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27 março 2016

Direto da "montanha sagrada": Yarden Mount Hermon White 2013


Não é todo dia que bebemos vinhos de Israel. Na verdade, esse é apenas o segundo vinho que vem para o blog, mas assim como outros vinhos daquela região, como Marrocos, o resultado é sempre interessante. 

O produtor desse vinho branco é a Golan Heights Winery, que teve suas primeiras vinhas plantadas em 1976, mas somente em 1983 instituiu-se como vinícola, lançando no ano seguinte o Yarden Sauvigonon Blanc que recebeu críticas muito positivas no país e no exterior. Atualmente a bodega conta com 28 vinhedos espalhados por cerca de 600 hectares, uma extensão bastante considerável.  

Esse vinho pertence à linha Mount Hermon, uma das cinco que a vinícola comercializa. Seu nome é uma homenagem ao Monte Hérmon, que significa "montanha sagrada" em árabe, mas também pode ser traduzida como "montanha nevada", uma alusão ao contraste entre o deserto que a cerca e o pico sempre coberto por neve. Ao longo da história a montanha foi palco de inúmeras batalhas e menções na literatura, inclusive na Bíblia.

Segundo o produtor a Galileia é a região vinícola mais setentrional (norte) de Israel, sendo que Golan Heights é a região mais fria e que resulta vinhos da mais alta qualidade do país, com vinhedos localizados a 1.200 metros de altitude, beneficiando-se do degelo das montanhas. 

O vinho é um corte com predominância de Sauvignon Blanc e Viognier, mas uma pitada de Chardonnay e Semillon, sem passagem por barricas de carvalho, apenas um período em tanques de inox para ganhar equilíbrio. Tem 13,5% de álcool.

Na taça tem coloração amarelo palha. Aroma em  boa intensidade, notas minerais, frutos brancos como melão e algo tropical, como tangerina e goiaba branca. Discretas notas adocicadas lembrando mel. Na boca é intenso, tem uma pontinha de álcool que lhe dá potência, mas tem uma acidez refrescante. A sensação de boa fruta se repete, mas o destaque é para a boa mineralidade. 

Final de média persistência, muito agradável, marcado por uma complexidade bem interessante, mesclando os frutos tropicais, notas cítricas e mineralidade. 

Tem uma vocação gastronômica indiscutível, podendo ser um bom par para saladas, peixes assados e, claro, sushi e sashimi serão ótimas opções também.


Detalhes da compra:

Comprei esse vinho na simpática Wine Soul Store, em São Paulo. Um espaço pequeno, mas com muito charme, que foi visitado pelo amigo Beto Duarte, que gravou um vídeo com a sommelière Eliana Araújo, mas quem nos atendeu no dia da compra foi sua sócia, Ana de Andrade (assista aqui). 

Saúde a todos!



05 janeiro 2015

Já provou um vinho de Israel? Nossa sugestão: Yarden Mount Hermon Red 2012


Israel, assim como outros países da região do Mediterrâneo, é considerado berço da viticultura, porque há mais de 5.000 anos as uvas são fermentadas por lá, embora do século VII em diante a dominação muçulmana tenha provocado a extinção da produção vinícola, que somente foi retomada no final do século XIX com a intervenção do Barão de Rothschild. Assim, é possível considerar que Israel pertence ao "velho mundo" do vinho, embora apenas nos anos 1970 é que essa retomada ganhou força definitiva.

Na taça os vinhos daquela região também expressam uma identidade de vinho europeu, especialmente de vinhos franceses - pelo menos é essa a impressão que tenho toda vez que degusto vinhos daquele canto do mundo. 

Pois bem. O produtor desse vinho é a Golan Heights Winery, que teve suas primeiras vinhas plantadas em 1976, mas somente em 1983 instituiu-se como vinícola, lançando no ano seguinte o Yarden Sauvigonon Blanc que recebeu críticas muito positivas no país e no exterior. Atualmente a bodega conta com 28 vinhedos espalhados por cerca de 600 hectares, uma extensão bastante considerável.  

Esse vinho pertence à linha Mount Hermon, uma das cinco que a vinícola comercializa. Seu nome é uma homenagem ao Monte Hérmon, que significa "montanha sagrada" em árabe, mas também pode ser traduzida - segundo pesquisei - como "montanha nevada", uma alusão ao contraste entre o deserto que a cerca e o pico sempre coberto por neve. Ao longo da história a montanha foi palco de inúmeras batalhas e menções na literatura, inclusive na Bíblia.

No alto do Monte Hermon sempre há neve, apesar da região ser bem quente. Imagem: Wikipedia.  

O vinho é um corte das variedades clássicas de Bordeaux: cabernet sauvignon, merlot, cabernet franc, malbec e petit verdot. Não é filtrado, tampouco passa por madeira, preservando as características das uvas utilizadas. Tem 14% de teor alcoólico.

Na taça tem visual rubi, lacrimoso. Aromas de frutos vermelhos delicados e especiarias. Na boca tem corpo médio, com taninos maduros, muita fruta, especiarias. Harmônico, equilibrado e elegante. Muito fácil de beber, com características lembrando um Bordeaux bem interessante. Final persistente, com boa fruta. Acidez mediana. 

Creio que está num ótimo momento para consumo, embora a indicação de potencial de guarda seja até 2016. Não sei se estará melhor até lá, porque faz parte de uma linha mais básica da vinícola e já gostei muito do equilíbrio. 

Uma curiosidade: o processo de elaboração desse vinho, chamado kosher, segue a filosofia judaica, para a qual as comidas e bebidas são próprias para o consumo quando elaboradas / manipuladas exclusivamente por judeus. A palavra kosher quer significar próprio, legítimo, aceitável, genuíno ou autêntico.

Quando em algum momento da elaboração o produto é manipulado por não-judeus, existe a designação mevushal, que em hebraico significa "cozido". Em casos assim o vinho é elevado a uma temperatura de quase ebulição por alguns instantes para eliminar "impurezas". Não é o caso desse vinho, que tem no contra-rótulo a indicação "Kosher Lamehadrin", uma certificação que o autoriza para a Páscoa judaica, nível para o qual há exigências bastante rigorosas.


Detalhes da compra

Esse vinho é importado pela Inovini e pela garrafa paguei R$65. Uma boa compra pelo que o vinho apresentou na taça, mas especialmente porque o valor não é tão alto para se provar vinhos de um país produtor tão diferente do trivial. 

Saúde a todos!