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17 abril 2014

Um vinho brasileiro de respeito, sem madeira: Angheben Touriga Nacional 2008

Ótimo exemplar de vinho brasileiro com a uva emblemática de Portugal.

Sempre gostei dos vinhos da Angheben e desde 2007 eles aparecem por aqui. Infelizmente, bebo com menos regularidade que gostaria, pois só faço compras quando vou ao Vale dos Vinhedos. O frete de seu distribuidor me desanima. 

Mas, no último dia 3 de abril estivemos em Bento Gonçalves para participarmos da Wine Run (relembre) e o primeiro almoço em terras gaúchas foi na cantina Canta Maria, um dos restaurantes obrigatórios da cidade. Acompanhou muito bem o almoço "típico italiano", com o galeto incrível, polentas e massas. 

Na taça o vinho tem cor rubi. É brilhante, com lágrimas finas. Aromas muito intensos desde o início, lembrança floral muito clara, principalmente lírio e violeta. Depois de um tempo em taça essas notas se dissiparam e a boa fruta também apareceu para se aliar ao floral.

Na boca tem corpo médio, taninos macios e ótima acidez. Final longo, chamando para mais um gole. É bem gastronômico e acompanhou muito bem o almoço.  Tem 13% de álcool, sem incomodar em nenhum momento.

Está ótimo agora aos 6 anos de idade, mas ainda tem estrada pela frente. Um ótimo exemplar brasileiro sem passagem por madeira. 

*** Do mesmo produtor bebemos o espumante brut, no almoço do dia 5 de abril. Gostamos muito também, mas não tomei notas nem tenho fotos, infelizmente. Mas, fica a dica.


Detalhes da compra:

Esse vinho está esgotado no site de seu distribuidor nacional, mas pode ser encontrado na faixa dos R$45-50 em lojas físicas e virtuais do Rio Grande do Sul. No restaurante pagamos R$58 e foi uma ótima escolha.  

Saúde a todos!



22 agosto 2011

Angheben Teroldego 2005


Sou fã dos vinhos da Vinícola Angheben. Então, não preciso falar muito sobre isso. Já comentei aqui outros cinco vinhos desse produtor, basta ver no menu "Vinhos Brasileiros", à direita.

Esse vinho é elaborado com a variedade Teroldego, uma uva autóctone do Trentino, norte da Itália, onde e utilizada para elaborar o mais popular dos vinhos tintos da região. Foram produzidas apenas 2.300 garrafas, com passagem de 50% do líquido por barricas de carvalho (6 meses).

Vinho de um rubi profundo, denso, pouca transparência. Lágrimas lentas. Aromas em boa intensidade, um pouco fechados no início. Frutos maduros, ameixa, fundo de especiarias e chocolate amargo. Na boca o corpo é mediano. Taninos já macios e elegantes, acidez gastronômica. Um bom conjunto. O final de boca é mediano, com fruta e tostado elegante. Discretas notas vegetais. Leve álcool aparecendo (13,2% de teor).

Vinho muito correto, equilibrado e gastronômico. Uma aeração lhe cairá bem, porque evolui bastante depois de servido. Já bebi esse vinho em outras ocasiões e acredito que esteja num ótimo momento para consumo. É o vinho mais caro da vinícola (R$ 50), mas é uma boa compra, até mesmo para conhecer essa uva tão rara na América do Sul.
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21 novembro 2010

Angheben Cabernet Sauvignon 2006

Conheço todos os produtos da Angheben e comentei alguns aqui. A essa altura do blog já não preciso mais dizer o quanto gosto desses vinhos e respeito o produtor. Então vamos direto ao ponto.

Esse cabernet sauvignon apresentou coloração rubi. Límpido e com boa transparência.

Aromas em boa intensidade, dominados por vegetal e frutos vermelhos em segundo plano. Pouco corpo. Seco, com taninos levemente rascantes e boa acidez.
Final ligeiro, com frutado de leve. Boca seca e leve tostado. Vinho ainda muito jovem, com boa expectativa de evolução. Tem tipicidade brasileira e vocação para acompanhar comida. Elaborado com uvas de Encruzilhada do Sul, me pareceu o tinto mais simples da Angheben, o que não diminui sua qualidade.
Álcool a 12,1% de teor, sem incomodar. Excelente preço (menos de $30).

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29 dezembro 2009

Angheben Barbera 2008

Sou fã declarado dos vinhos da Angheben e sempre que vamos ao Vale dos Vinhedos passamos por lá. Da última vez minha esposa e eu fomos muito bem atendidos pela Sônia. Embora os vinhos estivessem gelados, pois a temperatura estava abaixo dos 10ºC, a degustação foi muito interessante e esse Barbera agradou muito, revelando-se superior ao 2006 já comentado aqui (relembre).
Foram produzidas pouco mais de 2.000 garrafas (abri a de número 2.111), sem passagem por madeira, segundo informações do distribuidor.
Na taça uma bonita coloração rubi, com bons aromas. Vegetal dominando de início, com presença de frutos delicados e maduros. Algo animal (couro) em momentos de temperatura mais alta.
Vinho leve, com taninos macios. Elegante e seco. Frutado discreto, com bom equilíbrio e acidez refrescante. Retro-olfato com notas frutadas e alguma mineralidade. Final de boa intensidade, com boa fruta e álcool sem incomodar em nenhum momento (13%).
Vinho que deve ser conhecido, com estilo próprio e marcante. Sem passagem por madeira, deve ser bebido jovem e está pronto para consumo. Estilo "velho mundo", mantendo as características desta uva piemontesa. Pede comida!

23 maio 2009

Angheben Pinot Noir 2008

É preciso coragem para produzir um Pinot Noir no Brasil. Mais coragem ainda (e talvez uma parcela de "maluquice") é preciso para colocar no mercado um Pinot Noir sem passagem por madeira, exibindo apenas as características da uva e do terroir. Somente por isso este vinho da Angheben já mereceria destaque especial, mas ao bebê-lo e experimentar toda sua delicadeza e elegância, fiquei muito satisfeito.
Aviso: não é um vinho de aromas exuberantes e grande estrutura, como a maioria dos sul-americanos desta uva. Está mais próximo de um vinho da Nova Zelândia e de um Borgonha mais simples (porque não?), mas com o CEP de Encruzilhada do Sul, na Serra do Sudeste.
Na taça um rubi brilhante e de boa transparência. Lacrimoso. Aromas delicados, frutos silvestres (framboesa e morangos) e leves notas de especiarias. Vinho leve, com acidez moderada e retro-olfato repetindo frutado do nariz e algo vegetal. Final mediano, com leve aspereza e álcool equilibrado (12,7%), dando certa estrutura ao vinho. Prevalência final de um gostoso e elegante frutado.
Vinho melhor em boca do que nos aromas. Por ser a primeira safra deste vinho, deve melhorar ainda mais nos próximos anos, embora tenha notícia de que em 2009 os Angheben resolveram não produzir vinhos. Incrível isso, não?
Foram elaboradas 5.152 garrafas deste vinho. Abri a de nº 2.849.

04 fevereiro 2009

Angheben Touriga Nacional 2005

Estive na Vinícola Angheben em outubro e gostei muito do que vi. A casa possui vinhedos em Encruzilhada do Sul, na Serra do Sudeste, mas sua cantina está no Vale dos Vinhedos. Os produtos são bem cuidados e têm ótima apresentação visual. O rótulo da foto está estragado porque na viagem de volta a companhia aérea quebrou duas garrafas, manchando várias outras.
Este vinho tem produção limitada (6700 garrafas), sendo um excelente exemplar de Touriga Nacional cultivada em solo brasileiro. Um vinho muito bem feito, que vale conhecer e com boa relação qualidade x preço (R$36, no varejo da vinícola).
Na taça apresentou coloração rubi, muito brilhante e com boa transparência, formando lágrimas lentas e grossas. Ainda um pouco acima da temperatura ideal, apresentou aromas iniciais a ervas e temperos. Com agitação na taça surgiram notas frutadas (frutos vermelhos delicados) e discreto floral (violetas).
De pouco corpo, é um vinho leve, com taninos doces, embora com alguma aspereza. Tem baixa acidez e retro-olfato frutado. Redondo em boca. Final mediano, com leve presença dos taninos e gostoso frutado, com algumas notas florais e de especiarias.
Vinho mais delicado do que potente. Muito elegante e equilibrado. Aliás, os vinhos desta vinícola se mostram muito bem feitos e elegantes. Na visita provei o Barbera 2007 e o Teroldego 2005, outros dois produtos que valem a pena conferir.

13 dezembro 2007

Angheben Barbera 2006

A Vinícola Angheben, fundada em 1999, é daquelas que deixam curioso qualquer amante do vinho. Produz vinhos diferentes, com castas pouco usuais no Brasil, como touriga nacional, barbera e teroldego. A primeira de origem portuguesa e as duas outras italianas. Seus produtos são bem cuidados: rótulo simples e marcante, garrafas e rolhas de boa qualidade, produção limitada. Recentemente caiu nas graças de enófilos, como Renato Machado e Ed Motta, especialmente pelo seu touriga.
Comprei este barbera em setembro, na Canta Maria, cantina de Bento Gonçalves, pagando R$27. Estava bastante curioso, mas o resultado não foi o esperado. Apesar de ter degustado o vinho sabendo que suas características são muito mais européias do que sul-americanas, não agradou tanto quanto esperava.
No copo, coloração púrpura, com boa formação de lágrimas. Vinho jovem ainda. Aromas de frutas e ervas, bastante tímidos. Madeira discreta. Pouco corpo, mais ácido do que tânico (uma característica da casta) e um certo "azedo", lembrando frutas de cerrado. Madeira bem integrada. A acidez lhe dá uma refrescância incomum nos tintos. Álcool a 12%.
Vinho rústico, sem notas doces. Final médio, com frutado discreto e madeira no palato.
Como disse, vinho que foge à "padronização" que temos visto nos vinhos sul-americanos. Vinho tipicamente italiano, o que significa que não deve ser bebido sem comida.
Os que comigo degustaram o vinho observaram que o vinho não seduziu, não deu vontade de abrir outra garrafa. Uma pena!