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23 julho 2017

Tipicidade sul-africana :: De Grendel Shiraz e Petit Verdot 2014


País: África do Sul
Região: Tygerberg (Coastal Region)
Produtor: De Grendel Wines
Uvas: Shiraz (86%) e Petit Verdot (14%)  
Maturação: breve passagem por barricas de carvalho
Álcool: 14%

Vinhos da África do Sul aparecem por qui menos do que eu gostaria e até acredito que isso ocorra com a maioria dos apreciadores de vinhos - exceto os que residem em grandes centros - porque a oferta de rótulos daquele belo país não é tão abundante. 

Esse aqui é um belo assemblage de duas uvas que aprecio bastante e juntas formaram um ótimo conjunto. Com predominância da Shiraz, que compõe grande parte do corte, é um vinho suculento, moderno e muito fácil de beber. 

A coloração, dá para ver isso na foto, é rubi com grande transparência, parecendo um Pinot Noir. Os aromas são uma boa mescla de frutos vermelhos, especiarias, baunilha (em razão da madeira) e algo floral em alguns momentos. 

Na boca é suculento, fresco, moderno, sem madeira em excesso. Confirma um estilo muito particular dos vinhos sul-africanos, como se percebe em grande parte dos Pinotage que experimento. Frutado lembrando ameixa, mirtilo e algo defumado formam um conjunto interessante, com taninos macios e boa acidez. 

Final de boa persistência, marcado por fruta, madeira e chocolate discreto. Muito fácil de beber e agradar. Pode ser ótimo como aperitivo, mas acompanhará bem um risoto de cogumelos. 


Detalhes da compra:

O importador é a Domno e pode ser comprado aqui em Uberlândia por R$ 88.     



20 março 2016

Branco sem madeira, mas com personalidade: Neethlingshof Unwooded Chardonnay 2015

Foto: Instagram (@vinhoparatodos)

Um Chardonnay sem passagem por madeira tem seus encantos, especialmente se mantém as boas características da variedade e tem personalidade, presença, como esse sul-africano que recebi há alguns dias. 

O produtor é a Neethlingshof Estate, cuja história remonta a 1788 quando Charles Marais e sua esposa adquiriram a fazenda, então denominada The Dance os Wolves. A partir de 1828 adquiriu o atual nome quando sua filha se casou com Johannes Henoch Neethling, conhecido por sua elegância na região de Stellenbosch, sendo chamado de "Lord Neethling". 

A vinícola elabora basicamente duas linhas de vinhos e esse pertence à linha Premium, que conta com os tintos Merlot, Shiraz, Pinotage, Cabernet Sauvignon, Malbec e um corte de Cabernet Sauvignon com Merlot; os brancos Sauvignon Blanc, sendo um deles Single Vineyard, Chardonnay, Gewürztraminer e Chenin Blanc; um colheita tardia em homenagem à esposa do fundador da vinícola, Maria. 

Mas, vamos ao vinho de hoje. 

Na taça tem coloração amarelo palha, com reflexos levemente dourados. Intenso em aromas, aparentou ser mais maduro que o esperado para um vinho sem madeira. Notas de frutos brancos como pera e abacaxi em calda bem evidentes. Em boca tem personalidade, é untuoso e maduro. Fruta em abundância se repetindo, com acidez mediana, mas boa refrescância. Final de boa persistência, repetindo toda a fruta tropical.     

Não é um vinho de grandes complexidades, mas demonstra todas as características de um Chardonnay bem franco, honesto, bem feito. Por ser bem maduro e não ter passagem por madeira, acredito que foi elaborado com uvas de excelente maturação, pois algumas notas adocicadas apareceram. Tem 14% de álcool.  

Será um bom par para queijos de massa mole, como brie e camembert, bem como pratos à base de aves (como frango ao molho), risotos e massas com molhos brancos.  


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Wine, que o vende a um preço "cheio" por R$ 62, mas há descontos para os associados a seus clubes. 

Saúde a todos!



13 março 2016

Uma ótima surpresa da África do Sul: Allesverloren Tinta Barroca 2013


Comprei esse vinho movido por uma grande curiosidade, pois é elaborado na África do Sul a partir de uma variedade tinta importante para os portugueses: a Tinta Barroca, muito plantada na região do Douro e uma das seis variedades recomendadas para elaboração do Vinho do Porto.

O produtor é a Allesverloren, cuja história remonta para um período compreendido entre 1696 e 1704. O nome da vinícola significa "tudo está perdido", porque naquele início de história era comum os proprietários viajaram de trem até Stellenbosch para comprarem ferramentas ou irem à igreja. Ao retornarem de uma dessas viagens, em 1704, encontraram sua casa destruída por um incêndio. Atualmente comandada pela família Malan, a vinícola possui 227 hectares.

Visitando o site da empresa percebe-se uma vocação para a elaboração de vinhos com identidade portuguesa. Além das variedades internacionais Cabernet Sauvignon e Shiraz, elaboram esse Tinta Barroca, um Touriga Nacional, um corte chamado Três Vermelhos (Souzão, Tinta Barroca e Touriga Nacional) e dois vinhos fortificados nos estilos Moscatel e Porto.

Enfim, esse é um 100% Tinta Barroca, com 14% de teor alcoólico e amadurecimento por 8 meses em barricas de carvalho francês de primeiro, segundo e terceiro usos. A região é Swartland, pertencente ao grande setor litorâneo que os sul-africanos chamam de Coastal Region.

Na taça a coloração é rubi, com boas lágrimas na parede da taça. Bons aromas, maduros, frutos vermelhos, terra, especiarias e chocolate. Bom corpo, taninos macios e boa acidez. Muita fruta se repetindo, boa complexidade com ervas e notas terrosas.

Final persistente, boa fruta madura, especiarias e uma agradável nota da passagem por madeira, lembrando bala de café. Boa surpresa!

É rotulado no Brasil como demi-sèc, mas pode comprar tranquilo porque não é um vinho enjoativo. Ao contrário, se não tivesse essa informação no contra-rótulo eu não teria visto de imediato tratar-se de um meio seco. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Wine, que o vende em seu site por R$ 76, mas para associados do seu clube sai por R$ 65.

Saúde a todos!



28 fevereiro 2016

Mais um vinho branco bem honesto: Fleur du Cap Chenin Blanc 2014


Costumo classificar alguns produtores como "compras seguras", daquelas que recorro sempre que estou em dúvida ou mesmo para experimentar algo novo dessas vinícolas honestas. É o caso da Fleur du Cap, sul-africana que já teve vários vinhos comentados aqui, com destaque especial para dois outros brancos com a Sauvignon Blanc e Chardonnay. 

Dessa vez a uva escolhida foi a Chenin Blanc, originária e importante uva do Vale do Loire (França), onde é utilizada para espumantes, vinhos secos e até de sobremesa, mas é a principal uva branca da África do Sul, onde também é chamada de Steen, tendo sido plantada pela primeira vez no país ainda na metade do século XVII.

Segundo o rótulo o vinho vem da região de Bergkelder, em Stellenbosch, distrito pertencente à enorme região Costeira de Western Cape (veja mapa). Em seu processo de fermentação passou por carvalho, com 25% do vinho amadurecendo posteriormente em barricas francesas. Tem 13% de álcool. 

Na taça a coloração é amarelo palha. Aromas muito francos, boa intensidade, frescos. Boa mescla entre frutos brancos (pera), notas cítricas discretas e boa mineralidade. Em boca é leve, maduro, mas de bom frescor. Acidez mediana. Citricidade bem presente, fazendo ótima companhia para a mineralidade intensa.

Final de boa persistência, com palato marcado pelo cítrico e pelo mineral. Compra interessante, para aqueles que preferem vinhos mais frescos e delicados, sem muita passagem por madeira. Para quem prefere os vinhos mais "gordos e potentes" talvez esse não seja o caso.


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Wine, que o vende em sua loja virtual por R$ 50. 

Saúde a todos!



17 janeiro 2015

Rosé tem a cara do verão e vai bem na taça de plástico: Table Mountain Pinotage Rosé 2014


No início desse ano passamos alguns dias no litoral catarinense, nosso refúgio predileto há muitos verões. Como estava muito calor fizemos um compromisso logo na primeira parada: comprar vinhos no supermercado, brancos e rosés, para serem bebidos em nossas recém adquiridas taças de plástico. Não que isso seja depreciativo, mas queríamos vinhos descontraídos e uma taça igualmente alegre ajudaria na busca de boas dicas.  

Hoje publico o segundo vinho dessa série. 

Na busca de um rosé barato e diferente encontramos esse sul-africano elaborado com a uva símbolo daquele país, a pinotage, que é fruto de um cruzamento realizado em 1925 entre as variedades pinot noir e hermitage. Infelizmente não sei quem é o produtor, porque não anotei na ocasião e também não encontrei informações seguras na internet.

É um rosé bem leve, com apenas 11,5% de álcool. Menos aromático que o chileno que comentei na última quinta-feira, mas é menos adocicado. Interessante como são diferentes dentro de sua simplicidade. Esse sul-africano tem aromas de morango e cereja, acidez mais presente e menos açúcar residual, deixando o vinho mais seco e muito agradável para uma proposta verão-praia-descontração.

Final de boa persistência. Vinho com capacidade gastronômica para os petiscos do litoral, como espetinhos de camarão ou peixes fritos. Acompanhou bem nossa salada refrescante e foi bem com a taça de plástico. Bem feito, descontraído, prazeroso e barato.    


Detalhes da compra

Comprei esse vinho no supermercado Angeloni, em Florianópolis, pagando R$19,90. Ao que parece a rede de supermercados é importadora/distribuidora do vinho no Brasil. 

Saúde a todos!



15 setembro 2014

Elegante vinho branco da África do Sul: Klein Constantia KC Sauvignon Blanc 2012


No início desse mês de setembro os amigos do Le Vin au Blog (Rafaela e Cláudio) e Vivendo Vinhos (Val e Cristiano) nos visitaram por ocasião dos meu aniversário de 40 anos. Amigos que são, vieram para amenizar o baque de sair da casa dos 30 e, como sempre, trouxeram vinhos para nos divertirmos. 

O primeiro que abrimos foi esse Sauvignon Blanc da África do Sul, trazido pelo Cristiano. É elaborado pela Klein Constantia, uma tradicional vinícola do país, cuja história remonta a 1685. A região produtora é Stellenbosch (veja no mapa abaixo). 

Na verdade o vinho leva uma pitada de Semillon (13%), o que o deixa mais parecido com um francês de Bordeaux do que um potente Sauvignon Blanc varietal do Novo Mundo. Ao que parece uma proposta de mais elegância. 


Na taça tem cor palha. Nos aromas apresenta elegância, lembrança vegetal, aspargos, folha de tomate, mas também frutos tropicais, especialmente maracujá doce. Em boca é untuoso, tem bom corpo, notas de frutos brancos mais presentes. Palato marcado por mineralidade e notas vegetais. Acidez mediana e final de média persistência. 

Vinho mais elegante que potente. Por ter passado em contato com as borras durante a fermentação, pelo período de dois meses, ganhou boa complexidade. Tem 14% de álcool.  

Segundo a vinícola o vinho poderá melhorar com a guarda por até três anos (2015). E eles tem razão nessa expectativa, pois está com dois anos e ainda deve evoluir. 


Detalhes da compra:

Esse vinho foi trazido pelo amigo Cristiano (obrigado, amigo!), mas é importado pela Grand Cru, que o vende em seu site por R$57 (veja aqui).

Saúde a todos!



14 março 2014

Deu vontade de provar um tinto sul-africano? Então, recomendo esse Remhoogte Aigle Noir Blend 2010


Dia desses bateu uma vontade tremenda de beber um vinho sul-africano. Mesmo sabendo que por vezes são uma explosão amadeirada, álcool por vezes sobrando um pouquinho, gosto de procurar algo diferente para, quem sabe, me surpreender positivamente. 

Foi o caso desse blend de quatro uvas: Merlot (40%), Shiraz (27%), Cabernet Sauvignon (26%) e Pinotage (7%). Seu teor alcoólico é de 14,4% e tem passagem de 25 meses por barricas de carvalho de segundo uso. Mesmo com esses atributos (álcool + madeira) não se mostrou um vinho tão potente e está num bom momento de evolução, com bom equilíbrio. 

É elaborado pela Remhoogte Wine Estate, uma pequena vinícola familiar que elaborou seu primeiro vinho em 1995, mais especificamente cinco barris de Cabernet Sauvignon. Atualmente elabora cerca de 8.000 caixas de vinho por ano, uma quantidade bem restrita se comparada a outras vinícolas mundo a fora.

Atualmente possui 33 hectares plantados com variedades tintas e 2 hectares de "vinhas velhas" da branca Chenin Blanc, recentemente incorporada ao portfólio da vinícola. 

O vinho tem coloração rubi. Aromas intensos lembrando frutos vermelhos e negros, com notas de especiarias ao fundo. Na boca tem bom corpo, boa fruta e a presença da madeira e do álcool em equilíbrio. Um vinho sem aquelas "arestas" de alguns vinhos mais jovens do país. Acredito que a mescla de uvas foi muito bem pensada para dar essa característica de elegância e equilíbrio.

Os taninos já estão amaciados e a acidez, embora não tão presente, deixa o vinho gastronômico, pedindo carnes vermelhas. Final de boa persistência, frutado e com presença leve das notas amadeiradas. Álcool está presente, mas sem desequilibrar. Depois de algum tempo aberto ficou ainda melhor, sendo aconselhável uma aeração de uns 20-30 minutos no decanter, caso tenha esse hábito. 

Acredito que esteja próximo de seu limite de evolução, devendo ser guardado por no máximo um ano, embora esteja num ótimo momento agora.


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela Grand Cru, que o vende em seu site por R$ 70. Uma boa experiência, que pode custar menos em outras lojas virtuais que também vendem esse vinho.

Saúde a todos!




13 setembro 2013

Há tempos não bebia um Pinot tão especial: Shannon Vineyards Rockview Ridge Pinot Noir 2009


Gostamos muito de Pinot Noir em casa, mas nosso índice de boas compras é baixo. Na maioria dos casos gostamos, mas o vinho não nos faz suspirar. Fica aquela pontinha de decepção, aquela cara de "o vinho é legal", mas não passa disso. Por vezes já falamos em casa: será que sabemos mesmo o que é um bom Pinot? 

Bom, se sabemos ou não, só sei que essa aqui nos deixou encantados. Tem tudo que gostamos num Pinot, os aromas delicados, a baixa carga tânica, a boa acidez e a madeira integrando bem o conjunto, sem atrapalhar. E mais importante: sem notinhas doces e enjoativas de alguns vinhos da América do Sul e sem o álcool que por vezes sobra nos vinhos norte-americanos. Enfim, uma ótima compra, apesar da faixa de preços um pouco alta.

É elaborado pela Shannon Vineyards, na região de Elgin Valley, uma sub-região da famosa Stellenbosch. Tem passagem de 11 meses por barricas francesas antes do engarrafamento.  

Na taça tem cor de Pinot, um vermelho transparente e límpido. 

Ótimos aromas terrosos e frutados, especiarias aparecendo em alguns momentos e lembrança de algo sintético (borracha). Madeira presente, dando indícios já no nariz de que ela colaborou para um bom conjunto, o que foi confirmado em boca.   

Vinho de taninos finos, já dóceis pelos 5 anos de idade, mas com ótima acidez, o que deixou o vinho suculento e ideal para acompanhar refeições. É seco, sem a lembrança adocicada que mencionei acima. Intenso, com álcool (13,5%) sem aparecer e madeira contribuindo para uma maior complexidade, com um elegante tostado no final de boca.

Final longo, muito agradável, deixando a boca pronta para mais uma garfada ou mais um gole. Me pareceu muito mais um Pinot da Borgonha. Está mais para Velho Mundo, sem dúvida.

Evoluiu muito com o passar do tempo. Não foi decantado, porque acho um desperdício deixar que o vinho evolua sozinho, esquecido num canto da casa. 

No momento certo para ser aberto. Está no auge, ao que me parece.


Detalhes da compra

Comprei essa garrafa no site da Sonoma, pagando R$105. É um preço alto para o meu cotidiano, mas valeu cada gota. A importação, segundo várias mensagens que recebi via Instagram, é feito pela QualVinho, importadora especializada em vinhos sulafricanos.

Saúde a todos!


29 julho 2013

Experimentamos o descontraído Houses of Mandela Sauvignon Blanc 2012

Esse vinho descansa por 4 meses em tanques de inox antes de ser engarrafado. A finalidade é dar complexidade a ele.

Na última terça-feira (23/07) participamos de mais uma edição do Wine Bar, uma degustação virtual comandada com a "presença virtual" de vários blogueiros e jornalistas de todo o país (veja o vídeo aqui). 

Dessa vez os os vinhos escolhidos foram sul africanos e importados pela Ravin, que aposta na descontração dessa linha House of Mandela para cativar consumidores que procuram bons preços e vinhos fáceis de beber. 

Essa linha entrega exatamente isso, pelo menos no Pinotage que experimentamos (relembre) e nesse 100% Sauvignon Blanc sem passagem por madeira
 
Na taça a cor é amarelo palha. No nariz os aromas não são tão intensos, mas de ótima qualidade porque todas as notas aromáticas que estamos acostumados a encontrar nessa uva estavam lá: folhas de tomate, maracujá (frutos tropicais), grama cortada, aspargos... tudo no lugar, sem exageros enjoativos. 

Na boca tem boa acidez, frutos se repetem e aparece um toque mineral interessante. Final um tanto ligeiro, mas muito agradável, com grande equilíbrio. Fácil e correto! Fará sucesso em dias quentes, o que infelizmente não foi o caso no dia da degustação, porque a temperatura aqui em Uberlândia estava na casa dos 13ºC.


Detalhes da compra: 
 
Esse vinho é importado pela Ravin, que o vende em seu site atualmente por R$ 39. Mas essa garrafa me foi enviada para prova e participação no Wine Bar do dia 23 de julho.
 
Saúde a todos!



26 julho 2013

Degustamos o festivo Houses of Mandela Pinotage 2012

No rótulo uma reprodução das festivas camisas de Mandela indicam o estilo do vinho.

Na última terça-feira (23/07) participamos de mais uma edição do Wine Bar, uma degustação virtual comandada pelo Daniel Perches com a "presença virtual" de vários blogueiros e jornalistas de todo o país (veja como foi clicando aqui).

Dessa vez os vinhos escolhidos foram sul africanos e importados pela Ravin, que aposta na descontração dessa linha House of Mandela para cativar consumidores que procuram preço sem descuidar da qualidade. 

Quando recebi os vinhos não sabia nada a respeito deles, mas imaginei desde logo tratar-se de vinhos acessíveis tanto em preço quanto no paladar: a garrafa é daquelas mais leves, com tampa de rosca e o rótulo lembra as estampas das camisas de Nelson Mandela. Segundo o contra rótulo essas estampas florais simbolizam a "unidade, a identidade cultural e a beleza da África".

Esse 100% Pinotage envelheceu por 6 meses em barricas francesas e pertence à linha Thembu Collection, que ainda tem um Sauvignon Blanc também degustado na noite de terça e um Shiraz.

Na taça tem coloração violácea. Os aromas são menos intensos que em outros Pinotage na mesma faixa de preços porque seu nariz não é invadido pelos aromas excessivamente amadeirados. Ao contrário, os aromas são muito francos, lembrando frutos negros, ameixa, especiarias, discretas notas de chocolate, tabaco e café. 

Na boca é leve, com taninos aparecendo com discreta adstringência, mas longe de serem rústicos ou "verdes". Talvez fiquem ainda mais macios com alguns meses de guarda. Boa acidez. Muita fruta e madeira novamente discreta.

Final um tanto ligeiro, simples, mas correto. Tem 14% de álcool, mas em equilíbrio. Feito para agradar a todos os paladares pela descontração, mas certamente cativará os iniciantes no mundo do vinho, porque se aproxima do gosto do brasileiro, com notas mais adocicadas e sem complicações. 


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela Ravin, que o vende em seu site atualmente por R$ 39. Mas essa garrafa me foi enviada para prova e participação no Wine Bar do dia 23 de julho.

Saúde a todos!



19 abril 2013

Mais uma compra certeira na casa dos R$30-35: Fleur du Cap Chardonnay 2011

A passagem por madeira durante a fermentação e depois para "afinamento" deu boa complexidade a esse vinho.

Gosto dos vinhos elaborados pela Fleur du Cap, vinícola pertencente ao grupo Distell que também controla as conhecidas marcas Two Oceans e Nederburg. Especialmente os brancos são muito bem elaborados, enquanto os tintos têm um certo exagero na madeira, mas também são prazerosos.

Tenho uma predileção pelo Sauvignon Blanc deles, cuja safra 2010 já foi comentada aqui (relembre).

Esse Chardonnay tem coloração amarelo palha, com reflexos esverdeados. No nariz uma lembrança clara de chocolate branco, vinda da passagem por madeira, mas também frutos brancos característicos da uva. Em boca é macio, com boa presença cítrica, baunilha aparecendo, chocolate branco e boa acidez. Final de média persistência, repetindo no palato as sensações sentidas no nariz e na boca. 

Pesquisando sobre sua passagem por madeira descobri que 20% do vinho foi fermentado inicialmente em tanques de inox e o processo completado em barricas de carvalho francês (80%) e americano (20%). O restante do vinho foi fermentado (50-50) em tanques de carvalho francês e americano. Juntadas as parcelas, o vinho ficou mais seis meses estagiando em barricas e em contato com as borras. Ufa! 

Enfim, um vinho muito correto, prazeroso, gastronômico e de bom preço. 


Detalhes da compra:

Esse vinho foi levado pelo amigo Marcel Gussoni quando estivemos juntos num divertido fim de semana na fazenda. É uma boa compra, porque no mercado é encontrado na faixa dos R$ 30-35.

Saúde a todos!


 

08 fevereiro 2013

Um blend da África do Sul: Music by D'Aria Red 2009

Vinho com passagem de 8 meses por barricas de carvalho francês

Esse vinho é elaborado pela  D'Aria Winery, na região de Durbanville, próxima das famosas Stellenbosch e Paarl. A vinícola foi fundada no final dos anos 1980, quando duas históricas fazendas da região foram adquiridas, sendo que somente em 2005 o primeiro vinho foi lançado, um Sauvignon Blanc. 

Esse vinho reflete (ou busca refletir) a filosofia do enólogo Rudi Von Waltsleben: frutado, equilibrado e gostoso de beber.  

À exceção de uma madeira um tanto exagerada e o álcool sobrando, o vinho é frutado e gostoso de beber. Melhor como aperitivo, especialmente por conta do álcool, que pode tornar a maioria das harmonizações um tanto complicadas. 

Coloração púrpura. Aromas em boa intensidade, fruta madura, especiarias, madeira poderosa e álcool sobrando (13,5% de teor). Em boca tem taninos macios e boa acidez, com muita fruta se repetindo. Final mediano, repetindo fruta e o "calor" do álcool. 

Alguns minutos no decanter para aeração podem fazer bem ao vinho.


Detalhes da compra:

É importado pela Berenguer e foi "esquecido" em casa pelos amigos Lílian e Afrânio. É encontrado em lojas virtuais na faixa dos R$50-60.   

Saúde a todos!



24 outubro 2012

O Poderoso Chefão sul-africano: The Goatfather Vintage 2009


Quando fui comprar os vinhos para a Confraria fiquei curioso com esse vinho, que embora seja sul-africano tem um jeitão italiano. Nao só pela alusão ao Poderoso Chefão no rótulo, mas especialmente por ser um corte de uvas tipicamente italianas: Sangiovese (50%), Barbera (33%), com uma pitada de Cabernet Sauvignon (17%).

Como os demais vinhos da noite, é produzido pela Fairview, que tem o costume divertido de homenagear a cabra em seus rótulos. As uvas vem das regiões Darling, Swartland e Stellenbosch. Tem passagem de 13 meses por barricas francesas e americanas e teor alcoólico de 14,5%. 

Vinho rubi. Aromas lembrando frutos vermelhos silvestres, mel, própolis, tabaco. Boa complexidade aromática. Na boca tem corpo mediano, com taninos finos e grande acidez, típica das variedades italianas. Final mediano, repetindo a boa complexidade no palato. Vinho para acompanhar as tradicionais massas com molhos vermelhos, além de carnes vermelhas.

Foi comprado no site da Importadora Ravin por R$70. 

Saúde a todos!



23 outubro 2012

Boa relação custo x benefício: La Capra Shiraz 2008


A África do Sul também se destaca pela produção de bons Shiraz, por isso essa variedade foi escolhida para estar no primeiro encontro de nossa Confraria. Foi comprado a R$54, no site da Importadora Ravin e também é produzido pela Fairview Wine & Cheese, que por também produzir queijos com leite de cabra, homenageia esse animal em seus rótulos. 

As uvas vem de Coastal Region, mais precisamente de Agter, área pertencente à tradicional região de Paarl. O vinho passa 12 meses em pequenas barricas de carvalho para afinamento. Tem 14,7% de álcool, mantendo o estilo Novo Mundo, potente, com notas adocicadas, mas sem incomodar. 

Vinho de coloração rubi. Aromas com muita fruta vermelha, especiarias, menta. Na boca tem bom corpo, com taninos levemente rascantes e boa acidez. Repetição da fruta e das especiarias, com álcool presente, mas sem atrapalhar o conjunto. Final mediano, muito agradável, pedindo mais um gole. 

Ao final da degustação elegemos informalmente nossos melhores vinhos. Na minha opinião pessoal esse é o melhor custo x benefício dentre todos os vinhos da noite.  

Saúde a todos!




22 outubro 2012

O melhor da noite em nossa Confraria: Fairview Pinotage 2009


Degustação de vinhos com o tema África do Sul não pode faltar Pinotage, a uva que simboliza a produção daquele país. Para quem não sabe, ela é o resultado de um cruzamento entre duas variedades francesas, Pinot Noir e Hermitage (a mesma Cinsault) realizado em 1925 por Abraham Izak Perold, professor de Viticultura da Universidade de Stellenbosch (leia aqui sobre o pesquisador).

O primeiro vinho com a nova variedade foi feito em 1941, ano em que foram plantadas as primeiras mudas na propriedade da Kanonkop, importante vinícola sul-africana.  O primeiro rótulo a fazer sucesso foi um Pinotage campeão no Wine Show, realizado em 1959, na cidade do Cabo. Assim, durante os anos 1960, houve uma proliferação de novos vinhedos com essa variedade nacional.

Quanto ao vinho bebido no primeiro encontro da nossa Confraria, foi comprado no site da Importadora Ravin, por R$72 e foi considerado pela maioria dos confrades como o "melhor da noite". É produzido pela Fairview, assim como todos os demais vinhos da degustação,  com uvas da região de Malmesbury. Tem passagem de 10 meses por barricas de carvalho francês e americano.

Na taça tem um acoloração violácea. Aromas intensos, muito típicos dos Pinotage sul-africanos, frutos maduros, muito chocolate, baunilha, bala de carmelo e especiarias em alguns momentos de variação de temperatura. Na boca tem bom corpo, amplo, com taninos macios e acidez moderada. Final longo, com palato lembrando todas as características aromáticas. Abriu-se com alguns minutos de aeração.

Um vinho de grande tipicidade, que demonstra bem o estilo desses vinhos. Equilibrado, muito agradável apenas como aperitivo ou para acompanhar comida. 14% de teor alcoólico, dando potência ao vinho, sem desequilibrá-lo. 

Saúde a todos!



21 outubro 2012

Na Confraria: Spice Route Sauvignon Blanc 2011



Abrimos o primeiro encontro de nossa Confraria (ainda sem nome) com esse belo Sauvignon Blanc da África do Sul, comprado no site da Importadora Ravin, por R$ 77.

O produtor é a Fairview Wine & Cheese, que elabora vinhos e queijos, daí em seu brasão e nos rótulos a homenagem às cabras, que são cerca de 800 na propriedade produzindo leite ao som de boa música. 

A vinícola elabora vinhos com sua própria marca desde 1974 e alguns des seus rótulos são marcados pelo senso de humor, como alguns que provamos nessa noite da Confraria e que serão publicados nos próximos dias. 
 
Goat = cabra. Essa homenagem rendeu rótulos divertidos, como o La Capra, Goats do Roam e Goatfather. 

Na taça o vinho tem coloração amarelo palha. Os aromas são típicos dos SB do Novo Mundo, grama cortada, ervas, aspargos e notas minerais bem evidentes. Vinho com ótima acidez, marcado por mineralidade em boca, com final mediano. Bom à mesa, especialmente com peixes e saladas. Acredito que poderá ir bem com a culinária japonesa também, em virtude de sua boa acidez. 

Não tem passagem por madeira e as uvas vêm de Darling, sub-região de Swartland, na costa Oeste do país. Para minha alegria a compra foi aprovada por todos os confrades, já que fui responsável pela seleção desse mês.

Saúde a todos!






14 outubro 2012

Boa experiência: Five Heirs Lourensford Cabernet Franc 2006


Esse vinho o Cristiano Orlandi (Vivendo Vinhos) trouxe em abril, quando o Cláudio e a Rafaela (Le Vin au Blog) também vieram. Não bebemos o vinho porque não deu tempo, mas ficou devidamente guardado na adega, climatizado e com uma etiqueta vermelha que indicava "vinho proibido", afinal, queria abri-lo na presença do amigo. Ele deixou outros dois Cabernet Franc, que serão degustados quando voltarem por aqui, pois também são proibidos. 

Pois bem. Estávamos em Catalão (GO) e levamos o vinho para o jantar no DonnAna Bistrô, lugar especial na cidade e que inaugurava naquela semana uma nova área, muito aconchegante e decoração de muito bom gosto.

É rotulado pelo produtor, a Lourensford Wine Estate, como Cabernet Franc, mas leva uma pitada de Mourvedre (10%), uva francesa que é mais comum em cortes com a Grenache e Syrah, especialmente na região do Rhône. Mas, consultando o site da vinícola, não encontrei esse vinho, o que me leva a acreditar que não seja mais produzido.

O estilo é de um vinho do Novo Mundo, ainda com muita fruta e aquele abaunilhado característico dos vinhos sul-africanos, mas com algumas notas de especiarias deixando o vinho um pouco mais complexo. Na boca tem boa estrutura, com taninos macios e acidez equilibrada, repetindo fruta e especiarias, com notas de pimenta. Final de boa persistência.

Um bom conjunto, especialmente porque já é um vinho com 6 anos, está mais dócil, com mais elegância. Embora o produtor indique no rótulo que o vinho foi feito para ser bebido logo ou guardado por 4-5 anos, ainda está em boa forma.

Não sei quanto custa atualmente, mas encontrei informações distintas, custando entre $70 e $100.

Saúde a todos!


09 julho 2012

Bom e barato: Man Vintners Chenin Blanc 2010


Depois da boa experiência com o Pinotage da Man Vintners (relembre), resolvi comprar esse branco por R$27 e o bom resultado novamente se repetiu. 

A uva Chenin Blanc é a principal da região francesa do Loire, a partir da qual são elaborados vinhos secos, espumantes e até vinhos doces de sobremesa. Na África do Sul é também conhecida como Steen e pode ter sido uma das primeiras a serem cultivadas no país, por volta de 1655.

Esse vinho não tem passagem por madeira, mas ficou em tanques de aço inox por 3 meses antes de ser engarrafado. Tem 13,5% de teor alcoólico. 

Na taça o vinho tem coloração amarelo palha, com reflexos esverdeados. Tem aromas em boa intensidade, com lembrança de frutos brancos (pêssego e abacaxi), flores brancas e algo mineral em segundo plano.

Na boca tem boa acidez, confirmando as características da uva. O final é de média persistência, muito agradável, com frutado se repetindo e destaque mineral no palato.  

Fundo de taça com discretíssimo defumado, com lembrança de ervas aromáticas. Vinho de muito equilíbrio, frescor e tipicidade. Está pronto para beber.

Saúde a todos!




25 abril 2012

Ótimo preço, pra comprar muitas garrafas: Man Vintners Pinotage 2010


No mês passado foi inaugurado o Uberlândia Shopping e fiquei sabendo que lá foi montada uma loja de vinhos, a Vinum Domo

Fomos visitar a loja e comprei esse vinho por $27,90, pois é de um produtor que ainda não conhecia e gostei do preço. Também comprei um corte de Syrah e Mourvèdre por $39,90 do mesmo produtor, mas ainda não foi aberto. 

O mais interessante da visita foi encontrar com o casal proprietário da loja, que chegou no momento em que eu bisbilhotava por lá. Com alguns minutos de conversa percebi que o espaço tem futuro, porque são pessoas simpáticas, com boas intenções e humildade para perguntar e ouvir opiniões. Gostei do espaço, com rótulos bem escolhidos, boa organização e bons preços.

Quanto a esse Pinotage, considero-o um vinho muito correto. Não é complexo nem é para ser guardado, pois está pronto para beber agora. Mas a esse preço a compra é excelente.

Na taça a coloração é púrpura, límpido. Aromas em boa intensidade. Frutos vermelhos, notas tostadas e muito chocolate. Em boca é fácil de beber, pronto, com taninos macios e acidez mediana. Final médio, repetindo intenso frutado e chocolate. Tem 14% de álcool, mas isso não se percebe em boca. Para ser bebido a uma temperatura mais baixa, na casa dos 12-13 graus.

Os Pinotage nessa faixa de preços costumam ser amadeirados demais e alcoólicos, mas esse não exagerou em nenhum dessas características.  

É elaborado pela Man Vintners com uvas da região de Paarl, localizada numa região maior conhecida como Coastal Region. Embora seja rotulado como varietal de Pinotage, tem 13% de Shiraz e 2% de Viognier (uva branca, comumente usada em tintos, especialmente na região do Rhône, na França). Uma parecela do vinho (20%) tem passagem de 6 meses por barricas de carvalho americano.  

Saúde a todos!



03 outubro 2011

Danie de Wet Chardonnay Sur Lie 2010



Lá vou eu tentar uma explicação técnica: durante o processo de fermentação do vinho, o consumo do açúcar pelas leveduras forma resíduos (borras) que normalmente são separados do líquido. Em alguns vinhos, provavelmente apenas os brancos, essa separação não ocorre e o vinho continua em contato com as borras para ganhar complexidade nos aromas e sabores, além de ter um pouco mais de corpo do que o normal. 

Esse processo é conhecido em francês como sur lie e em espanhol como sobre lias. Durante esse contato o enólogo provoca uma mexida no vinho, processo conhecido como bâttonage, com objetivo de manter todo o líquido em contato com as borras. Em alguns casos o vinho passa também por barricas, aumentando ainda mais o corpo e a complexidade aromática.

Esse Chardonnay é produzido pela De Wetshof Estate, na região de Robertson. Segundo o site da vinícola, as uvas são fermentadas em tanque e deixadas alguns meses em contato com as borras, com battonages semanais. Importante: não é maturado em madeira.

Vamos ao que interessa: vinho de coloração amarelo palha. Bons aromas, frutos tropicais, abacaxi em calda, maracujá, presença amanteigada. Na boca tem personalidade, boa complexidade e bom corpo para um Chardonnay. Apesar da fermentação na presença das borras, tem acidez marcante. Presença muito clara de frutos de polpa branca, amanteigado, lembrança das leveduras e final de boa persistência. Álcool a 14,5% deixou o vinho com certa potência. Com comida melhorou ainda mais, acompanhando uma massa com camarões. 

Pronto para beber, apesar da projeção da vinícola de guarda por até 4 anos. Compra muito boa a $45.

Saúde a todos!