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08 outubro 2012

Vertical na Casa Venturini: provamos seis safras de um dos melhores Chardonnay brasileiros


No dia 27/09 estivemos na Casa Venturini com uma tarefa muito gratificante: provar todas as safras do seu consagrado Chardonnay. Foi uma ótima oportunidade para conhecer a capacidade de guarda das safras mais antigas e as potencialidades das mais recentes. Esse, aliás, o maior objetivo de uma degustação vertical como essa.

O Chardonnay da vinícola já ganhou vários prêmios, sendo seguidamente escolhido para a Avaliação Nacional de Vinhos. Além disso, tem uma excelente relação custo x benefício, porque é vendido no Rio Grande do Sul a R$29. Infelizmente esse preço não é mantido quando chega aos demais estados brasileiros em razão da famigerada substituição tributária. Aqui em MG não se encontrará esse vinho abaixo dos R$ 38.

A degustação foi comandada pelo enólogo Felipe Bebber, que nos recebeu com a simpatia de costume, respondeu perguntas e deu informações técnicas muito importantes.

Foram provadas seis safras, de 2007 a 2012, e delas tivemos as seguintes impressões:

2007 – uma grande surpresa. Vinho branco de 5 anos e em grande forma. Nariz doce, aromas com destaque frutado e para lembrança tostada. Boa complexidade em boca e boa acidez. Tem 13,2% de álcool.

2008 – vinho ainda em grande forma. Aromas inicialmente fechados, que podem evoluir com um tempo de aeração (talvez até no decanter). Passou mais tempo em madeira que os demais. Abriu-se para uma boa mescla de frutos brancos e especiarias. Álcool aparecendo de leve. Teor de 13%. 

2009 – vinho que já foi comentado aqui no blog (relembre). O mais equilibrado e complexo dentre todas as safras. Açúcar, acidez, fruta e madeira formando um bom conjunto. Final longo. Tem 13,5% de álcool.

2010 – vinho proveniente de uma safra difícil, com muita chuva. Tanto que alcançou 12,2% de álcool, o menor teor dentre todas as safras. Mais discreto em praticamente todos os quesitos em relação a outras safras. Apresenta aromas característicos de outras safras, com menor complexidade. Mais pronto para beber que safras anteriores. Único vinho fino produzido pela vinícola em razão das dificuldades climáticas.

2011 – amarelo com reflexos dourados. Mais aromático que a safra anterior. Frutos maduros, marmelada e notas minerais. Em boca tem boa lembrança da madeira, amanteigado, sem ser enjoativo. Final persistente. Tem 12,6% de álcool.

2012 – nessa safra 25% do vinho passaram 60 dias em barricas de carvalho. Amarelo palha, mineral, abacaxi. Notas adocicadas, boa acidez. Final mediano. Ainda jovem. Palato com frutos tropicais e lembrança mineral. Tem 13,5% de álcool.

A safra 2012 demonstrou grande potencial, tanto que no sábado (dia 29) estava entre os 16 vinhos mais representativos da safra, apresentados na Avaliação Nacional de Vinhos, recebendo 89 pontos dos jurados e da comissão avaliadora e 90 pontos desse blogueiro.

No pátio da vinícola o grupo que participou dessa edição do Projeto Imagem 
Foto: Gilmar Gomes Fotografia Digital 

Para finalizar o Felipe abriu o Reserva Tannat 2009, já comentado aqui no blog (relembre), que está entre as grandes compras de vinhos brasileiros na minha opinião (R$29), com boa capacidade para evoluir em garrafa pelos próximos anos.

Saúde a todos! 

*** Viajamos ao Rio Grande do Sul a convite do IBRAVIN, para mais uma edição do Projeto Imagem. 

29 agosto 2012

Sem dúvida, uma ótima opção de vinho brasileiro: Casa Venturini Reserva Chardonnay 2009


Tendo provado esse vinho no varejo da Casa Venturini e depois em casa com mais atenção, não há como concluir diferente: é um dos vinhos brasileiros mais interessantes em termos de qualidade x preço. Paguei $29 no varejo da vinícola. 

Mesmo sendo um vinho branco de três anos de idade, está em grande forma e mantém as boas características da variedade, além da vocação gastronômica. 

As uvas não são da Serra Gaúcha, mas da Campanha, onde a vinícola mantém vinhedos em Santana do Livramento. Tem passagem por barricas de carvalho, mas não sei precisar o tempo. 

Na taça a coloração é amarelo palha. Nariz com aromas em boa intensidade, elegantes, com frutos brancos, abacaxi, chocolate branco e madeira elegante. Em boca mantém boa intensidade, acidez marcante, bom equilíbrio. Final mediano, mantendo sensações amanteigadas da madeira, escoltadas pelos frutos brancos.

Excelente compra. A esse preço dificilmente encontramos Chardonnay com essa elegância.

Avaliação VPT = 87 pontos. 

Saúde a todos!





28 junho 2012

Nem só de Merlot vive o vinho brasileiro: Casa Venturini Reserva Tannat 2009


Tenho lido e escrito que embora a Merlot tenha sido eleita a uva "emblemática" do Brasil, nem sempre ela dá grandes resultados para todos os produtores. Há ótimos Cabernet Franc e Tannat. Esse vinho da Casa Venturini é um bom exemplo. 

Ele foi degustado às cegas juntamente com dois outros uruguaios, um deles já comentado aqui no último post, e não fez feio. Ao contrário, foi o que apresentou maior potencial de guarda, porque ainda está jovem na taça, com coloração intensa, aromas e taninos que ainda evoluirão. E o melhor de tudo: custou apenas $29, no varejo da vinícola.

Tem passagem de 18 meses por barricas de carvalho francês. Sua coloração densa, um púrpura a demonstrar juventude. Nos aromas grande destaque para frutos vermelhos maduros e especiarias. Presença de madeira bem equilibrada.

Em boca tem bom corpo, taninos firmes, que ainda vão amaciar com o tempo, mas já formando um conjunto elegante e gastronômico com a boa acidez. Final longo, marcado por boa fruta e uma clara lembrança de bala de café.

Certamente vai melhorar com o tempo em garrafa. Talvez em 2-3 anos esteja no auge. Pena que eu não tenha outra garrafa pra provar em 2015, mas se você tem, guarde-a por enquanto. 

Avaliação VPT = 87 pontos

Saúde a todos!



25 maio 2012

Bom e barato: Casa Venturini Vivere Espumante Brut (Lote 2011)


Esse espumante é elaborado pelo método Charmat, com a segunda fermentação em cubas de aço inox, ao invés de ocorrerem na própria garrafa, como no processo Tradicional (Champenoise). Esses vinhos tendem a ser mais frescos, mais simples e isso se confirmou nesse produto da Casa Venturini, vinícola de Flores da Cunha. Foi comprado no varejo da empresa por menos de R$30.  

O vinho base leva 80% Chardonnay, 10% Sauvignon Blanc e 10% Merlot, provenientes de vinhedos em Santana do Livramento, na região da Campanha Gaúcha. A Merlot, certamente, entra para dar estrutura ao conjunto.

Na taça a coloração é amarelo palha. Os aromas revelam frutado em destaque, notas florais, discretos aromas de leveduras e casca de pão. Na boca é cremoso, com acidez refrescante, notas adocicadas indicando um açúcar residual em maior quantidade. Agradará aos consumidores que gostem dessa característica. 

Final mediano, com notas de fermentação bem discretas, mas com boa presença de fruta. Tem pouca complexidade, mas é equilibrado, cremoso e entrega uma boa qualidade pelo preço de mercado. 

Saúde a todos!


26 abril 2012

O que deu errado? Casa Venturini Le Bateleur 2008



Quando estivemos na Casa Venturini (relembre) experimentei praticamente todos os vinhos deles e comprei algumas garrafas. Esse CS é o mais básico, da safra 2008, sem passagem por madeira e com garrafa mais simples e barata, embora com uma boa apresentação, tanto que recentemente concorreu na votação pelo Facebook de "vinho brasileiro mais bonito".

Comprei porque gostei do preço e achei que merecia uma análise mais detalhada. Quando estive na vinícola fiz as seguintes anotações sobre esse vinho (já publicadas aqui): 

Não queria desgustar esse vinho. Sem madeira, com mais de 3 anos de idade, garrafa daquelas que se usa em vinhos mais baratos. Mas, fui surpreendido com um vinho leve, bons aromas, equilibrado, muita fruta e somente uma ponta de amargor que incomodou. Boa surpresa. Comprei uma garrafa a R$ 25. 

Essa "pontinha" de amargor junto com um adocicado incomum para um vinho brasileiro mais barato me deixaram intrigado, mas no calor do momento ficaram em segundo plano.

Em casa a degustação revelou um vinho de coloração rubi. Bons aromas, frutos maduros, vegetal, álcool de leve. Na boca tem corpo médio, notas adocicadas bem presentes, fruta compotada, taninos finos e acidez um tanto além da conta. Um certo desequilíbrio nesse aspecto. O final é mediano, com amargor bem presente, o ponto negativo desse vinho. Mas também há muita fruta e boca salivando em razão da acidez.

Não bebemos toda a garrafa porque durante a degustação o adocicado deixou o vinho enjoativo e o amargor bastante acentuado desagradou. Essa característica me fez perguntar a um enólogo as razões que levam um vinho a ter esse amargor.

Ele me respondeu o que está abaixo sem que eu disesse absolutamente nada a respeito do vinho e prefiro não dizer o nome do profissional para evitar qualquer desconforto. Eis a resposta que recebi:

"Sem provar o vinho fica difícil mas te faço alguns comentários das possíveis causas do amargor:

Taninos: vinhos elaborados a partir de uvas com taninos não totalmente maduros (bastante normal na Serra onde se chaptaliza pela falta de maturação das uvas). Estes vinhos são engarrafados sem passagem por madeira (não necessariamente carvalho) que permite a polimerização de alguns tipos de taninos. Após algum tempo de garrafa (pelo menos oito a dez meses) aparece este retrogosto amargo forte.

Madeira: algumas cantinas mais antigas conservam os vinhos em pipas de madeira e uma delas, a grápia, transmite um retrogosto amargo.

Uvas podres: geralmente resultam em vinhos com amargor.

Sulfato de cobre: às vezes (isto é raro) excessos de tratamento com sulfato de cobre próximos à safra podem ocasionar este problema. O amargor é do cobre.

Apostaria na primeira razão. Espero ter podido ajudar".

Saúde a todos!



18 fevereiro 2012

Visitando a Casa Venturini



Quando almoçamos em Flores da Cunha, pedimos indicação de vinho branco ao garçom. Ele não teve dúvida e indicou o Chardonnay da Casa Venturini, o que acabou aguçando nossa curiosidade em relação à vinícola, que não estava em nosso roteiro inicial. Gostamos bastante do vinho, que tanto no restaurante quanto no varejo da vinícola é vendido a R$29, uma ótima compra. 

A vinícola foi fundada em 1989. Está localizada em Flores da Cunha, mas também tem vinhedos em Santana do Livramento. Sua história é muito ligada à produção de vinhos de mesa através da marca Goés, que é engarrafada no interior paulista, segundo a guia que nos recebeu.



Nosso interesse na visita era comprar garrafas do Chardonnay que havíamos provado no restaurante, em Flores da Cunha. Mas, a atendente chamou para conduzir uma rápida degustação o enólogo Felipe Bebber, que acabou mostrando outras potencialidades da vinícola. Então, algumas garrafas a mais foram adquiridas.

Os vinhos degustados foram:

- Casa Venturini Sauvignon Blanc 2010. Vinho de bons aromas, lembrando mais os SB de zonas quentes, menos herbal, maior presença de notas lembrando amêndoas. Boa acidez e final ligeiro. R$ 24.  

- Casa Venturini Le Bateleur 2008. Não queria desgustar esse vinho. Sem madeira, com mais de 3 anos de idade, garrafa daquelas que se usa em vinhos mais baratos. Mas, fui surpreendido com um vinho leve, bons aromas, equilibrado, muita fruta e somente uma ponta de amargor que incomodou. Boa surpresa. Comprei uma garrafa a R$ 25. 

- Casa Venturini Reserva Tannat 2009. Esse é o ícone da vinícola. Um tannat potente, de bom corpo e longa vida pela frente. Passou 18 meses em barricas e tem uma linda apresentação. Preço bastante atraente: R$ 29. 

- Casa Venturini Vivere Espumante Brut. Espumante correto, mas simples. O vinho base leva Chardonnay, Sauvignon Blanc e uma pontinha de Merlot, para dar corpo. Espumante com boa acidez e cremosidade. Boa compra a R$ 29.

- Casa Venturini Vivere Espumante Moscatel. Elaborado, segundo o enólogo, com a Moscato Branco. Mostra aromas característicos, florais. Boa cremosidade. Bom moscatel, mas com uma pontinha a mais de açúcar para meu gosto pessoal. Pode ficar enjoativo. R$ 28.

Para saber mais: www.casaventurini.com.br

Saúde a todos!