frutíferas, principalmente peras e maçãs.  

O nosso anfitrião na Humberto Canale.

Nossa primeira visita foi à Humberto Canale, propriedade que desde 1909 dedica-se à elaboração de vinhos, mas também ao cultivo de frutas, sendo uma das pioneiras da região. Por lá fomos recebidos pelo Guillermo Barzi, seu diretor, que representa a quinta geração da família à frente do negócio. 

Ele nos levou a uma degustação com oito de seus rótulos: Humberto Canale Sauvignon Blanc 2014, vinho de boa acidez e bastante cítrico, com as uvas colhidas sempre na primeira semana de março. Os cachos para a versão 2015 desse vinho já estavam bem encaminhados durante nossa visita.

O ótimo riesling de vinhas velhas.

Para mim os vinhos de destaque nessa degustação foram, além desse sauvignon blanc, o La Morita Riesling, com uvas de vinhedos antigos, colhidas na primeira semana de abril. Bem doce no nariz, mas seco na boca e com acidez muito presente. Eu compraria muitas garrafas deste vinho. 

Interessante que a todo momento éramos informados sobre os ventos na região, sempre presentes, fortes e frios, fazendo com que as cascas das uvas fiquem mais grossas, beneficiando o resultado final na garrafa. 

Nesse mesmo dia o querido amigo Marcel Miwa agendou uma visita que acabou se transformando em uma grande surpresa da viagem. Fomos conhecer o vitivinicultor Marcelo Miras e as três horas livres em nossa agenda permitiram que nossos olhos brilhassem! 

Marcelo é atualmente o enólogo-chefe da Bodegas del Fin del Mundo, além de ter trabalhado na Humberto Canale por doze anos. Mas, fomos conhecer seu projeto solo, para o qual arredondou uma vinícola inativa (Estepa) e utiliza suas instalações para elaborar em família o seu próprio vinho. Sua esposa e um de seus filhos estavam por ali nos acompanhando em uma degustação de 14 vinhos fantásticos.

Bruno Agostini, Marcelo Miras, eu e Marcel Miwa.

O projeto começou com uma produção de 6.000 garrafas em 2011 e hoje produz 30.000 garrafas, uma produção minúscula mesmo se comparado a vinícolas de porte médio. Muito dessa produção é feita com amigos, como se fossem uma cooperativa e para isso compraram um vinhedo com quatro hectares. 

Essa visita merecerá uma coluna só pra ela, porque Marcelo Miras fez meus olhos brilharem com sua simplicidade, seu amor pelos vinhos e seu respeito pela natureza. 

Até a próxima coluna. 

Tim-tim!


O vento deixa suas marcas nas árvores da Patagônia.

Sauvignon blanc da Humberto Canale - quase pronta para a colheita. 

Um ótimo exemplar de Pinot Noir da Humberto Canale.


01 março 2015

Diário de viagem: um hotel muito charmoso em Buenos Aires e seu restaurante impecável

O aconchego do restaurante do Hotel Fierro 

No dia 5 de fevereiro cheguei a Buenos Aires, pelo Aeroparque, no horário previsto (9:30 h) e fui muito bem recepcionada pelo Alejandro, enviado pela Wines of Argentina para me conduzir naqueles primeiros momentos na capital argentina. Um sujeito muito atencioso, que me contou várias histórias sobre seu país e me surpreendeu ao perguntar sobre o time de basquete de Uberlândia ao saber de qual cidade eu havia partido. Fiquei bem feliz por ele conhecer a fama do nosso time, que já conquistou o campeonato sul-americano, em 2005.

Do aeroporto fomos para o Hotel Fierro, em Palermo Hollywood, um charmoso e pequeno hotel boutique que está nos “roteiros de charme” da capital, muito bem avaliado nos sites de viagens, daqueles em que o próprio consumidor dá suas notas. O quarto era moderno, aconchegante, amplo. Nesse dia pedi apenas um room service e fiquei por ali para descansar da viagem e fiquei bem impressionada com o lanche que pedi. Muito cuidado com tudo, até mesmo com o visual de um simples lanche. 


No dia seguinte, no café da manhã, conheci um dos meus companheiros de viagem, o jornalista Bruno Agostini, inquieto, culto, conhecedor de muitos lugares mundo afora e que estava na sua enésima visita a Buenos Aires. O papo foi muito bom e o café da manhã melhor ainda no restaurante do hotel, chamado UCO. Seu chef é irlandês e o café tem um ar caseiro, artesanal, com sucos frescos, alimentos orgânicos, pães feitos na casa e o melhor iogurte caseiro que já comi. Tanto hotel como seu restaurante foram ótimas experiências que recomendo a todos.  

Nesse mesmo dia, no almoço, já na companhia de todos da viagem, incluindo o jornalista Marcel Miwa, do Estadão, e o Deco Rossi, representante da Wines of Argentina no Brasil, iniciamos os trabalhos. Marcel é o mais quieto e discreto do grupo, degustador experiente e preciso, descobre nos vinhos detalhes que somente os muito “rodados” tem capacidade de enxergar. Deco, nosso anfitrião brasileiro em terras argentinas, sempre é o responsável por unir integrantes de um grupo tão heterogêneo de maneira muito amigável e sincera, até para não sentirmos tanta falta de casa. 

Uma das entradas: ovo de 4 minutos, panceta, morrones assados, croutons de morcilla e folhas verdes

A entrada servida foi um granité de melão com erva doce, cebolas roxas e brotos de agrião, harmonizado com Colomé Torrontés 2014. Já o primeiro prato, uma insalata de tomates, berinjela assada, burrata e brotos de alfavaca com molho pesto ficou muito interessante com o Primogénito Chardonnay 2014 (bodega Patritti). 

Dois dos excelentes vinhos do agradável almoço

O segundo prato!

O segundo prato foi a pesca do dia (truta) com purê aromatizado com açafrão, salada mediterrânea de vegetais e harmonizamos com dois vinhos: Kaiken Terroir Series Corte 2012 e o Miras Pinot Noir 2011

Para finalizar em grande estilo a sobremesa: vulcão de chocolate, creme de baunilha de Madagascar e flor de sal da Patagônia, harmonizado com Malamado 2012, um vinho fortificado com 100% malbec, ideal para acompanhar sobremesas à base de chocolate.

Dá pra você perceber a dificuldade que foi esse primeiro dia na Argentina, não? Domingo que vem tem mais por aqui. 

Tim-tim!


Capricho total, mesmo para um simples lanche pedido no quarto


O melhor iogurte natural que já comi


22 fevereiro 2015

Minha viagem à Argentina e o que vi no AWA 2015


O evento mais importante para o vinho de nossos vizinhos é o Argentina Wine Awards, que nesse ano teve como tema a “visão das mulheres” sobre a indústria e o mercado vitivinícola mundiais, conforme anunciado aqui no blog em dezembro (relembre). Por alguns dias doze juradas avaliaram 671 amostras de 137 bodegas diferentes, representando as quatro regiões produtoras do país: Salta, San Juan, Mendoza e Patagônia. 

Tive o prazer de presenciar as atividades do evento em viagem recente que fiz à Argentina a convite do órgão encarregado de divulgar o vinho do país mundo a fora: Wines of Argentina. Através do André (Deco) Rossi, seu representante no Brasil, recebi o honroso convite e fui acompanhada pelos jornalistas Bruno Agostini e Marcel Miwa, ótimas companhias e com quem aprendi muito durante essa viagem.    

Bem. No dia 13 de fevereiro as atividades do evento começaram às 8 da manhã, com seminário intitulado “vinos y estilos exitosos”, sendo degustados vinhos da Itália, Nova Zelândia, Estados Unidos, Chile e França. Para cada vinho degustado houve uma breve explanação sobre um determinado tema pelas integrantes da mesa, as doze juradas que representam vários setores do vinho em seus respectivos países.

Mesa do seminário, com Suzana Barelli ao centro e Jancin Robinson, à direita da foto

Quem representou o Brasil foi a amável Suzana Barelli, jornalista especializada em vinhos e gastronomia e editora da Revista Menu. Em seu grupo de degustação para a escolha dos melhores vinhos do evento esteve a mais importante jornalista de vinhos do mundo, a britânica Jancis Robinson, que também a acompanhou no seminário. 

Durante todas as palestras foram apresentadas as visões de mercado de cada país, com foco nas tendências e a possibilidade de participação e entrada dos vinhos argentinos. O que mais chama atenção em todos esses dias na Argentina, seja inúmeras visitações e mesmo durante o AWA 2015, é que o mercado está sedento por novidades e dentre esses novos desejos do consumidor estão os vinhos menos estruturados, menos carregados em madeira e menos alcoólicos. Uma tendência que acompanha o amadurecimento de qualquer mercado.

Aliás, tive oportunidade de estar ao lado de grandes personalidades do vinho e sentir o quanto um mercado é aquecido quando o vinho faz parte da cultura do país.  

Também é digno de nota o fato de que a Argentina vem fazendo ótimos cabernet franc e petit verdot, que antes eram meras coadjuvantes da sua principal uva, a malbec, ou apareciam apenas na composição de blends, mas agora são grandes apostas em vinhos varietais (uma só uva).

Na mesma noite fomos à premiação dos melhores de 2015, na Bodega Trivento. E, depois de ter degustado 279 vinhos durante a viagem, tivemos a certeza de que muitos dos nossos preferidos estariam ali. Apenas para deixar registrado esses quase trezentos vinhos foram degustados tecnicamente, ou seja, ninguém saiu embriagado das degustações e em posts futuros contarei mais sobre as várias visitas que fizemos nesses dez dias.

Os vinhos premiados com os "troféus" do AWA 2015

Na manhã seguinte provamos os vinhos que foram merecedores de troféus, os mais representativos do evento, divididos em categorias e também por faixa de preços, que abaixo estão arredondadas para facilitar a leitura. Foram eles:

Categoria espumante: 
- Ruca Malen Brut.

Categoria chardonnay:
- Finca la Escondida Reserva Chardonnay 2014 (entre 7 e 13 dólares).
- Salentein Single Vineyard Chardonnay 2012 (entre 30 e 50 dólares).

Categoria bonarda:
- Cadus Single Vineyard Finca las Tortugas Bonarda 2013 (entre 30 e 50 dólares).

Categoria malbec:
- Séptima Obra Malbec 2012 (entre 13 e 20 dólares).
- Riglos Quinto Malbec 2013 (entre 20 e 30 dólares).
- Casarena Single Vineyard Malbec – Jamilla’s Vineyard – Perdriel 2012 (entre 30 e 50 dólares).
- Zuccardi Aluvional Vista Flores Malbec 2012 (acima de 50 dólares).

Categoria petit verdot:      
- Decero Mini Ediciones Petit Verdot – Remolinos Vineyard 2012 (entre 30 e 50 dólares).

Categoria cabernet franc:
- La Mascota Cabernet Franc 2013 (entre 20 e 30 dólares).
- Salentein Numina Cabernet Franc 2012 (entre 30 e 50 dólares).

Categoria cabernet sauvignon:
- Proemio Reserve Cabernet Sauvignon 2013 (entre 13 e 20 dólares).

Categoria tannat:
- Serie Fincas Notables Tannat 2012 (entre 30 e 50 dólares).

Categoria red blend:
- Sophenia Synthesis The Blend 2011 (acima de 50 dólares).

Tanto pra mim quanto para meus companheiros de viagem o melhor vinho dentre os premiados foi o petit verdot, da Finca Decero, bodega de Mendoza.

Além desses vinhos que receberam troféus, foram distribuídas medalhas de ouro para 19 vinhos, medalhas de prata para 193 produtos e 369 medalhas de bronze. Para conhecer todos os vinhos premiados, clique aqui.

Tim-tim!

Meus companheiros de viagem: Bruno Agostini, Marcel Miwa e Déco Rossi. 

Com a jornalista Suzana Barelli, editora da Revista Menu 

Degustação de dez rótulos premiados no AWA 2015



11 abril 2014

Corremos a Wine Run, em Bento Gonçalves. Veja como foi!



Um dos vários trechos da corrida em que os vinhedos compunham o cenário. Foto: Divulgação.

No último sábado (5/4) foi realizada a 3ª edição da WineRun, em Bento Gonçalves (RS). A corrida é considerada uma “prova de montanha”, porque os corredores passam por vários terrenos diferentes no percurso desenhado em pleno Vale dos Vinhedos.

Todo na zona rural, o trajeto de 21 km mescla piso de terra, asfalto e paralelepípedo com muitas (muitas mesmo) subidas e descidas. Os inscritos poderiam correr a prova individualmente, em duplas ou em trios. Segundo a organização foram mais de 1.400 inscritos, superando os números do ano passado. 

Érika e eu fizemos nossa inscrição na modalidade duplas mistas, com grande antecedência para aproveitar preços melhores de voos e hotel. Também se inscreveram nossos amigos do Le Vin au Blog, Cláudio e Rafaela.

A prova foi muito bem organizada pela Revista Adega, com patrocínio da Caixa e apoio de várias vinícolas, como Aurora, Rio Sol, Miolo, Perini, Pizatto e Casa Valduga, além do Ibravin. 

Os corredores à espera da largada. Foto: Divulgação.

Na sexta-feira retiramos o kit da prova no CTG bem perto do Dall’Onder Grande Hotel, onde ficamos hospedados. Tudo muito rápido e sem grandes filas. No kit, além da camiseta da corrida e número de peito os corredores receberam um exemplar da revista Adega, bolachas, isotônico e uma garrafa de vinho de uma das vinícolas patrocinadoras.  

A organização montou uma pequena feira com os produtos da Salomon a preços mais baixos do que encontramos normalmente no mercado, com descontos de aproximadamente 20%. Havia muitos modelos de tênis, mochilas de hidratação, meias e outros acessórios.

No dia da corrida montaram um esquema de traslado dos participantes que funcionou muito bem. Às 7:30 h os ônibus levaram os corredores ao ponto de largada; às 8 h outra leva de corredores, dessa vez para o primeiro posto de revezamento e, por fim, às 8:30 h os ônibus partiram para o segundo posto de revezamento. Às 9 h ainda havia transporte para quem quisesse apenas assistir à chegada dos corredores.  

Tudo sem nenhum atropelo, diga-se de passagem.

O primeiro ponto de revezamento, ao final dos 9,9 primeiros quilômetros. Foto: Divulgação.

Na largada e postos de revezamento havia bastante água disponível e banheiros. O pessoal do Exército deu apoio nesses pontos, ajudou na sinalização de todo o percurso e na distribuição de água pelos vários pontos de hidratação. 

O primeiro trecho (9,9 km) foi marcado por uma subida logo no começo, não muito íngreme em sua grande parte, mas bem longa, com cerca de 4 km. Depois disso o percurso ficou mais suave. O segundo trecho (11,1 km) não tinha subidas tão longas, mas de grande inclinação, com descidas também complicadas. Foi impossível não caminhar em alguns momentos.

Quem conhece o Vale dos Vinhedos sabe que as estradas planas são uma raridade. Só pra ter uma ideia o trecho final da corrida (1,4 km) saía do ponto mais baixo de todo o trajeto, perto da Tecnovin, e subia em paralelepípedo passando pela Barcarola, Casa Madeira e um pouco antes da Larentis, onde hoje está a loja de chocolates Vivatto, chegávamos ao 21º quilômetro.

As panturrilhas reclamam até hoje!

Arena de chegada, na Linha Leopoldina. Foto: Divulgação.

Na arena de chegada a organização também foi impecável. Havia muita água, suco de uva, frutas, espumante (claro), um buffet de massas, cookies e outras guloseimas para reposição de energia.

A retirada das medalhas pelos concluintes foi muito tranquila, aliás, uma linda medalha. Impressionou a limpeza do lugar, porque mesmo com poucas lixeiras disponíveis os corredores faziam questão de não jogar nada no chão.

Para retornar ao centro da cidade não houve nenhum problema, porque havia ônibus para todos os corredores e também para os convidados que estavam em bom número prestigiando a festa.

O atleta do Cruzeiro, Reginaldo José da Silva, foi o primeiro a completar os 21 km. Foto: Divulgação.

À noite fomos para um jantar no restaurante Maria Valduga, um dos melhores da região. O convite pôde ser adquirido pela internet (R$59) no mesmo site que fazia as inscrições da prova. Uma facilidade e tanto.

Enfim, uma ótima experiência participar de uma prova tão organizada, com trajeto numa linda região vinícola e rever amigos especiais.

Em 2015 estaremos de volta!

Saúde a todos!


A linda medalha que os concluintes receberam ao final.