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28 setembro 2017

Esse está com tudo no lugar :: Columbia Crest Grand Estates Cabernet Sauvignon 2013


País: Estados Unidos
Região: Columbia Valley (Washington)
Produtor: Columbia Crest
Uvas: 87% Cabernet Sauvignon, 7% Merlot e 6% Syrah
Maturação: 14 a 16 meses em barricas francesas (25% novas) e americanas.
Álcool: 13,5%

Há tempos não provava um vinho norte-americano tão prazeroso. Equilibrado, intenso, sem excessos e muito fácil de beber. Sem as notas adocicadas que aparecem em muitos tintos daquelas bandas, sem madeira exagerada e sem álcool queimando. Tudo no lugar!

Na taça um rubi intenso e brilhante. Aromas intensos lembrando frutos vermelhos, notas de groselha e chocolate. Na boca é surpreendentemente elegante e equilibrado, muito fácil de beber, com taninos macios, boa acidez e frutado muito agradável, sem ser cansativo. De corpo médio, tem certa potência conferida pelo álcool, mas sem desequilíbrio. Madeira bem integrada.  

Final de boa persistência, dando vontade de mais um gole em razão da acidez refrescante. Vai ser um bom par para uma infinidade de pratos, mas as carnes grelhadas, massas com molhos mais poderosos como um belo ragu, queijos maduros e embutidos. 

Está pronto agora para apresentar o seu melhor, embora possa ser guardado por mais 1 ano, acredito.  

O mapa da região vinícola de Washington (EUA), com Columbia Valley em lilás.


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Winebrands, que o vende em sua loja virtual a R$125.

Saúde a todos!



04 setembro 2014

Gostei bastante desse Pinot dos Estados Unidos: Gallo Santa Lucia Highlands Pinot Noir 2012


Há algum tempo experimentei um Pinot Noir dessa vinícola norte-americana e gostei bastante. Mas, a ocasião não era propícia para tirar fotos ou fazer anotações. Então, quando comprei uma garrafa recentemente pude experimentar o vinho com calma e o resultado realmente era tão bom quando naquela outra ocasião. 

É elaborado na Califórnia pela famosa E. & J. Gallo Winery, considerada um dos ícones na história vitivinícola dos Estados Unidos, responsável por recriar o mercado após o fim da Lei Seca, na década de 1920.  É considerada atualmente a maior vinícola familiar do mundo e o maior exportador de vinho da Califórnia.

A enóloga é Gina Gallo (foto abaixo), que desenvolveu muita experiência (e paixão) no trabalho direto com a Pinot Noir. Seu grande desafio é a elaboração de um vinho com essa uva em clima frio, especialmente em Monterey County. As uvas trabalhadas por Gina estão em terrenos na Serra de Santa Lúcia (Olson Ranch), que guardam semelhança com o terroir da Borgonha. 

Foto: http://www.thedrinksbusiness.com/2013/09/qa-gina-gallo-of-ej-gallo/

O vinho tem passagem por madeira. Posso dizer que é um vinho amadeirado, mas não se sobrepõe à fruta, deixando que a complexidade que se espera de um vinho com boa passagem por carvalho seja um ganho para o vinho, não uma característica que esconda as outras sensações. 

A coloração é rubi, um pouco mais escuro que os Pinot franceses, por exemplo. Os aromas tem boa intensidade e complexidade, lembrando os frutos delicados, cereja, amora e notas tostadas. Em boca é macio, taninos finos, boa acidez, repetindo fruta e madeira. Final longo, tostado, frutado e muito agradável. Daqueles que quando se vê a garrafa acabou.  

O álcool a 14,8% não incomoda em nenhum momento. É um Pinot Noir com características de Novo Mundo. Então, se você é daqueles que só bebe Borgonha, talvez não fique feliz.  


Detalhes da compra

O vinho é vendido a US$35 na loja virtual da vinícola, para o mercado americano, lógico. Mas aqui no Brasil o preço não é tão superior quando se poderia imaginar de início. Paguei R$100 pelo site da Wine

Saúde a todos!




21 agosto 2014

Pancadão californiano! Mas isso depende do gosto pessoal: Frei Brothers Chardonnay 2012


Dia desses bateu vontade de beber vinhos da Califórnia. Então, comprei um Pinot Noir e esse Chardonnay da mesma vinícola, a Frei Brothers, fundada em 1890 e produtora de vinhos no Condado de Sonoma, mais especificamente no Russian River Valley. 

Abrimos o Pinot numa semana em que todos estavam saindo de uma gripe aqui em casa. Achei o vinho alcoólico e amadeirado em demasia, embora trouxesse lá no fundo as boas características da uva. Então, pra não ser injusto com o vinho resolvi não fazer um post sobre ele, pois as sensações poderiam estar alteradas naqueles dias. 

Na última sexta-feira resolvemos abrir o Chardonnay e eis que as sensações de álcool sobrando um pouco, se repetiram. Mas, não são sensações de desequilíbrio, mas de um estilo muito comum em vinhos da Califórnia, parrudos, potentes e alcoólicos. 

Como disse na foto postada no Instagram do blog e que é a mesma utilizada acima, é um "pancadão californiano", mas pode ser que você goste dele se for o estilo de sua preferência.

Segundo apurei o vinho não passa por madeira. Se for isso mesmo os aromas e sabores que lembram as barricas de carvalho devem vir da fermentação malolática e talvez de um período sobre as borras da fermentação (sur lie). Tem 13,9% de álcool

Na taça a cor é amarelo dourado. Aromas muito intensos lembrando frutos tropicais maduros, abacaxi em calda, maçã, baunilha. Já adocicado no nariz e repetindo-se em boca, com boa untuosidade, sensações amanteigadas, notas bem adocicadas, com álcool aparecendo e dando potência, muita fruta madura. Acidez moderada. Final longo, aparecendo notas tostadas e baunilha. No palato muita fruta e discreto mineral. 

Um vinho que tem pouca sutileza, é mais potência. Como disse, não é um estilo que eu busco. Mas, se você gosta, vale experimentar. 


Detalhes da compra:

Comprei esse vinho pelo site da Wine (veja aqui) pagando R$ 70. 

Saúde a todos! 




28 março 2014

Já provou algum vinho dos EUA que não seja da Califórnia? Eis uma sugestão: Chateau Ste. Michelle Riesling 2010


A maioria dos vinhos norte-americanos que bebemos vem, por motivos óbvios, da Califórnia, estado que elabora em torno de 90% do vinho de todo o país através de cerca de 1.200 produtores. 

Mas esse branco vem do estado de Washington, que faz divisa ao norte com o Canadá e ao sul com outro estado produtor, Oregon. Está situado na mesma latitude de duas importantes regiões produtoras da França (Bordeaux e Borgonha) e seus vinhedos recebem menos insolação que os californianos, o que pode resultar em vinhos mais delicados.

É elaborado pelo Chateau Ste. Michelle, cuja história tem início em 1912, mas teve suas atividades interrompidas com o advento da Lei Seca, em 1920 e assim permanecendo até 1930. As uvas desse vinho vem do Vale de Columbia, a maior sub-região de Washington e, segundo seu importador, é o Riesling mais vendido do mundo, mas até que os famosos exemplares alemães. 



Embora seja um vinho branco com 4 anos de idade está em ótima forma e servido a uma temperatura mais baixa fará a alegria de seus convidados. Tem apenas 11% de álcool e suas notas adocicadas o fazem muitíssimo agradável. 

Na taça a cor é amarelo palha. Bons aromas, notas florais, frutos cítricos, lembrança de derivados de petróleo (algo típico nessa uva) e ervas aromáticas. Boa complexidade, mesmo sem passagem por madeira.

Na boca é untuoso, com notas adocicadas, mas sem ser enjoativo. No palato a sensação repete as notas de petróleo, ervas e frutos cítricos. Ótima acidez, que acaba equilibrando as notas adocicadas. Final longo, repetindo tudo. Elegante, delicado e fresco. 

Pronto para beber agora como aperitivo (mais frio) ou para acompanhar a culinária japonesa ou mesmo a alemã, já que os Riesling da Alemanha estão entre os melhores do mundo e são próprios para suas comidas.


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Winebrands, que o vende atualmente em sua loja virtual a R$ 90. 

Saúde a todos!


01 agosto 2013

O lindo rótulo me fez comprar esse vinho: Fetzer Crimson Red Blend 2010 #cbe


Esse vinho eu comprei porque achei o rótulo bonito. Sim, exatamente isso! Fui ao supermercado com o firme propósito de escolher o vinho pelo rótulo e não por outros aspectos. Mas isso foi proposital, porque o tema da nossa Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE foi exatamente esse: "abrir um vinho sobre o qual vc não tem muitas referências, mas que 'foi com a cara' dele pelo seu visual", uma escolha muito criativa da Fabiana Gonçalves, do ótimo Escrivinhos

Nossa escolha foi esse californiano elaborado pela Fetzer, fundada em 1968 no condado de Mendocino e uma das vinícolas mais conhecidas dos Estados Unidos, sendo atualmente o sexto maior produtor. Como a vinícola foi há pouco tempo vendida a um empresário chileno, foram lançados dois cortes comemorativos: um branco chamado Quartz (Chardonnay, Riesling, Gewürztraminer e Pinot Grigio) e esse tinto chamado Crimson.

É um corte das variedades Syrah, Zinfandel, Cabernet Sauvignon e Petite Syrah, com passagem por madeira, mas não sei precisar o tempo. A criação é do enólogo Dennis Martin. 

Na taça a cor é púrpura. Vinho denso e sem reflexos de evolução.

Os aromas são expressivos, com muita fruta madura e madeira em grande intensidade, aparecendo notas de pimenta, cedro e baunilha.

Tem bom corpo, com muita fruta e notas doces. Presença marcante do tostado da passagem por madeira. Os taninos já estão macios e a acidez é mediana. Tem potência alcoólica (13,5%). Final mediano, com bastante tostado, passando um pouco por cima da fruta (framboesa e ameixa), o que deu ao vinho menos complexidade do que poderia ter.

Vinho intenso, estilo "Novo Mundo", ótimo para bebericar, mas com menos vocação gastronômica. Falta um pouco de estrutura (acidez + taninos) e por isso imagino que não vá evoluir com a guarda.

Apesar do estilo mais pancadão, não posso deixar de reconhecer que é um vinho com predicados e que agradará muito aos que gostam de vinhos potentes.


Detalhes da compra:

Compramos esse vinho no Pão de Açúcar, em Ribeirão Preto. Custou R$69,90 e é importado pela VCT, que creio seja a empresa criada pela Concha y Toro inicialmente para trazer seus vinhos para o Brasil. 

Saúde a todos!



 

11 julho 2013

Esperava mais desse californiano: Bridlewood Monterey Pinot Noir 2011


Esse vinho é rotulado como varietal de Pinot Noir, mas leva 5% da uva emblemática dos Estados Unidos, a Zinfandel, uma prática permitida na legislação de quase todos os países produtores de vinho. Tem passagem de 6 meses por barricas de carvalho e mais 3 meses em adega antes da comercialização. 

A rolha é de aglomerado de cortiça, indicando que não é um vinho de ponta da vinícola, caso contrário teria utilizado rolhas inteiriças de cortiça. Lembra dos Santa Carolina Reservado? Pois é, a rolha é daquelas. Mas, como diz minha esposa, é mais charmosa que as rolhas sintéticas!

Esse Pinot é elaborado pela Bridlewood Winery, no condado de Monterey, mas infelizmente não tem esse vinho em seu site. Talvez porque tenha sido enviado apenas ao consumidor brasileiro?!? 

Na taça a coloração é púrpura, com boa transparência. Cor mais "azulada" que dos Pinot Noir da Borgonha e de muitos da América do Sul. 

Aromas um tanto discretos, remetendo a frutos delicados, mais próximos de geléia do que dos frutos propriamente ditos. Sensação "adocicada" nos aromas, que também lembram a rápida passagem por madeira. Em boca a primeira sensação é doce, que certamente agradará nas primeiras taças mas deixará o vinho enjoativo nas seguintes. 

Taninos muito discretos e acidez moderada. Frutos presentes, mas também uma lembrança estranha de azeitona (ou da salmoura). Falta estrutura para deixar o vinho mais gastronômico. Álcool deu recado, mas sem desequilíbrio. 

Final um tanto ligeiro, com fruta discreta e lembrança da madeira. Beba ontem, pois não evoluirá com a guarda.   


Detalhes da compra:

Esse vinho me chegou pelo Clube W e pela garrafa paguei R$45, mas no site o preço normal é R$75. Confesso que esperava mais do vinho e reconheço alguns predicados nele, mas considerando meu gosto pessoal não repetiria a compra. 

Saúde a todos!



10 junho 2013

Califórnia na taça: Parducci Pinot Noir 2009

O vinho tem passagem de 6 meses por barricas de carvalho.

Há algum tempo um vinho dos Estados Unidos não aparecia aqui no blog. Não por desinteresse, mas porque os melhores vinhos são caros. Os mais baratos, alguns deles encontrados em supermercados, são da uva Zinfandel e têm me decepcionado bastante. Mas, esse Pinot bem interessante e típico em sua cor, aromas, sabores e (infelizmente) preço!

O produtor é a Parducci, a primeira vinícola a se instalar na região, em 1932, quando a "lei seca" ainda vigorava nos EUA. Atualmente ela pertence a um grupo maior que reúne outras quatro marcas de vinhos, a Mendocino Wine Co, que toma emprestado seu nome da região em que são elaborados os vinhos sob sua gestão. 


Fonte: http://www.thefullwiki.org/

A região, Mendocino, é uma AVA (American Viticultural Area) nomenclatura equivalente ao que seria uma DOC em outras partes do mundo, território autorizado pela lei norte-americana a produzir vinhos, com regras um pouco menos rígidas que em alguns lugares da Europa. Essa região está situada no Condado de Mendocino, mais norte do estado da Califórnia, acima das vizinhas Sonoma e Napa.  

Na taça a cor é grená, bastante límpido e transparente. Tem cara de Pinot Noir.

Os aromas são intensos, os frutos delicados típicos da variedade estão presentes, como framboesas, cerejas e morango. Em boca tem taninos finos e grande acidez. Muita fruta, com madeira bem integrada dando boa complexidade. Um vinho com aquelas notas adocicadas comuns em Pinot do Novo Mundo, mas sem serem enjoativas.

O final é mediano. Boca seca em razão dos taninos. No palato muito fruta e bala de café. Um leve amargor apareceu. O álcool a 13,5% estava em equilíbrio.


Detalhes da compra

Esse vinho é importado pela Mistral, que o vende em seu site por R$85. Mas essa garrafa foi comprada na loja Vinum Domo, aqui de Uberlândia. No site do produtor esse vinho aparece já com novos rótulos e está disponível na loja virtual por US$14, algo em torno dos R$30 atualmente.  

Saúde a todos!


06 fevereiro 2013

Um vinho para o Clube do Cunhado: Dancing Bull Zinfandel 2010


Depois da sogra é provável que os cunhados sejam os maiores alvos de piadas na família. Por isso mesmo foi o escolhido para dar nome ao clube dos vinhos dispensáveis, aqueles que não te dizem nada. É que numa brincadeira pelo Instagram, criamos o "Clube do Cunhado", destinado a receber esses vinhos dispensáveis.  Esse foi o primeiro selecionado.

É elaborado na Califórnia pela famosa E. & J. Gallo Winery, considerada um dos ícones na história vitivinícola dos Estados Unidos, responsável por recriar o mercado após o fim da Lei Seca, na década de 1920.  É considerada atualmente a maior vinícola familiar do mundo e o maior exportador de vinho da Califórnia.

É um 100% Zinfandel, a uva que simboliza os tintos dos EUA, com passagem de 3 meses por barricas de carvalho americano. Tem coloração púrpura. É intenso em aromas: frutos mais delicados, muita groselha, tão presene que lembrou os sucos artificiais em pó. 

Na boca tem pouco corpo. Taninos macios, quase extintos. Boa acidez. Fruta se repetindo, mineral (salgado) no palato de leve. Álcool bem presente, apesar de que outros vinhos com 13,9% não parecem tão alcoólicos. Notas adocicadas.  

Final um tanto ligeiro. Vinho simples, um pouco enjoativo pela fruta muito presente e sem grandes atrativos, especialmente considerando o preço. Não tem defeitos, mas eu não compraria novamente.


Detalhes da compra:

É importado pela Wine e foi um dos vinhos enviados aos assinantes do ClubeW, em outubro de 2012. É vendido por R$80, mas com o desconto para os associados do clube sai por R$68.

Observação: no site da vinícola é vendido, para o estado da Califórnia, a US$11,99 - aproximadamente R$24,30. A esse preço seria uma compra muito melhor.

O outro vinho do ClubeW de outubro foi um Cabernet Sauvignon do mesmo produtor, mas está abaixo desse Zinfandel e não virá para o blog, porque não agregará nada aos leitores (penso eu).  

Saúde a todos!



30 julho 2012

Tres Sabores Por qué no? Zinfandel Blend 2009


Sempre disse aos mais próximos e aos meus alunos: "duvide de um livro cujo título tenha um ponto de interrogação". Mas e um vinho? Bom, na verdade eu nunca pensei sobre isso aplicado ao vinho, mas não me preocupei muito com esse detalhe por que esse foi um presente trazido pelos amigos Lílian e Afrânio, que o compraram nos Estados Unidos em junho passado.

Como sabem que o vinho viria aqui pro blog não se importaram em revelar o preço pago (US$20). Se fosse importado para o Brasil, certamente estaria numa faixa de preços mais alta, perto dos R$100.

O produtor é a Tres Sabores, que iniciaram os trabalhos em 1987 no Vale do Napa, numa propriedade em que estavam plantadas videiras de Zinfandel de 20 anos de idade.

A história desse vinho é mais ou menos essa: em 2000  a vinícola elaborou 500 caixas de seu Zinfandel e 200 caixas de um Cabernet Sauvignon. Com os barris que sobraram os produtores pensaram em fazer um blend, acrescentando um pouco de especiarias (Petite Syrah e Petit Verdot). Será que daria certo? A resposta foi: "Why not?". Daí o nome do vinho.

Não encontrei informações sobre a participação de cada uva na safra 2009, mas no site da vinícola há informação de que em 2006 a Zinfandel correspondia a 76% do vinho, a Cabernet Sauvignon a 12% e as demais uvas com uma pequena contribuição.


Na taça a cor é púrpura, com lágrimas grossas escorrendo pelas paredes da taça. Os aromas são intensos, de frutos vermelhos maduros, chocolate branco, baunilha, especiarias e discreto mentolado. Álcool de leve no nariz (14,7% de teor).

Na boca tem médio corpo, mas potência dada pelo álcool. Taninos finos, bem moldados, acidez em boa conta. Intenso em sabores, muita fruta madura, quase compotada, repetição do chocolate e notas salgadas aparecendo de leve.

Final de boa persistência, com a boca salivando um pouco. Palato marcado por frutos maduros e mineralidade. Estilo Novo Mundo, com predominância clara das características da Zinfandel. Pronto para beber agora.

Obrigado aos amigos Lílian e Afrânio pela gentileza.

Avaliação VPT = 88 pontos. 

Saúde a todos!








28 setembro 2011

Robert Mondavi Fumé Blanc 2007



Roberto Mondavi é um dos mais importantes nomes do vinho no Novo Mundo. Tem papel fundamental no crescimento da indústria vinícola dos Estados Unidos. Foi ele o "criador" do Fumé Blanc (1966) quando pensou em diferenciar seu SB do estilo mais seco então produzido. O resultado é um vinho com notas amadeiradas muito presentes, sedoso, complexo, diferente da maioria dos SB que privilegiam o frescor da fruta.  

Esse vinho é produzido no Napa Valley, na Califórnia. É rotulado como varietal, mas tem 91% de Sauvignon Blanc e 9% de Semillon, com 14,5% de álcool. Visando dar aromas e textura diferente ao vinho, 60% do mosto é fermentado em barricas francesas e depois há amadurecimendo por 4 meses sobre as próprias borras da fermentação (sur lie).

Na taça coloração amarelo palha, aromas em boa intensidade, frutos cítricos, flores, algo mineral e expressão da madeira também presente. Diferente no nariz que os SB do novo mundo a que estamos acostumados, embora seja reconhecível sua tipicidade. Na boca é intenso, untuoso, madeira presente mas com o frescor da fruta também presente, com boa acidez. Final longo, marcado por notas amanteigadas, fumaça e leve cítrico. 

Talvez por ser um vinho branco de 2007 já tenha passado seu auge, mas ainda é muito bom, com vocação gastronômica. 

Esse foi um presente da minha esposa, mas pode ser encontrado no mercado na faixa dos R$ 140-150. 

Saúde a todos! 





05 setembro 2011

Signaterra Pinot Noir 2007


Esse vinho foi uma gentileza dos amigos Lílian e Afrânio, comprado na própria vinícola, a californiana Benziger Family Winery. Segundo o site da vinícola, custa US$ 49,00, um preço alto para o padrão médio norte-americano. Certamente aqui no Brasil passaria a casa dos R$ 200.

É produzido no Russian River Valley, uma das regiões mais frias de Sonoma e bastante influenciada pelas brisas frias do Pacífico e pela nebulosidade, que mais ao norte dificultam a maturação ideal das uvas. Seus vinhos mais importantes são elaborados com Chardonnay e Pinot Noir. Interessante notar que os produtores dessa região têm adotado um sistema semelhante à Borgonha para identificar seus vinhos pelo vinhedo. Esse Pinot, por exemplo, tem a inscrição San Remo Vineyard e as uvas são certificadas por um programa de sustentabilidade.

Vamos ao vinho!

Na taça uma coloração grená. Aromas intensos, frutos delicados como framboesa, cereja e morango. Leve madeira. Discreto aroma resinoso. Álcool presente (14,2% de teor). Em boca é intenso, taninos doces, muita fruta madura e repetição do álcool. Final persistente, frutado e "quente".

Claramente um PN do Novo Mundo. Muita fruta madura, taninos doces, menor complexidade e madeira em evidência, com álcool acompanhando em todos os momentos, mas sem ser desequilibrado, apenas uma característica. Um tanto "quente" para meu gosto pessoal, mas ideal para quem prefere um estilo mais maduro e frutado que não seja necessariamente para acompanhar uma refeição.

Esse vinho teve passagem de 11 meses por barricas francesas, assim como os vinhos das safras seguintes (2008 e 2009) disponíveis no mercado, segundo o site da vinícola.

Saúde a todos!
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04 maio 2011

Crane Lake Zinfandel 2006


Comprei esse vinho em outubro do ano passado em Ribeirão Preto, por ocasião do Encontro de Vinhos. É produzido pela Crane Lake Cellars no Vale do Nappa, na Califórnia.

Na degustação às cegas em Ribeirão avaliei esse vinho com 91 pontos e ele ficou em 5º lugar na eleição do TOP 5. Quando abri a garrafa que comprei (por volta dos R$ 55-60) o sucesso se repetiu. Provavelmente o melhor Zinfandel que bebi, apesar de não ser elaborado apenas com essa casta, que entra com 77% da composição.

Vinho de coloração púrpura. Seus aromas estavam fechados no início, mas abriram-se posteriormente para frutado delicado (ameixa e framboesa), uma característica que tenho encontrado muito em vinhos norte-americanos dessa uva. Na boca melhora muito, com taninos finos e acidez equilibrada. Frutos delicados em evidência, como amoras e cerejas, acompanhados de chocolate, café. Delicado e elegante, talvez por isso tenha sido tão bem avaliado naquela ocasião.

Tem final longo, com frutos maduros e café em evidência. Boa complexidade. Elegante e equilibrado. A passagem por madeira foi o bastante apenas para lhe conferir complexidade, pois está bem integrada e não compete com as características frutadas do vinho.

12,5% de álcool, sem incomodar em nenhum momento. Excelente compra!


23 fevereiro 2011

Robert Mondavi Private Selection Pinot Noir 2009


Esse vinho é produzido por Robert Mondavi, que elabora a linha Private Selection nas Costas Central e Norte da Califórnia, com vinhedos em vários condados: San Benito, Monterey, San Luis Obispo e Santa Barbara (todos da Costa Central), além de Mendocino, Lake, Sonoma e Napa (estes da Costa Norte).

Este Pinot Noir é, na verdade, um corte. Na safra anterior a essa o percentual foi de 80% Pinot Noir, 15% de Syrah e 5% de Petit Syrah, com passagem de 6 meses em barricas francesas. Para a safra 2009 não encontrei informações, mas a PN está presente em percentuais suficientes para aparecer sozinha no rótulo. Pela garrafa paga-se no Brasil cerca de R$ 70, como os demais vinhos dessa linha comentados nos últimos dias. No site da vinícola é vendido a US$ 12, cerca de R$ 22. Serão os tributos brasileiros?

Na taça uma coloração púrpura, com boa transparência. Bons aromas. Leve álcool no início (13,5%), frutos silvestres, framboesa, cereja, aromas abaunilhados da madeira, café e terra.
Tem pouco corpo, com taninos finos e acidez marcante. Frutado bem franco, com madeira bem casada. Retrolfato repetindo intensidade e equilíbrio. Final mediano. Álcool presente de leve. Fruta muito intensa e notas defumadas/tabaco. Amargor discretíssimo. Vinho com alguma vocação gastronômica, mas também servirá como aperitivo. Não é complexo, mas tem boa harmonia, refrescância e é intenso no paladar. O melhor dentre os três provados dessa linha.
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21 fevereiro 2011

Robert Mondavi Private Selection Zinfandel 2008


Esse vinho é produzido por Robert Mondavi, que elabora a linha Private Selection nas Costas Central e Norte da Califórnia, com vinhedos em vários condados: San Benito, Monterey, San Luis Obispo e Santa Barbara (todos da Costa Central), além de Mendocino, Lake, Sonoma e Napa (estes da Costa Norte).

Esse vinho, embora no rótulo indique ser um Zinfandel, tem 85% dessa variedade, sendo o restante dividido entre Petit Syrah, Merlot, Petit Verdot e Syrah, com passagem de 12 meses por barricas de carvalho francês e americano. As uvas vem da Costa Central, dos condados de Monterey e Santa Barbara.

Na taça uma coloração rubi, com boa transparência. Intensos aromas, flores e frutos maduros delicados típicos da variedade que predomina. Leve lembrança de especiarias. Na boca é leve, macio, com taninos doces e muita fruta. Final de boa persistência, com fruta muito presente e café, lembrando a passagem por madeira.
Vinho correto, redondo, mas sem complexidade. Agrada logo no primeiro gole e está pronto para beber, sem perspectiva de que evoluirá. Seu preço de mercado está na casa dos R$ 70 e por esse preço há outros vinhos dessa mesma uva com melhor relação qualidade x preço, como o Crane Lake Zinfandel 2006, que será comentado aqui no futuro.
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19 fevereiro 2011

Robert Mondavi Private Selection Chardonnay 2008


Esse vinho é produzido pelo famoso Robert Mondavi, que elabora a linha Private Selection nas Costas Central e Norte da Califórnia, com vinhedos em vários condados: San Benito, Monterey, San Luis Obispo e Santa Barbara (todos da Costa Central), além de Mendocino, Lake, Sonoma e Napa (estes da Costa Norte).
Esse Chardonnay é elaborado com uvas da Costa Central, sendo que 75% delas vem do condado de Monterey. Tem passagem de 7 meses por barricas de carvalho francês.

Vinho de coloração amarelo palha, com discretas notas esverdeadas. Aromas frescos em boa intensidade. Boa acidez, macio, levíssima lembrança de madeira dada por um elegante tostado. Leve, mais que o esperado para um Chardonnay californiano. Final mediano, com frutos brancos e tostado em bom diálogo.
Vinho equilibrado e elegante, fácil de agradar. Foi bem com queijos moles, pães e azeite. Mas o preço é um problema. Pelo valor de mercado (R$ 70) encontramos vinhos mais interessantes, tanto de Chardonnay quanto de outras uvas brancas.


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07 fevereiro 2011

Bogle Viognier 2008


Minha esposa gosta muito da uva Viognier e sempre tentamos provar vinhos novos com ela, mas na maioria das vezes erramos a mão. Não foi o caso desse californiano produzido pela Bogle Vineyards, que plantou seus primeiros 20 acres de vinhas em 1968, na cidade de Clarksburg, às margens do rio Sacramento. Atualmente os vinhedos somam 1.200 acres, cerca de 485 hectares.

Pela garrafa paguei R$60, mas em condição especial para os que estavam no Encontro de Vinhos em Ribeirão Preto (outubro/2010). Na ocasião provei o festejado Pinot Noir da mesma vinícola, mas para meu gosto pessoal (discutível, claro) tinha mais madeira do que deveria. Ainda quero prová-lo novamente porque naquela tarde provamos muitos vinhos e posso ter tido uma impressão falsa.

Vamos ao Viognier: na taça uma linda coloração dourado-claro, indicando provável passagem por madeira. Muito aromático, fresco, aromas a frutos brancos, flores e notas de castanhas, nozes, manteiga e baunilha. Na boca mantém o que os aromas indicavam. É untuoso e tem acidez refrescante, com destaque para frutos brancos no retrolfato.
Final de boca mediano, com lembrança leve da madeira que em nenhum momento deixou o vinho pesado ou chato. Vinho com certa potência, já que tem 14,2% de teor alcoólico, mas sem desequilíbrio.
Quando pequisei sobre a vinícola para escrever esse post descobri que a fermentação das uvas é feita diretamente em barricas novas de carvalho americano, daí a coloração diferente e os destaques abaunilhados percebidos na degustação. Boa compra. Pronto para beber e sem muita expectativa de ganho com a guarda.
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13 janeiro 2011

Estrada Creek Old Vines Zinfandel 2006


Esse vinho é produzido pela Anders-Lane Artisan Wines, no Vale do Napa, Califórnia. Embora o rótulo leve a crer que seja um varietal da tradicional Zinfandel, tem 8% de Carignane, com passagem por madeira, mas não tenho informações sobre o tempo de barrica.
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Na taça é um vinho vermelho claro, com boa transparência, límpido, com formação de lágrimas finas (13,5% de teor alcoólico).
É aromático, com destaque para frutos vermelhos silvestres (framboesas), um pouco de terra úmida e notas amadeiradas. Nada excepcional.
Tem pouco corpo, mas boa presença. Acidez equilibrada e taninos finos, com notas adocicadas aparecendo. Bastante fruta no retro-olfato e discreta lembrança de especiarias e madeira.
Final mediano, com álcool presente e taninos dando recado. Embora o final seja simples, a fruta se fez presente, com alguns traços lembrando mel.
Vinho simples e correto, sendo um coringa na harmonização.
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12 novembro 2010

Red Tree Pinot Noir 2009

Sou fã declarado de vinhos Pinot Noir, então não resisti à tentação de comprar esse vinho produzido pela Cecchetti Wine Company, na California.
Resolvi abri-lo num dia diferente. Não sou cozinheiro, mas decidi fazer uma receita típica da França, um Boeuf Bourguignon, receita do Emmanuel Bassoleil (Revista Gula, janeiro de 2009). Um tanto complexa para um amador por conta do tempo de preparo e quantidade de ingredientes. O ideal seria acompanhar a receita com um PN da Borgonha, mas não tinha e não sei se terei um grande vinho de lá. Então, quem não tem gato...

Na taça apresentou coloração típica, um vermelho rubi, translúcido, com boa transparência. Aromas em boa intensidade. Frutos silvestres e frescos (morangos e cerejas) e alguma mineralidade.
Evolui muito em boca. É intenso, amplo, com taninos macios, doces. Acidez equilibrada, retro-olfato frutado e mineral, com toques discretos de carvalho. Final longo, com frutado e mineral juntos. Surpreendente. Um vinho especialíssimo a esse preço, para comprar de caixa. Tem tudo que um PN precisa ter a um preço muito bom (R$45).
Acompanhou bem o prato, que deve ter ficado bom... pelo menos todos comeram e não sobrou nada!
Álcool a 12,5%, sem incomodar em nenhum momento.

10 abril 2010

Opus One 1994

Numa tradução livre a expressão hors concours significa "fora do concurso". É utilizada para designar aqueles que participam de concursos mas não são elegíveis por serem muito superiores aos demais.
No Brasil a expressão se notabilizou quando Clóvis Bornaiy passou a vencer todos os concursos de fantasias do carnaval. Podemos incluir na lista o Pelé, por exemplo.
O que essa história tem a ver com esse blog? O que tem a ver com vinhos? Explico.

O vinho dessa postagem foi bebido quando minha esposa e eu fomos convidados para a casa dos amigos Alexandre e Eliane. Até ver a garrafa nunca passou pela minha cabeça que beberia um Opus One, ainda mais com 16 anos de idade. E ainda recebi a incumbência de abrir a garrafa. Quebrei a rolha, mas não estraguei o líquido, consegui retirar o pedaço que ficou. Talvez estivesse nervoso, mas prefiro acreditar que foi culpa do saca-rolhas.
Esse vinho é reconhecido mundialmente por ser o resultado da união de duas personalidades do mundo vinícola: Robert Mondavi e o Barão Philippe de Rothschild (
leia mais), que idealizaram uma joint venture para produzir vinhos no Vale do Napa, na Califórnia. O primeiro vinho Opus One foi da safra 1979 e desde então modifica-se o percentual das uvas e o tempo de passagem por barricas de carvalho francês, dependendo das características da safra, mas tendo sempre a CS como principal uva. Esse 1994, por exemplo, passou 18 meses pela madeira e é resultado do corte de 93% de Cabernet Sauvignon, 4% de Cabernet Franc, 2% de Merlot e 1% de Malbec.
Quanto ao vinho, não tinha condições de fazer anotações e também não queria fazer, queria apenas bebê-lo. E o fiz lentamente, aproveitando cada gole, porque não sei se beberei outro vinho desses algum dia. Elegante, complexo, intenso, ainda com potencial de guarda, são adjetivos que poderia utilizar, mas é melhor deixar isso pra lá. Um vinho de 14 anos, ainda em plena adolescência...
No dia seguinte comecei a pensar como escreveria sobre ele. Caberia uma descrição? Conseguiria traduzir o momento? Definitivamente não. Assim, resolvi criar uma nova classificação aqui no blog para os vinhos hors concours, aqueles que estão acima dos demais... não pelo preço, mas por sua história, pela idade, por sua raridade ou pela ocasião em que foram bebidos. E para diferenciá-los dos demais, não utilizo as tradicionais tacinhas, mas uma figura que representa pra mim algo único e incomparável.
Saúde a todos!
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