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07 março 2024

No carrinho do supermercado :: Aurora Pequenas Partilhas Cabernet Franc 2020


País: Brasil
Região: Serra Gaúcha
Uvas: 100% Cabernet Sauvignon
Maturação: 6 meses por barricas francesas e americanas
Álcool: 12,5%

Essa é uma linha da Aurora que gosto bastante. Além desse Cabernet Franc brasileiro eles fazem um Malbec argentino, um Carmenère chileno e um Tannat uruguaio. Mas, confesso minha predileção para este vinho de hoje. Não se trata de um vinho excepcional e nem mudará sua vida, mas tem suas qualidades, é muito fácil de beber e a um preço honesto pelo que entrega. 

Com uma passagem curta por barricas de carvalho americano e francês - até porque não é um vinho para grandes estágios em madeira - tem taninos macios, a acidez típica da Serra Gaúcha, com aromas de frutos negros, chocolate e tabaco. 

Um vinho para ser bebido de forma alegre e jovial, em razão da proposta, por isso é ideal para ocasiões menos formais, indo bem com uma massa, pizza, churrasco ou qualquer prato simples do dia a dia. Poderá ser servido aos seus convidados sem medo de desagradar, porque é equilibrado e fácil de agradar, além de ter um ótimo preço. 

Não guarde essa safra, porque ela está pronta! 


Detalhes da compra:

No site da vinícola o vinho é vendido a R$59. Uma excelente compra!

Saúde a todos!




26 janeiro 2024

Continua com a boa qualidade :: Aurora Chardonnay Pinto Bandeira 2022



País: Brasil
Região: Pinto Bandeira
Produtor: Aurora
Uvas: 100% Chardonnay
Maturação: 3 meses por barricas de carvalho americano
Álcool: 13% 

Em outubro de 2012 (relembre) conheci o projeto da Vinícola Aurora em Pinto Bandeira, região vinícola da Serra Gaúcha, município de Bento Gonçalves, e que detém o selo de IP - Indicação de Procedência. Naquela visita degustei pela primeira vez seu Chardonnay elaborado com uvas de vinhedos próprios, cultivadas naquela promissora região. 

Hoje tanto o projeto quanto os vinhos já são uma realidade, principalmente para nós que gostamos de preços mais acessíveis e boa qualidade. Não são excepcionais, mas entregam uma qualidade acima da média para os preços praticados. 

Esse Chardonnay tem rápida passagem por barricas americanas, o que lhe dão uma boa complexidade aromática, mas com bom equilíbrio, já que a fruta franca e fresca está bem presente. Vinho com notas frutadas, florais e nuances abaunilhadas. Na boca é leve, com alguma untuosidade e ótima acidez. Vinho um degrau acima do que chamaríamos de "descompromissado". 

Veja o post no Instagram: https://x.gd/RnXIs.


Detalhes da compra:

Provei esta safra 2022 no restaurante Di Paolo, onde antigamente ficava a Canta Maria. Lá o preço é de restaurante (R$ 75), mas no site da vinícola o preço está bem mais acessível. Vale a pena ter em casa para seus dias de beber vinho sem grandes pretensões de etiqueta. 

Saúde a todos!




16 janeiro 2024

Um vinho BBB (do jeito que gostamos) :: Ganda Lisboa Tinto 2021



País: Portugal
Região: Lisboa
Uvas: Aragonês (33%), Syrah (33%) e Castelão (34%)
Maturação: 3 meses em barricas de carvalho
Álcool: 13% 

Quem acompanha este blog desde o inicio sabe que o propósito (até no nome) sempre foi a busca pelo melhor custo x benefício, isto é, o melhor vinho que o bolso de um brasileiro médio pode comprar. Comecei com vinhos bem baratos, o que hoje não é mais possível quanto em outros tempos. Mas, encontrar algo na faixa dos R$60-80 e que seja bom é uma grande vitória. 

O produtor é a Adega São Mamede da Ventosa que tem vários projetos no Oeste de Portugal. Fundada em 1956, tem uma "histórica identidade cooperativista". O vinho é trazido pelo importador para ser um BBB (bom, bonito e barato) e entrega isso, sem dúvida. Não tem defeitos, não é grandioso, mas servirá bem a seus convidados e não fará feio. Aliás, o "bonito" fica por conta da apresentação. Eis a história contada pela vinícola:

"Um rótulo que carrega uma parte da história da cultura de Portugal. O rinoceronte Ganda chega em Lisboa, enviado como presentei para o Rei. No balão retrata-se o padrão mais popular da típica calçada portuguesa.

Os vinhos Ganda são inspirados na história das calçadas portuguesas. Em 1514, Dom Afonso de Albuquerque recebeu um presente inusitado de outro rei, um rinoceronte fêmea conhecido pelo nome Ganda. Dom Manuel decidiu então realizar um desfile com os animais exóticos que possuía. Para proteger o suntuoso animal da lama das ruas, acredita-se que o rei ordenou a construção de calçadas, surgindo assim o tradicional calçamento português".

Na taça um vinho de coloração rubi. Aromas em boa intensidade, predominando frutos vermelhos silvestres e algumas notas da madeira. Em boca tem corpo médio, é equilibrado e tem boa acidez, com frutado bem intenso. Vinho equilibrado, de final logo e muito agradável. Sem arestas de álcool. 

Harmonização: um daqueles coringas que gosto, algo típico dos vinhos com boa acidez e corpo médio, como os portugueses em sua maioria. Acompanhará muito bem uma infinidade de pratos, dos mais simples aos mais elaborados. Experimente com uma tábua de queijos e embutidos, pizzas, churrasco e risotos.  

Veja o post no Instagram: https://x.gd/ZaTN1.


Detalhes da compra:

O vinho é comercializado pela importadora Domno para ter uma ótima relação custo x benefício. No site é vendido a $56, mas pode ser encontrado entre R$65-70 em Minas Gerais, o estado onde o vinho é mais castigado pelos tributos neste país. 

Saúde a todos!




21 outubro 2019

Ótimo na taça (e no bolso) :: Larentis Marselan 2017


País: Brasil
Região: Vale dos Vinhedos
Produtor: Larentis
Uvas: 100% Marselan
Maturação: 6 meses em barricas americanas + 1 ano em cave
Álcool: 13,1%

Em julho publiquei aqui minhas impressões sobre outro vinho dessa linha "Cepas Selecionadas" (relembre), um Teroldego, uva pouco conhecida entre a maioria dos consumidores brasileiros. Hoje outra uva não tão comum, a Marselan, cruzamento entre a Cabernet Sauvignon e a Grenache, que tem dado bons vinhos no sul do país. 

Esse aqui me pareceu o melhor da linha, pelo menos entre os que eu provei e está, digamos, "meio degrau" acima do Teroldego. 

Na taça um vinho rubi com reflexos violáceos. Intenso nos aromas, lembrando frutos vermelhos e desde logo demonstrando a presença de madeira bem integrada, sem excessos, mas deixando claro sua influência. 

Na boca tem boa estrutura e ótima acidez, taninos macios e muita fruta madura. Essa fruta madura e a madeira deram uma ótima sensação de suculência, vontade de beber mais um gole em razão da acidez e confesso que a garrafa acabou mais rápido que o normal. Final longo, prazeroso. 

Daqueles vinhos que não se deve beber sozinho, sem acompanhamentos, e recomendo pratos com carnes vermelhas, massas com molhos densos, salamaria e queijos mais estruturados.   

Foram feitas apenas 7.000 garrafas e abrimos a de número 712. Considero uma boa compra, pois a relação custo x benefício é bem interessante para um vinho brasileiro dessa qualidade. 
  

Detalhes da compra:

A vinícola comercializa o vinho a R$ 65 em sua loja virtual e também em seu varejo no Vale dos Vinhedos.

Saúde a todos!






14 outubro 2019

Nota dez para a proposta (e para o líquido) :: Ponto Nero Cult SO2 Free Espumante Brut



País: Brasil
Região: Vale dos Vinhedos
Produtor: Domno do Brasil
Uvas: 100% Chardonnay
Maturação: 4 meses em autólise de leveduras (método Charmat) 
Álcool: 11,5%

Quando vi o lançamento desse espumante pensei logo: "esse não me dará dor de cabeça. Tomara que seja bom". Digo isso porque o SO2 (anidrido sulfuroso), conservante mais utilizado no mundo do vinho, me causa dor de cabeça naqueles em que é usado até a tampa! 

Vinho sem conservante existe? Bom, pelo que conheço isso seria possível apenas em situações de higiene absurdamente rigorosas por parte da vinícola e o risco seria altíssimo. Até onde eu sei, há duas opções para esses vinhos "sem conservantes": 

1. pela legislação brasileira se a quantidade de SO2 for menor que 10 mg/L, não é preciso declarar no rótulo a existência do conservante. 

2. utilização de outro conservante, de modo que no rótulo basta declarar que é livre de SO2. 

Enfim, chega-se à conclusão de que provavelmente os vinhos com essa declaração no rótulo utilizam outro conservante, menos agressivo à saúde, provavelmente. 

Mas, deixando de lado essa questiúncula, vamos ao líquido!

É um espumante elaborado apenas com a Chardonnay, de modo que meu olho já brilhou. Na taça o resultado é muito interessante, porque é o espumante mais seco da linha Cult da vinícola. Tem apenas 9,5 g de açúcar por litro. Aromas de boa complexidade, lembrando a Chardonnay (frutos brancos como pera e abacaxi) e notas da fermentação dando uma certa complexidade. Na boca é muito refrescante, com acidez lá em cima e um final de boca longo e prazeroso. 

Recomendo muito o produto, não somente pela proposta mais ligada ao cuidado com a saúde, mas porque na taça realmente é muito bom.   

Pelo que li a vinícola elaborou apenas 7.000 garrafas, o que para o mundo dos espumantes é quase nada. 


Detalhes da compra:

Esse espumante é vendido aqui em Uberlândia pela Wine Home a R$ 69.

Saúde a todos!






04 agosto 2019

Descontração pura :: Portillo Malbec 2018


País: Argentina
Região: Vale de Uco (Mendoza)
Produtor: Salentein
Uvas: 100% Malbec
Maturação: sem passagem por madeira
Álcool: 13,5%

Como eu disse no post anterior ao comentar o Chardonnay da mesma linha, eu gostei menos desse Malbec, coisa que só o "VAR dos Vinhos" veria, entende? Coisa de milímetro.

A proposta da linha Portillo é oferecer vinhos mais leves e descontraídos e esse Malbec atende melhor a proposta porque sem a passagem por madeira a exuberância da fruta apareceu mais que no Chardonnay. 

Na taça a coloração é rubi, com maior transparência que a maioria dos vinhos com essa variedade em que a extração é maior, ficando mais densos. Nos aromas notas de frutos negros, ameixa, muito frescor e jovialidade na paleta de aromas. Na boca tem corpo leve, com boa tipicidade e muito fácil de beber. Sem excessos de fruta, madeira ou álcool. Taninos finos e acidez mediana. Sem complicações e sem defeitos.

Escoltou bem o churrasco de picanha, mas poderia ser com pratos mais leves, uma tábua de queijos maduros, salames, presunto, pães e geleias etc.

Interessante: Portillo é o nome da histórica passagem montanhosa que liga a Cordilheira dos Andes ao Vale do Uco, percorrida pelo general San Martín em seu ato libertador e depois pelo cientista Charles Darwin. Uma passagem que ligava Argentina e Chile no passado. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Zahil e em seu site o preço varia entre R$ 75-90 a depender da situação tributária do seu estado. Paguei R$ 76 aqui em Uberlândia.

Saúde a todos!




28 julho 2019

Leve e tropical :: Portillo Chardonnay 2018


País: Argentina
Região: Vale do Uco (Mendoza)
Produtor: Salentein
Uvas: 100% Chardonnay
Maturação:  sem passagem por barricas. 
Álcool: 13%

Provei esse vinho e o Malbec da mesma linha e confesso que o Chardonnay é mais interessante. São vinhos da linha Portillo que apresenta rótulos mais jovens e simples, sem grandes complexidades, para serem bebidos com os amigos naquele bate-papo descontraído, sem maiores preocupações com as nuances aromáticas e gustativas do vinho. Apesar dessa proposta, os vinhos são muito corretos e podem tanto servirem a uma degustação descontraída como para acompanhar refeições. 

Esse Chardonnay, segundo informações do importador, não tem passagem por madeira, mas se mostrou um vinho com características mais próximas daqueles que tem uma breve passagem por barricas do que a leveza e frescor esperados de um vinho com a expressão pura da variedade.

Um vinho de perfil mais tropical, com aromas e sabores lembrando banana, abacaxi e maçã. Notas adocidadas como se tivesse passado por madeira e alguma mineralidade. Acidez mediana. Final de média persistência, agradável, intenso, com a boca lembrando os frutos maduros.

Como dito, esperava um vinho mais leve e descontraído pela proposta da linha, mas agradou bastante e pelo preço que comprei valeu a experiência. Desceu bem fácil e se tivesse outra garrafa certamente abriria.

Harmonizou bem com uma costela suína feita na churrasqueira, mas também irá muito bem com saladas e pratos orientais menos condimentados.

Interessante: Portillo é o nome da histórica passagem montanhosa que liga a Cordilheira dos Andes ao Vale do Uco, percorrida pelo general San Martín em seu ato libertador e depois pelo cientista Charles Darwin. Uma passagem que ligava Argentina e Chile no passado. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Zahil e em seu site o preço varia entre R$ 75-90 a depender da situação tributária do seu estado. Paguei R$ 76 aqui em Uberlândia.

Saúde a todos!



25 julho 2019

Vale a prova :: Larentis Teroldego 2015


País: Brasil
Região: Vale dos Vinhedos
Produtor: Larentis
Uvas: 100% Teroldego
Maturação:  6 meses em barricas de carvalho francês e mais um ano em cave
Álcool: 13,5%

Tive oportunidade de provar pouquíssimos vinhos com a Teroldego, uva de origem italiana, do extremo norte do Trentino, nordeste do país. Aqui no blog já apareceram vinhos da Angheben, mas a Lídio Carraro e a Salton também a utilizam, em varietais e principalmente cortes.

Os vinhos dessa uva podem variar entre os mais leves e descomplicados até vinhos robustos, mais encorpados e intensos, como é o caso desse Larentis da safra 2015 que comprei diretamente no varejo e das mãos da família.

Na taça tem coloração violácea. Aromas intensos, com lembrança de frutos negros, notas florais e um tostado presente. Bom corpo, com a intensidade e paleta de aromas se repetindo. Na boca o ponto alto é para a acidez marcante e a presença de taninos que ainda podem amaciar com mais um tempo de guarda, embora esteja em ótimo momento.

Vinho de personalidade, intenso, com final de ótima persistência e boca salivando em razão da acidez. Um leve amargor presente, mas pelo que se escreve da Teroldego, essa pode ser uma característica de seus vinhos.

Será uma boa companhia para uma infinidade de pratos, especialmente com carnes vermelhas, churrasco e massas com molhos mais rústicos.


Detalhes da compra:

O vinho é comercializado pela vinícola em sua loja virtual por R$ 65.

Saúde a todos!




21 julho 2019

Confirmando a excelência :: Almaúnica Reserva Merlot D.O. 2013


País: Brasil
Região: Vale dos Vinhedos
Produtor: Almaúnica
Uvas: 100% Merlot
Maturação:  barricas de carvalho 50% francesas e 50% americanas, por um período de 18 meses, depois de engarrafado repousou nas caves subterrâneas da vinícola.
Álcool: 13,5%


Em junho estivemos na Serra Gaúcha e, como não pode faltar, fomos jantar no Primo Camilo, restaurante italiano em Garibaldi. Na carta uma boa quantidade de vinhos e espumantes brasileiros e alguns poucos importados. 

Começamos com esse tinto porque há tempos não provava nada da Almaúnica, que tem se notabilizado pela produção de vinhos com perfil mais do Novo Mundo no sentido de serem mais macios, prontos, com maior presença de madeira. O Syrah deles já se consolidou como um dos ótimos vinhos brasileiros para se experimentar. 

Quero adiantar que na sequência pedimos um Cabernet Sauvignon chileno à disposição na carta do restaurante, uns 40% mais caro que esse e, cá entre nós, não me deixou tão feliz quanto esse Merlot. 

O vinho já tem seis anos, mas sem nenhuma nota de evolução naturais para vinhos dessa idade e nessa faixa de preços. Coloração rubi, brilhante. Aromas em ótima intensidade com marcantes frutos vermelhos, ameixa seca e um abaunilhado da madeira, uma boa mescla de sensações aromáticas das barricas francesas e americanas utilizadas. 

Em boca é redondo, muito macio e harmônico. Taninos dóceis, acidez marcante, dando vontade de mais um gole. Final longo e prazeroso, com palato marcado pela madeira se sobrepondo delicadamente à fruta. 

Em razão de sua acidez acompanhou muito bem os diversos pratos de massas com molhos vermelhos, cogumelos, carnes vermelhas e também um pato muito bom.  


Detalhes da compra:

Esse vinho é vendido pela Almaúnica em sua loja virtual por R$ 77,00.

Saúde a todos!




19 maio 2019

Abrindo a adega :: Luiz Argenta Gran Reserva Merlot 2005


País: Brasil
Região: Flores da Cunha
Produtor: Luiz Argenta
Uvas: Merlot 
Maturação: sem informação da época, mas é costume da vinícola manter 12 meses em barricas francesas 
Álcool: 13,8%

Experimentar um vinho com 14 anos de idade pode ser prazeroso para muitos e decepcionante para outros tantos. Para esses últimos fica a dica de que não encontrarão, provavelmente, as características pujantes de um vinho jovem, seja em aromas frescos, vivacidade em boca e perspectivas de ainda melhorar na garrafa. 

Particularmente, quando abro uma garrafa assim, espero encontrar aromas terciários, que se desenvolveram com a longa guarda. Se for tinto, uma coloração mais clara, tendendo ao alaranjado ou atijolado, taninos mais dóceis e precisando de um tempinho para que eventuais aromas não tão agradáveis se dissipem. 

Posso assegurar que tenho alguma experiência em vinhos brasileiros de longa guarda!

Esse aqui se apresentou mais jovial que outros abertos com menos tempo em garrafa e todos foram guardados com o mesmo cuidado, em adega climatizada e na horizontal. Sem transtornos que pudessem atrapalhar o sono profundo!

A respeito dele escrevi assim em minha conta do ViVino

"Provando esse vinho de 2005 no dia 17/05/2019. São 14 anos de idade e em grande forma na taça. 

Coloração viva. Aromas maduros, algo terciário bem desenvolvido lembrando fumo, folhas úmidas, geleia de frutos vermelhos e feno. Bom corpo, acidez marcante, taninos finos. Sensações olfativas se repetem em boca. Final longo. 

Não guardaria por mais tempo. Em ótima forma para acompanhar pratos à base de carne vermelha".

Resumindo: bebemos em casa (2 pessoas) a garrafa toda. Eu devo ter ficado com uns 75% dela... nada de dor de cabeça no dia seguinte. 


Detalhes do produto:

Não sei quanto paguei pelo vinho à época da compra. Essa linha Gran Reserva não existe mais. A linha de mais alta gama hoje tem um Merlot ao preço de R$115. 

Saúde a todos!



14 maio 2019

Fresco e agradável :: Altos Las Hormigas Tinto 2017


País: Argentina
Região: Mendoza
Uvas: 48% Bonarda, 45% Malbec e 7% Sémillon
Maturação: sem estágio em barricas, mas passa 9 meses em tanques de concreto.
Álcool: 13,5%


Recebi esse vinho pelo amigo Deco Rossi que realiza um belo trabalho com os vinhos argentinos aqui no Brasil. Veio com cartinha e tudo, gentileza que agradeço. 

O vinho é um corte de duas uvas importantes na Argentina: a Malbec (obviamente) e a Bonarda, que é menos famosa mas é bem trabalhada no pais vizinho. Mas, as duas estão acompanhadas por uma variedade branca, a Sémillon, algo muito comum em regiões da França e também na África do Sul com objetivo de deixar o vinho mais dócil e, no caso argentino, para ganhar mais acidez. 

Como não tem passagem por barricas de carvalho o resultado é um vinho fresco, bem franco, com menor complexidade, para ser bebido mais jovem. 

A respeito do vinho escrevi assim na minha conta no Vivino:

- Por ser um corte as características das variedades estão em bom equilíbrio. Mais Bonarda que Malbec. Os 7% de Semillon deixam o vinho mais amigável, fácil e com melhor acidez que os tintos argentinos dessa faixa. Gostei da paleta de aromas e do frescor!

Complemento dizendo que o vinho irá muito bem com pratos mais descontraídos, como uma boa pizza margherita, tábua de queijos e embutidos, além de um belo churrasco no almoço de domingo. 


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela World Wine que o vende em sua loja virtual a R$ 68. 

Saúde a todos!



18 novembro 2018

Estava com saudade de um belo vinho brasileiro :: Casa Valduga Identidade Arinarnoa 2015


País: Brasil
Região: Encruzilhada do Sul
Produtor: Casa Valduga
Uvas: Arinarnoa
Maturação: 8 meses em barricas de carvalho francês e mais 12 meses maturando em cave. 
Álcool: 14%

Quando comecei a escrever esse blog a Valduga fazia vinhos tintos mais rústicos e que evoluíam lentamente na garrafa. Creio que por conta do mercado ser mais impaciente do que aqueles que escrevem sobre vinhos, o estilo mudou um pouco, provavelmente com outras técnicas de vinificação e os vinhos ficaram mais dóceis desde o lançamento (ou alguns meses após). 

Esse é um belo exemplar de tinto da Serra do Sudeste, onde fica o município de Encruzilhada do Sul. A uva não é muito comum no Brasil e mesmo nos importados não me lembro de um varietal com a Arinarnoa

Na taça coloração rubi. Aromas em ótima intensidade, frutos vermelhos e negros e notas de especiarias. Complexidade evidente, com aportes aromáticos dados pela passagem por barricas francesas. 

Corpo médio, bom volume seco em boca, acidez em destaque e taninos finos, já muito elegantes. Sem notas adocicadas, se mostrando um vinho para paladares mais acostumados a vinhos realmente secos. 

Final persistente, repetindo tudo e notas de chocolate amargo. Boa experiência!

* Arinarnoa - variedade resultante do cruzamento entre as francesas Merlot e Petit Verdot, realizado em 1956 por um diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Agronômicas da França – INRA, em Bordeaux. Resulta em vinhos com a potência e coloração densa da petit verdot e a elegância da merlot. O Uruguai também tem elaborado bons vinhos com essa uva.  


Detalhes da compra:

O vinho pode ser encontrado na casa dos R$ 80 em lojas pelo país e também no e-commerce da Família Valduga (veja aqui). 

Saúde a todos!




16 setembro 2018

Belo conjunto :: Manz Platónico Tinto 2015


País: Portugal
Região: Lisboa
Produtor: Manz Wine
Uvas: Touriga Nacional, Aragonez e Syrah
Maturação: o produtor menciona um "estágio", sem revelar mais informações
Álcool: 13,5%


Mais um vinho no pacote daqueles fáceis de beber, mas com bons atributos de elegância. É um corte bastante harmônico de duas uvas bem comuns em Portugal (veja acima) e a francesa Syrah. 

Durante a degustação percebo alguma predominância da Touriga Nacional e suas características, embora os aromas lembrando especiarias indicam que a Syrah também aparece dando complexidade ao vinho. 

Pelas informações do produtor tem um "estágio" em barrica, mas as características dadas pela madeira são muito discretas nesse vinho.   

Os aromas e sabores são intensos, dominados por frutos vermelhos maduros e notas florais. Conjunto gastronômico, podendo acompanhar carnes vermelhas, queijos maduros. Tem boa acidez e pode ir bem com pizzas ou massas com molho vermelho.

Boa compra!


Detalhes da compra:


O vinho é importado pela All Wine, de Curitiba (PR) e encontrado no mercado na faixa dos R$65-70.


Saúde a todos!



17 julho 2018

Ótima compra :: Perez Cruz Reserva Cabernet Sauvignon 2015



País: Chile

Região: Vale do Maipo
Produtor: Perez Cruz
Uvas: 94% Cabernet Sauvignon, 4% Carmenère e 2% Cabernet Franc
Maturação: 12 meses em barricas 60% americanas e 50% francesas
Álcool: 13,5%

Há algum tempo - entre amigos - tenho confidenciado que o tempo de estrada tem me deixado mais propenso aos vinhos mais elegantes, sem excessos, daqueles que posso beber por horas sem que isso me traga embriaguez, nem me chame demais a atenção para pontos positivos ou negativos. Enfim, estou ficando velho e quero tranquilidade inclusive nos vinhos! Pronto, falei!

Ao abrir esse Cabernet Sauvignon eu esperava um vinho de alta qualidade em razão de seu produtor, mas fiquei especialmente contagiado porque ele reúne tudo isso que escrevi acima. Tem o vegetal dos CS chilenos? Tem. Aquele pimentão? Tem. Mas é tão macio, tão redondo, tão agradável, que eu sinceramente queria outra garrafa para abrir naquele domingo. Mas, infelizmente eu só tinha essa!

Na taça cor de Cabernet Chileno, ora pois!

Aromas de frutos vermelhos maduros, baunilha, pimenta e alguns frutos secos. Na boca é suculento, taninos macios e acidez mais alta que a maioria dos tintos chilenos que conheço. Sem excessos de madeira e vegetais. Harmônico e elegante, com fim de boca persistente. 

Considero uma excelente compra, mesmo com preço acima da média dos vinhos que costumo comprar. Valeu a experiência!


Detalhes da compra:

O vinho é importado pelo Olivetto Bar & Mar, de Campinas (SP) e encontrado no mercado na faixa dos R$70-75.

Saúde a todos!



27 junho 2018

Correto e agradável :: Real Compañía de Vinos Garnacha 2015


País: Espanha
Região: Castilla y León
Produtor: Real Compañia de Vinos
Uvas: Garnacha
Maturação: sem passagem por madeira
Álcool: 14,5%

Quando vejo uma garrafa de Garnacha me lembro de vinhos mais potentes, "quentes", boa estrutura e cor, características normalmente ligadas às regiões em que são produzidas as uvas. 

Esse aqui não é diferente, sendo interessante como aperitivo ou para acompanhar carnes vermelhas em geral. Fácil de beber, agradará mesmo os paladares iniciantes no mundo dos vinhos finos. 

Tem corpo médio. Fruta bem franca, ameixa e algo sintético também. Notas salgadas, dando impressão de certa mineralidade. Taninos macios, acidez mediana. Uma pontinha de álcool aparecendo, mas sem desequilibrar.

Pelo preço é uma compra interessante para ser um vinho do dia-a-dia, se você gostar do estilo!  


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Winebrands, que o vende em sua loja virtual por R$ 56.

Saúde a todos!



17 junho 2018

Ótima surpresa :: Yalumba The Y Series Shiraz Viognier 2014


País: Austrália
Região: South Australia
Produtor: Yalumba
Uvas: Shiraz (95%) e Viognier (5%)
Maturação: sem informações
Álcool: 14%

De vez em quando me pego pensando na mesmice dos vinhos que ando bebendo. Mas, quem tem amigos tem tudo... e dia desses o Cristiano Orlandi (Vivendo Vinhos) trouxe aqui para casa esse Australiano que ele disse ter sido uma excelente compra, porque comprou algumas garrafas na faixa dos R$50 aproveitando uma promoção. Fiquei empolgado duplamente. 

A Shiraz é a uva tinta que simboliza melhor os vinhos australianos e esse vinho tem uma pitada de Viognier, uva branca que dá uma acalmada na tinta também na região francesa do Rhône e na África do Sul.  

Na taça um vermelho rubi, bem brilhante e límpido. 

Interessante nos aromas, com notas de ameixa, cereja e condimentos. Corpo médio, taninos macios, acidez mediana. Muito agradável, fresco, fruta franca, notas levemente adocicadas. Final persistente. Álcool aparecendo, sem ser desequilibrado. Ótima surpresa. 

Consultando o site do importador encontrei essas sugestões de harmonização: "cupim assado com purê de nabo, espaguete à amatriciana, risoto de berinjela e tomate, frango assado recheado com farofa de bacon, carne seca na moranga, e queijos semiduros".


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Wine, que o vende em seu site na faixa dos R$ 88 para quem é sócio de seu clube. O preço normal é R$ 103. 

Saúde a todos!





23 janeiro 2018

Boa pedida por R$ 60 :: Haras de Pirque Reserva Chardonnay 2017


País: Chile
Região: Vale de Casablanca
Produtor: Haras de Pirque
Uvas: 100% Chardonnay
Maturação: 30% do vinho fermentam em um mix de barricas de carvalho francês novas, de 1º e 2º usos, seguido por amadurecimento de seis meses nas mesmas barricas.
Álcool: 13,5%

Quando comprei essa garrafa a palavra "reserva" no contra-rótulo já me dava pista de que seria um vinho de estilo mais maduro, com aquelas notas mais adocicadas, frutos tropicais, mas com mineralidade, já que a região de cultivo das uvas proporciona isso aos seus vinhos em razão da proximidade com o Oceano Pacífico. 

Realmente, o vinho é de estilo que lembra os Chardonnay californianos. Coloração amarelo palha. Aromas intensos, muito tropicais, frutos brancos maduros, banana, abacaxi em calda, uma sensação amigavelmente adocicada já no nariz. 

Em boca o estilo se confirma, mas sem ser enjoativo. Acidez mediana, muito maduro, tropical, amigável. Final persistente, com uma nota mineral caprichosamente escondida. Gostei bastante, embora esperasse mais nuances minerais. 

Harmonizará com uma infinidade de carnes brancas, frutos do mar, peixes com molhos mais densos e massas com molho branco.


Detalhes da compra

Esse vinho é importado pela Winebrands e comprei essa garrafa aqui em Uberlândia por R$60. 

Saúde a todos!



08 janeiro 2018

Macio e muito fácil de beber :: Casas del Bosque Reserva Cabernet Sauvignon 2013


País: Chile
Região: Vale do Rapel
Produtor: Casas del Bosque
Uvas: 100% Cabernet Sauvignon
Maturação: 10 meses em barricas de carvalho francês
Álcool: 13,5%

Confesso que não abro um Cabernet Sauvignon chileno com grande entusiasmo, principalmente das linhas mais básicas. Não porque sejam ruins, mas é um estilo que não tem me agradado nos últimos tempos, muita intensidade, eucalipto, vegetal, alguns com madeira em excesso. 

Enfim, gosto pessoal. E, depois de tantos anos escrevendo sobre vinhos descubro que alguns aspectos desse "gosto pessoal" podem variar. Vez ou outra me vejo com vontade de um vinho bem amadeirado, outras vezes de um vinho bem levinho, coisas do cérebro (eu acho)!

Então, abri esse vinho sem muitas expectativas, mas acreditando que poderia ser uma boa opção em razão do seu produtor ser de muito respeito. 

Na taça coloração intensa, rubi, límpido e brilhante. Nos aromas boa intensidade, mas sem aquelas notas enjoativas que mencionei acima. Frutos negros, café e especiarias. Na boca a boa fruta se repete, com taninos macios e elegantes, acidez mediana. Final de boa persistência, com alguma complexidade no palato e madeira muito bem integrada. 

Pessoalmente, acredito que os adjetivos que melhor se enquadram a esse vinho, na ordem de importância, são: equilíbrio e elegância. 

É um vinho com quatro anos de idade, que me parece no seu ápice de equilíbrio e evolução. Melhor beber agora. 


Detalhes da compra

O vinho é importado pela Domno do Brasil e vendido em sua loja virtual por R$ 80,90.

Saúde a todos!



27 dezembro 2017

Experimente esse belo Vinho Verde :: Covela Edição Nacional Avesso 2015


País: Portugal
Região: Vinhos Verdes
Produtor: Covela
Uvas: 100% Avesso
Maturação: sem passagem por barricas
Álcool: 12,5%  

A primeira vez que ouvi falar da Covela foi através de um amigo (Celso Lima, infelizmente falecido, que era irmão de um dos proprietários da vinícola). Entusiasmado com o projeto ele trouxe para degustarmos esse branco (safra 2013), um tinto sem madeira e outro branco de gama superior. Para lembrar essas avaliações clique nesse link: goo.gl/XzUmJd  

O vinho de hoje é um 100% Avesso, uma das 47 variedades permitidas na região para elaboração dos vinhos Verdes, é das mais importantes ao lado da Arinto, Loureiro e Trajadura, com as quais os produtores elaboram blends. Em alguns casos utilizam a Chardonnay também, como é um caso de um dos vinhos que comentei desse mesmo produtor.   

Interessante observar que o nome Avesso vem das características diferentes que a variedade possui se comparada com as demais da região: tem alto rendimento, seu desenvolvimento é acelerado, é difícil de cultivar e vinificar, tem aromas e teor alcoólico fortes, mas baixo teor de acidez. É o "avesso" de suas companheiras. 

Na taça o vinho tem coloração palha. Os aromas são muito frescos, com forte presença mineral, além de lembrança cítrica e floral. É seco, acidez presente e equilibrada, elegante. As notas minerais são mais presentes que o frutado e o floral. Refrescante, com boa vocação gastronômica. Final de boa persistência, com palato marcado pelo mineral. 

Vinho de estilo diferente dos vinhos "adocicados" do Novo Mundo, em nada lembrando as notas tropicais de nossos Charnonnay sul-americanos. Certamente um vinho mais gastronômico do que festivo, vai harmonizar bem com comida japonesa, peixe frito e mariscos. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Winebrands que o vende em sua loja virtual por R$ 80.

Saúde a todos!



01 agosto 2017

Vinho do mês para a Confraria :: Flor das Tecedeiras Tinto 2014 #CBE



País: Portugal
Região: Douro
Uvas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Franca, Tinta Amarela e Vinhas Velhas
Maturação: sem passagem por barricas de carvalho
Álcool: 14%

Se me perguntam que vinhos portugueses são meus preferidos a minha resposta depende do tempo que tenho para pensar. Se tiver tempo par argumentar darei uma resposta mais genérica, elegante, sem bater o martelo, porque não dá para eleger um vinho preferido de um país tão gigante no que diz respeito a vinhos. Mas, se querem uma resposta automática, responderei: tintos do Douro.

Por isso, quando a confrade Fabiana Gonçalves, do excelente blog Escrivinhos, me pediu para indicar o vinho do mês para a Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE não tive muita dúvida, até porque tinha esse vinho na adega e estava com vontade de abri-lo. 

Esse tinto é um corte de cinco variedades típicas de Portugal, sem passagem por madeira. O toque interessante é que no corte também entram "vinhas velhas", que são uvas de vinhedos antigos que não necessariamente são identificados pelos enólogos. Sim, não interessa muito que uva sejam, desde que contribuam para aumentar a qualidade do vinho. 

Na taça tem coloração rubi intensa, brilhante. Os aromas têm boa intensidade, frutos vermelhos e negros, com algumas notas florais. Em boca tem bom corpo e apresenta-se intenso no frutado e em sua estrutura. Taninos firmes e acidez marcante. Confesso que errei um pouco a temperatura e o vinho ficou mais frio do que deveria, então demorou um pouco para mostrar toda sua expressão. Não cometa o mesmo erro!

Em boca, além dos frutos vermelhos e negros, apresenta notas discretas de baunilha, mesmo sem passar por madeira, tendo também boa mineralidade e presença floral. Um vinho de média complexidade e que poderá ser guardado por mais 2-3 anos para evoluir, embora esteja em ótimo momento. Final persistente e prazeroso. 

Um vinho que confirma toda a tradição dessa região que eu tanto aprecio. Ideal para acompanhar uma infinidade de pratos, desde a tradicional tábua de frios, como também pizzas, carnes vermelhas grelhadas e massas. Não me parece um vinho para apenas bebericar, como se fosse um simples aperitivo. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Winebrands e vendido em sua loja virtual por R$80. 

* Esse é o 125º vinho que comento para Confraria Brasileira de Enoblogs, a primeira e única confraria virtual brasileira, fundada em fevereiro de 2007. 

Saúde a todos!