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10 dezembro 2014

Ficando em dia com a Confraria: Lídio Carraro Dádivas Pinot Noir 2013 #CBE

Foram elaboradas 10.000 garrafas e abrimos a de nº 4.297.

Confraria Brasileira de Enoblogs foi fundada em fevereiro de 2007 e eu fiz parte de sua criação. Então, sou um dos confrades que mais tem obrigação de manter-se em dia com a CBE. Porém, não tenho conseguido publicar o vinho no dia 1º de cada mês desde junho, mas prometo atualizar as postagens até o final do ano.

E esse vinho deveria ter sido publicado no dia 1º de agosto. O tema foi escolhido pelo confrade Evandro Vanti Gonçalves, do blog Vinhos que Provo, que determinou: "tinto nacional sem passagem por carvalho e sem limite de preço".  

Quando li o tema não pensei em outro produtor que não a Lídio Carraro, que tem se notabilizado por elaborar vinhos sem a utilização de barricas de carvalho. Confesso que já ouvi muitas estórias sobre esse fato nas minhas inúmeras visitas ao Vale dos Vinhedos: que as barricas ficam escondidas, que utilizam tábuas de carvalho dentro dos tanques de inox e por aí vai. Eu trabalho com a presunção de boa fé e com o fato de que se algo assim for descoberto a reputação da família, da enóloga, de seus vinhos simplesmente vai evaporar. Então, eu prefiro acreditar que a vinícola não usa madeira em seus vinhos. E ponto!

Na taça o vinho tem coloração vermelho cereja, com grande transparência, típica dos vinhos com essa uva. Aromas um tanto tímidos, seja em temperaturas mais altas ou mais baixas. Frutos silvestres. Em boca é bem melhor, corpo médio, álcool dando uma sensação de potência e mais corpo, notas levemente adocicadas. Frutos vermelhos se repetindo, mas em maior intensidade do que o nariz indicava.

Bom conjunto, com taninos com leve adstringência, boa acidez. Algumas notas vegetais, especiarias e frutos secos. Gostei do equilíbrio do vinho, salvo por uma pontinha de álcool que sempre apareceu, dando uma sensação de calor (14% de teor). Final de boa persistência, com palato vegetal e de especiarias sobressaindo sobre a fruta.

Vinho que pede comida, como queijos meia cura, risotos com carne, massas com molho vermelho (por conta de sua boa acidez), frango assado com polenta etc. Também dá impressão de que pode ganhar complexidade com mais um ou dois anos em garrafa.

Na garrafa existe sugestão de consumo entre 16 e 18 graus. Penso que mais frio ele se apresenta melhor na taça, com o álcool aparecendo em menor intensidade.

Por fim, preciso dizer algo que provavelmente me direcionará algumas "pedradas virtuais", mas desaconselho gastar R$80-100 num Borgonha genérico e sem personalidade. Se quiser experimentar algo interessante da França, espere desembolsar de R$150 pra cima (ou compre na fonte). Esse vinho brasileiro, de Encruzilhada do Sul, oferece mais que muitos franceses à disposição no mercado nacional a preços bem mais salgados.


Detalhe da compra:

Comprei esse vinho pela loja virtual da Wine, pagando R$41 (veja aqui).

* Esse foi o 96º vinho que comento para a CBE. 

Saúde a todos!



09 outubro 2014

O baratinho estava em melhor forma: Reserva da Serra Merlot Cabernet Sauvignon 2005


Quando os amigos do Vivendo Vinhos e do Le Vin au Blog estiveram por essas bandas - para comemorarmos os meus 40 anos - alguns vinhos vieram na mala. Esse foi trazido pelo Cristiano Orlandi e ficamos bem curiosos pra saber como um vinho barato da Lídio Carraro se sairia com quase nove anos de idade. 

Ele pertence a uma antiga linha da vinícola, chamada Reserva da Serra, que saiu do mercado. Acredito que se estivesse à venda hoje estaria na casa dos R$30. Um vinho barato, corte de uvas Merlot e Cabernet Sauvignon cultivadas no Vale dos Vinhedos, embora hoje os vinhos mais caros da vinícola venham da Serra do Sudeste. 

Não tomei notas para descrever o vinho, mas me lembro bem de sua coloração já apresentando alguma evolução, com as bordas levemente alaranjadas. Aromas de boa complexidade, com notas frutadas, chocolate e couro. Na boca apresentou boa acidez, deixando o vinho muito vivo. Os taninos já amaciaram, mas estão presentes. Final de boa persistência, mostrando que ainda tem boa capacidade para acompanhar comida.  


O mais interessante é que provamos na mesma ocasião o Quorum 2005, um dos tops da Lídio Carraro, mas o Reserva da Serra estava em melhor forma, com menos notas oxidadas e sem aquela lembrança de mel que deixa os vinhos mais antigos um tanto enjoativos.

No embate o baratinho levou a melhor. É claro que isso pode decorrer de uma série de fatores, como as condições de armazenamento dos dois vinhos, mas foi o que encontramos na taça. 

Enfim, uma ótima experiência provar um vinho brasileiro de baixo preço e em condições tão boas após esse tempo em garrafa. 

Saúde a todos!



03 setembro 2011

Lídio Carraro Coletânea 2009



No dia 15 de julho fizemos a primeira degustação virtual através do Instagram. Foi uma ótima ideia dos amigos Cláudio e Rafaela, do excelente Le Vin au Blog, que sugeriram aos participantes a degustação de vinhos da Lídio Carraro ou Vallontano. Para quem não conhece, o Instagram é um aplicativo para iPhone que permite o compartilhamento de fotos, aplicação de efeitos e tem crescido como uma nova "rede social", pois você pode seguir e ser seguido por seus amigos. É divertido.

Para participar dessa brincadeira escolhi esse vinho da Lídio Carraro, que pelo menos nessa primeira safra teve distribuição exclusiva pela Sociedade da Mesa, clube de vinhos bastante conhecido dos enófilos brasileiros. É um corte de Merlot, Tempranillo, Teroldego, Cabernet Franc, Tannat e Nebbiolo, sem passagem por madeira como os demais vinhos da vinícola. Ao que parece a intenção é elaborar esse vinho com as melhores variedades de cada safra, em cortes inusitados como esse, em percentuais variáveis para aproveitar o máximo que cada uva pode dar ao conjunto.

O vinho tem coloração púrpura, com reflexos violáceos. Ainda jovem, com lágrimas grossas.

Tem boa intensidade aromática, lembrança de frutos negros, ameixa, leve álcool, notas lácteas e balsâmicas. De corpo médio, tem taninos ainda jovens, com adstringência que deve diminuir nos próximos 2 anos. Fruta bem presente em boca. Um vinho que, apesar de jovem, já pode ser bebido agora ou pode ser guardado, algo que farei com a outra garrafa que recebi.

Final de média persistëncia, com boa fruta, tostado e café aparecendo. Aliás, tenho notado nos vinhos da Lídio Carraro essa presença de aromas tostados e café, mesmo que não passem por madeira. Vinho com boa tipicidade. Não tem como esconder que é um tinto brasileiro, apesar de não ser possível identificar a prevalência de alguma variedade sobre as demais.

Mais um vinho correto da vinícola Lídio Carraro, que foi o único que não degustamos em nossa visita à vinícola em junho (relembre), porque a Patrícia Carraro respeitou a exclusividade dada à Sociedade da Mesa. Paguei algo em torno dos R$39 pela garrafa, preço bastante justo.

Saúde a todos!
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29 julho 2011

Uma verdadeira vinícola de boutique



Quando estivemos a primeira vez no Vale dos Vinhedos, uma das visitas que mais gostei foi à Lídio Carraro, uma verdadeira "vinícola de boutique". Pequena, familiar, instalada na própria casa da família, um exemplo do agricultor que parou de fornecer uvas às grandes vinícolas para ter a sua. 

Os vinhedos estão em grande parte na região de Encruzilhada do Sul, embora algumas uvas ainda sejam colhidas no Vale dos Vinhedos, como as que vão para a elaboração do Quorum, um corte já comentado por aqui. 

Como parte da filosofia da vinícola, os vinhos não passam por madeira, nem os mais baratos (Linha Dádivas), nem o TOP, um Nebbiolo muito interessante, embora mais caro que o bolso do dia-a-dia permita comprar. 

Voltei lá em junho de 2011 com um grupo de blogueiros levados pelo Ibravin e passamos algumas horas muito interessantes, ouvindo a Patrícia Carraro falar sobre a família, a trajetória da vinícola e, claro, degustando vários de seus vinhos. 
Para saber mais: www.lidiocarraro.com.br

19 junho 2011

Singular Nebbiolo 2006


Esse era o vinho da Lídio Carraro que eu mais tinha curiosidade de provar. O motivo é simples: está numa faixa de preços mais alta do que costumo comprar (na casa dos R$ 215). Tinha ouvido falar muito bem dele. Inclusive que foi colocado às cegas junto com Barbarescos de preços semelhantes e não fez feio.

Mas eu, confesso, não tenho tanta experiência com Barbarescos para fazer essa afirmação, então a análise que segue leva em consideração o que eu esperava de um 100% Nebbiolo e o que ele apresentou, sem considerar o preço, que está acima do meu cotidiano. A impressão não poderia ter sido melhor.

A coloração é um rubi com reflexos alaranjados, límpido e transparente. Aromas em grande intensidade e elegância, com traços de mel, damasco, flores, terra molhada, frutos secos. Em boca alia grande elegância e vigor. Taninos finos, ainda presentes com leve adstringência, indicando que podem evoluir. Final de longa persistência, marcado também por notas terciárias. Equilíbrio total entre taninos, acidez e álcool.

Vinho didático!
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18 junho 2011

Elos Touriga Nacional Tannat 2008


A Lídio Carraro produz esse vinho com uvas de Encruzilhada do Sul, um corte de 77% Touriga Nacional e 22% Tannat. Também é vendido na faixa dos R$ 82, sem passagem por madeira. Me pareceu mais complexo que o CS+Malbec, comentado ontem.

Vinho com muita cor, lacrimoso, aromas bastante nítidos em ótima intensidade: lírios, cravo, flores, cereja. Na boca tem taninos maduros, bom volume, acidez em destaque. Frutado intenso aparecendo, chocolate e leve tostado, apesar de não ter passagem por madeira. Final longo, deixando a vontade de beber mais. Gastronômico e com potencial para ganhar complexidade no próximo par de anos.

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17 junho 2011

Elos Cabernet Sauvignon Malbec 2008


No dia 4 estivemos em visita técnica à Lídio Carraro, onde provamos todos os vinhos das linhas Dádivas, Elos, Grande Vindima e Singular. Ouvimos atentamente as explicações da Patrícia Carraro que, emocionando-se em alguns momentos, contou toda a trajetória da família, as dificuldades e êxitos dessa vinícola familiar que, dentre outras coisas: exporta para 17 países (13% das vendas), começará a exportar para os EUA em breve e vende cerca de 40% da produção no varejo da vinícola.

Para comentar aqui no blog escolhi dois vinhos da linha Elos, que eu ainda não conhecia. São vinhos na faixa dos R$ 82, assemblage de duas variedades plantadas em Encruzilhada do Sul e sem passagem por madeira.

Esse é um corte de 80% Cabernet Sauvignon e 20% Malbec, com 14% de álcool e produção limitada de 6.550 garrafas. Vinho de coloração rubi, com aromas de frutos negros, flores e notas de especiarias, musgo e pimenta. Corpo médio, taninos finos, sem serem rascantes, acidez marcante. Equilibrado. Bom final, marcado por fruta e leve lembrança vegetal. Ainda pode melhorar, mas já está em ótimo momento para consumo. Gastronômico, como deve ser.
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11 junho 2011

Lídio Carraro Grande Vindima Merlot 2005


Conheci a Lídio Carraro em 2008, na minha primeira visita ao Vale dos Vinhedos. Por gostar do que produzem, fiquei feliz ao saber que um de seus vinhos estaria na degustação on line que realizamos no dia 3 de junho, ao final do Workshop do Ibravin.

A degustação foi conduzida pelo blogueiro e sommelier Daniel Perches e pelo sommelier Cristiano Ribeiro. Foi transmitida pelo site Wine Bar e contou com a participação de 10 blogueiros espalhados pelo país e que receberam antecipadamente as garrafas que seriam abertas. Os demais puderam, além de visualizar a degustação, enviar perguntas e comentários pelo Facebook.

Esse vinho da Lídio Carraro é da safra 2005 e foi produzido com uvas de Encruzilhada do Sul, sem passagem por madeira, como acontece com os demais vinhos deles. O preço de mercado está na faixa dos R$110-115.

O vinho apresentou coloração rubi, com lágrimas lentas e grossas. Aromas um tanto tímidos de início, com destaque para frutos vermelhos maduros, um leve toque de chocolate e tabaco. Depois de alguns minutos o vinho foi se transformando em taça, indicando que uma aeração no decanter teria feito bem. Ganhou em complexidade, abrindo-se para especiarias, algo de frutos secos, terra e leve mentolado.
Tem boa estrutura, com taninos finos, bom volume, acidez moderada. Repete a boa fruta e algum tostado, com discretíssimo amargor. Final longo. Ainda tem potencial para melhorar, podendo ser guardado por um par de anos sem perder características. Vinho para acompanhar comida.

A família estava representada no evento pela Patrícia Carraro, que no dia seguinte nos recebeu em sua casa para uma degustação de todos os vinhos deles. Sobre isso outros posts virão.

A foto do rótulo mostra o bloquinho de anotações do Cláudio Werneck, que também estava por lá. Ele mantém, juntamente com a Rafaela Giordano, o excelente Le Vin au Blog. Usei a imagem, mas não pedi autorização. Será que vai dar problema?
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25 julho 2010

Dádivas Pinot Noir 2009

Não tenho nenhuma dúvida sobre a qualidade dos vinhos da Lídio Carraro. Se gostar do preço, pode comprar que o resultado sempre é bom. Dessa linha já comentei um Chardonnay (relembre) e um corte de Cabernet Sauvignon com Merlot (relembre).
Esse Pinot Noir não foge à regra: tem bom preço (R$ 35), tem tipicidade brasileira e está num bom momento para consumo.
Na taça apresentou um vermelho claro, translúcido e lágrimas em abundância. Aromas um tanto tímidos, mas característicos da variedade (framboesas e morangos), com discretas notas vegetais, especiarias e frutos secos.
Na boca melhora muito. É leve, com taninos macios e boa acidez. Retro-olfato com boa fruta. Final mediano, que deixou a boca seca e uma boa lembrança frutada.
Vinho bem feito, honesto, equilibrado, fresco e com uma vantagem sobre alguns exemplares sul-americanos: o álcool não incomoda (12,6% de teor), permitindo que seja um PN realmente delicado.
Foram produzidas 3.480 garrafas. Abri a de nº 2.874.
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13 junho 2010

Dádivas Merlot Cabernet Sauvignon 2006

Não é novidade para os leitores desse blog que gosto dos vinhos da Lídio Carraro. Apesar dos preços um pouco salgados de algumas linhas, o que me impede de bebê-los na frequência que gostaria, são vinhos corretíssimos e representam bem o terroir de onde vieram. Definitivamente são vinhos brasileiros, com sotaque brasileiro!
Esse bivarietal é de uma linha relativamente nova, cujo Chardonnay já recebeu comentário aqui no blog (relembre). Pela garrafa paguei algo em torno dos $35. Foram produzidas 9.500 garrafas. Abri a de nº 2.705.
Na taça uma coloração rubi, brilhante, com bordas discretamente tendendo ao alaranjado. Lágrimas finas.
Aromas em boa intensidade, com predominância para características da Merlot (embora eu não saiba o percentual dessa uva no corte). Frutado maduro, com lembrança a especiarias, chocolate e leve tostado.
Corpo mediano, com taninos finos e boa acidez. Amargor discreto. Final persistente, com frutado em segundo plano, prevalecendo notas tostadas, café e chocolate. Álcool a 13,5%, sem incomodar.
Vinho que não é espetacular, mas tem como pontos positivos a tipicidade, o equilíbrio e a boa complexidade, alcançada mesmo sem passagem por madeira. Vale conhecer. Arrisco até a dizer que por esse preço não há nenhum Bordeaux vendido no Brasil com a mesma qualidade.
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28 junho 2009

Da'Divas Chardonnay 2008

Depois do polêmico Quorum, que despertou manifestações de leitores de todo o país, especialmente por causa do preço do vinho, chegou a vez de outro Lídio Carraro. Desta vez um acessível chardonnay (na casa dos R$30-35), sem passagem por madeira e produzido com uvas de Encruzilhada do Sul. É o 100º vinho brasileiro que comento no blog, confirmando minha predileção/curiosidade pelos vinhos nacionais.
Amarelo palha com reflexos dourados, formou muitas lágrimas. Aromas frutados de boa intensidade, com clara lembrança de abacaxi e pêra. Melhora muito na boca. É equilibrado e refrescante, com boa acidez. Vinho leve, mas marcante. Retro-olfato marcado por delicado frutado. Apresentou um envolvente adocicado.
Final de média persistência, com fruta em primeiro plano e álcool dando certa potência, mas sem ser "alcoólico". Leve sensação amanteigada em alguns momentos.
Sem o peso da madeira, demonstrou boa tipicidade e refrescância. Deve-se tomar cuidado com a temperatura. A vinícola sugere 12ºC, mas um pouco acima disso o álcool começa a incomodar (13,3% de teor).
Foram produzidas 10.500 garrafas. Abri a de nº 7.354, que acompanhou bem uma salada de frango com alface, palmito, queijo parmesão e croutons.

05 junho 2009

Lidio Carraro Quorum Grande Vindima 2005

Um fato raro aqui no cerrado é poder beber um vinho tinto à temperatura ambiente. Isso tem sido possível nesse início de junho. Então ontem resolvi experimentar aquele que foi o melhor vinho degustado quando estive na Lidio Carraro em outubro do ano passado. Um corte de merlot, cabernet sauvignon, tannat e cabernet franc, que segue a proposta da vinícola de não utilizar madeira em seus vinhos, deixando com que representem o terroir do Vale dos Vinhedos.
Um vinho muito bonito, de coloração rubi com bordas levemente alaranjadas. Lágrimas grossas, mas rápidas. Brilhante. Aromas moderados a frutos vermelhos maduros, com notas herbáceas e de especiarias, com com algo de café e chocolate(?). Pareceram predominar levemente os aromas da merlot. Ótimo em boca, elegante e equilibrado. Taninos vivos, mas já bastante dóceis, com acidez moderada. Retro-olfato com leve fruta. Sensação adocicada.

Final longo, marcado por frutado muito franco. Vinho muitíssimo elegante e equilibrado, com estilo mais "velho mundo", sem exageros abaunilhados, deixando a potência um pouco de lado.
Pronto para beber ou para guardar mais um ano. Sem defeitos. Apenas o preço é que não agrada muito, pois chega a custar R$90 em algumas lojas, mas deixei de lado esse "problema" para avaliá-lo.
Foram produzidas 20.550 garrafas e abri a de nº 6.238. Vinho capaz de demonstrar que em safras ideais (como a de 2005) o Vale dos Vinhedos pode produzir excelentes tintos também. Não costumo beber uma garrafa inteira sozinho, mas esta me deu vontade.

05 agosto 2008

Reserva da Serra Merlot 2005

A vinícola Lidio Carraro, fundada em 1998, procura firmar sua imagem como "vinícola de boutique", ou seja, que produz pouca quantidade de vinhos, buscando não industrializar (no sentido pejorativo) sua produção, procurando dar máxima qualidade a todas as suas linhas. Em 2002, a vinícola produziu seus primeiros vinhos da Linha Grande Vindima, tendo à frente a enóloga Mônica Rossete.
Comprei este vinho por R$28,90 na Beira Rio, em Araguari. Me parece ser da linha mais básica da casa. Não empolgou, especialmente considerando a relação qualidade x preço. Um pouco mais barato (em torno dos R$20) poderia ser uma boa opção para o cotidiano.
Vinho de coloração púrpura, com lágrimas lentas e abundantes, tem aromas moderados a frutos maduros e leve lembrança de terra. Pouco corpo, com taninos macios, já domados pelo tempo, com acidez em baixa. Álcool sem incomodar (13,3%). Retro-olfato levemente frutado. Final mediano, aparecendo lembrança de bala de café. Sem sinal de madeira.
Faltou personalidade ao vinho, mas ainda não desisti de encontrar coisa boa produzida por esta vinícola.