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28 outubro 2018

Tem meu respeito :: Alto de La Ballena Tannat Merlot Cabernet Franc 2013


País: Uruguai
Região: Maldonado
Uvas: 50% Tannat, 35% Merlot e 15% Cabernet Franc
Maturação: apenas a Tannat envelheceu 9 meses em barricas de carvalho americano de 2° e 3° uso
Álcool: 13,9%


Essa vinícola está entre minhas preferidas no Uruguai. Não me lembro de ter provado algum vinho deles que não me agradasse bastante. 

Esse é um corte que provavelmente é feito com objetivo de dar mais elegância à Tannat e tirar dela um pouco de potência, embora já não se encontre mais aqueles vinhos dessa uva extremamente tânicos como em outros tempos. 

Na taça uma bonita coloração rubi. Com cinco anos de idade parece ter perdido levemente a intensidade de cores. Aromas de frutos maduros e um toque achocolatado. Na boca é muito macio, com taninos dóceis e boa acidez. Frutas maduras, tabaco e alguma especiaria. Notas lácteas dão uma sensação de maciez muito interessante. 

Final mediano. Agradável demais, fácil de beber. Creio já estar na linha descendente de sua evolução, mas ainda não apareceram as notas terciárias. Bom corte dessas três tintas! 

Fará boa companhia para queijos curados, massas com molho de tomate e, claro, carnes vermelhas. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Winebrands, que o vende em sua loja virtual por R$97. 

Saúde a todos!



07 julho 2018

Frescor e elegância :: Braccobosca Ombú Sauvignon Blanc 2016


País: Uruguai
Região: Atlantida
Produtor: Braccobosca
Uvas: Sauvignon Blanc
Maturação: sem passagem por madeira
Álcool: 13%

Consigo me lembrar a primeira vez que provei um Sauvignon Blanc uruguaio: foi em um restaurante em Ilhabela e a lembrança que guardo é a de um vinho mais elegante, menos intenso nos aromas e sabores que os vizinhos chilenos, por exemplo. Lembro de ter gostado do equilíbrio. 

Ao provar esse vinho de hoje voltei alguns anos no tempo. 

Na taça tem coloração amarelo palha, com reflexos esverdeados. Nos aromas é fresco, com notas florais e minerais. Cheguei a anotar no Vivino: "um branco menos vegetal que os chilenos, tão mineral quanto alguns argentinos".

Em boca muito equilíbrio, encontrando frutos brancos, notas cítricas e nuances minerais. Boa acidez. Vinho puxando para a maciez, sem deixar de lado o frescor. Final de boa persistência, com algo vegetal e lembrança mineral no palato. 

Gostei mais desse que dos tintos provados da mesma linha. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Domno do Brasil, que o vende em sua loja virtual por R$ 96.

Saúde a todos!






01 janeiro 2017

Para começar o ano em grande estilo :: Ombú Reserve Petit Verdot 2016 #CBE


O primeiro vinho do ano é para a Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE, nossa brincadeira virtual que em fevereiro completará 10 anos de atividades. A primeira e única confraria brasileira nesse formato e que tive o prazer de fundar, juntamente com outros blogueiros naquele distante ano, quando ainda éramos pouquíssimos blogueiros. 

O tema foi indicado pelo confrade Victor Beltrami, do blog Balaio do Victor, que assim pediu a todos: "um vinho de um país que nunca provamos, branco ou tinto, e se possível propormos uma harmonização". 

Bom... o tema é realmente desafiador, mas devo de início pedir desculpas ao confrade, porque não consegui um vinho de um país que ainda não tenha sido provado. Afinal, já foram muitos países e em minha região não é tão fácil encontrar vinhos assim tão diferentes. 

Então, proponho - espero que aceitem - adaptar o tema para o seguinte: um país que eu gostaria de provar mais e uma uva que igualmente eu gostaria de provar mais vezes. Assim, escolhi um tinto do Uruguai com a uva Petit Verdot. Espero ser absolvido, Victor!

O vinho é elaborado pela Bracco Bosca, jovem vinícola fundada em 2005, mas possui vinhedos que são da família há 5 gerações. Originários do Piemonte (Itália), se instalaram na região de Atlántida para continuar a tradição do vinho.

Na taça o vinho apresentou coloração púrpura, bem jovem, límpido e brilhante. Aromas de boa complexidade, com frutas vermelhas e negras, flores, especiarias e notas lembrando couro. Boa concentração, corpo mediano, muito fácil de beber. Boa fruta, mineralidade, taninos macios e acidez marcante.

Final boa persistência. Harmônico, presença discreta da madeira. Aproxima-se mais de um vinho do Velho Mundo. Tem 13,8% de álcool e metade do vinho passou 5 meses por barricas de carvalho, ganhando harmonia, mas sem que a madeira interfira de maneira intensa no resultado final.



Ombú é uma árvore nativa do Uruguai e que também está presente na região da vinícola. Segundo uma história local, os antigos proprietários das terras da vinícola tinham o costume de guardar suas riquezas sob a árvore Ombú. Com o passar dos anos, a árvore acabou sendo atingida por um raio e perdeu suas folhas. Com o surgimento da vinícola, a árvore ganhou vida novamente, trazendo um significado para a Bracco Bosca de que seus vinhedos são a sua maior riqueza.


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Domno e vendido em sua loja virtual por R$ 135 para clientes de Minas Gerais. 

* Esse é o 124º vinho comentado para a Confraria Brasileira de Enoblogs. 

Saúde a todos!



01 julho 2016

Um tinto encorpado para o inverno :: Pedregal Roble Tannat 2015 #CBE


Hoje é dia de escrever sobre o vinho escolhido para nossa Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE, que dessa vez teve a experiência do confrade Luiz Cola no comando: "um tinto 'encorpado' de inverno com preço até R$100". 

Confesso que não foi difícil encontrar opções, mas acabei buscando algo que há muito tempo não aparecia por aqui, um Tannat Uruguaio. Então, considerando a faixa de preços interessante desse aqui, não tive dúvidas. 

É elaborado na região de Canelones pela Antigua Bodega Stagnari, cuja história começa em 1910. Tem passagem de 6 meses por barricas de carvalho americano e tem 13,5% de álcool.

Na taça a coloração é púrpura, denotando jovialidade. Aromas em boa intensidade, frutos silvestres, frutos escuros, um tostado elegante da madeira, chocolate e pimenta. Bom conjunto. Na boca é seco (sem notas adocicadas) e encorpado, com taninos poderosos e ótima acidez. Vinho gastronômico. Frutos silvestres se destacam. 

Final de boa persistência, com frutos e madeira bem integrados. A acidez e os taninos causam a sensação de "mais um gole", pedindo um prato mais potente para acompanhar toda essa exuberância. 

Vinho ainda jovem, mas que parece não ter sido feito para grande guarda. Para aproveitar todos esses predicados acredito que deve ser consumido até 2019 (4 anos). O importador sugere consumir o vinho com queijos maduros e carnes grelhadas, mas no dia em que foi aberto aqui em casa acompanhou um belo hambúrguer e foi uma ótima experiência.  


Detalhes da compra

O vinho é importado pela Mercovino e comprei aqui em Uberlândia pagando R$73. 

* Esse é o 118º vinho que comento para nossa gloriosa Confraria, primeira e única no Brasil, em atividade desde 2007.  

Saúde a todos!




24 abril 2016

Com a Tannat também se faz vinho de sobremesa: Alcyone Reserve 2007

Foto: Instagram @vinhoparatodos

Quando estivemos no Uruguai, em 2013, não visitamos tantas vinícolas quanto gostaríamos, mas uma de nossas visitas foi bem especial, pois fomos muito bem recebidos na Viñedo de Los Vientos, numa tarde gelada, pelos simpáticos proprietários da bodega.

Um dos vinhos que compramos foi esse de sobremesa, que ficou guardado na adega por todos esses anos, esperando uma boa ocasião para ser aberto. 

É um 100% Tannat que passou 12 meses por barricas de carvalho francês e tem 17% de teor alcoólico. 

Na taça tem coloração rubi, bem profundo. Bastante aromático e complexo, com notas de chocolate, tabaco, café, caramelo e frutos negros bem maduros. Na boca é macio, aveludado, untuoso. A sensação mais marcante é o alto dulçor, mas com boa acidez que deixa o vinho mais harmônico. Boa complexidade em boca, repetindo as sensações olfativas. Final longo, prazeroso, com álcool sem incomodar. 

Em razão do dulçor bem intenso do vinho, parece que as sobremesas menos doces serão mais indicadas nas harmonizações. Fiz alguns testes com chocolates e o que se saiu melhor foi o amargo, porque o contraste foi mais interessante. Um meio-amargo ou um chocolate ao leite deixam tudo bem doce e menos interessante. Também acredito que as tortas com frutos secos, castanhas e amêndoas cairão bem.  


Detalhes da compra:

Essa garrafa eu comprei na própria vinícola, mas a Wine importa o outro vinho de sobremesa da vinícola, pelo que posso concluir que esse aqui seria vendido no Brasil a um preço superior, talvez abaixo dos R$ 100. 

Saúde a todos!



01 março 2016

Para você que procura uma boa companhia para o churrasco: Garzón Tannat 2013 #CBE


O desafio de provar um vinho mensalmente para nossa Confraria Brasileira de Enoblogs, primeira e única virtual do país, é um dos momentos mais especiais para mim, porque a comunhão entre as dezenas de blogs participantes é algo muito gratificante. Por isso, antes de mais nada, ergo um brinde à CBE, desejando que ela seja duradoura e continue ajudando aos leitores na escolha de seus vinhos. 

O tema desse mês de março veio do Recife, com a escolha feita pelo casal Maykel e Anna, do blog Vinho por 2: "Tannat uruguaio, em qualquer faixa de preços". Devo confessar que é um prazer procurar por vinhos uruguaios para o blog, porque aquele país é encantador e seus vinhos me agradam bastante. 

Esse Tannat é elaborado pela Bodega Garzón, cujo projeto capitaneado pelo casal Betina e Alejandro Bulgheroni teve início em 1999 que consideraram o lugar a sua "pequena Toscana no Uruguai". A construção da bodega de 19 mil metros quadrados levou em conta princípios ecologicamente corretos, como a menor utilização de energia elétrica, captação natural da água da chuva, restauração da biodiversidade etc, possuindo certificações internacionais nesse sentido. 

O vinho pertence à linha de Varietais da vinícola, que também tem vinhos Reserva. É um 100% Tannat, com passagem de 9 meses por barricas de carvalho francês. Tem 14,5% de álcool. 

Na taça tem coloração rubi, lacrimoso. Na taça aromas em boa intensidade, lembrando o carvalho, chocolate, café e muita fruta madura, como ameixa. Depois de um tempo aberto a complexidade aumentou, com o surgimento de notas de especiarias e geleia. 

Na boca tem corpo médio, taninos já macios, boa acidez e muita fruta madura se repetindo. Está entre os Tannat mais "parrudos" do Uruguai e aqueles com  notas doces que acabam sendo enjoativos. Esse é um meio-seco, segundo a legislação brasileira (informação do contra-rótulo), mas ao acompanhar carnes vermelhas assadas se mostrou um bom par. 

Final persistente, repetindo as sensações em boca, muita fruta e presença amadeirada, mas em bom equilíbrio. 

Enfim, um vinho muito fácil de beber, macio, sem desequilíbrios e mesmo sendo um demi-sèc (tem em torno de 3,5 gramas de açúcar por litro) passa longe de ser enjoativo e está pronto para beber agora.  


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela World Wine, que o vende em sua loja virtual por R$ 89. 

* Esse é o 114º vinho que comento para a Confraria Brasileira de Enoblogs, primeira e única!

Saúde a todos!



23 março 2015

Para acompanhar seu melhor churrasco: De Lucca Reserva Cabernet Sauvignon 2009 #CBE


O tema de março da nossa Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE (que deveria ter sido publicado aqui no primeiro dia do mês) foi determinado pelo Victor Beltrami, do blog Balaio do Victor e foi bem interessante: "um vinho varietal tinto ou branco do Uruguai qualquer, menos Tannat."

Infelizmente não consegui encontrar um vinho tão interessante quanto o tema proposto, porque aqui em Uberlândia a oferta de vinhos uruguaios não é grande e o fato de excluir os Tannat já deixou tudo mais difícil. Então, apostei nesse Cabernet Sauvignon já com seis anos de idade, mas que no final das contas não se saiu tão mal. 

É elaborado pela Bodega De Lucca na região de El Colorado, departamento de Canelones. A vinícola tem capacidade para produção 500.000 litros anuais e cerca de 60 hectares de vinhedos próprios. O vinho é rotulado como VCP (Vino de Calidad Preferente), que indica uma produção dentro de certos parâmetros para a região, embora não signifique automaticamente tratar-se de um ótimo vinho. 

O enólogo Reinaldo De Lucca é representante da segunda geração da família a produzir vinhos no Uruguai. Sua origem é o Piemonte, de onde chegaram no início do século XX e estabeleceram os primeiros vinhedos na região. Aprimorou-se com graduações nas universidades de Montevidéu (Uruguai), Penn State University (EUA) e Montpellier (França). 

Esse Cabernet Sauvignon tem 13% de álcool. Na taça a coloração é rubi, com levíssima indicação de evolução nas bordas. Aromas intensos, com muita fruta vermelha, leve tostado, pimenta e algumas notas lembrando geleia, o que pode ser fruto de sua evolução na garrafa. 

Na boca tem bom corpo, taninos ainda rascantes e ótima acidez. Esperava um vinho já mais amaciado pelo tempo, mas ainda demonstra ter estrutura para guarda. Mas, a fruta muito madura e a geleia podem indicar que o vinho esteja, agora, num ponto de equilíbrio que não compense esperar mais para abri-lo. Sabe aquele vinho que pode perder muita fruta se você ficar esperando que seus taninos fiquem mais dóceis? Pois esse é um exemplo. Portanto, me parece estar ótimo para beber agora.

A passagem de 12 meses por barricas de carvalho contribuíram para uma boa complexidade. É um vinho de um estilo mais rústico, que gosto bastante, muito comum em vinhos uruguaios e que, obviamente, pedem um bom pedaço de carne vermelha para acompanhar, se possível os cortes sensacionais de nosso vizinho do sul. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Premium Wines, de Belo Horizonte. Não me lembro quanto paguei pela garrafa, pois já está na adega há algum tempo, mas foi algo em torno dos R$65. 

* Esse é o 103º vinho que comento para a CBE, primeira e única confraria virtual brasileira. 

Saúde a todos!     



19 janeiro 2015

Rosé barato, refrescante e muito bem feito: Vieja Parcela Cabernet Franc Rosé 2014


No início desse ano passamos alguns dias no litoral catarinense, nosso refúgio predileto há muitos verões. Como estava muito calor fizemos um compromisso logo na primeira parada: comprar vinhos no supermercado, brancos e rosés, para serem bebidos em nossas recém adquiridas taças de plástico. Não que isso seja depreciativo, mas queríamos vinhos descontraídos e uma taça igualmente alegre ajudaria na busca de boas dicas.  

Hoje publico nossa terceira boa compra.

Na busca pelas prateleiras do supermercado encontrei esse rosé do Uruguai e, sinceramente, não me lembro a última vez que bebi um vinho desses de nosso vizinho. Gosto de vinhos uruguaios, portanto, não pensei duas vezes em comprá-lo para nossa experiência com as taças de plástico.

É elaborado pela Bodegas Castillo Viejo, com uvas de seus vinhedos na região de San José, bem próximos à localidade Villa Rodriguez, distante cerca de 85 km a noroeste da capital Montevidéu. Em rápida busca pelo site da vinícola não encontrei esse rosé em sua linha Vieja Parcela, que conta apenas com dois tintos, um cabernet franc e um tannat. Infelizmente, algumas vinícolas do Uruguai não atualizam seus sites com a frequência esperada, talvez por isso o vinho não esteja por lá.  

Na taça tem uma coloração rosa com reflexos alaranjados. Uma cor menos avermelhada que os dois rosés publicados anteriormente. Talvez (estou especulando) o enólogo tenha preferido uma menor extração de cor, mantendo o mosto em contato com as cascas da uva por menos tempo.

No nariz os aromas são tímidos, frutos vermelhos silvestres e uma intrigante lembrança de pêssego e banana. Na boca tem boa acidez e a fruta aparece mais. Notas levemente adocicadas, mas está longe de ser meio-seco. Talvez essa complexidade tenha vindo da permanência em pipas de carvalho americano por 6 meses.

Final de boa persistência, dando vontade de mais um gole por conta da boa acidez. Simples e refrescante, sem qualquer desequilíbrio ou defeito. Tem 12% de álcool e dos rosés experimentados em nossa busca foi o mais interessante sob o ponto de vista da complexidade, sendo o mais barato de todos.


Detalhes da compra

Comprei esse vinho no supermercado Angeloni, em Florianópolis, pagando R$17,90. Ao que parece a rede de supermercados é importadora/distribuidora do vinho no Brasil. 

Saúde a todos!




15 dezembro 2014

Excelente compra por menos de $40: Don Pascual Reserve Pinot Noir 2013


Fico bem feliz quando a compra de um vinho barato é tão surpreendente como esta. Sei que atualmente é difícil você comprar um vinho ruim, no sentido de "mal feito", porque na maioria das compras que consideramos negativas o problema é que o vinho não agrada nosso gosto pessoal. Até já escrevi sobre isso aqui (relembre). 

Mas, esse Pinot Noir do vizinho Uruguai além de bem feito e com predicados interessantes caiu muito bem no que consideramos aqui em casa um Pinot prazeroso - não necessariamente complexo e enigmático como alguns sempre esperam de um vinho com essa uva - que nos deixou com um sorriso fácil no rosto. 

Esse vinho é elaborado pela bodega Establecimiento Juanicó, na região de Canelones. A vinícola é comandada pela Família Deicas, que adquiriu a propriedade em 1979. Consta que foram os primeiros a elaborarem um grande vinho de guarda, chamado Preludio, elaborado em 1992 com cinco variedades e com passagem de dois anos por barricas francesas. Em 1994 foi responsável por exportar o primeiro container completo de vinhos uruguaios, com destino a Londres. Outros feitos você pode conferir no site da vinícola (clique aqui).

A vinícola está distantes cerca de 45 km da capital, Montevidéu. Fonte: Google Maps.

Na taça coloração grená, translúcido. Aromas de média intensidade, mas de qualidade. Frutos silvestres delicados, tostado elegante, tudo delicado e harmônico. Em boca tem corpo médio, um tanto mais encorpado para um Pinot, mas a boa fruta silvestre, notas mentoladas, algo terroso e o tostado da madeira formam um bom conjunto. Taninos aveludados e acidez mediana. Final longo, com fruta e madeira bem integrados. Surpreendente pela elegância e delicadeza, sem exageros. 

Talvez porque apenas 35% do vinho passaram por madeira ele fica longe dos Pinot amadeirados ao extremo que encontramos por aí. Ótima compra, que infelizmente não poderei repetir porque acho que comprei a última garrafa no site!     


Detalhes da compra

O vinho é importado pela Interfood, mas essa garrafa foi comprada por R$ 32,30, na condição de associado ao Clube Wine.

Saúde a todos!



30 outubro 2014

Finalmente provei o famoso uruguaio Abraxas Tannat 2007


Esse vinho ficou guardado aqui em casa por mais de dois anos, esperando o momento ideal para ser aberto. Minha ideia era deixá-lo na adega climatizada até 2017, apenas pela curiosidade de experimentar um 100% Tannat do Uruguai aos dez anos de idade. 

Mas, depois de ler o post do amigo Cristiano Orlandi, que já degustou o vinho em várias ocasiões (leia aqui), resolvi abri-lo para aproveitar seu potencial. Assim, foi degustado em setembro na companhia de amigos especiais. 

O vinho é elaborado pela Bodega Dominio Cassis, localizada no Depto. de Rocha, distante 200 km a leste da capital Montevidéu. Os vinhedos estão a 10 km do Oceano Atlântico e, obviamente, sofrem influência desse clima oceânico. O início das atividades ocorreu em 1999 com o plantio dos primeiros vinhedos. 

No site da vinícola - que é bem modesto, diga-se de passagem - não há informações sobre esse vinho da safra 2007. Mas, levando em consideração que a safra anterior (2002) passou 18 meses por barricas novas de carvalho francês, podemos concluir que esse vinho comentado tenha passado um tempo também considerável. 


Na taça a coloração é rubi. Bons aromas, frutos vermelhos, frutos negros e chocolate. Na boca tem corpo mediano, com taninos finos, levemente rascantes ainda, mas com acidez discreta. Me causou surpresa uma acidez tão discreta, o que não é muito comum em vinhos uruguaios. Em boca a boa fruta foi acompanhada de notas florais, especialmente lírios. Final mediano, com floral no palato. 

O vinho é elegante. Definitivamente não é daqueles Tannat indomáveis que lemos nos livros sobre vinhos. Está no momento certo para ser aberto (safra 2007), mas esperava mais complexidade e vocação gastronômica. Foi bem com as carnes de churrasco que servimos. Gostei do vinho, mas esperava bem mais. 


Detalhes da compra:

Não é fácil encontrar o vinho, acredito que esteja esgotado na maioria das lojas virtuais, mas sua faixa de preços está entre R$110-130.  

Saúde a todos!



03 junho 2014

O Uruguai não vive só de Tannat. Experimentamos o ótimo Alto de la Ballena Reserva Cabernet Franc 2008


Ganhei esse vinho do casal de amigos Eurico Jr. e Vanessa, que compraram a garrafa quando estiveram no Uruguai em janeiro. Guardei o vinho para abrir com um amigo que gostasse de vinhos uruguaios e especialmente da Cabernet Franc. O primeiro que veio e preencheu os requisitos foi o Cristiano Orlandi, do Vivendo Vinhos, apreciador de carnes e de vinhos que com elas harmonizam. 

O produtor desse vinho é a Alto de la Ballena, bodega fundada em 1998 e localizada próxima a Punta del Este, famosa cidade turística do país. Seus vinhedos estão plantados em oito hectares nas encostas da Sierra de la Ballena, onde cultivam as variedades Merlot, Tannat, Cabernet Franc, Syrah e Viognier. A vinícola tem capacidade para elaborar 60.000 garrafas/ano.

Vale a pena ler a matéria que o amigo Orestes de Andrade Jr. publicou recentemente sobre a bodega (clique aqui).     

Esse vinho tem passagem de 12 meses por barricas francesas e teor alcoólico de 14%.

Na taça a coloração é rubi. Tem bons aromas, com madeira e fruta em igual intensidade, frutos negros, algo floral (violeta) e tabaco. 

Corpo mediano, taninos macios e elegantes. Boa acidez. Em boca novamente a fruta e a madeira disputam lugar, mas sem exageros que possam deixar o vinho com algum excesso. É muito gastronômico. Final de boa persistência, com palato marcado por elegante tostado. Boca salivando!

Bastante equilíbrio, elegância e está proto para beber agora, com 6 anos de idade. É daqueles vinhos que você lamenta ter apenas uma garrafa ou que ela tenha apenas 750 ml.


Detalhes da compra:

Como disse, esse vinho foi um presente dos amigos, mas é importado pela La Charbonnade, sediada em Canela (RS). Não tenho informações sobre o preço atual, mas comparando com outras safras e produtos da vinícola, acredito que esteja numa faixa entre R$80-100. Se alguém souber o preço exato, por favor me corrija. 

Saúde a todos!



09 maio 2014

Mais um ótimo vinho uruguaio aqui no blog: Eolo Tannat Gran Reserva 2008

Foto: Marcel Gussoni (www.saborsonoro.com.br)

Gosto dos vinhos da Viñedo de Los Vientos, vinícola uruguaia fundada em 1947 em Atlântida, região de Canelones, onde estivemos em março do ano passado. Essa garrafa veio de lá, comprada depois de uma degustação comandada pelo enólogo Pablo Fallabrino e por sua esposa Mariana Cerutti, que nos receberam gentilmente numa tarde bem fria. 

Embora rotulado como Tannat, esse vinho contém 15% de Ruby Cabernet e passa 36 meses em barricas novas de carvalho francês de média tostagem. Tem 14% de teor alcoólico. 

Na taça uma coloração rubi, com muitas lágrimas. No nariz aromas intensos de frutos vermelhos, menta e a presença marcante da madeira, com notas lembrando cedro. 

Um vinho ainda jovem em boca. Tem bom corpo, a madeira está presente, mas acompanhada de muita fruta (ameixa), um refrescante mentolado. Taninos que ainda vão ficar mais macios e boa acidez. Tem estrutura e caráter gastronômico. Final de média persistência, repetindo as sensações sentidas no nariz e na boca. 

Ainda está bem jovem e deve evoluir nos próximos anos. Se tivesse outra garrafa só abriria daqui 2-3 anos, porque certamente ganhará em equilíbrio, complexidade e estará mais elegante. 


Detalhes da compra:

Como disse acima, comprei esse vinho no varejo da própria vinícola, em Atlântida. O importador para o Brasil é a Wine, que ainda não traz esse vinho. Acredito que se estivesse à venda estaria entre R$70-80, comparando com os outros disponíveis no site. Boa compra!

Saúde a todos!



17 fevereiro 2014

Provamos o premiado Dayman Tannat 2010, mais um belo vinho uruguaio


Quando o calor deu uma trégua nesse mês de fevereiro resolvemos abrir esse Tannat que estava há meses na adega, apostando que cairia muito bem com carnes do churrasco e com uma carne de panela que a Érika fez. Uma aposta que deu certo!

O vinho é um 100% Tannat elaborado pela H. Stagnari, bodega familiar do Uruguai distante cerca de 20 km do centro de Montevidéu, na cidade de La Paz, no departamento de Canelones. Em seu site a vinícola se orgulha de ter sido premiada com o título de "melhor vinho tinto do mundo" e de ter o "Tannat mais premiado do mundo".

Quando estivemos no Uruguai, em maio do ano passado, provamos outro Tannat "medalhado" da vinícola em um almoço no restaurante Garcia, em Montevidéu. Na ocasião minha impressão é de que a bodega aposta em vinhos mais adocicados, um perfil de Tannat diferente do que imaginamos quando pensamos nessa uva. O estilo não me agrada tanto, mas é uma questão de gosto pessoal, porque o vinho é muito bem feito. 

O vinho de hoje tem esse nome, Dayman, em homenagem ao afluente que desagua no rio Uruguai, na divisa com a Argentina, fazendo a fronteira natural entre os departamentos de Salto e Paysandú, no noroeste do país. Sua produção é limitada, sendo elaborado apenas nas safras que o enólogo considera ótimas.
 
Na taça tem coloração púrpura, bastante denso e com lágrimas finas. É bem aromático, com destaque para frutos negros, algo lembrado chá preto e notas vegetais. Bom corpo, com grande acidez e taninos finos, com algumas notas adocicadas, mas que não deixaram o vinho enjoativo. Muita fruta, com madeira dando recado, mas sem excessos porque já está bem integrada ao conjunto. Final longo.

É um vinho que passa de 12 a 15 meses por barricas de carvalho americano, mas isso deu elegância, sem exageros. Seu teor alcoólico (14,5%) deixa o vinho mais indicado para quem gosta de potência, no estilo Novo Mundo.

Está num ótimo momento para consumo, mas pode evoluir pelos próximos 2 anos sem qualquer problema, desde que bem armazenado. Ganhará complexidade, imagino.   


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela Cantu e vendido em lojas virtuais na faixa dos R$120. Essa garrafa foi enviada ao blog pela assessoria de imprensa da importadora, para avaliação.

Saúde a todos!


12 dezembro 2013

Mais um vinho branco uruguaio de respeito: Viñedo de Los Vientos Estival 2011

Segundo os dicionários, "estival" é uma expressão que significa "o que é próprio do verão".

Quando estivemos na Viñedo de Los Vientos, em março desse ano, comprei alguns vinhos que não haviam chegado ao Brasil. Algumas safras mais antigas de tintos e esse branco, que de imediato me chamou a atenção pelo corte inusitado, reunindo uvas aromáticas e a "rainha" das uvas brancas: 60% Gewürztraminer, 30% Chardonnay e 10% Moscato Bianco.

O vinho não tem passagem por madeira, por isso ficaram preservadas as características aromáticas dessas variedades, deixando o vinho ainda mais interessante porque os aromas variaram bastante, dependendo da temperatura. 

Na taça a cor é dourado claro. Nariz bastante tropical, lembrando abacaxi em calda e maracujá. Leve sensação abaunilhada, mas que não veio da madeira. 

Em boca é untuoso, com bom corpo. As notas de frutos tropicais se repetiram no retrolfato, com discreta lembrança de mel. Tem média acidez. O final é de boa persistência.

Fiquei pensando que com mais acidez e um pouco mais de "agressividade" o vinho estaria perfeito, mas isso não impede que seja gastronômico. Aliás, o vinho é muito interessante para servir apenas de aperitivo. Ele pede comida e fará um bom par com pratos à base de peixes e frutos do mar. Uma salada também não cairá mal.

Está num ótimo momento para consumo e segundo o site do importador, foi eleito o "melhor vinho branco uruguaio" pelo Guia Descorchados, famosa publicação do crítico chileno Patrício Tapia. 


Detalhes da compra:

Quando compramos esse vinho no varejo da vinícola, em Atlântida, ele ainda não havia chegado ao mercado brasileiro. Mas, atualmente é vendido pelo site da Wine, custando entre R$ 44 e R$ 55, dependendo se você é ou não sócio do ClubeW. 

Saúde a todos!


25 setembro 2013

Provamos um ícone do Uruguai, o Bouza Monte Vide Eu 2010


Quando estivemos no Uruguai, em março desse ano, fizemos a visita obrigatória para todo enófilo que por lá chega: visitar e almoçar na Bodega Bouza, que dentre as vinícolas do país é a que melhor está preparada para o enoturismo. Foram algumas horas muito agradáveis com os amigos Cristiano, Val, Paulo e Carol, na companhia também de ótima comida e vinhos, além de um serviço impecável. 

O primeiro vinho que nos agradou de imediato foi um branco muito interessante, elaborado com a uva Alvarinho (safra 2012), já postado aqui (relembre).

Na ocasião não experimentamos o ícone da bodega, mas fizemos questão de comprar uma garrafa na volta, porque sempre é um vinho muito bem recomendado pela crítica e principalmente pelos amigos que já o experimentaram.

O vinho é um corte, em que a Tannat colabora com 50% e, para amaciar sua rusticidade natural, foram acrescidos 30% de Merlot e 20% de Tempranillo. Cada uma das variedades passa entre 10 e 16 meses por barricas de carvalho francês e americano.

A produção é limitada. Foram colocadas à venda 8.711 garrafas. Abrimos a de número 6.871.

Na taça tem coloração púrpura, bem profunda. As lágrimas são densas e escorrem lentamente pela parede da taça.

Nos aromas intensos um destaque imediato para os aromas da madeira, algo lembrando cedro e elegante tostado. Com a agitação da taça apareceram notas de frutos negros maduros, principalmente ameixa. Floral muito discreto e ervas aromáticas em alguns momentos. Boa complexidade de aromas.

Na boca uma surpreendente elegância para um vinho uruguaio de apenas 3 anos. Sinal de que a mescla com outras variedades deixou a Tannat mais dócil. Tem ótimo equilíbrio entre os taninos finos e a ótima acidez. Não se percebe o álcool a 13,5%. A fruta negra está bem presente, acompanhada do tostado da madeira, muito elegante. Corpo mediano, também surpreendente, porque esperava um vinho mais "pancada".

Final longo, repetindo a boa complexidade apresentada nos aromas. Está em ótimo momento para consumo, porque não apresentou qualquer aresta que o deixe ainda "verde", mas imagino que ganhará ainda mais elegância nos próximos 2-3 anos. 

Vista da cantina da vinícola que abriga em seu subsolo a sala de barricas.

Vinho feito para a gastronomia, principalmente para as carnes, que combinam com os vinhos uruguaios assim como queijo e goiabada, aqui em Minas Gerais.


Detalhes da compra

O vinho é importado para o Brasil pela Decanter, que o vende em sua loja virtual por R$ 242. Mas, essa garrafa foi comprada no Uruguai por US$52 (atualmente algo em torno dos R$ 115). Certamente repetiria a compra... se fosse em dólares!

Saúde a todos!


08 agosto 2013

Gostaria de ter mais uma garrafa desse Viñedo de Los Vientos Tannat 2008, mas...


Definitivamente gosto dos vinhos da Viñedo de Los Vientos. É fato! E quando estivemos na vinícola em março comprei alguns vinhos que não chegaram ao Brasil, alguns mais antigos (como esse) e outros inéditos.

Esse 100% Tannat é da safra 2008. Para o Brasil exportaram apenas a safra 2010, que já foi comentada aqui (relembre). Tem boa passagem por madeira e quando provei no varejo da vinícola com seus proprietários decidi que deveria trazer uma garrafa. Seria um bom companheiro para o churrasco.

Então, dia desses fomos à casa dos amigos Marcel e Carol e esse foi realmente um ótimo companheiro para a picanha. Um vinho de coloração rubi. Aromas intensos, com muita fruta madura, chocolate e tostado da madeira. Bom corpo, com taninos que ainda vão amaciar, tem boa acidez e promete melhorar com alguns anos de guarda.

Final longo, intenso, elegante e equilibrado. Apresenta uma discreta rusticidade que me agrada bastante, porque deixa o vinho mais interessante, gastronômico e com a certeza de que deve melhorar com o tempo. 

Fato que considero importante é que provei muitos Tannat no Uruguai com notas adocicadas um tanto exageradas. Alguns "doces" e enjoativos. Mas, não é o caso desse.  


Detalhes da compra:

Essa garrafa foi comprada no varejo da vinícola, mas em termos comparativos a safra 2010 me custou R$51, embora esteja esgotada no site do importador. 

Saúde a todos!


 

17 julho 2013

Um dos mais interessantes brancos uruguaios: Bouza Albariño 2012

O rótulo simples segue a linha adotada pela vinícola, realçando a conhecida imagem de sua cantina

Quando estivemos no Uruguai, em março, um dos vinhos que colocamos de imediato em nossa lista de compras foi esse Albariño, que experimentamos no restaurante da Bodega Bouza. Aliás, um dos imperdíveis programas enogastronômicos do país, para o qual você deve reservar algumas horas de seu dia. 

Esse vinho é um varietal da uva Albariño, assim chamada pelos espanhóis, ou Alvarinho, nome pelo qual os portugueses a conhecem. Na região dos Vinhos Verdes (Portugal) e também em Rias Baixas (Espanha) dá ótimos vinhos, frescos, aromáticos e gastronômicos.  

E conhecendo essas características da uva em solo europeu posso assegurar que o resultado obtido pela Bouza é muito próximo do que se tem por lá. Um diferencial talvez seja a  breve passagem por madeira: 15% do vinho fermentou em barricas de carvalho francês e permaneceu em contato com as borras por 3 meses.  

Foram elaboradas pouco mais de 25.000 garrafas com uvas provenientes das duas propriedades da vinícola: Las Violetas, localizada a 39 km do centro da capital Montevidéu onde a vinícola tem aproximadamente 12 hectares de vinhedos; e Melilla, onde está localizada a cantina e são mantidos 10 hectares de vinhedos. 

Na taça o vinho tem coloração amarelo palha. Os aromas têm boa intensidade, com destaque cítrico, mas também frutos brancos (pêra) e discreta lembrança da fermentação. Em boca tem grande acidez, quase picante, demonstrando muita vocação para acompanhar comida. Final médio-longo marcado também por boa mineralidade e certa complexidade. Álcool a 13,5% sem incomodar.


Detalhes da compra:

Não me lembro exatamente quanto paguei pela garrafa no Uruguai. Para o Brasil é importado pela Decanter e no site a safra 2012 ainda não está disponível. Mas ao julgar pelo Chardonnay e o Tannat da mesma linha, deve ser vendido na casa dos R$74. 




15 maio 2013

Gosta de cortes uruguaios? De carnes e vinhos? Prove esse: Catarsis 2011


Esse é mais um exemplar interessante que provei do Uruguai esse ano. Ele foi comprado em maio de 2012 na mesma ocasião de um 100% Tannat, já comentado aqui (relembre), e confirma a qualidade dos vinhos elaborados pela Viñedo de los Vientos, bodega fundada em 1947 em Atlântida, região de Canelones, no estuário do Rio da Prata. 

A vinícola está sob o comando de Pablo Fallabrino e Mariana Cerutti. O primeiro herdou a vinícola em 1995, quando tinha 21 anos. É enólogo e surfista, o que não é uma combinação muito frequente no tradicional mundo do vinho. A empresa possui 37 hectares de vinhedos, onde são cultivadas as seguintes variedades: Tannat, Cabernet Sauvignon, Trebbiano, Chardonnay e Nebbiolo. Seus vinhos estão presentes no mercado dos Estados Unidos, para onde exportam dois terços da produção.

Esse vinho é um corte de Cabernet Sauvignon (70%) e Tannat (30%), com passagem de 8 meses por barricas de carvalho francês e 13% de álcool. Foram elaboradas 14.000 garrafas.

Na taça a cor é rubi, com pouca transparência. Os aromas têm boa intensidade, muitos frutos negros, tabaco e uma presença tostada proveniente da madeira. Boa complexidade.

Na boca é encorpado, com ótima fruta, taninos presentes, mas já elegantes. Acidez em boa conta. Final longo, maduro, com palato marcado pela tosta da madeira. 
Pronto para beber agora ou guardar por mais 4-5 anos. 


Gostei muito do estilo de ambos os vinhos que provei dessa vinícola, mais parecidos com um vinho do Velho Mundo, isto é, com frutado menos aparente, mais complexidade e estrutura para acompanhar comidas mais potentes. Aqui em casa foi o par ideal para uma carne de panela com farofa de ovos e batatas, criação da Érika num de seus inúmeros momentos de inspiração. 
  

Detalhes da compra:

Esse vinho me chegou pelo ClubeW de maio de 2012 e deixei guardado em adega climatizada. O outro vinho do clube já foi comentado aqui (relembre). É vendido hoje a R$60 no site da importadora, mas para associados do clube sai por R$ 51. Uma boa compra!

Saúde a todos!


18 março 2013

Uma ótima compra vinda do Uruguai: Finca Agostina Pinot Negro 2009


Essa é uma das boas surpresas do ano até agora, um Pinot Noir (traduzido livremente no rótulo como Pinot Negro) elaborado pela Bodega De Lucca na região de El Colorado, departamento de Canelones. A vinícola tem capacidade para produção 500.000 litros anuais e cerca de 60 hectares de vinhedos próprios.

O enólogo Reinaldo De Lucca é representante da segunda geração da família a produzir vinhos no Uruguai. Sua origem é o Piemonte, de onde chegaram no início do século XX e estabeleceram os primeiros vinhedos na região. Aprimorou-se com graduações nas universidades de Montevidéu (Uruguai), Penn State University (EUA) e Montpellier (França).

Esse vinho é rotulado como VCP (Vino de Calidad Preferente), que indica uma produção dentro de certos parâmetros para a região, embora não signifique automaticamente tratar-se de um ótimo vinho. Mas no caso desse - felizmente - a qualidade se comprova na taça. 

A coloração é rubi. De início aromas intensos lembrando a passagem por madeira, um elegante tostado. Com alguns minutos a fruta aparece em boa mescla com a madeira. Vinho de boa complexidade aromática, menta, frutos vermelhos silvestres, tostado, aromas terrosos.

Em boca tem corpo médio. Seus taninos são finos e tem boa acidez. Madeira bem presente, tostado, muita fruta madura, notas adocicadas e uma lembrança terciária, ferrugem, mel. Final mediano, acidez salivando a boca, palato com fruta e madeira. 

Um vinho mais elegante que potente. Não se parece com Pinots chilenos ou argentinos, que podem ser enjoativos ao longo da degustação por conta das notas exageradamente adocicadas. O álcool (14%) aparece a temperaturas mais altas, então aconselho servir em torno dos 13-14 graus.


Detalhes da compra:

É importado pela Premium Wines, mas foi comprado na loja Bon Vivant, aqui em Uberlândia, por R$48. Se for encontrado a preços menores aconselho comprar mais de uma garrafa para aproveitar inclusive para degustar daqui um tempo, talvez por mais um ano.

Saúde a todos!


14 novembro 2012

Puro sangue uruguaio: Viñedo de Los Vientos Tannat 2010


Recebi esse vinho na seleção do mês de maio, do Clube Wine. Vieram dois tintos uruguaios com expectativas de guarda bem distintas: 5 e 10 anos. Abri, logicamente, o vinho com expectativa menor, esse 100% Tannat que custa R$60 no site da importadora.

É produzido pela Viñedo de los Vientos, bodega fundada em 1947 em Atlântida, região de Canelones, no estuário do Rio da Prata. Possui atualmente 37 hectares de vinhedos, onde são cultivadas as seguintes variedades: Tannat, Cabernet Sauvignon, Trebbiano, Chardonnay e Nebbiolo. Hoje, dois terços da produçaõ da vinícola são exportados para os Estados Unidos. 

Atualmente está sob o comando de Pablo Fallabrino e Mariana Cerutti. O primeiro herdou a vinícola em 1995, quando tinha 21 anos. É enólogo e surfista, o que lhe confere certa irreverência no tradicional mundo do vinho. Além dos tintos tranquilos a vinícola elabora um "ripasso" de Tannat, amadurecido por 18 meses em barricas francesas, além do Alcyone, um licoroso também da mesma uva. 

Quanto ao vinho, fiquei bastante satisfeito com o resultado, porque há algum tempo os vinhos do clube não me empolgavam. Mantinham o padrão de corretos, fáceis de beber, mas sem nada especial. Mas, esse Tannat foi bem avaliado e recomendo sua compra, especialmente se você é também assinante do clube, o que deixa o vinho mais barato: R$51.

Na taça a coloração é de um púrpura denso, com muitas lágrimas. Aromas inicialmente fechados. Com alguma aeração apareceram em boa intensidade, com especiarias muito evidentes, pimenta do reino, ervas aromáticas. Frutos vermelhos e negros também. Em boca é encorpado, com grande acidez e taninos rascantes, que ainda vão evoluir com algum tempo em garrafa. Fruta e especiarias se juntam ao tostado da madeira formando um belo conjunto, complexo. 

O final é interessante. De longa persistência, mistura a salivação causada pela acidez, mas as gengivas sentem os taninos. Uva mais passificada apareceu também, bem como tostado da madeira, lembrando café. Madeira muito bem dosada (apenas 30% do vinho estagiam em barricas de carvalho francês e o restante em tanques de aço inoxidável). Tem 14% de álcool. 

Está pronto para beber, mas deve ficar mais elegante com 1-2 anos em garrafa, confirmando a expectativa de guarda indicada pelo importador. 

Avaliação VPT = 88 pontos. 

Saúde a todos!