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03 agosto 2018

No carrinho do supermercado :: Santa Julia Cabernet Sauvignon 2017



País: Argentina
Região: Mendoza
Produtor: Santa Julia
Uvas: Cabernet Sauvignon
Maturação: sem informações
Álcool: 12,5%

Esse vinho entra no pacote dos "corretos, bem feitos, sem excessos, fáceis de beber" que ando gostando tanto ultimamente. E, para melhorar ainda mais a notícia, é barato!

É um varietal, de linha básica do excelente produtor, fácil de encontrar pelos supermercados brasileiros. 

Tem coloração rubi, com reflexos jovens, púrpura. Aromas francos, de frutos vermelhos como cerejas, amoras e alguma especiaria. Nada complexo, mas com tudo no lugar. Em boca é muito fácil de agradar, taninos macios, dóceis, com acidez mediana. Final de boa persistência. 

Tem pouco álcool, apenas 12,5%, por isso dá para beber sem maiores preocupações (a não ser com a direção, que deve ser evitada). Agradável, dá vontade de beber a próxima taça. 

Comprei esse vinho depois que o amigo Cristiano Orlandi (Vivendo Vinhos) trouxe um Reserva da mesma vinícola. Comentamos o quanto foi agradável aquele vinho, mesmo tendo passagem por madeira e ser argentino (Novo Mundo) estava mais próximo à delicadeza e elegância do que da potência. 

Mesmo não encontrando o Reserva esse aqui, mais simples, me deixou feliz! 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Cia. Brasileira de Distribuição e paguei por essa garrafa R$ 29. 

Saúde a todos!



08 abril 2018

Boa compra por menos de R$50 :: Finca Las Moras Viognier 2017


País: Argentina
Região: San Juan (Pedernal)
Produtor: Finca Las Moras
Uvas: 100% Viognier
Maturação: sem madeira, apenas 3-4 meses nos tanques de inox
Álcool: 12,5%

Comprei esse vinho por dois motivos simples: gosta da uva Viognier e minha esposa conhece a vinícola e fez várias recomendações positivas. Pagando pouco menos de R$50 achei que seria uma experiência interessante. E foi. 

Não é um vinho excepcional. Confesso que já provei outros Viognier mais impactantes e encantadores, principalmente aqueles mais maduros. Mas, esse aqui ganha pontos por seu frescor e equilíbrio. 

Sem passagem por madeira é um vinho muito franco em aromas e sabores, com uma infinidade de opções para harmonizar: moqueca capixada, paella, pratos da cozinha oriental (até mesmo aqueles condimentados), peixe frito, saladas de folhas etc. Pratos que pedem vinhos frescos!

Na taça a coloração é amarelo palha. Nos aromas uma boa expressividade com frutos maduros como abacaxi, laranja e um floral muito fresco. Leve mineralidade em segundo plano. De corpo leve-médio, tem bom equilíbrio e frescor, apesar da acidez um tanto modesta. 

Não é um vinho para longa guarda, podendo suportar mais 1 ano em garrafa tranquilamente. Servido mais gelado deu a ótima sensação de frescor. Um pouco mais quente não deixou o álcool aparecer. Final mediano, bem prazeroso.   


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Decanter, que o vende em seu site por R$ 49. Boa compra!

Saúde a todos!



08 fevereiro 2018

No carrinho do supermercado :: Cremaschi Furlotti Tucapel Gran Reserva Pinot Noir 2016


País: Chile
Região: Vale do Loncomilla
Produtor: Cremaschi Furlotti
Uvas: 100% Pinot Noir
Maturação: não obtive informações a respeito, nem no site da vinícola
Álcool: 13%

Há muitos anos parei de escrever sobre vinhos que não aprecio tanto, porque o risco de ser injusto com um produtor é grande. Posso ter comprado uma garrafa que foi mal armazenada, por exemplo. Então, escrever sobre esse tipo de vinho não me parece correto e não nos levará a lugar algum.

Hoje abro uma exceção, mas me explico imediatamente!

Quando degustei esse vinho e publiquei uma foto no Instagram, lamentando o fato de que não era o vinho que esperava, o amigo Jeriel da Costa, blogueiro dos mais antigos e experientes, me enviou mensagem dizendo que gostou bastante da safra 2015, sendo inclusive eleito o "vinho do mês" em seu site (veja aqui). 

Diante desse fato entendo pertinente publicar minha opinião a respeito da safra 2016, mas alertar que há opinião importante a respeito da qualidade do vinho de 2015. Portanto, devemos usar a dúvida (ou as opiniões distintas) em favor do vinho. 

Na taça o vinho tem uma bela coloração rubi, com a transparência característica dos Pinot Noir. Aromas frutados e delicados, lembrando frutos silvestres e notas florais, especialmente violetas. Em boca é leve, com taninos finos e acidez mediana. A fruta silvestre é muito agradável, deixando o vinho convidativo como aperitivo ou para acompanhar pratos mais delicados. Final de média persistência.  

O único senão para mim foi a madeira. Deu uma impressão de que não está bem integrada... ou que esteja "desconectada" do conjunto. Isso é normal em vinhos que não deveriam passar por tanta madeira ou por aqueles que não passaram por barricas, mas tiveram chips de carvalho adicionados durante a fermentação ou maturação. Enfim, a madeira não fez bem ao conjunto, embora o vinho seja agradável. 

Na dúvida, creio que o leitor deve experimentar o vinho e tirar suas próprias conclusões. Mesmo que não seja o vinho mais interessante do ano, não haverá grande problema porque é de preço bem acessível.


Detalhes da compra: 

O vinho é importado pelo Carrefour, que o vende em sua loja de Uberlândia a R$ 47. 

Saúde a todos!





20 agosto 2017

Outra ótima compra :: Terra de Caniços Branco 2015


País: Portugal
Região: Tejo
Produtor: Enoport
Uvas: Arinto (50%) + Fernão Pires (50%)
Maturação: sem passagem por madeira
Álcool: 12,5%

Seguindo a mesma linha do tinto já comentado aqui no último domingo, esse branco é uma ótima compra, pois entrega um resultado muito interessante pelo preço que se paga pela garrafa. Um vinho sem arestas, de boa intensidade aromática e em boca não deixa por menos. 

Na taça esse amarelo bem clarinho da foto, com reflexos esverdeados, límpido e brilhante. Aromas intensos, refrescantes, lembrando frutos cítricos e tropicais, especialmente uma lembrança muito clara de lichia e algumas especiarias, como alecrim. 

Em boca é leve, refrescante, intenso, com boa acidez, fácil de beber e ótimo para acompanhar petiscos e algumas comidas mais gordurosas, como frituras. Tem acidez para isso. Os frutos cítricos e tropicais aparecem novamente formando um conjunto harmônico e um final de média persistência. 

Confesso que fiquei ligeiramente inclinado a achar que branco está um pouquinho à frente do tinto. Coisa de milímetros...


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Domno e pode ser comprado aqui em Uberlândia por R$ 46. 

Saúde a todos!



13 agosto 2017

Ótima compra por R$ 46 :: Terra de Caniços Tinto 2015


País: Portugal
Região: Tejo
Produtor: Enoport
Uvas: Castelão (40%) + Trincadeira (40%) + Touriga Nacional (20%)
Maturação: sem passagem por madeira
Álcool: 13%

Os vinhos aumentaram muito de preço nos últimos 2-3 anos. Motivos não faltam para explicar, principalmente por conta da alta dos tributos e da inflação. Mas, na carona dessas desculpas tem sempre o importador mais ganancioso. Enfim, quero dizer que há poucos vinhos realmente interessantes em faixa de preço mais acessível. 

Esse tinto português, que vem da região do Tejo, me deixou satisfeito porque é um vinho muito fácil de beber, harmônico, sem excessos e deixará feliz mesmo aquele seu convidado que não está muito acostumado aos vinhos secos. Um corte de tradicionais uvas portuguesas e que não passa por barricas de carvalho. 

Na taça a cor é rubi, brilhante, com boa transparência. Aromas em boa intensidade, muita fruta vermelha madura, algo de especiarias e compota. Na boca é macio, com taninos doces e ótima acidez. Equilibrado, sem nenhuma agressividade. Final de boa persistência, marcado por aquela lembrança de frutos em compota e notas especiadas. Muito agradável!

Pode servir a penas como aperitivo, para bebericar com os amigos, mas se for pensar em harmonização a lista é bem ampla, podendo acompanhar o churrasco, mas também a pizza ou uma tábua de queijos. Vai bem com quase tudo.   


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Domno e vendido aqui em Uberlândia por R$ 46, uma ótima compra.

Saúde a todos!



01 março 2017

Para todos os bolsos :: Aurora Reserva Chardonnay 2015


Já falei aqui no blog inúmeras vezes sobre o meu respeito pela história, tradição e produtos da Vinícola Aurora, então vou direto ao ponto: o vinho de hoje!

Ele é um 100% Chardonnay, elaborado com uvas da Serra Gaúcha, ou seja, não vem necessariamente do Vale dos Vinhedos ou de Pinto Bandeira, onde a vinícola mantém projetos. Mas certamente vem de uma região em que a acidez das uvas brancas garante espumantes e vinhos tranquilos de ótima acidez. 

Não sei precisar o tempo que passa em carvalho, mas o site da vinícola indica que o vinho passa por fermentação malolática em barricas francesas. Nessa fermentação o ácido málico se transforma em ácido lático, com objetivo de controlar a acidez e "amaciar" o vinho. Nesse caso como ela acontece em barricas o produto final ganha em aromas e sabores amanteigados, lembrança de baunilha, que são o ponto alto desse vinho que é uma versão que lembra os famosos chardonnay californianos. Um estilo intenso e de grande personalidade, mas em que as características primárias da fruta ficam menos evidentes. 

Na taça uma coloração intensa, amarelo-dourado. Nos aromas uma predominância muito clara dos aromas amanteigados, abaunilhados, mas também uma presença intensa de frutos tropicais maduros, como abacaxi, maçã verde e, dependendo da temperatura, banana. 

Em boca tem corpo mediano, repetindo todas as características aromáticas, com uma bela acidez, deixando o vinho amigável para inúmeras harmonizações, como carnes brancas, risotos e massas com molho branco. 

Final um tanto ligeiro, com um elegante tostado aparecendo no palato. Tem 13% de álcool. Uma boa compra, especialmente para os que preferem esse estilo mais maduro nos chardonnay.   


Detalhes da compra:

Esse vinho é facilmente encontrado em supermercados Brasil a fora. Aqui em Uberlândia paguei R$ 37,90 e a vinícola o vende em sua loja virtual por R$ 46,90. 

Saúde a todos!


01 novembro 2016

Um branco chileno refrescante por R$33 :: Luis Felipe Edwards Reserva Riesling 2015 #CBE


A nossa Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE está sob nova direção. A amiga Fabiana Gonçalves, que escreve o excelente Escrivinhos, além de muitas outras atividades ligadas ao mundo do vinho, aceitou a tarefa de coordenar nossos trabalhos. 

E para o primeiro tema ela mesma se encarregou da escolha, nos fazendo voltar ao supermercado para garimpar uma boa opção de vinho com preço até R$40. Parece uma tarefa fácil, mas depois que os tributos aumentaram ainda mais (dezembro de 2015) e a inflação deus as caras nas prateleiras, encontrar esses vinhos não é tão fácil assim. 

Mas, a missão precisava ser cumprida e fui em busca de um vinho que não fosse tão óbvio por aqui, por isso fugi dos malbec, cabernet sauvignon, pinot noir, chardonnay e sauvignon blanc. Preferi optar por um branco porque o calor estava de matar. Então, caí nesse Riesling elaborado com uvas do Vale Central chileno, uma ampla e genérica região que pode trazer boas surpresas. 

Na taça tem coloração palha, bem claro. Nos aromas surpreende, porque tem muitas características da Riesling, como notas minerais, lembrança de derivados de petróleo, ervas aromáticas em segundo plano.

Embora surpreendente no nariz, em boca é ligeiro. Leve e refrescante, com toques minerais bem evidentes, mesclados com lembrança de castanhas. Ideal como aperitivo, mas acompanhará bem entradas variadas, saladas, peixe frito, sushi e sashimi.


Detalhes da compra:

Comprei essa garrafa por R$33,90. O Chardonnay da mesma linha custa o mesmo e é um pouco mais interessante.

* Esse é o 122º vinho que comento para a Confraria Brasileira de Enoblogs, no ar desde fevereiro de 2007. 

Saúde a todos!



25 agosto 2016

No carrinho do supermercado :: Tarapacá Cosecha Chardonnay 2014


Há muitos anos não bebia um vinho da Viña Tarapacá, bodega chilena fundada em 1874, cujos vinhos podem ser facilmente encontrados nos supermercados e lojas especializadas. Mas, como gosto de experimentar vinhos baratos esse Chardonnay do Vale Central me pareceu uma boa pedida. 

Nessas buscar por vinhos em faixa de preços mais acessível dou preferência aos brancos, porque o risco de uma decepção parece ser menor. No caso desse vinho, as uvas vem de uma região quente do Chile, o que indica um vinho mais maduro, mais tropical, do que outros que possam vir de regiões mais frias, como Casablanca, Leyda ou San Antonio, por exemplo. 

O vinho não aparece no site da vinícola, o que pode significar que seja uma linha destinada apenas à exportação... e como o mercado brasileiro absorve TUDO que esteja dentro de uma garrafa e tenha no rótulo a palavra VINHO, veio parar na prateleira de um supermercado em minha cidade. 

Mas, o resultado foi satisfatório, apesar desse detalhe. 

Na taça uma coloração amarelo palha. Nos aromas confirmou-se a ideia de que seria um vinho maduro, com notas de frutos tropicais maduros, como pêssego, banana e melão, traços lembrando mel, além de uma nota que me lembrou a salmoura da azeitona (não, eu ainda não tinha bebido nada!).

Na boca é untuoso, maduro, com notas abaunilhadas, parecendo ter passado brevemente por madeira. Repetiu-se-se a fruta branca madura. Embora tenha acidez mediana tem bom frescor, boa presença em boca e final médio-longo. Tem 13% de álcool, que dão um calorzinho ao vinho, mas sem desequilíbrio.  

Ideal para harmonizar com aves, pratos com arroz e frutos do mar, massas com molhos brancos ou mesmo para bebericar em um dia mais quente. Mas, aqui em casa a harmonização foi com esse prato típico de Minas e Goiás, arroz com galinha. Só faltou o pequi!



Detalhes da compra

Comprei esse vinho em Uberlândia (MG) pagando R$34.

Saúde a todos!



22 maio 2016

No carrinho do supermercado :: o refrescante Quinta da Raza Vinho Verde DOC 2015

Foto: Instagram @vinhoparatodos

Anda muito complicado encontrar vinhos baratos. Aquelas pechinchas na faixa dos R$25-30 desapareceram do mercado aqui em Minas Gerais. Talvez em outros estados com menos tributos ainda seja possível, mas aqui anda difícil. Mas, entre R$30-40 ainda é possível garimpar algumas preciosidades, como o último vinhos comentado aqui, um Chardonnay chileno bem honesto. 

Hoje quero falar de um Vinho Verde, verdadeiro patrimônio português, que ganha admiradores mundo a fora por seu frescor, vibração, alegria e baixo teor alcoólico. Esse é elaborado pela Quinta da Raza com as variedades Alvarinho e Trajadura e pode ser servido gelado, na casa dos 7-8 graus de temperatura.

Na taça tem cor amarelo palha, com a formação das famosas "agulhas", aquelas bolhinhas que ajudam o Vinho Verde a ser ainda mais refrescante. É bastante aromático, com muito frescor, notas cítricas e de frutos brancos. Na boca é muito refrescante, acidez lá em cima e final de boca bem persistente, agradável e cítrico, chamando para mais um gole. 

Um vinho para acompanhar saladas, comida oriental, carnes brancas etc. Mas, fiquei imaginando sardinhas assadas na brasa. Pena que ficou só na imaginação!


Detalhes da compra:

Esse vinho é vendido em um supermercado aqui em Uberlândia por R$ 39.  

Saúde a todos!




08 maio 2016

No carrinho do supermercado :: o honesto Cono Sur 1551 Chardonnay 2015

Foto: Instagram @vinhoparatodos

É muito comum usarmos a expressão "vinho honesto". E o que queremos dizer com isso? Bom, pelo menos quanto a mim estou querendo dizer que o vinho tem bom preço e apesar de sua simplicidade não tem defeitos, sendo bem prazeroso. É o melhor rótulo que encontrei para esse Chardonnay do Vale Central chileno. 

Elaborado pela Cono Sur, uma vinícola importante daquele país andino, pertence a uma linha simples, vendida em supermercados brasileiros e que nem aparece no site da vinícola. Mas, seu preço acessível deixa esses vinhos bem atraentes, apesar de sua simplicidade. 

É um Chardonnay típico do Novo Mundo, com muitas notas de frutos brancos maduros, pêra, melão, banana, leves notas de baunilha e chocolate branco. Em boca tem corpo médio, notas levemente adocicadas, acidez mediana. Muito frutado, untuoso, fácil de beber. Simples e equilibrado. Final de média persistência, repetindo o frutado intenso. 

Tem 13% de álcool e acompanhou muito bem uma massa ao molho branco que fizemos no almoço de domingo. 

Em uma época em que é difícil encontrar um vinho interessante na faixa dos 30 reais esse pode ser uma boa opção. 


Detalhes da compra:

Segundo o contra-rótulo o vinho é importado pela La Pastina, mas foi comprado em um supermercado de Uberlândia, custando R$ 33. 

Saúde a todos!



28 fevereiro 2016

Mais um vinho branco bem honesto: Fleur du Cap Chenin Blanc 2014


Costumo classificar alguns produtores como "compras seguras", daquelas que recorro sempre que estou em dúvida ou mesmo para experimentar algo novo dessas vinícolas honestas. É o caso da Fleur du Cap, sul-africana que já teve vários vinhos comentados aqui, com destaque especial para dois outros brancos com a Sauvignon Blanc e Chardonnay. 

Dessa vez a uva escolhida foi a Chenin Blanc, originária e importante uva do Vale do Loire (França), onde é utilizada para espumantes, vinhos secos e até de sobremesa, mas é a principal uva branca da África do Sul, onde também é chamada de Steen, tendo sido plantada pela primeira vez no país ainda na metade do século XVII.

Segundo o rótulo o vinho vem da região de Bergkelder, em Stellenbosch, distrito pertencente à enorme região Costeira de Western Cape (veja mapa). Em seu processo de fermentação passou por carvalho, com 25% do vinho amadurecendo posteriormente em barricas francesas. Tem 13% de álcool. 

Na taça a coloração é amarelo palha. Aromas muito francos, boa intensidade, frescos. Boa mescla entre frutos brancos (pera), notas cítricas discretas e boa mineralidade. Em boca é leve, maduro, mas de bom frescor. Acidez mediana. Citricidade bem presente, fazendo ótima companhia para a mineralidade intensa.

Final de boa persistência, com palato marcado pelo cítrico e pelo mineral. Compra interessante, para aqueles que preferem vinhos mais frescos e delicados, sem muita passagem por madeira. Para quem prefere os vinhos mais "gordos e potentes" talvez esse não seja o caso.


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Wine, que o vende em sua loja virtual por R$ 50. 

Saúde a todos!



14 fevereiro 2016

Vale a pena comprar um Casillero del Diablo?


Já não compro vinhos da linha Casillero del Diablo e os motivos são simples: a essa altura, na condição de apreciador de vinhos com alguma experiência, procuro vinhos diferentes, mais interessantes e até mais baratos do que esse clássico da Concha y Toro. Portanto, minha praia são as descobertas. 

Mas, no mês de janeiro fui ao supermercado e estava na seção de vinhos quando escutei o seguinte diálogo entre duas mulheres, já com mais de trinta anos. Ressalto que uma delas estava com um Santa Carolina Reservado nas mãos:

- Esse aqui é mais amadeirado que o outro, né?
- Acho que sim. Cabernet Sauvignon é muito amadeirado. 
- Liga para o Fulano e pergunta se pode ser esse. 
 (...)
- Ele falou para comprar o Casillero que é muito bom. 
- Nossa, nunca bebi esse vinho. Vou adorar! 

Pegaram duas garrafas do Casillero Carmenère e levaram para casa, felizes e empolgadas por beberem pela primeira vez o famoso vinho, cuja lenda ainda impressiona muitos consumidores. Vendo a cena, resolvi comprar esse Chardonnay 2015 para relembrar a experiência.   

Então, a resposta para a pergunta do título é SIM! São vinhos bem feitos, de um estilo que agrada principalmente o paladar do consumidor iniciante (combinação entre madeira, álcool e notas adocicadas) e um preço não tão salgado.

* Se você já passou dessa fase, tudo bem, mas não vale torcer o nariz para a importância da linha para o crescimento do número de novos consumidores de vinho no Brasil e para sua qualidade média sempre boa. 

E qual a importância de terem, ambas as mulheres da história, mais de 30 anos? Apenas para observar que em grande parte do país começamos a beber vinhos já com uma idade mais alta, porque não temos cultura vinícola (exceto o sul do país) e principalmente porque somente depois de uma certa estabilidade profissional é que conseguimos desembolsar o que vale uma garrafa de vinho.  

Quanto ao Chardonnay, que tem 13,5% de álcool e uma breve passagem por barricas de carvalho, tenho a dizer que é um vinho fácil de beber, com notas tropicais em seus aromas e na boca, uma acidez mediana, mas o vinho é bem vivo.

Tem bom corpo, com notas levemente adocicadas, um leve abaunilhado da madeira. Final persistente, agradável, sem muita complexidade, mas demonstra que é um vinho muito bem feito e que está em nível de qualidade compatível com seu preço.


Detalhes da compra:

Comprei esse vinho em um supermercado aqui em Uberlândia pagando R$ 41 pela garrafa. Sim, foi-se o tempo que o Casillero del Diablo custava menos de R$ 30. Tempos complicados!  

Saúde a todos!



12 fevereiro 2016

Simples, bem feito e agradável: Marco Luigi Reserva Marselan 2010

Foto publicada no Instagram do @vinhoparatodos

Há muito tempo não experimentava um vinho da gaúcha Marco Luigi, uma das primeiras vinícolas que visitamos em viagem ao Vale dos Vinhedos, em 2008. Um produtor tradicional, com belas instalações para receber o turista que pode degustar seus vinhos e espumantes, além de visitar a bela cave.

Esse vinho me interessou porque tenho tido boas impressões com a Marselan em solo gaúcho e, claro, ter experiências com outras uvas além das tradicionais merlot e cabernet sauvignon. Aliás, vale a pena também dar uma olhada no site deles na sessão Vinhos Raros, você vai encontrar preciosidades.

Pelo que me lembro a safra 2010 no Vale dos Vinhedos foi problemática, pois as chuvas chegaram em momento inoportuno. Então, os vinhos desse ano tiveram um menor potencial de guarda, o que não significa que esse Marselan não pudesse aguentar bem os cinco anos em garrafa.

Aberto, revelou coloração púrpura. Bons aromas, frutos vermelhos e uma boa mescla de aromas de especiarias e feno. Na boca é macio, com taninos doces, boa acidez. Frutado muito agradável. Final de média persistência, com algumas notas de chocolate.

Não é um vinho de grande complexidade, nem é muito estruturado. Mas, é bem feito, está macio e amigável, mantendo a boa acidez. Suportou bem o tempo de guarda. Me parece no momento exato para consumo agora e se tivesse outra garrafa eu não guardaria mais.


Detalhes da compra:

Comprei essa garrafa por R$ 42, na Produsul, em Uberaba, especializada em produtos do Rio Grande do Sul. 

Saúde a todos!



27 janeiro 2016

Agradável (e uma boa opção para "iniciar" seus amigos): Torres Viña Sol Tempranillo 2013 #CBE


Experimentei três vinhos com a uva Tempranillo nos últimos dias, com o propósito de escolher um deles para cumprir com o tema de setembro/15 da nossa Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE, escolhido pela confreira Ju Gonçalves, do blog Vou de Vinho, que propôs: "Um vinho feito de uva tempranillo, de qualquer lugar e qualquer preço."

Minha ideia era encontrar no supermercado algum vinho que merecesse uma menção aqui, como vinho do mês. Infelizmente, não consegui nenhum com grandes atributos, mas esse que escolhi foi o que se mostrou mais interessante, com possibilidades de agradar à maioria dos leitores do blog. 

O produtor, a Bodega Torres, já apareceu aqui com outros dois vinhos brancos, também elaborados na região da Catalunha. Um deles, inclusive, pertence à essa mesma linha, Viña Sol, mas para esse tinto não encontrei informações no site da vinícola.

Na taças apresentou coloração rubi translúcido. Ótimos aromas, com destaque para frutos frescos, groselha e cerejas. Uma pontinha de álcool (13,5%) que se dissipou depois de aberto.

Na boca tem corpo médio. A primeira sensação percebida na degustação são as notas adocicadas bem presentes. Fruta em abundância. Taninos finos, boa acidez. Final de boa persistência, gengivas marcadas pelos taninos, boca salivando, fruta fresca no palato, com destaque para groselha.

Vinho simples, bem feito e bastante amigável. Gostoso para bebericar, mas tem estrutura para acompanhar comida. Pronto para beber agora. Não é um vinho de guarda.

Vai agradar a quem gosta de vinhos com notas mais adocicadas, mais próximos a um meio-seco. Particularmente (e isso não é levado em conta aqui) prefiro vinhos com menos dulçor, mas fico imaginando aquele seu amigo que está começando no mundo dos vinhos finos, que está saindo agora dos vinhos de mesa e partindo para novas descobertas. Esse é um vinho interessante para esse propósito.


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Cia. Brasileira de Distribuição, que reúne os supermercados Extra e Pão de Açúcar. Paguei R$ 49 pela garrafa, aqui em Uberlândia.

* Esse é o 111º vinho que comento para nossa Confraria Brasileira de Enoblogs. 

Saúde a todos!



24 janeiro 2016

Para beber aos litros: Jara Verde DO Rueda Verdejo 2014


Uma das experiências mais gratificantes para mim nessa atividade de provar inúmeros vinhos no ano é ser surpreendido por aquele que foi aberto sem muitas expectativas. De repente na taça uma explosão de aromas ou um equilíbrio extraordinário, por exemplo, deixam a experiência muito interessante e isso não tem nenhuma relação com preço, país, uva... uma surpresa, afinal, pode vir de qualquer garrafa!

Foi o caso desse 100% Verdejo, elaborado na região espanhola de Rueda pela Bodegas Cerrosol, fundada em 1988, sem passagem por madeira, apenas por tanques de inox. Tem 12,5% de álcool e expectativa de guarda de três anos, segundo o importador. Leva a indicação Verde em seu rótulo, uma alusão ao frescor e jovialidade dos famosos vinhos portugueses. 

A região de Rueda é uma denominação reconhecida desde 1980, sendo a primeira D.O. da comunidade autônoma de Castilla y León, caracterizada por suas ótimas condições para elaboração de vinhos brancos, especialmente a partir da variedade autóctone, a Verdejo. Essa uva resulta vinhos muito aromáticos, untuosos e suaves. É abundante em Rueda (85%) e Valladolid (60%).

* Para saber mais sobre a região de Rueda, clique aqui

Na taça o vinho tem coloração amarelo claro, com reflexos esverdeados. Aromas bem intensos, florais especialmente e algo herbáceo. Na boca é bem refrescante, leve, de boa acidez, repetindo as sensações dos aromas. Untuoso, com pouca percepção do álcool. Final de boa persistência, com leve toque de ervas no palato. Muito equilibrado e delicado, dando vontade de não parar de beber.  

Sem dúvida é daqueles para se beber aos litros, como diz o título da postagem. Refrescante e leve, pode acompanhar muito bem petiscos, frutos do mar, saladas e comida oriental. Mas, será uma experiência interessante para quem busca delicadeza no vinho, porque não tendo passagem por madeira poderá ser muito leve para alguns. Não é excepcional, mas tem predicados bem interessantes.  


Detalhes da compra:

Recebi esse vinho de um clube da Wine, pagando R$50 pela garrafa. 

Saúde a todos!



27 dezembro 2015

Nossa indicação para suas festas, o alegre Cave de Amadeu Brut Rosé #CBE


O tema de fim de ano da nossa Confraria Brasileira de Enoblogs, como já vem se tornando tradição, é a indicação de um vinho para você abrir em suas festas, especialmente indicado não só pela sua qualidade, mas também por ter uma boa relação qualidade x preço. 

Pensando nesse tema procurei um espumante que pudesse também agradar ao paladar tanto de iniciantes quanto daqueles mais experientes, que tivesse um teor de açúcar que o deixasse amigável e festivo para o brinde do fim de ano, mas também conseguisse acompanhar as comidinhas das festividades. 

Minha primeira busca foi por um rosé, porque eles têm um charme especial. Então, encontrei esse que é elaborado pela Cave Geisse, o que já é indicativo de compra certa. Esse produtor elabora seus espumantes apenas pelo método tradicional (Champenoise) e está entre os mais prestigiados da América do Sul. 

A linha Cave de Amadeu tem dois espumantes, um brut elaborado com 80% Chardonnay e 20% Pinot Noir, com fermentação por 90 dias aproximadamente, e esse brut rosé, que leva apenas a variedade pinot noir, com igual tempo de fermentação na própria garrafa e amadurecimento nas caves da vinícola por 12 meses. 

Na taça tem uma elegante coloração salmão, com bom pérlage e boa formação de espuma. Aromas intensos, predominando frutos vermelhos, especialmente cereja e morango. Na boca é refrescante, com acidez marcante e presença de notas adocicadas. Espumante bem amigável em boca, com 10g de açúcar por litro. Agradará aos seus convidados que gostem mais dos espumantes Moscatel, por exemplo. 

Final longo, repetindo tudo. Um espumante com apenas 12% de álcool, jovem, alegre e festivo. Tem pouca interferência (ou nenhuma) das leveduras. Cairá bem para o brinde do fim de ano, para beber a noite toda e também para companhar pratos leves, petiscos, saladas etc. 

A você, leitor amigo desse blog, desejo um 2016 de muitas realizações. 

Saúde e paz!


Detalhes da compra:

Comprei esse espumante em Uberlândia por R$ 42, mas a vinícola o comercializa em sua loja virtual por R$ 45. Aproveite para experimentar, caso já não tenha feito, os espumantes de linhas superiores da Cave Geisse. Vale muito a pena. 

* Este é 109º vinho que comento para a Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE, primeira e única do gênero em nosso país . 

Saúde a todos!



07 dezembro 2015

Bom vinho branco chileno: Baron Philippe de Rothschild Reserva Chardonnay 2014


O Vale Central chileno é uma imensa região, que pode ser dividida em outros grandes vales. Em termos vitivinícolas, quando um vinho vem rotulado assim é indicativo de que as uvas podem vir de qualquer parte desse grande vale. Isso significa menor qualidade? Não necessariamente, mas pode significar que o terroir não é necessariamente o mais propício à variedade. 

Por exemplo, cultivar uvas brancas no Vale Central indica que os vinhos serão mais maduros, talvez mais alcoólicos e terão menos frescor em razão do calor da região, mais indicada para variedades tintas como a cabernet sauvignon ou carmenère. 

Esse é um exemplo de vinho mais maduro, elaborado pela famosa Baron Philippe de Rothschild, importante nome na França, cuja história tem início em 1853, quando o barão Nathaniel comprou um château no coração do Médoc, que passou a ser conhecido como Château Mouton Rothschild. Seu neto (Philippe) fundou em 1930 uma empresa com seu nome e expandiu os negócios dentro da França e para Chile e Estados Unidos. Se você já ouviu falar nos ícones Almaviva e Opus One saiba que são fruto da visão empresarial dessa empresa francesa.

Mas, vamos ao chardonnay de hoje!

Na taça a coloração é dourado claro. Tem boa intensidade aromática, frutos brancos maduros, tropicais, como abacaxi, melão e banana. Lembrança muito discreta da madeira, com leve abaunilhado e tostado, até porque passou 6 meses por grandes recipientes de madeira, isto é, houve pouca interferência.

Em boca é untuoso, maduro, com palato marcado pelos frutos tropicais e novamente a discreta lembrança da madeira. O clima da região em que foram cultivadas as uvas (Vale Central) favorece a elaboração de vinhos brancos mais maduros, típicos de clima quente. 

Agradável, equilibrado e sem excessos. Final de boa persistência, repetindo no palato as sensações tropicais anteriores, com notas minerais também surgindo. Tem 13,5% de álcool, sem incomodar.  

Vinho para quem gosta de chardonnay mais encorpados, mas sem a presença muito intensa da madeira. Em termos de harmonização imagino massas com molhos brancos, mas no site do importador há duas sugestões interessantes: tender com abacaxi grelhado e bacalhau com molho bechamel (veja o vídeo).


Detalhes da compra:

Recebi esse vinho de um clube da Wine, pagando R$ 50 pela garrafa. 

Saúde a todos!





03 dezembro 2015

Em 2015 meu país de destaque foi o Brasil e para brindar escolhi o .Nero Espumante Brut #cbe


O tema desse mês para nossa querida Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE veio de nosso coordenador Alexandre Frias, do blog Diário de Baco, que depois de uma temporada nessa função de organizar os confrades, passou o bastão para esse que vos escreve e que tem a honra de ser um dos fundadores da CBE, primeira e única confraria virtual brasileira. 

A escolha foi muito interessante: "como provamos muitos vinhos diferentes este ano, certamente um país deve ter chamado sua atenção de forma especial, seja pela característica dos vinhos ou até pela evolução em qualidade. Minha sugestão é de provamos um vinho do país que mais te impressionou em 2015. Pelo conjunto da obra, qual país levaria a taça em 2015?"

Poderia escrever sobre Portugal, Itália ou Argentina, por exemplo, mas preferi escrever sobre um país que vem demonstrando evolução na qualidade de seus vinhos, o Brasil!

Não, não é bairrismo é apenas uma constatação de que os produtores estão aprimorando seus vinhos para poderem competir melhor em um mercado abarrotado de vinhos importados de todos os preços e qualidades. Somando à concorrência natural ainda é preciso combater a tributação famigerada e o preconceito daqueles que preferem o importado mequetrefe a arriscarem novas experiências com os vinhos brasileiros. 

Nessa "linha evolutiva" não há como não reconhecer que os vinhos tintos estão mais frescos, mais fáceis e prontos para beber; os vinhos brancos e rosés fazem a alegria do consumidor com produtos diversificados, dos mais jovens aos mais complexos, e que têm se tornado compras seguras e ideais para nosso clima quente; e os espumantes continuam em sua trajetória de sucesso tanto no mercado interno (uma grande vitória) quanto no externo.

Minha escolha poderia recair sobre uma infinidade de vinhos, mas a correria de final de semestre não me permitiu comprar algo diferente para escrever aqui. Sinceramente, queria escrever sobre um vinho branco para deixar claro o quanto eles têm evoluído nos últimos anos, o que parece ser uma opinião de outros blogueiros também.

Não tendo como fazer desse jeito, resolvi apostar em um espumante que costumamos abrir sempre em casa, de boa relação custo x beneficio e que no último mês de novembro ficou entre os 10 melhores na 13ª edição do Effervescents du Monde, realizado em Dijon, na França (veja resultados aqui).

É elaborado pela Domno do Brasil, pelo método Charmat, com a segunda fermentação em cubas de aço inox pelo período de 6 meses. As uvas utilizadas no vinho base são Chardonnay (60%), Pinot Noir (30%) e Riesling (10%). Tem 12% de teor alcoólico.

Na taça tem coloração amarelo palha. Perlage fino, intenso e boa formação de uma espuma persistente, qualidades de um espumante muito bem feito. Bastante aromático, com lembrança evidente de frutos brancos, como melão e pêssego, além de flores. Em boca tem boa cremosidade, grande acidez e repetição das agradáveis notas frutadas e florais. Elegante, mas também festivo.

É um espumante brut (seco), mas com agradável dulçor que o deixa amigável mesmo aos que preferem espumantes com a Moscatel, por exemplo. A acidez não deixa o açúcar residual ficar enjoativo em nenhum momento. Final longo, persistente, com palato marcado pela intensa fruta branca e alguma mineralidade. Notas de fermentação discretas, com levíssimo tostado no final de boca.

Enfim, mais um belo produto brasileiro, com bom preço e nível internacional de qualidade!


Detalhes da compra:

Na loja virtual da vinícola é vendido por R$ 44,90, mas aqui em Uberlândia encontrei por R$ 43.

* Esse é o 106º vinho que comento para a CBE, primeira e única confraria virtual do Brasil.

Saúde a todos!



01 novembro 2015

No carrinho do supermercado :: Cono Sur Bicicleta Pinot Noir 2013


Fazia tempo que não provava um vinho da chilena Cono Sur, famosa por seus vinhos com bicicletas nos rótulos em alusão às práticas ecologicamente corretas da vinícola. Então, ao ver esse Pinot Noir na gôndola do supermercado não tive dúvida em comprar, porque gostamos da uva, a vinícola é respeitável e gostei do preço.

É um vinho que pertence à linha "bicicleta", que também tem outros varietais interessantes: seis brancos, um rosé e seis tintos, que valem a pena serem conhecidos em razão de sua qualidade e preço. 

Esse é um 100% Pinot Noir do Vale Central, a região mais genérica do Chile, mas nem por isso o vinho deixou de ter qualidade. Metade do vinho passou 8 meses por barricas de carvalho e a outra metade descansou em tanques de inox. Com isso, o vinho ganhou complexidade, mas manteve o frescor da fruta.

Na taça tem cor púrpura, translúcido. Bem aromático, com notas de frutos vermelhos, cereja, framboesa e morango, típicos da variedade. Aparecem sutis notas tostadas provenientes da madeira. Em boca é leve, fresco, com boa acidez e taninos finos. Tem muita fruta fresca, com notas levemente adocicadas que deixam o vinho bastante amável.

Final de boa persistência, com muita fruta e algum destaque da madeira. Álcool sem incomodar em nenhum momento, apesar dos 13,5% de teor.

Não é um vinho de grande complexidade, nem foi feito para evoluir com a guarda. Fácil de agradar, pode ser servido um pouco mais refrigerado nessas noites de muito calor.


Detalhes da compra:

Comprei esse vinho em supermercado, pagando R$ 39. Excelente compra!

Saúde a todos!



13 outubro 2015

Um vibrante vinho branco argentino: Goulart T Torrontés 2012


Tudo que lemos sobre os vinhos com a uva torrontés, que simboliza os brancos argentinos, é que não são elaborados para a guarda, ou seja, devem ser bebidos jovens para que suas melhores características, aromas e frescor, sejam mantidas. Em um paralelo podemos compará-los aos Vinhos Verdes, elaborados em Portugal. 

Decidimos abrir esse vinho em casa justamente para verificar se com três anos de idade ele poderia estar em forma e apresentar suas principais virtudes. A surpresa foi grande, já adianto. 

É elaborado pela Bodega Goulart, que pertence a Erika Gourlart, uma paulistana descendente do Marechal Gastão Goulart, figura importante da Revolução Constitucionalista de 1932, no Brasil. O vinhedo foi adquirido pelo Marechal em 1915, na região de Lunlunta, em Lujan de Cuyo, e ampliados para mais 28 hectares quando esteva exilado na Argentina, na época, plantados com cabernet sauvignon e malbec. Erika assumiu a propriedade em 1995 e iniciou a recuperação de toda a estrutura, elaborando seu primeiro vinho em 2002. Atualmente possui 55 hectares de vinhedos próprios. 

Esse vinho é elaborado com uvas da região de Salta, de onde vêm os melhores torrontés argentinos, com alta carga de mineralidade, grande frescor e boa complexidade. Com esse não é diferente.

Na taça coloração amarelo palha, com reflexos esverdeados. Muito aromático, surpreendente até. Primeira presença de fruta branca, principalmente lichia, confirmando tipicidade. Com um tempo em taça surge uma boa complexidade, notas cítricas, derivados de petróleo e flores. 

Em boca é um vinho vibrante, com boa acidez e grande complexidade. Tudo que apresentou no nariz se repete em boca, com boa mescla de fruta branca, notas cítricas, nuances florais e grande mineralidade. Final persistente. Tem 14,2% de álcool.  

Vinho muito refrescante, complexo e com boa capacidade para harmonizações embora possa ser bebido apenas como aperitivo. Valeu a experiência!


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela Wine, que atualmente vende a safra 2013 por R$ 32. 

Saúde a todos!