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29 maio 2018

Muita elegância nesse rosé :: Cipresseto Rosato Toscana IGT 2015



País: Itália

Região: Toscana
Uvas: 85% Sanviogese e 15% de outras variedades
Maturação: não passa por madeira
Álcool: 11,5%

Sempre fico tentado a provar um rosé italiano, porque gosto de seu frescor e delicadeza. Normalmente tem menos extração de fruta do que os exemplares do Novo Mundo, especialmente os da América do Sul que tanto conhecemos. 

Esse foi uma experiência bem interessante, embora a faixa de preços esteja um pouco acima do que costumo pagar no meu dia-a-dia, mas isso é uma questão particular que nada interfere na qualidade do vinho. 

Um rosé de cor elegante, acobreada, lembrando casca de cebola. Nos aromas tem delicadeza, frutado. Na boca confirma elegância, mas tem uma acidez viva e um frutado bem presente, lembrando frutos vermelhos silvestres como framboesa e cereja. Bom equilíbrio entre seus componentes, com acidez gastronômica e um frutado que não é enjoativo, mas elegante. Final longo, bastante fresco. 

Não tive como não lembrar da culinária oriental para acompanhar esse vinho, bem como saladas de vários tipos e peixes assados. Apenas como aperitivo, embora muitíssimo agradável, eu não gastaria o preço da garrafa, porque é um vinho que merece um acompanhamento à altura. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Winebrands, que vende o vende em seu site na casa dos R$ 130.

Saúde a todos!



29 março 2018

Se tiver oportunidade não deixe escapar :: Livon Pinot Grigio Collio DOC 2015


País: Itália
Região: Collio DOC (Friulli)
Produtor: Livon
Uvas: 100% Pinot Grigio
Maturação: sem informações
Álcool: 12,5%

Fiquei muito entusiasmado com esse vinho. Talvez até deveria usar a palavra encantado, mas vou preferir descontar algum percentual de álcool e as boas energias que talvez estivessem vigorando no momento. 

O fato é que, independente da palavra usada, esse é um Pinot Grigio que merece ser degustado, se você gosta de vinhos brancos e prefere a elegância e delicadeza. Se sua praia são apenas os Chardonnay com madeira sobrando, talvez vá se decepcionar com este aqui. 

Na taça a cor é clássica, um amarelo palha característico da variedade. Bons aromas, florais, algo cítrico e um toque de baunilha e nozes. Vinho de pouco corpo, mas aveludado, muito elegante, equilibrado. Tem um final de grande persistência e grande capacidade de harmonização, embora seja muito prazeroso se bebido sozinho.  

Essa elegância e equilíbrio são conseguidos com cinco meses de amadurecimento nos próprios tanques de inox após o fim da fermentação. Após engarrafado segue mais um "longo período", segundo o produtor, para afinamento em garrafa antes de ser colocado no mercado.    

Embora seja um vinho branco menos encorpado e sem passagem por madeira o produtor estima guarda entre 4 e 5 anos. Harmonizará com risotos, carne branca, aves e sopas (minestrone).  


Detalhes da compra:

É importado pela Mercovino. Não é um vinho barato (faixa dos $150), mas se você é apreciador de vinhos brancos vale a pena. 

Saúde a todos!



04 dezembro 2017

Um belo Syrah italiano :: Falesco Tellus Syrah 2015


País: Itália
Região: IGT Lazio 
Produtor: Falesco
Uvas: 100% Syrah
Maturação:5 meses em barricas de carvalho de 2º uso
Álcool: 14%

A Syrah é uma das uvas tintas que mais gosto de beber, assim como a Cabernet Franc, especialmente se vierem do Velho Mundo. Infelizmente a oferta não é tão grande assim em minha região, pois temos muitos argentinos e chilenos que, confesso, já não me trazem muitas surpresas, embora sejam muito bons. 

Então, ter a oportunidade de reencontrar esse belo Syrah italiano foi uma ótima experiência. 

Apenas a título de curiosidade, segue informação sobre o bonito rótulo do vinho, que está em uma garrafa diferente, que em primeiro momento nem parece ter 750 ml: 

"Tellus é a deusa romana da terra, sua garrafa, inspirada nas antigas garrafas do império romano, é diferente e chama a atenção. Seu rótulo, foi criado em 2009, é o quadro ganhador de um concurso com artistas no Castel Sant'Angelo, em Roma, para a criação da nova imagem do produto".

O vinho não lembra os exemplares sul-americanos. Tem muita elegância e personalidade, com boa acidez e vocação gastronômica. A madeira é discreta, embora presente. Tem coloração rubi com reflexos violeta, límpido e brilhante. Não é muito denso em cores.  

Nos aromas há muita fruta fresca, cereja, especiarias e uma lembrança muito discreta da madeira. Tem taninos macios, boa acidez, equilíbrio e elegância. Tem corpo mediano, sensação de muito equilíbrio, final persistente. 

Sem excessos, dá vontade de não parar de beber. 

Será um ótimo para massas com molhos densos, queijos mais curados, pizzas, carnes vermelhas. As especiarias não são problema para esse vinho. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Winebrands, que o vende em sua loja virtual por R$ 113. 

Saúde a todos!



18 setembro 2017

Foi bem com as pizzas, mas combina com quase tudo :: Torcicoda Primitivo Salento IGT 2014


País: Itália
Região: Salento (Puglia)
Produtor: Tormaresca 
Uvas: 100% Primitivo
Maturação: 10 meses em carvalho francês e húngaro + 8 meses em garrafa 
Álcool: 14%

Em uma noite de pizzas na casa dos amigos Marcel e Carol (Sabor Sonoro) levei esse vinho porque a alegria da uva Primitivo e a descontração de algumas fornadas na companhia de amigos combinavam perfeitamente. E de fato foi assim!

Por uma coincidência (juro que não foi planejado) é o segundo Primitivo em sequência que aparece aqui no blog. Embora eu prefira a diversidade de vinhos para aparecerem aqui, creio que os leitores não se sentirão frustrados, pois essa uva é muito querida pelos brasileiros, como escrevi no vinho anterior (relembre).

O vinho de hoje também vem da região de Salento, na Puglia, sendo elaborado exclusivamente com essa uva. A passagem por barricas não é tão longa e penso que os 10 meses acrescidos aos 8 meses de maturação em garrafa busquem a perfeita integração da madeira com a fruta, sem excessos. E foi isso que encontrei na taça. 


A bonita propriedade.

Na taça a coloração é rubi, com alguma transparência e reflexos violáceos. Os aromas são típicos, frutos vermelhos, especiarias e notas abaunilhadas. Na boca é fácil de agradar, harmônico, com taninos presentes, mas amaciados, sem serem rascantes, ótima acidez, fruta em abundância, com destaques para alguma presença de fruta em compota, temperos e a madeira em ótimo equilíbrio. Final persistente. 

Realmente um vinho muito fácil de beber, equilibrado, com estrutura (taninos + acidez) que ativam aquela vontade lá no fundo do cérebro de beber mais algumas taças!!!

Está em ótimo momento agora, mas poderia ser guardado por mais 1 ano sem problemas. 

Combina com uma infinidade de pratos e foi muito bem com todas as pizzas que saíram do forno, mas pode também ser um excelente par para queijos maduros, carnes grelhadas. 

Sei que muitos adoram a Primitivo apenas como aperitivo, mas sua vocação gastronômica pede um belo acompanhamento, mas calma... não vamos abri-lo com os pratos crus da comida japonesa, com tenho visto por aí.   


Detalhes da compra

Esse vinho é importado pela Winebrands, que o vende em sua loja virtual por R$ 149.

Saúde a todos!





07 setembro 2017

Um bom exemplar da apaixonante Primitivo :: 12 e Mezzo Primitivo del Salento IGP 2015


País: Itália
Região: Salento (Puglia)
Produtor: Varvaglione
Uvas: 100% Primitivo
Maturação: 12 meses de maturação em barricas de carvalho americano
Álcool: 12,4%

Conheço muitas pessoas que iniciaram no mundos dos vinhos e logo de cara se apaixonaram pela uva Primitivo, que para alguns é a mesma Zinfandel tão conhecida dos norte-americanos. Particularmente, prefiro uma versão mais científica que diz que elas possuem DNA muito próximos, talvez sejam primas-irmãs!

E porque essa uva cai na graça das pessoas tão facilmente assim? Primeiro porque os vinhos elaborados com ela parecem ter um adocicado que é muito agradável, justamente porque são acompanhados de uma boa acidez, típica dos vinhos italianos. São vinhos fáceis de beber, harmonizam com uma variedade enorme de pratos e por isso mesmo os iniciantes se encantam. 

O vinho de hoje vem da região italiana da Puglia, mais precisamente de Salento, que juntamente com Manduria, elabora os principais vinhos com essa uva. Os 12 meses de barricas de carvalho deixaram o vinho mais robusto, aromático e moderno. 

Na taça tem uma coloração rubi, brilhante e límpido. Os aromas são cativantes, remetendo a cereja, ameixa e chocolate. Na boca tem boa estrutura, notas levemente adocicadas e ótima acidez. Os taninos estão presentes e formam um conjunto gastronômico, fácil de beber e harmonizar. Final persistência, com frutado sendo repetido e notas de baunilha e chocolate aparecendo. Tem 12,5% de teor alcoólico. 

Harmonização: pizzas, uma boa tábua de frios e queijos, carnes grelhadas... ou simplesmente beber aos pouquinhos, apreciando as boas características dos vinhos com essa variedade.  


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Domno e vendido aqui em Uberlândia por R$ 104.

Saúde a todos!



29 janeiro 2017

Interessante branco da Sicília :: Ferreri Sette Vigne Inzolia IGP 2015


Ultimamente em casa os brancos andam dominando. Não somente em razão do calor, mas porque estamos em uma fase em que os tintos não estão caindo bem, parecem pesados... fases da vida!

Esse é um italiano elaborado na região da Sicília, cujo produtor já esteve aqui antes com um surpreendente Nero D'Avola (relembre). A Ferreri & Bianco, especializada em duas uvas autóctones (nativas) da região: a branca Catarratto e a tinta Nero D'Avola, cultivadas em seus 50 hectares de vinhedos próprios, plantados em altitudes variando entre 250 e 500 metros.    

O vinho de hoje é elaborado com a Inzolia, variedade nativa da Sicília, sendo utilizada no vinho fortificado Marsala e nos vinhos brancos secos é par perfeito para outras uvas nativas da região, como a Catarratto e a Grillo. Na Toscana é chamada de Ansonica e faz par com a Vermentino. 

Na taça tem coloração dourado claro. Aromas cítricos e florais em destaque. Ervas aromáticas em segundo plano. Em boca é leve, refrescante, aparecendo notas tropicais, grande acidez e final mediano. Palato frutado e mineral. 

Embora seja um vinho leve, tem personalidade e complexidade. Gastronômico, para os pratos a base de frutos do mar, saladas e comida oriental condimentada. Não tem passagem por barricas de carvalho, apenas um afinamento em tanques de inox. Tem 12% de álcool.


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Mercovino e vendido aqui em Uberlândia por R$ 79.

Saúde a todos!






28 julho 2016

Experimente e seja feliz: Arunte Salento Negroamaro IGT 2014


A região italiana da Puglia é famosa por duas uvas tintas que os brasileiros gostam bastante: Primitivo e Negroamaro, porque tem lá no fundo um adocicado que nosso paladar aprecia, tem boa capacidade gastronômica e são muito fáceis de beber, sem excessos de taninos, vinhos macios, enfim. 

Esse 100% Negroamaro é elaborado pela Catolio, cantina cujas atividades tiveram início nos anos 1960 pelas mãos de um pequeno grupo de viticultores e hoje são mais de 700 associados, que destinam seus esforços para elaborarem principalmente o Primitivo di Manduria. A vinícola desde 2008 utiliza energia elétrica de fontes renováveis (células fotovoltaicas).  

Esse vinho não tem passagem por madeira, ficando apenas um período em tanques de inox para afinamento. Tem 13,5% de álcool e ainda pode suportar mais 1-2 anos em garrafa sem perda de suas principais características.

Na taça tem coloração rubi. Aromas lembrando frutos negros e chocolate amargo. Corpo mediano, taninos finos, frutado marcante, álcool sem incomodar e acidez muito presente. Típico Negroamaro, gastronômico, sempre pedindo mais uma taça.

Vinho macio e equilibrado, foi o escolhido para acompanhar as redondas no "dia da pizza" (10/7).


Detalhes da compra:

O vinho pode ser encontrado aqui em Uberlândia por R$76. É importado pela Mercovino.

Saúde a todos!



17 julho 2016

Excelente compra e ótima surpresa: Ferreri Sette Vigne Nero D'Avola 2014


Esse é um vinho daqueles que gosto de servir aos amigos que preferem os vinho bem potentes. É dos vinhos que surpreendem, porque a cor tênue (resultado de pouca extração) e o baixo teor alcoólico declarado (12,5%) tendem a deixar o consumidor imaginando um vinho leve, sem muita personalidade. Ledo engano!!!!

É elaborado na Sicília, região italiana de ótimas surpresas, pela Ferreri & Bianco, especializada em duas uvas autóctones (nativas) da região: a branca Catarratto e a tinta Nero D'Avola, cultivadas em seus 50 hectares de vinhedos próprios, plantados em altitudes variando entre 250 e 500 metros.  

Na taça a coloração é rubi, com muita transparência. Aromas frutados, lembrando frutos mais delicados. Mas, em boca é muito intenso, corpo mediano, muita fruta madura, taninos doces e macios, acidez lá em cima. Frutado silvestre forma um conjunto muito interessante com o adocicado da boa fruta madura. A passagem brevíssima por carvalho não interfere de maneira importante no conjunto. 

O vinho mais maduro jamais fica enjoativo se tiver uma grande acidez. É o caso. Final longo, marcado pela fruta e por uma mineralidade que não aparecia antes. Boca seca, salivando pela acidez e com alguma lembrança dos taninos. Apesar do pouco teor alcoólico é um vinho potente, um grande companheiro para bons pratos italianos. Uma surpresa!


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Mercovino e vendido aqui em Uberlândia por R$ 76. Excelente compra! 

Saúde a todos!



18 fevereiro 2016

Um italiano bem fácil de beber: San Marzano Il Pumo Rosso Salento IGP 2013


No fim de janeiro estivemos na casa dos amigos Suzy e Adriano para mais uma noite muito agradável, com muitos vinhos, comida boa, rock and roll e muitas risadas. Embora eu não tenha ido preparado para escrever sobre os vinhos da noite, dois deles me chamaram a atenção e resolvi falar sobre eles aqui. 

O primeiro é esse italiano elaborado na região da Puglia, onde a Primitivo é a uva tinta mais importante, mas nesse vinho ela não aparece, pois o corte leva Sangiovese, Malvasia Nera e Aglianico, sem passagem por barricas de carvalho e com 13,5% de álcool.  

O produtor é a Cantine San Marzano, nascida em 1962 a partir da união de 19 famílias de viticultores, na Puglia. Atualmente cerca de 1.200 produtores participam da cooperativa, com sede na região de Primitivo de Manduria, uma famosa DOP (Denominazione di Origine Protetta).
    
Na taça o vinho tem coloração rubi. Muito aromático, com destaques para frutos negros, ameixa, amora. Bom corpo, fresco, com boa acidez e taninos já bem macios. Um vinho facílimo de beber, com leves notas adocicadas, sem arestas ou qualquer desequilíbrio. Gastronômico, mas funciona muito bem como aperitivo, embora eu ache um certo desperdício abrir um vinho italiano que não seja para acompanhar uma refeição. 

Final longo, prazeroso, com a boca salivando e pedindo mais um gole. Ponto alto para a harmonia e maciez do vinho, saindo um pouco daquele perfil mais potente de alguns Primitivos da região, até porque não passa por madeira. Parece em seu auge nesse momento, embora a importadora indique um potencial de guarda de 5 anos. 


Detalhes da compra:

O importador é a Grand Cru, que o vende em sua loja virtual por R$ 65. 

Saúde a todos!




10 fevereiro 2016

Por esse preço vale experimentar: Villacardèto Pinot Grigio Umbria IGP 2014


Vinhos com a Pinot Grigio fazem nossos olhos brilharem, porque são refrescantes, leves, gastronômicos e quando encontramos um exemplar, mesmo se não conhecemos o produtor (e o preço for agradável ao nosso bolso) não pensamos duas vezes em comprar.  

Esse é elaborado pela Cantina Cardèto, que nasce como uma cooperativa em 1949, na região de Orvieto (na Umbria), pertencente à região Central da Itália. No início, reuniram-se 13 produtores para a constituição da cooperativa. 

Esse vinho, no entanto, é rotulado genericamente, como Indicazione Geografica Protetta - IGP, sem que isso diminua a qualidade do vinho, apenas não se enquadra nas condições para ser um Umbria DOCG ou Orvieto DOC. 

O vinho é um 100% Pinot Grigio, sem passagem por madeira, apenas um amadurecimento de 4 meses em cubas de inox. Tem 12,5% de álcool.  

Na taça tem coloração amarelo palha. Aromas um tanto discretos, com presença madura, destaque para frutos tropicais, como melão e pera. Na boca é untuoso, de boa acidez, com boa complexidade mesmo sem madeira, maduro, bem tropical, nuances minerais, uma pontinha de álcool, mas sem atrapalhar o conjunto. Final persistente!

Imaginei as harmonizações possíveis com esse vinho tão versátil: saladas, peixes fritos ou assados, massas ao alho e óleo ou uma bela tábua de queijos brancos e salamaria. 


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela Decanter, que vende o vinho em sua loja virtual por R$ 56. 

Saúde a todos!



08 setembro 2015

Aprovadíssimo esse Casanova di Neri IrRosso DOC 2013


No último dia 18 de agosto aconteceu mais uma edição do Winebar, evento virtual comandado pelos amigos Daniel Perches e Alexandre Frias. Vários formadores de opinião receberam vinhos em suas casas para participar da degustação e o meu tinto foi esse belo exemplar da Toscana (veja o vídeo aqui). 

O produtor é a consagrada Casanova di Neri, vinícola fundada em 1971 por Giovanni Neri, com a compra de uma grande propriedade em Montalcino, na Toscana. Desde 1991 está sob o comando de seu filho, Giacomo Neri. A vinícola possui cerca de 55 hectares, subdivididos em 5 regiões: Pietradonice no sudeste de Montalcino, Le Cetine ao sul, Cerretalto e Fiesole ao leste e Podernuovo que ocupa a posição mais alta.

Para se ter uma ideia da importância da vinícola, seu Brunello di Montalcino Tenuta Nuova, safra 2010, recebeu a nota máxima (100 pontos) do famoso crítico Robert Parker, uma distinção destinada a pouquíssimos vinhos do mundo. Um vinho perfeito, na visão do famoso degustador.  

A linda fachada da vinícola. Foto: www.casanovadineri.it/

O vinho de hoje foi elaborado pela primeira vez em 2006. É um vinho mais simples da vinícola, uma mescla das uvas sangiovese e colorino, com passagem de 24 meses por barricas de carvalho e mais seis meses para que o vinho possa afinar nas caves da vinícola. Recebe a classificação geográfica Sant'Antimo DOC, criada em 1996. 

Na taça tem cor rubi, brilhante, com muitas lágrimas se formando na taça (13,5% de álcool). Aromas típicos dos vinhos toscanos, com muita fruta vermelha, ameixa, e notas provenientes da madeira, chocolate, coco e um leve tostado. No nariz já demonstra equilíbrio entre boa fruta e madeira bem dosada, mesmo com os 30 meses de contato com o carvalho. 

Na boca tem bom corpo. Um vinho redondo, com taninos finos, acidez marcante, mas nenhuma dificuldade para agradar já na primeira taça. Muito equilibrado. Vocação gastronômica para massas com molhos vermelhos e queijos maduros. Final de boa persistência, repetindo no palato a boa fruta e a presença amadeirada. 

Vinho que pode evoluir na garrafa, mas já é muito equilibrado agora. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Expand, que o vende por R$ 180. 

Saúde a todos!




16 agosto 2015

Vinhaço! Edizione nº 08 Cinque Autoctoni (Lote 2006)


Em julho fomos a Jundiaí para visitar os amigos Valdirene e Cristiano (Vivendo Vinhos). Também foram para lá os amigos Rafaela e Cláudio (Le Vin au Blog) e quando nos encontramos a chance de ter um ótimo vinho italiano por perto é muito grande. 

Essa garrafa - segundo a informação oficial - era a última que o Cristiano Orlandi mantinha em sua adega. Há quem duvide, mas ele não é de esconder seus vinhos quando recebe os amigos e está sempre pronto para abrir alguma preciosidade. 

O vinho é um corte de cinco variedades autóctones (nativas), por isso o nome cinque autoctoni. Aliás, é um corte de cinco vinhos diferentes para composição desse blend que não são necessariamente de uma mesma safra. Por isso, o vinho tem "edições" (essa é a número 8) e apenas informa no contra-rótulo quando o corte final foi elaborado (2006, no caso desse vinho).

Seu produtor é a Farnesi Vini, sediada na cidade litorânea de Ortona, na província de Chieti, região de Abruzzo. Em termos vinícolas pertence à Itália Central.

As uvas são de duas regiões, Puglia e Abruzzo, em percentuais que demonstram que cada variedade tem uma função no corte, com predominância das típicas Montepulciano (33%), Primitivo (30%) e Sangiovese (25%), acompahadas das coadjuvantes Negroamaro (7%) e Malvasia Nera (5%). Tem 14% de teor alcoólico.

Não tem passagem por madeira e em seu rótulo traz a classificação de Vino da Tavola Rosso, porque as uvas pertencem a duas regiões distintas, sendo um vinho "genérico" em termos geográficos, sem que isso interfira em sua qualidade.

A rolha já estava bem encharcada e deu trabalho para o Cláudio Werneck, responsável pelo serviço. 

Na taça apresenta coloração rubi, com formação de muitas lágrimas na taça. Intenso em aromas, frutos negros, frutos vermelhos, chocolate e tabaco. 

Em boca é encorpado, com grande acidez e taninos ainda rascantes, que poderiam amaciar com algum tempo em garrafa. Repetição dos frutos negros e chocolate. Notas tostadas aparecem em grande intensidade. Notas de chocolate amargo lembram características do Amarone e Ripasso, vinhos típicos do Vêneto. 

Final longo, prazeroso. Boca salivando em razão da acidez e gengivas sentindo a presença tânica. Palato marcado pela repetição do que nariz e boca mostraram. Vinho complexo, gastronômico, maduro, encorpado, em ótimo momento agora aos nove anos. Acompanha carnes vermelhas e queijos maduros.  

Caso o amigo Cristiano tivesse outra garrafa poderíamos abrir em 1 ou 2 anos com mais evolução e ainda em grande forma.


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Word Wine, que vende a edição nº 12 desse vinho em sua loja virtual por R$ 242,00. Infelizmente a grande qualidade do vinho fez o preço subir nos últimos anos.

Saúde a todos!


11 junho 2015

Isso sim é o que podemos chamar de "unificação italiana": Gran Sasso TRE Autoctoni

No rótulo a indicação das três regiões de origem utilizadas na elaboração do corte. 

No dia de nosso 12º aniversário de casamento resolvemos abrir um vinho especial. Eram muitos, felizmente, na adega e resolvemos experimentar esse tinto italiano que estava guardado há algum tempo, talvez dois anos ou algo bem próximo a isso. 

É um vinho com algumas curiosidades em torno de sua elaboração, principalmente porque o corte de três variedades utiliza uvas de regiões diferentes da Itália, simbolizando as uvas autóctones (nativas), tão importantes na vitivinicultura europeia. Por isso a brincadeira com a "unificação italiana", que foi finalizada em 1870 com a anexação de Roma.  

A vinificação é feita em separado e depois o corte é realizado. De Abruzzo vem a montepulciano, da Puglia utilizaram a primitivo e da Sicilia a nerello marcalese, todas nativas e com características próprias que mesmo em assemblage não desapareceram. Talvez porque o vinho não teve passagem por madeira e foi vinificado e amadurecido em tanques de aço inox essas características ficaram mais nítidas, mais francas.

A elaboração fica por conta da Farnesi Vini, que não revela o percentual de cada uva no vinho, nem a safra em que foram colhidas, deixando tudo ainda mais interessante.

O resultado é um vinho estruturado, interessante em aromas e sabores. De coloração púrpura, denso, tem aromas em boa intensidade: frutos negros, ameixa, flores, tostado e chocolate.

Tem bom corpo, maduro, frutos marcando grande presença, notas adocicadas, chocolate amargo, boa acidez e um tostado elegante, mesmo sem barricas de carvalho. Taninos bem presentes, ainda com leve rascância, caminhando para amaciarem nos próximos 2-3 anos. Final de ótima persistência, marcado por frutos negros, tostado e chocolate amargo formando um conjunto interessante e diferente.




Harmonização: As notas adocicadas deixam o vinho fácil de beber, com a acidez ajudando a formar um conjunto que não é enjoativo, permitindo o vinho acompanhar uma imensa gama de pratos. Mas, no dia em que abrimos o vinho imaginamos algo tipicamente italiano, então nada mais apropriado (e fácil de fazer) do que uma massa com molho vermelho e polpettas, imaginando que a acidez do vinho, algo bem natural nos italianos, daria conta do recado. E deu! Outras opções com carnes vermelhas também serão uma boa pedida.    


Detalhes da compra:

Recebi esse vinho da Assessoria de Comunicação da importadora La Pastina e à época o vinho era vendido na faixa dos R$ 168,00.

Saúde a todos!



15 fevereiro 2015

Simples e encantador: Carpineto Chianti Classico DOCG 2012


Não escondo de ninguém minha admiração pelos vinhos italianos, principalmente os toscanos. Dia desses alguém me perguntou qual vinho eu beberia no dia da morte (se pudesse escolher, claro). Respondi de imediato: um Brunello di Montalcino! Depois que respondi fiquei pensando se era a melhor resposta, além do tom macabro da pergunta... mas, ainda que inconscientemente, a Toscana me veio à mente. 

Dito isso, escrevo hoje sobre um interessante Chianti Classico elaborado pela Carpineto, fundada em 1967 pelas famílias Sacchet e Zaccheo, que elabora principalmente vinhos tintos (95%), desde Brunellos, Chiantis e outros vinhos IGT. Exporta para mais de setenta países atualmente. Comentei há algum tempo um rosé deles (relembre). 

Segundo o importador o vinho leva cerca de 80% de sangiovese (a uva mais importante da Toscana), canaiolo e outras variedades (em torno dos 20%). Tem passagem por madeira e 13% de álcool.   

Na taça tem coloração púrpura. No nariz um mix de frutos vermelhos delicados, como cereja, morango, além de um floral também presente em segundo plano. Em alguns momentos lembrança de erva doce. A madeira (6 meses) aparece bem nítida, mas formando um bom conjunto com a fruta, sem se sobrepor. 

O conjunto harmonioso no nariz se repete em boca. Vinho equilibrado, de corpo médio, taninos finos e acidez marcante. A vocação gastronômica é indiscutível. Vinho que não tendo grande complexidade, surpreende pela harmonia e isso torna impossível não reconhecer sua qualidade. Uma simplicidade encantadora, como dito no título do post.  

Final seco, marcado por taninos elegantes e boca salivando por conta da ótima acidez. Dá vontade de mais um gole, acompanhado de comida, claro. Aqui em casa, no dia em que o vinho foi aberto, o jantar foi com baião de dois, prato típico do nordeste brasileiro... ficou porreta!

Está pronto para beber agora!


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela Wine, que o vende em sua loja virtual por R$ 69, mas para associados de seu clube há um desconto especial. Essa garrafa, no entanto, eu ganhei de presente.  

Saúde a todos!



19 dezembro 2014

Ficando em dia com a Confraria: Monte del Frá Valpolicella Classico Superiore Ripasso 2009 #CBE


Esse é mais um post para que esse blogueiro fique em dia com a querida Confraria Brasileira de Enoblogs, fundada em fevereiro de 2007 e até o momento a primeira e única confraria virtual do Brasil. 

O vinho de hoje deveria ter ido ao ar no dia 1º de setembro, mês cujo tema foi sugerido pelo confrade Alexandre Takei, do blog Notas Etílicas. Ele determinou: "tema Valpolicella. Vale tudo, do clássico ao ripasso, amarone, recioto...". 

Tenho a impressão que a maioria dos consumidores brasileiros torce o nariz quando lê ou ouve o nome Valpolicella. Isso é fruto de experiências ruins que todos nós já tivemos com vinhos genéricos que nos chegaram dessa importante região do Vêneto desde há muito. Mas, se você é um desses, penso que é preciso romper essa barreira e começar a experimentar os ótimos vinhos que estão à disposição no atual mercado brasileiro. 

Valpolicella é uma sub-região do Vêneto, localizado no nordeste da Itália, sendo a oitava maior região do país abrigando importantes cidades como Veneza, Verona e Pádua. Em termos vinícolas o Vêneto possui 14 DOCG, dentre elas Amarone della Valpolicella e Recioto della Valpolicella e 27 DOC, dentre as quais Valpolicella e Valpolicella Ripasso (veja um mapa aqui). 

Escolhi um Ripasso, vinho cuja elaboração, vista de forma simplificada, acontece da seguinte forma: as cascas das uvas que "sobram" da elaboração de um Amarone ou Recioto são acrescidas ao vinho Valpolicella recém fermentado. Depois de um período de 10-15 dias o resultado é um vinho com mais cor, corpo e aromas. As uvas utilizadas tradicionalmente são corvina, molinara, rondinella e corvinone.

O produtor é a Azienda Agricola Monte del Frá, cuja sede está a aproximadamente 15 km de Verona, onde em 1958 teve início a história da vinícola que atualmente possui cerca de 140 hectares de vinhedos. Elabora vinhos tintos, brancos, espumantes, vinhos doces, azeite e grappa. Esse Ripasso estagiou durante 18 meses em barricas de carvalho francês. Tem 14% de álcool. Foram utilizados 20% de uvas rondinella e os outros 80% entre corvina e corvinone.  


Na taça a coloração é rubi, translúcido. Ótimos aromas, frutos vermelhos, cereja, algumas especiarias discretas. Em boca tem corpo médio, muita fruta, notas adocicadas, taninos finos e boa acidez. Bom equilíbrio entre acidez, álcool e dulçor, resultando em vinho muito agradável e gastronômico. 

Final longo, frutado, levemente adocicado, sem ser enjoativo. A presença da madeira dá um toque especial ao estilo desse vinho. A harmonização que imaginei foi com queijos maduros. Testei com parmesão e o resultado foi muito bom, mas nem tanto com gorgonzola. Embora não tenha harmonizado no dia, imagino que se dará muito bem com uma costela suína. 

Esses vinhos não são baratos, mas você pode comprá-los para conhecer o estilo dos vinhos elaborados com adição de uvas "passificadas", sem gastar tanto com uma garrafa de Amarone.  


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela Domno do Brasil e pode ser comprado aqui em Minas Gerais na faixa dos R$120-130. Mas, dependendo da situação tributária de seu estado, pode sair mais barato que isso. 

* Esse é o 97º vinho que comento para a gloriosa CBE.

Saúde a todos! 



01 dezembro 2014

Sem atrasos, esse é meu vinho do mês para nossa Confraria: Camporsino Chianti DOCG 2012 #CBE

Vinho leve, sem madeira, com apenas 12,5% de álcool. 

Estou bem feliz por conseguir publicar o vinho do mês para a Confraria Brasileira de Enoblogs dentro do prazo, ou seja, o primeiro dia do mês. Saibam que assumo meus atrasos, mas estou colocando tudo em dia e até o fim do ano acredito que esteja atualizado com meus confrades. 

O vinho para dezembro foi indicado pelo Jorge Alonso, do blog Contando Vinhos, que assim definiu o tema: "Um Chianti, valendo Classico, Riserva e qualquer sub região e sem limite de preço".

Quando vi o tema fiquei duplamente feliz, porque vinho da Toscana é comigo mesmo e esse aqui já devia ter aparecido no blog há algum tempo, porque é um Chianti muito correto, a um bom preço, mas eu ainda não tinha feito anotações para publicá-lo. Pronto! Eis a oportunidade ideal. 

O produtor é a Principe Corsini, cuja família tem história que remota ao ano 1000, mas somente em 1992 começaram a produzir seus próprios vinhos. Em outubro comentei aqui um espetacular Chianti desse mesmo produtor, mas numa faixa bem superior de preços. Interessante que esse 100% Sangiovese não tem passagem por madeira, preservando as características da uva emblemática dos tintos toscanos.   


O vinho na taça de cor vermelho rubi, brilhante e com boa transparência. Aromas de boa fruta, cereja, flores e algo que me lembrou "pó para maquiagem". Em boca é leve, com taninos macios, ótima acidez, pedindo a companhia de um bom prato de massa ou pizza. É seco, mas a boa fruta se repete.

Final de boa persistência, confirmando que o vinho é mesmo gastronômico, seco, que deixa a boca salivando e uma lembrança muito agradável de chocolate e tabaco, características de muitos vinhos com a Sangiovese. O álcool a 12,5% o deixa muito agradável, sem peso, sem calor.

Um vinho que foi feito para ser bebido jovem, no máximo com 4-5 anos. Também não foi feito para ser bebido sozinho, sem comida. Uma boa pedida de Chianti de preço mais acessível e que demonstra as características da uva sem a interferência da madeira (embora também goste desses vinhos quando passam por carvalho).


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela Domno no Brasil e aqui em Uberlândia compra-se a garrafa por R$65 na loja Wine Home, na avenida Liberdade, 234. Mas, esse preço pode variar se você estiver em outro estado que (ainda) não tem substituição tributária.

* Esse é o 95º vinho que comento para a CBE, a primeira e única confraria virtual do Brasil. 

Saúde a todos!



24 novembro 2014

Provamos o vinho italiano do Galvão: Bueno La Valletta Sangiovese IGT 2011

O enólogo Roberto Cipresso é o novo responsável técnico pelos vinhos da Bueno Wines. 

No último dia 17 de novembro participei de mais uma degustação para o Wine Bar. Recebi em casa dois vinhos elaborados pela Bueno Wines, projeto do apresentador Galvão Bueno, um brasileiro já comentado no último dia 20 (relembre) e esse italiano, que leva a assinatura do enólogo Roberto Cipresso, o novo winemaker à frente do projeto. 

Cipresso é natural do Vêneto, mas começou sua carreira de enólogo na Toscana, em Montalcino, trabalhando com importantes produtores da região. Fundou em 1999 a Winemaking, consultoria agronômica e enológica para atender vinícolas na Itália e em outros países. Já foi eleito o "Melhor Enólogo Italiano" (2006) e na categoria "Comida" já foi considerado o "Homem do Ano", em 2008, pela revista Men's Health.

Bem, vamos às minhas impressões do vinho. 

Primeiro, quando estou diante de um vinho da Toscana, um 100% Sangiovese, espero dele aquela acidez marcante, capaz de deixar o vinho pronto para as massas italianas com bastante molho vermelho, ou pizzas, mas também carnes vermelhas, pratos com cogumelos, enfim, muitas opções. Foi isso que o vinho demonstrou: uma grande capacidade gastronômica, mas me parece ainda jovem e poderá ganhar mais equilíbrio com um tempo em garrafa, devidamente climatizado. 

Na taça a coloração é rubi, brilhante, com boa transparência. Muita fruta fresca no nariz, frutos vermelhos como cereja, alguns frutos negros também, amoras, algo floral em segundo plano, tabaco e frutos secos. Corpo mediano, com taninos bem presentes e acidez lá em cima. Como disse acima, acredito que precisa de um tempo em garrafa para ganhar mais equilíbrio, talvez uns dois anos. Mas, já está pronto para suportar a potência dos molhos vermelhos da tradicional culinária italiana.

Final longo, repetindo tudo, com uma elegante presença amadeirada no palato. Notas minerais (salgadas) aparecem no final. Deixamos metade da garrafa para beber no outro dia e 24 horas depois estava em forma, mais dócil. Penso que quando isso acontece é porque o contato com o oxigênio trouxe algum benefício ao vinho, indicando que um tempo de aeração no decanter pode ser uma boa opção. 

O vinho tem 14% de álcool e passa 14 meses por barricas de carvalho francês de segundo uso.   


Detalhes da compra:

O vinho é vendido por R$175 na loja virtual da Miolo, parceira de longa data dos projetos vinícolas do Galvão Bueno (veja aqui). 

Saúde a todos! 



10 novembro 2014

Bonitinho, mas também é bom: Carpineto Dogajolo Rosato IGT 2013

Foto: Marcel Gussoni (www.saborsonoro.com.br)

Se você gosta de vinhos rosés, mas está mais acostumado com os chilenos e argentinos, por exemplo, talvez tenha dificuldade de apreciar esse aqui. A diferença costuma ser grande quando provamos um rosé sul-americano, com muita fruta, muitos aromas, mais álcool e ideais como aperitivos. Já os vinhos europeus tem mais acidez, são mais delicados em aromas e sabores, pois também são feitos para acompanharem comida. 

Esse aqui é um bom exemplo disso. Foi trazido pelo amigo Marcel Gussoni, nosso blogueiro-Chef-mor, editor do ótimo Sabor Sonoro, que comprou o vinho encantado pelo rótulo e pela cor mais próxima dos elegantes rosés da Provence. Confessa que foi seduzido, mas quem não seria?

O vinho é um Toscano IGT (Indicazione Geografica Tipica), significando que as uvas podem vir de vinhedos espalhados por toda essa famosa região vinícola. É elaborado pela Carpineto, fundada em 1967 pelas famílias Sacchet e Zaccheo, que elabora principalmente vinhos tintos (95%), desde Brunellos, Chiantis e outros vinhos IGT. Exporta para mais de setenta países atualmente. 

Os fundadores Giovanni Carlo Sacchet e Antonio Mario Zaccheo. Foto: Divulgação 

O site da vinícola não traz informações sobre as uvas utilizadas na elaboração do vinho, mas menciona que a origem delas é a Toscana Central. Não tem passagem por madeira, como deve ser, e tem 12,5% de álcool.

O vinho tem uma bonita cor próxima ao salmão. Os aromas não são muito intensos, diria até discretos, mas de grande qualidade, mesclando frutos delicados (cereja) e notas florais. De imediato percebe-se opção pela elegância já nos aromas. 

Em boca o vinho é melhor, é leve, fácil de beber, com grande frescor dado pela acidez. É um vinho para bebericar, se você quiser, mas será ótimo acompanhando um ceviche ou peixes fritos, por exemplo. Final de boca de média persistência.    

Beba imediatamente, porque não foi feito para a guarda. Melhora suas características a uma temperatura em torno dos 10º C.

Mas, repito o alerta: um rosé italiano não se confunde com um rosé do Novo Mundo - pelo menos na maioria das vezes.   


Detalhes da compra:

O vinho pode ser comprado pelo site da Wine por R$65.

Saúde a todos!



20 outubro 2014

Um super vinho: Don Tommaso Chianti Classico 2007 (pena que não é pro meu bolso)


Guardei esse vinho com carinho por um tempo, devidamente climatizado. Queria experimentar um Chianti com um pouco mais de tempo em garrafa pra ver como se comportaria, até porque pela faixa de preços esse aqui poderia (pelo menos em tese) suportar bem um tempo de guarda. 

Não deu outra. Um super vinho, bebido na companhia especial dos amigos do Le Vin au Blog e Vivendo Vinhos, que sempre comentam que os vinhos italianos estão presentes nos encontros de blogueiros. Por que será?

Pois bem. O vinho é elaborado pela Principe Corsini na região de Chianti Classico. A família tem história que remonta ao ano 1000, mas somente em 1992 começaram a produção de seus vinhos. 

Para esse tinto a vinícola utiliza duas variedades, a clássica Sangiovese (80%), mas com uma pitada de Merlot (20%). Tem passagem de 15 meses madeira francesa, sendo 70% por barricas novas e 30% por barricas de segundo uso. Tem 14,5% de álcool.  

A bonita propriedade de Villa le Corti, em Chianti Classico. Foto: Principe Corsini / Divulgação

Na taça apresentou coloração rubi. No nariz uma boa complexidade, lembrando frutos negros, pimenta, e um elegante tostado vindo da madeira. Na primeira taça servida a madeira estava bem presente, mas depois de um tempo o vinho "abriu-se" deixando a fruta ficar mais presente. Isso indica que um tempo no decanter para aeração pode deixar o vinho melhor desde o início da degustação, no mínimo uns 30 minutos. 

Em boca tem bom corpo, fruta e madeira bem integrados, taninos finos e acidez lá em cima. Final de grande persistência, marcado por frutado em boa intensidade e notas de tabaco e café, provenientes da madeira. 

Nem é preciso comentar a vocação gastronômica de um vinho desses e arrisco a dizer que às cegas estaria mais próximo de um supertoscano do que de um Chianti. Grande personalidade e muito prazeroso, mas ainda parece jovem apesar dos sete anos em garrafa. Ganhará complexidade com mais algum tempo em guarda, talvez uns 3-4 anos. 


Detalhes da compra:

Essa garrafa me foi enviada pela importadora, a Domno do Brasil. É vendido em lojas virtuais a preços variando entre R$321 e R$388.

Como disse no título da postagem, não é um vinho na faixa de preços a que estou acostumado. Mas, se você pode comprar e/ou gosta de vinhos super especiais, não hesite. Pode até me convidar para uma taça que, humildemente, eu aceito. 

Saúde a todos!