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20 julho 2012

O vinho de nº 700 aqui no blog: Adolfo Lona Orus Pas Dosé Rosé


Quando comecei o blog em julho de 2006 jamais imaginei chegar a uma marca assim: 700 vinhos comentados. Pode parecer que não, mas custa dinheiro e muita dedicação. Produzir conteúdo próprio não é tão fácil como se imagina, mesmo para um veículo tão informal quanto um blog.

Mas em compensação, foram anos de boas companhias, novos amigos e um número muito maior de boas experiências do que decepções. Obrigado a todos que lêem o blog, comentam os posts e enviam críticas.

Pra comemorar a marca, um vinho especial. 

Quando estive com Adolfo Lona em sua produtora, em fevereiro (relembre) fui presenteado com esse espumante, uma das últimas 30 garrafas das 608 que ele elaborou. Depois dessa oportunidade ainda degustei o espumante no Encontro de Vinhos no Rio de Janeiro (em março), mas só em junho abri a garrafa que ganhei. 

No Rio Grande do Sul é (ou era) encontrado na faixa dos $90, mas aqui em Minas Gerais já vi o espumante custando em torno dos $150.

É elaborado pelo método tradicional (champenoise) com 12 meses de autólise de leveduras (período em que ganha complexidade) e mais 12 meses em garrafa já com a rolha definitiva (para ganhar sutileza, elegância e potência). Não há adição do licor de expedição (pas dosé ou dosage zéro).

O vinho base é um corte de três variedades, cada uma com sua função específica: Chardonnay, que dá frescor ao espumante; Pinot Noir, que vinificado em rosado agrega força; e Merlot, que colabora com a alegância e ameniza a acidez.

Na taça a coloração é pêssego, lembrando casca de cebola. Perlage é intensa, muito fina e persistente. Barulhento. Nos aromas é intenso, elegante, complexo, com lembrança de frutos silvestres, casca de pão, algo parecendo musgo (provavemente vindo da Merlot) e frutos secos.

Na boca é cremoso, com ótima acidez e uma complexidade que se percebe de imediato. Boa fruta, notas da fermentação, ferrugem, musgo. Tem notas levemente adocicadas, apesar de ser um nature. Não será, portanto, agressivo aos que apreciam espumantes menos secos. Final longo, com palato marcado por todas as sensações do olfato e boca.

Enfim, um espumante de exceção, que consegue ser refrescante como aperitivo, mas também elegante, complexo e estruturado para acompanhar refeições. Certamente um dos grandes espumantes brasileiros já produzidos.

Saúde a todos!




23 fevereiro 2012

Reencontrando Adolfo Lona


Na manhã do dia 11/2 estava no Hotel Dall'Onder, em Bento Gonçalves, quando recebi uma ligação do celular do Adolfo Lona. Quem me ligava era o blogueiro Tiago Bulla, do Universo dos Vinhos, com quem eu havia combinado de almoçar. Estavam me convidando para ir a Garibaldi degustar o Orus, o espumante top da vinícola. 

Apesar de ter uma visita agendada para mim e para o Tiago daí há 2 horas, não tive dúvidas e fui de táxi até Garibaldi para experimentar o tão bem falado espumante. 

A primeira vez que estive com o Lona foi em 2008, quando minha esposa e eu visitamos sua "produtora", como gosta de chamar a vinícola. A recepção é sempre apaixonada, porque o Lona dá a impressão de que prefere beber os vinhos com o visitante do que vendê-los. Tanto que nas duas ocasiões, inclusive agora, saí de lá com um presente. Dessa vez ganhei o Orus, porque ele diz que não está mais à venda. Não discuti. 

Quando cheguei lá o Tiago e sua esposa já haviam degustado o charmat rosé, mas o Orus era a grande estrela. É um pas dosé, ou seja, não tem adição de açúcar no licor de expedição. 

Em resumo, após a retirada dos resíduos deixados pela fermentação (dégorgemment), há adição de uma quantidade do vinho base para completar o conteúdo da garrafa. Esse "licor" pode levar açúcar para continuar a fermentação dentro da garrafa. No caso dos pas dosé (não dosado) não há açúcar no licor. 


No vinho base entram três variedades, cada uma com uma função específica: a Chardonnay contribui com a acidez (frescor), a Pinot Noir dá corpo e a Merlot também contribui nesse quesito, mas funciona especialmente para amenizar a acidez da PN. 

Na foto: Gil Mesquita, Adolfo Lona e Tiago Bulla. Créditos para Vivian Costa.


O Orus é, segundo Adolfo Lona, o único rosé nature feito pelo método Champenoise no Brasil. Um espumante elegante, cremoso, de bons aromas e grande frescor. Final longo. Embora seu período de maturação seja longo, 12 meses fermentando na própria garrafa e mais 12 meses descansando na cave, as notas típicas de fermento, casca de pão, não aparecem exageradas, deixando o espumante menos "pesado" que muitos no mercado.

Meu compromisso com o Lona foi abrir o espumante que ganhei apenas no dia 8 de março, aniversário da Érika. Então, os comentários virão aqui pro blog somente no próximo mês. Foi uma das últimas 30 em estoque e foram produzidas somente 608 garrafas. 

Por último, fiquei contente com a notícia de que o enólogo não abandonou a ideia de produzir tintos. Tem coisa nova vindo por aí e já descansando na cave, mas ainda sem informações concretas para divulgarmos. O último vinho lançado por ele foi um corte Merlot + CS com uvas de Pinheiro Machado, município da Serra do Sudeste, próximo a Bagé e Pelotas. 

Para saber mais: www.adolfolona.com.br

Saúde a todos!
 

26 maio 2010

Argentino, mas com sotaque gaúcho


Adolfo Lona é um argentino que já fala com sotaque gaúcho, pois chegou ao Brasil em 1973 para trabalhar como diretor técnico da Martini e Rossi. Em 2004 saiu da empresa para realizar um grande sonho, montar sua própria vinícola, ou melhor, sua produtora, como gosta de dizer. 

Conheci Lona em outubro de 2008 numa visita à sua produtora. Foi difícil encontrá-la na cidade de Garibaldi, mas valeu muito a pena poder degustar seus belos espumantes acompanhado dessa figura simbólica para o vinho brasileiro. 

Em março de 2010 fiz uma entrevista com ele para o blog, na  seção  "Dez perguntas para..." (relembre). Além de enólogo reconhecido, Adolfo Lona ministra cursos sobre vinhos e espumantes em todo o Brasil, além de ser autor de livros sobre os temas.   

Para saber mais: www.adolfolona.com.br/ 

05 dezembro 2008

Adolfo Lona Espumante Brut Rosé

Dos espumantes Adolfo Lona que provei, este é o mais simples. Sua elaboração levou cerca de 180 dias, pelo método charmat. É um corte de chardonnay (40%) e pinot noir (60%), com 8 g de açúcar por litro. Paguei R$26 pela garrafa no varejo da empresa, situada na cidade de Garibaldi-RS.
Na taça, coloração salmão, com perlage fina e persistente, mas com bolhas em quantidade moderada. Aromas frutados bem evidentes, com clara lembrança a morangos. Levemente cremoso, tem acidez moderada, retro-olfato frutado (ainda os morangos) e discreta lembrança mineral.
Álcool equilibrado (12%). Final curto, mas agradável, com notas frutadas e vinosas. Senti falta de um pouco mais de refrescância.
Pouca complexidade aromática, provavelmente em virtude do método utilizado. Os espumantes elaborados pelo método tradicional (champenoise) permitem que essa evolução ocorra de forma mais evidente. Não é um espumante safrado, mas o número do lote sugere que tenha sido elaborado em 2004.
Espumante que dá conta do recado. Leve, simples e honesto. Porém, no limite da boa relação custo x benefício.




09 novembro 2008

Adolfo Lona Merlot Cabernet Sauvignon 2004

O argentino Adolfo Lona é uma autoridade no mundo dos espumantes brasileiros. Trabalhou por 33 anos na extinta vinícola De Lantier (pertencente ao grupo Bacardi-Martini no Brasil), onde permaneceu até 2004. Se um dia visitar a cidade de Garibaldi, vale procurar por sua vinícola e tentar encontrá-lo para um bate-papo sobre vinhos. Garanto que será uma experiência interessante, que minha esposa e eu vivemos no mês passado.
Em sua "pequena produtora", como o próprio Lona chama a vinícola, produz espumantes de qualidade, pelo método champenoise. Tudo é manual, feito por um único e dedicado funcionário.
A única exceção na lista de espumantes é este "tinto jovem", que não passa por madeira. É um corte das uvas merlot (76%) e cabernet sauvignon (24%), provenientes de Pinheiro Machado, na região gaúcha de Serra do Sudeste. É o último (e acho que único) tinto que a casa produziu.
Vinho de coloração rubi, com bordas atijoladas, demonstrando certa "idade". Lágrimas rápidas nas paredes da taça. Aromas discretos, lembrança clara de frutos vermelhos e um fundo discretamente vegetal.
Vinho leve e refrescante (de acidez moderada), com taninos já em extinção. Final mediano, com prevalência frutada. Agradável.
Vinho sem defeitos, mas que já perdeu grande parte de seu encanto, pois foi feito com o propósito de ser bebido jovem. Porém, não decepcionou e valeu o que gastei (R$20). Álcool sem incomodar em nenhum momento (13%). Provavelmente foi um vinho muito melhor em 2005-2006.