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22 fevereiro 2024

Não é mais um "malbecão" :: Bariloche Patagonia Malbec 2021


País: Argentina
Região: Neuquén (Patagônia)
Uvas: 100% Malbec
Maturação: breve amadurecimento em inox
Álcool: 14%

Quem já bebe vinhos com uma regularidade maior - vamos falar em dez anos, por exemplo - já sentiu uma mudança no paladar, no gosto pessoal. Nossas escolhas iniciais costumam recair sobre vinhos muito frutados, amadeirados, encorpados e alcoólicos. Normal, levando em consideração que o paladar do brasileiro médio tende ao doce, porque nossa alimentação está muito ligada às frutas, aos doces caseiros, ao café com açúcar e até à mamadeira com leite adoçado. 

Com o passar do tempo vamos mudando isso e escolhendo vinhos menos encorpados, menos tânicos, mais macios e "tranquilos". Dá para descrever como uma parábola: quem está começando está na parte ascendente da curva, quem é mais experiente está caminhando na curva descendente. Tudo isso me parece uma trajetória natural para o consumo de vinhos. 

Por já estar nessa curva descendente, preferindo vinhos mais francos, com a fruta mais fresca e sem grandes interferências, fico feliz quando ouço que há um certo movimento acontecendo na argentina no qual os enólogos estão buscando vinhos tintos mais leves, menos amadeirados, com menos extração de fruta. Em outras palavras, fugindo do "malbecão" a que nos acostumamos de tanto beber Catena e seus rótulos super concentrados.

O vinho de hoje é um desses vinhos fáceis e francos, sem (ou com pouca) passagem por madeira. Aroma muito fresco, com presença marcante de ameixas, cerejas e algo floral no fundo. Tem corpo médio e taninos macios, com acidez moderada. O frutado intenso em boca se repete no final de boca, longo e prazeroso.

Um vinho versátil para acompanhar diversos pratos, como pizzas diversas, carnes vermelhas ou mesmo para beber sem compromissos com uma boa tábua de pães, queijos e embutidos. 

Pronto para beber agora ou guardar por, no máximo, um ano para aproveitar todo esse frescor. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Enoteca Decanter e vendido em seu site por R$ 98. Aqui em Minas Gerais paguei R$ 109 em razão dos tributos. 

Saúde a todos!



04 agosto 2019

Descontração pura :: Portillo Malbec 2018


País: Argentina
Região: Vale de Uco (Mendoza)
Produtor: Salentein
Uvas: 100% Malbec
Maturação: sem passagem por madeira
Álcool: 13,5%

Como eu disse no post anterior ao comentar o Chardonnay da mesma linha, eu gostei menos desse Malbec, coisa que só o "VAR dos Vinhos" veria, entende? Coisa de milímetro.

A proposta da linha Portillo é oferecer vinhos mais leves e descontraídos e esse Malbec atende melhor a proposta porque sem a passagem por madeira a exuberância da fruta apareceu mais que no Chardonnay. 

Na taça a coloração é rubi, com maior transparência que a maioria dos vinhos com essa variedade em que a extração é maior, ficando mais densos. Nos aromas notas de frutos negros, ameixa, muito frescor e jovialidade na paleta de aromas. Na boca tem corpo leve, com boa tipicidade e muito fácil de beber. Sem excessos de fruta, madeira ou álcool. Taninos finos e acidez mediana. Sem complicações e sem defeitos.

Escoltou bem o churrasco de picanha, mas poderia ser com pratos mais leves, uma tábua de queijos maduros, salames, presunto, pães e geleias etc.

Interessante: Portillo é o nome da histórica passagem montanhosa que liga a Cordilheira dos Andes ao Vale do Uco, percorrida pelo general San Martín em seu ato libertador e depois pelo cientista Charles Darwin. Uma passagem que ligava Argentina e Chile no passado. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Zahil e em seu site o preço varia entre R$ 75-90 a depender da situação tributária do seu estado. Paguei R$ 76 aqui em Uberlândia.

Saúde a todos!




28 julho 2019

Leve e tropical :: Portillo Chardonnay 2018


País: Argentina
Região: Vale do Uco (Mendoza)
Produtor: Salentein
Uvas: 100% Chardonnay
Maturação:  sem passagem por barricas. 
Álcool: 13%

Provei esse vinho e o Malbec da mesma linha e confesso que o Chardonnay é mais interessante. São vinhos da linha Portillo que apresenta rótulos mais jovens e simples, sem grandes complexidades, para serem bebidos com os amigos naquele bate-papo descontraído, sem maiores preocupações com as nuances aromáticas e gustativas do vinho. Apesar dessa proposta, os vinhos são muito corretos e podem tanto servirem a uma degustação descontraída como para acompanhar refeições. 

Esse Chardonnay, segundo informações do importador, não tem passagem por madeira, mas se mostrou um vinho com características mais próximas daqueles que tem uma breve passagem por barricas do que a leveza e frescor esperados de um vinho com a expressão pura da variedade.

Um vinho de perfil mais tropical, com aromas e sabores lembrando banana, abacaxi e maçã. Notas adocidadas como se tivesse passado por madeira e alguma mineralidade. Acidez mediana. Final de média persistência, agradável, intenso, com a boca lembrando os frutos maduros.

Como dito, esperava um vinho mais leve e descontraído pela proposta da linha, mas agradou bastante e pelo preço que comprei valeu a experiência. Desceu bem fácil e se tivesse outra garrafa certamente abriria.

Harmonizou bem com uma costela suína feita na churrasqueira, mas também irá muito bem com saladas e pratos orientais menos condimentados.

Interessante: Portillo é o nome da histórica passagem montanhosa que liga a Cordilheira dos Andes ao Vale do Uco, percorrida pelo general San Martín em seu ato libertador e depois pelo cientista Charles Darwin. Uma passagem que ligava Argentina e Chile no passado. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Zahil e em seu site o preço varia entre R$ 75-90 a depender da situação tributária do seu estado. Paguei R$ 76 aqui em Uberlândia.

Saúde a todos!



14 maio 2019

Fresco e agradável :: Altos Las Hormigas Tinto 2017


País: Argentina
Região: Mendoza
Uvas: 48% Bonarda, 45% Malbec e 7% Sémillon
Maturação: sem estágio em barricas, mas passa 9 meses em tanques de concreto.
Álcool: 13,5%


Recebi esse vinho pelo amigo Deco Rossi que realiza um belo trabalho com os vinhos argentinos aqui no Brasil. Veio com cartinha e tudo, gentileza que agradeço. 

O vinho é um corte de duas uvas importantes na Argentina: a Malbec (obviamente) e a Bonarda, que é menos famosa mas é bem trabalhada no pais vizinho. Mas, as duas estão acompanhadas por uma variedade branca, a Sémillon, algo muito comum em regiões da França e também na África do Sul com objetivo de deixar o vinho mais dócil e, no caso argentino, para ganhar mais acidez. 

Como não tem passagem por barricas de carvalho o resultado é um vinho fresco, bem franco, com menor complexidade, para ser bebido mais jovem. 

A respeito do vinho escrevi assim na minha conta no Vivino:

- Por ser um corte as características das variedades estão em bom equilíbrio. Mais Bonarda que Malbec. Os 7% de Semillon deixam o vinho mais amigável, fácil e com melhor acidez que os tintos argentinos dessa faixa. Gostei da paleta de aromas e do frescor!

Complemento dizendo que o vinho irá muito bem com pratos mais descontraídos, como uma boa pizza margherita, tábua de queijos e embutidos, além de um belo churrasco no almoço de domingo. 


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela World Wine que o vende em sua loja virtual a R$ 68. 

Saúde a todos!



03 agosto 2018

No carrinho do supermercado :: Santa Julia Cabernet Sauvignon 2017



País: Argentina
Região: Mendoza
Produtor: Santa Julia
Uvas: Cabernet Sauvignon
Maturação: sem informações
Álcool: 12,5%

Esse vinho entra no pacote dos "corretos, bem feitos, sem excessos, fáceis de beber" que ando gostando tanto ultimamente. E, para melhorar ainda mais a notícia, é barato!

É um varietal, de linha básica do excelente produtor, fácil de encontrar pelos supermercados brasileiros. 

Tem coloração rubi, com reflexos jovens, púrpura. Aromas francos, de frutos vermelhos como cerejas, amoras e alguma especiaria. Nada complexo, mas com tudo no lugar. Em boca é muito fácil de agradar, taninos macios, dóceis, com acidez mediana. Final de boa persistência. 

Tem pouco álcool, apenas 12,5%, por isso dá para beber sem maiores preocupações (a não ser com a direção, que deve ser evitada). Agradável, dá vontade de beber a próxima taça. 

Comprei esse vinho depois que o amigo Cristiano Orlandi (Vivendo Vinhos) trouxe um Reserva da mesma vinícola. Comentamos o quanto foi agradável aquele vinho, mesmo tendo passagem por madeira e ser argentino (Novo Mundo) estava mais próximo à delicadeza e elegância do que da potência. 

Mesmo não encontrando o Reserva esse aqui, mais simples, me deixou feliz! 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Cia. Brasileira de Distribuição e paguei por essa garrafa R$ 29. 

Saúde a todos!



08 abril 2018

Boa compra por menos de R$50 :: Finca Las Moras Viognier 2017


País: Argentina
Região: San Juan (Pedernal)
Produtor: Finca Las Moras
Uvas: 100% Viognier
Maturação: sem madeira, apenas 3-4 meses nos tanques de inox
Álcool: 12,5%

Comprei esse vinho por dois motivos simples: gosta da uva Viognier e minha esposa conhece a vinícola e fez várias recomendações positivas. Pagando pouco menos de R$50 achei que seria uma experiência interessante. E foi. 

Não é um vinho excepcional. Confesso que já provei outros Viognier mais impactantes e encantadores, principalmente aqueles mais maduros. Mas, esse aqui ganha pontos por seu frescor e equilíbrio. 

Sem passagem por madeira é um vinho muito franco em aromas e sabores, com uma infinidade de opções para harmonizar: moqueca capixada, paella, pratos da cozinha oriental (até mesmo aqueles condimentados), peixe frito, saladas de folhas etc. Pratos que pedem vinhos frescos!

Na taça a coloração é amarelo palha. Nos aromas uma boa expressividade com frutos maduros como abacaxi, laranja e um floral muito fresco. Leve mineralidade em segundo plano. De corpo leve-médio, tem bom equilíbrio e frescor, apesar da acidez um tanto modesta. 

Não é um vinho para longa guarda, podendo suportar mais 1 ano em garrafa tranquilamente. Servido mais gelado deu a ótima sensação de frescor. Um pouco mais quente não deixou o álcool aparecer. Final mediano, bem prazeroso.   


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Decanter, que o vende em seu site por R$ 49. Boa compra!

Saúde a todos!



15 junho 2017

Intensa experiência :: Cuatro Vacas Gordas Torrontés 2015


País: Argentina
Região: Luján de Cuyo
Produtor: Caligiore
Uvas: Torrontés Riojano
Maturação: afinamento em aço inoxidável (vide observação abaixo)
Álcool: 13,5%

Há tempos eu não provava um Torrontés tão interessante. É elaborado pela Caligiore, responsável pelo famoso Cuatro Vacas Gordas Blend (tinto), e mostrou a tipicidade da uva e uma intensidade marcante, sendo ótimo como aperitivo mas com estrutura para acompanhar alguns pratos à base de frutos do mar, culinária oriental e saladas. 

Na taça a coloração é um dourado claro. Os aromas são bem marcantes, com destaque para a tradicional lichia, que muita gente não conhece e aí não consegue identificar no vinho, mas está lá, bem clara. Notas minerais em segundo plano. 

Na boca é intenso, de corpo médio e maduro. Muita fruta, acidez mediana. Embora a ficha técnica do importador informe apenas que o vinho afinou em tanques de aço inoxidável, aparecem notas de boa complexidade que indicam uma fermentação em contato com as borras (sur lie) ou alguma passagem por madeira. Eu apostaria na primeira opção.  

Final de boa persistência, com palato marcado pela lichia e pela mineralidade. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Mercovino e aqui em Uberlândia é encontrado a R$ 73,00.

Saúde a todos!






08 janeiro 2017

Compra muito segura :: Susana Balbo Tradición Red Blend 2012


Bebemos esse vinho em casa em dezembro do ano passado. Um tinto argentino robusto, no estilo que consagrou os vinhos argentinos pelo mundo: madeira, álcool e muita fruta. Mas, no caso desse aqui esses ingredientes estavam em harmonia e o vinho não ficou tão pancadão. 

A produtora é a conhecidíssima enóloga Susana Balbo, que em 1981 tornou-se a primeira enóloga da Argentina e desde então foi consultora em importantes vinícolas pelo mundo, foi presidente da Wines of Argentina por três vezes, sendo considerada um ícone da indústria vitivinícola não somente na Argentina como em todo o mundo do vinho.

Em 1999 cria sua própria vinícola, a Susana Balbo Wines, que parte da ideia central de que a "pedra angular da enologia é a arte de elaborar os cortes, é a expressão máxima do talento do enólogo". 

O vinho de hoje, portanto, é um corte de três variedades que variam de safra para safra. Nesse 2012 o blend foi de Malbec (75%), Cabernet Sauvignon (20%) e Cabernet Franc (5%), que passou 8 meses por barricas de carvalho francês e americano.

Como dito acima, o vinho representa as marcantes características dos tintos argentinos. Na taça tem coloração púrpura, sem notas de evolução. Aromas lembrando ameixa, cerejas pretas, frutos vermelhos, baunilha e notas picantes. Corpo mediano, boa estrutura, com taninos maduros e com alguma rispidez ainda.

Acidez mediana. Vinho muito agradável, com boa harmonia entre madeira, fruta e álcool, sem agressividades. Final longo e prazeroso. Segundo o importador é ideal para harmonizar com picanha grelhada, espaguete com presunto cru, queijos amarelos e risotos com carnes vermelhas. 

Tem 14% de álcool, sem incomodar. Segundo a vinícola sua capacidade de guarda é de 6 anos. Porém, acredito que esteja em ótimo momento agora. 


Detalhes da compra

O importador dos vinhos de Susana Balbo para o Brasil é a Cantu. Comprei essa garrafa em Uberlândia pagando R$ 76. 

Saúde a todos!


11 dezembro 2016

Ótima experiência com esse tinto argentino de seis anos de idade: R Goulart Reserva Malbec / Cabernet 2008


Aos seis anos de idade esse vinho está em plena forma e poderia ser guardado por mais 1-2 anos sem maiores problemas, pois ainda é vibrante e com características de um vinho mais jovem. As notas de evolução ainda não marcam presença, tanto na cor quanto aromas e sabores. 

Na taça tem coloração rubi, com boa transparência. Os aromas são intensos e desde o início demonstram um grande equilíbrio entre as frutas vermelhas com a madeira (francesa e americana). Aparecem também notas condimentadas lembrando pimenta, além de chocolate. 

Em boca é concentrado, os taninos já estão amaciados, com levíssima sensação rascante. Acidez mediana. Muita fruta vermelha e negra, chocolate, tostado e baunilha. Volumoso, equilibrado e elegante. Final persistente e muito prazeroso.

Ideal para acompanhar carnes vermelhas assadas, de preferência um belo corte argentino! 

É elaborado pela Bodega Goulart, que pertence a Erika Gourlart, uma paulistana descendente do Marechal Gastão Goulart, figura importante da Revolução Constitucionalista de 1932, no Brasil. O vinhedo foi adquirido pelo Marechal em 1915, na região de Lunlunta, em Lujan de Cuyo, e ampliados para mais 28 hectares quando esteva exilado na Argentina, na época, plantados com cabernet sauvignon e malbec. Erika assumiu a propriedade em 1995 e iniciou a recuperação de toda a estrutura, elaborando seu primeiro vinho em 2002. Atualmente possui 55 hectares de vinhedos próprios.

Esse vinho tem 14,3% e álcool, que não se mostrou alcoólico em nenhum momento, apenas deu potência ao vinho. Segundo o contra-rótulo descansou 8 meses em tonéis franceses e americanos.  


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Wine, que vende a safra atual a R$95 ou $81 para os associados de seus clubes.

Saúde a todos!



25 setembro 2016

Vinho argentino macio e fácil de beber :: Cuatro Vacas Gordas Blend 2015


Esse vinho tem um rótulo divertido e me parece que sua proposta combina bem com o rótulo. Longe de ser um vinho encorpadão, com taninos potentes, madeira muito evidente e teor alcoólico lá em cima - ainda presentes em muitos vinhos argentinos - esse tem uma proposta muito clara: ser fácil de beber, sem complicações e, porque não, ser um vinho divertido!

Quando usamos esse adjetivo "divertido" pode ser que apenas queremos dizer que o vinhos seja OK, isto é, um vinho bom, sem qualidades excepcionais. Eu mesmo e muitos amigos usamos ambos adjetivos para definir alguns vinhos. 

Mas, para esse a expressão "divertido" significa um vinho fácil de beber, sem grandes complexidades, mas sem qualquer defeito. Apenas é um vinho elaborado para não causar muita polêmica ou comentários. É daqueles para você beber e enquanto bebe não fica girando a taça para sentir aromas ou conseguir detalhes para comentar. É um vinho que não vai roubar a atenção de ninguém durante um jantar, por exemplo. 

Na taça tem coloração rubi. Aromas de frutos vermelhos maduros, com destaque especial para ameixas. É um corte de Malbec (60%) e Cabernet Sauvignon (40%), e as características mais evidentes são realmente da Malbec. Às cegas eu apostaria nessa uva. 

Na boca a fruta é abundante, com notas discretas de baunilha e caramelo. Os taninos são muito macios e dóceis. Acidez mediana. Final de boa persistência. A facilidade de beber o torna um vinho amigável a todos os tipos de paladares. Detalhe: vinhos com essa característica costumam ser rotulados como "meio-seco", mas não é o caso desse.

Não tem passagem por madeira, apenas um período de 6 meses em tanques de inox para afinamento. Tem 13% de teor alcoólico. Seu produtor é a Caligiore, que elabora o vinho na região de Luján de Cuyo, a partir de vinhedos orgânicos.  


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela Mercovino e pode ser encontrado na faixa de preços entre R$71 e 80. 

Saúde a todos!



14 agosto 2016

No estilo típico da Malbec argentina: Clos de Chacras "Cavas de Crianza" Malbec 2014


Esse vinho é elaborado pela Clos de Chacras, vinícola de Mendoza que teve sua primeira safra em 2004, embora o prédio em que está instalada tenha sido construído em 1921 e pertencido a um complexo chamado Bodegas y Viñedos Garantini, nome de uma família suíça que chegou à região no fim do século XIX.

A bodega foi uma das maiores empresas vinícolas de sua época, mas o prédio ficou abandonada até 1987 quando os descendentes do pioneiro Bautista Gargantini recuperaram o patrimônio. Com a reforma e acréscimo de moderna tecnologia o lugar ficou pronto para elaboração de vinhos finos. 

Esse vinho pertence à linha "Cavas de Crianza" e passa 6 meses por barricas de carvalho francês de terceiro uso. 

Na taça tem coloração púrpura, demonstrando juventude. Lágrimas grossas se formam na parede da taça. Nos aromas é um Malbec típico com sua fruta abundante, principalmente ameixa e cereja, leve floral, além das notas amadeiradas, baunilha e chocolate. Em boca tem boa estrutura, com muita fruta madura bem integrada à madeira, sem que essa seja mais importante no conjunto. Vinho macio, com taninos redondos e média acidez. Potência dada pelo álcool (14% de teor). 

Final de boa persistência, com destaque para a fruta madura, chocolate, um dedinho de álcool aparecendo para dar "calor" e uma mineralidade discreta no palato. 

Vinho de perfil mais adocicado, já no aroma e repetindo esse perfil em boca. Madeira presente e álcool dando potência, um conjunto ideal para quem gosta do estilo. Para os paladares iniciantes, que estão migrando para os vinhos finos, tem uma intensidade que certamente agradará. 

Opinião pessoal: o vinho me parece potente para servir apenas como aperitivo, indicando que ficará melhor acompanhando um churrasco ou queijos maduros, ou seja, pratos mais potentes. Embora não seja meu estilo preferido de vinhos, tenho que reconhecer seus predicados. 


Detalhes da compra

O vinho é importado pela Mercovino e a garrafa custa na faixa dos R$ 92-97. 

Saúde a todos! 


10 abril 2016

Se acha que os malbec são todos iguais, precisa provar esse! Mar Malbec 2011


Há alguns anos a frase "malbec é tudo igual" parece ter incomodado muito os produtores argentinos, tanto que começaram a explorar outras uvas de forma mais intensa, como a cabernet franc e a petit verdot. Mas, o principal efeito dessa frase é o número cada vez maior de vinhos com a mesma uva, às vezes cultivadas em regiões muito próximas, que apresentam na taça um resultado bem distinto. 

Já tive oportunidade de falar sobre isso aqui em abril de 2013 quando a Wines of Argentina realizou ações junto aos blogues por ocasião do Dia Mundial do Malbec. Foi uma grande experiência. 

O vinho de hoje está aqui justamente por isso, por ser diferente (e muito) da maioria dos malbec que encontramos no mercado. 

É elaborado pela Bodega Océano, localizada no Vale de Viedma, na província de Rio Negro, na região da Patagônia argentina. Foi fundada em 1998 por dois irmãos com o objetivo de elaborar vinhos com a cara da região, que sofre muita influência do Oceano Atlântico. Seus produtos são considerados os “primeiros vinhos marítimos da Argentina. Foi eleita em 2013 como a vinícola revelação da Argentina pelo famoso Guia Descorchados e elabora apenas 30.000 garrafas por ano.

Esse é um malbec que não passa por madeira e tem 14% de álcool. Está com 5 anos de idade e apresenta uma excelente evolução, porque já está "domado" pelo tempo, ganhou complexidade e mantém boa estrutura. 

Na taça tem cor rubi, lacrimoso. Aromas remetendo a frutos negros e muita azeitona preta. Vinho de bom corpo, "gordo". Taninos dóceis e acidez mediana. Boa complexidade nos aromas e em boca. Final longo, com uma pontinha de álcool indicando ser melhor servi-lo a uma temperatura mais baixa. 

Vinho muito interessante, sem madeira. Como dito acima, um malbec diferente da grande maioria dos que experimentamos no cotidiano. Ótima experiência!


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela La Charbonnade, de Canela (RS). Em outros estados que não são atingidos por uma das cargas tributárias mais altas do universo conhecido, o preço é melhor. Mas, aqui em Minas Gerais está na faixa dos R$80. 

Saúde a todos! 



21 fevereiro 2016

Um vinhaço argentino com 8 anos de idade: Monteviejo Blend 2008

Foto: Instagram @vinhoparatodos

Outro vinho que bebemos na casa dos amigos Adriano e Suzy (o primeiro já foi comentado na última quinta-feira) foi esse argentino que o Marcel Gussoni levou, um daqueles vinhos argentinos potentes, com boa presença da madeira, mas que em razão de seus 8 anos está bem harmônico. 

O produtor é a Bodega Monteviejo, fundada em 2001 e sediada a 120 km ao sul de Mendoza, em Vista Flores. É um empreendimento da família Pere Verge, originária da França, que no final dos anos 90 chegou à Argentina com o firme propósito de construir uma vinícola. 

A parte enológica é chefiada por Marcelo Pelleriti, um dos enólogos mais respeitados do país, que tem em seu currículo o feito de ser o primeiro enólogo argentino a ter um vinho 100 pontos por Robert Parker. Além de Pelleriti a vinícola conta com a presença do francês Michel Rolland como consultor.

O vinho é um blend, um corte de duas variedades: Malbec (80%) e Syrah (20%), com passagem por barricas francesas superior a 12 meses, além de um tempo na adega da vinícola para afinamento. Enfim, um vinho muito bem cuidado na vinícola para ter um grande potencial de guarda. 

Na taça tem coloração púrpura. Nos aromas uma explosão de frutos negros e boa presença de madeira, com notas de cedro e baunilha. No nariz já se apresenta como um vinho impactante, de estilo Novo Mundo, ainda muito vivo apesar dos 8 anos. 

Em boca é encorpado, com taninos ainda vivos, rascantes. Acidez mediana. O frutado é intenso, mas elegante, fazendo ótima companhia para as notas amadeiradas. Vinho que ainda guarda a potência dos vinhos argentinos, com boa presença da madeira, mas já demonstra elegância depois desse tempo em garrafa.

Um vinhaço, que ainda poderia ser guardado por mais 2-3 anos.  

             
Detalhes da compra:

Esse vinho foi levado pelo Marcel, que o comprou na Argentina. Procurei pelo atual importador, mas não encontrei informações. Até 2014 era importado pela Ana Import, de Salvador, que encerrou suas atividades. Mas, considerando seu potencial de guarda e sua imensa qualidade, deve ser um vinho para custar mais de R$ 100 aqui no Brasil.  

Saúde a todos!



07 fevereiro 2016

Um clássico argentino, pelas mãos de um francês: Clos de Los Siete 2012


Nas férias podemos mais do que o normal. Em plena terça-feira está autorizado abrir um vinho tinto mais potente, boa passagem por madeira, com boa fama e boas expectativas. Na adega, um argentino elaborado para ser um ícone do país, com interferência direta do francês Michel Rolland. Pronto! Era o que precisávamos.

A elaboração fica por conta da Bodega Clos de Los Siete, empreendimento que reúne quatro bodegas dirigidas por famílias procedentes de Bordeaux, com 850 hectares de vinhedos aos pés da Cordilheira dos Andes, no Vale do Uco, em Mendoza.

O vinho é um blend de seis variedades: 57% Malbec, 18% de Merlot, 14% Cabernet Sauvignon, 9% Syrah e 2% Pedit Verdot. Finalizado o corte o vinho passa 11 meses por barricas de carvalho francês, divididas igualmente entre barricas novas, com um ano de uso e com dois anos de uso. Quando isso acontece é interessante, porque o enólogo deseja que a interferência do carvalho não seja tão intensa e aporte elegância ao vinho.

Na taça é rubi, brilhante, denso, com lágrimas grossas na taça.

Bons aromas, frutos negros maduros, ameixa, amora, lembrança pela passagem por madeira, sem se sobrepor à fruta, notas mentoladas e especiadas em segundo plano. Um pouco de álcool no nariz no início da degustação (14,5%).

Em boca, é encorpado. Taninos ainda vivos, mas o vinho é muito macio e amigável. Acidez mediana. Fruta abundante, frutos negros, especiarias, tostado da madeira. Embora tenha muita fruta, não é enjoativo como alguns vinhos com esse perfil.

Final longo, com notas frutadas e amadeiras (baunilha, tostado e cedro) em boa composição. É potente, por isso é indicado para acompanhar comida, pois como aperitivo tem potência de sobra. A importadora indica assado de tiras, carré de cordeiro, risoto de funghi, medalhão de filé-mignon e picanha invertida.

Vinho com estilo de Novo Mundo, frutado e potente, com boa passagem por madeira, mas com um conjunto muito interessante, capaz de evoluir com mais alguns anos de guarda, talvez mais 2-3 anos, sem perder qualidades.  

* Devo confessar que ao ler o nome de Michel Rolland como consultor de qualquer vinho que abro sempre aparece um ponto de interrogação em minha cabeça, porque há muitas referências ao enólogo-consultor-global como um dos responsáveis pela "padronização" dos vinhos de Bordeaux e de outras plagas. 

Nada que a verdade do vinho na taça não apague (ou confirme). Foi o que aconteceu com esse vinho. Esperava menos e encontrei mais. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Wine e atualmente é vendido em seu site por R$ 98, mas para os associados de seus clubes o vinho sai por R$ 83. 

Saúde a todos!



01 fevereiro 2016

Sem máscaras, leve e muito agradável: Domaine Bousquet Chardonnay 2014 #CBE

Foto: Marcel Gussoni (www.saborsonoro.com.br)

O tema desse mês para nossa Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE foi indicado pelo amigo Tiago Bulla, do blog Universo dos Vinhos. Ele seguiu a tendência desse início de ano e sugeriu um "Chardonnay sem passagem por madeira, de qualquer país e preço, para combater o calor". 

Duas observações quanto a esse tema: a primeira é que não é fácil encontrar um Chardonnay sem passagem por barricas de carvalho, pois a maioria passa pelo menos alguns meses; a segunda é que atribui-se a vinhos sem madeira o rótulo de "mais simples" ou "baratinhos". 

Essa última é uma meia-verdade: SIM, os vinhos sem madeira podem pertencer a linhas mais simples de muitas vinícolas; NÃO, pois nem todos esses vinhos podem ser considerados simples ou baratos, porque há grandes vinhos que são a expressão pura da fruta, como em muitos Petit Chablis. 

Pois bem. Saindo às compras, encontrei esse vinho da excelente Domaine Jean Bousquet, que já teve vinhos comentados aqui. Foi fundada em 1997 pelo produtor que dá nome à bodega. Possui 110 hectares de vinhedos em Tupungato, região do Vale de Uco, em Mendoza. Nessa localidade as chuvas não passam de 20 cm ao ano e os vinhedos (a 1200 metros de altitude) são irrigados por gotejamento.

Os vinhedos foram plantados já em 1997 em "terras virgens", o que possibilita o cultivo orgânico das vinhas, sem utilização de pesticidas ou outros produtos químicos.

Na taça apresentou coloração amarelo palha.

Aromas em média intensidade, frescos, frutos brancos (pera, melão e goiaba branca), discretas notas herbáceas. Em boca é leve, com boa fruta se repetindo e acidez mediana. Vinho franco, sem interferência da madeira a fruta se apresenta bem nítida. Final de média persistência, bem agradável.

Não deverá ser guardado para além de 2016, para manter todo esse frescor, que aliás é seu grande trunfo, porque está longe de ser daqueles Chardonnay potentes e alcoólicos que encontramos pelo Novo Mundo.  

Sem grandes complexidades é um vinho de entrada da vinícola, bem feito e harmônico. Será interessante como aperitivo pela leveza, mas poderá acompanhar saladas, sushi, sashimi e vários frutos do mar, desde que sem preparações muito condimentadas.


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Casa Santa Luzia, onde comprei essa garrafa pagando R$ 54, mas o preço normal de venda é R$ 59. Fui atendido pela mineira Cassiane, que foi muito atenciosa conferindo a ficha técnica do vinho para confirmar que não passou por madeira.

* Esse é o 112º vinho que comento para a Confraria Brasileira de Enoblogs. 

Saúde a todos!



13 dezembro 2015

Para fazer bonito com a sobremesa: Ciclos Tardío Malbec-Tannat 2011


É uma pena que os vinhos de sobremesa apareçam pouco por aqui, mas parece ser uma tendência do consumidor brasileiro o pequeno consumo desses vinhos. Por outro lado, as experiências que temos normalmente são muito agradáveis e bate aquele arrependimento de não abrirmos os vinhos que temos na adega. 

Esse aqui nós ganhamos há algum tempo do amigo Fernando Pupim, que o trouxe da Argentina e, ao que parece, não é exportado para o Brasil. É elaborado pela Bodega El Esteco, no Vale de Cafayate, com uvas super maduras, com alta concentração de açúcar, das variedades Malbec e Tannat. Tem passagem longa por barricas de carvalho francês e americano (24 meses). Tem 13,8% de álcool. 

Um vinho muito prazeroso, de boa complexidade, que acompanhou muito bem um pavê de amendoim que os amigos Paulo e Carol trouxeram para um jantar aqui em casa.

Na taça uma coloração densa, um rubi bastante escuro, com alguns reflexos dourados. Bastante aromático, revelou uma pontinha de álcool, frutas muito maduras, geleia, compota, mas também aparecendo baunilha, chocolate e um tostado provenientes da passagem por barricas. 

Em boca o dulçor não é exagerado, sendo possível apreciar a boa fruta e a boa complexidade que a passagem por madeira deu ao vinho. Os taninos são macios e existe bom equilíbrio entre acidez e o açúcar. Final longo, muito prazeroso, deixando a sensação de que os 500 ml de uma garrafa não são suficientes. Ótima experiência.

* Talvez alguém que não tenha muita experiência com esse tipo de vinho possa ficar em dúvida se pode ser comparado a um vinho do Porto. A resposta é não, porque para esse Tardío não há acréscimo de aguardente vínica para interromper a fermentação e deixar o teor de açúcar mais alto, já que as leveduras param de consumir o açúcar da uva. Nesse vinho de hoje o açúcar percebido em boca vem da própria uva super madura, por isso no rótulo há a indicação de ser um vino dulce natural


Detalhes da compra:

Os vinhos da vinícola são importador para o Brasil pela Bruck, mas não encontramos esse produto em seu portfólio. Então, não dá pra saber exatamente o preço que custaria por aqui, embora no mercado argentino seja vendido na faixa dos $110 Pesos, o que daria R$44 para nosso mercado. Considerando os impostos e os demais acessórios, creio que seria vendido por aqui perto dos R$80, tantum speculando!  

Saúde a todos!



28 novembro 2015

Um malbec fácil de beber e sem excessos: Saint Felician Malbec 2013


Foi só cair uma chuva e a temperatura ficar mais amena para dar aquela vontade de abrir um tinto em casa, em plena terça-feira. Aproveitamos para conhecer esse vinho que foi trazido da Argentina pelo amigo Eli Schettini, em uma de suas viagens para pescar (segundo ele)!

É um malbec para se gostar de imediato, seja você um consumidor novato ou experiente, porque é muito fácil de agradar. Elaborado pela famosa Bodega Catena Zapata, pertence a uma linha que não está disponível no Brasil, parecendo ser superior aos básicos Alamos e inferior aos DV Catena, por exemplo.

Segundo o site da vinícola, a linha Saint Felicien surgiu há 40 anos para o lançamento do primeiro varietal de Cabernet Sauvignon da Argentina. É uma marca destinada ao mercado de exportação e está presente na Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Holanda, por exemplo.   

Não encontrei informações sobre a safra 2013, mas as safras anteriores tem uma passagem longa por barricas de carvalho, na casa dos 16 meses, tanto por barricas francesas (90%) quanto por americanas (10%). Tem 13,6% de álcool. 

Na taça tem coloração púrpura, jovem, com lágrimas finas e rápidas. Os aromas aparecem em boa intensidade, muita fruta fresca, ameixa e uma leve lembrança da madeira, com tostado bem discreto. As características da Malbec estavam ali.

Na boca a primeira sensação é de um agradável adocicado, o que deixa o vinho muito amigável mesmo ao paladar iniciante. Tem corpo médio, taninos macios e doces, com acidez mediana. Muita fruta madura e notas minerais. Apesar das notas adocicadas não é nenhum pouco enjoativo, especialmente por conta da acidez.

Final de boa persistência, com palato marcado pela mineralidade e lembrança da madeira (tostado, bala de café). Não é um vinho de grande complexidade, mas ganha muitos pontos por ser muito equilibrado, fácil de agradar, sem qualquer excesso de fruta, madeira, taninos ou álcool.

Está alguns degraus acima do Malbec da linha Álamos, que é campeão de vendas da bodega aqui no Brasil.


Detalhes da compra:

Como foi dito acima o vinho não está disponível no mercado brasileiro através do importador da Catena Zapata, mas pode ser encontrado em vários sites a partir de R$80.

Saúde a todos!



13 outubro 2015

Um vibrante vinho branco argentino: Goulart T Torrontés 2012


Tudo que lemos sobre os vinhos com a uva torrontés, que simboliza os brancos argentinos, é que não são elaborados para a guarda, ou seja, devem ser bebidos jovens para que suas melhores características, aromas e frescor, sejam mantidas. Em um paralelo podemos compará-los aos Vinhos Verdes, elaborados em Portugal. 

Decidimos abrir esse vinho em casa justamente para verificar se com três anos de idade ele poderia estar em forma e apresentar suas principais virtudes. A surpresa foi grande, já adianto. 

É elaborado pela Bodega Goulart, que pertence a Erika Gourlart, uma paulistana descendente do Marechal Gastão Goulart, figura importante da Revolução Constitucionalista de 1932, no Brasil. O vinhedo foi adquirido pelo Marechal em 1915, na região de Lunlunta, em Lujan de Cuyo, e ampliados para mais 28 hectares quando esteva exilado na Argentina, na época, plantados com cabernet sauvignon e malbec. Erika assumiu a propriedade em 1995 e iniciou a recuperação de toda a estrutura, elaborando seu primeiro vinho em 2002. Atualmente possui 55 hectares de vinhedos próprios. 

Esse vinho é elaborado com uvas da região de Salta, de onde vêm os melhores torrontés argentinos, com alta carga de mineralidade, grande frescor e boa complexidade. Com esse não é diferente.

Na taça coloração amarelo palha, com reflexos esverdeados. Muito aromático, surpreendente até. Primeira presença de fruta branca, principalmente lichia, confirmando tipicidade. Com um tempo em taça surge uma boa complexidade, notas cítricas, derivados de petróleo e flores. 

Em boca é um vinho vibrante, com boa acidez e grande complexidade. Tudo que apresentou no nariz se repete em boca, com boa mescla de fruta branca, notas cítricas, nuances florais e grande mineralidade. Final persistente. Tem 14,2% de álcool.  

Vinho muito refrescante, complexo e com boa capacidade para harmonizações embora possa ser bebido apenas como aperitivo. Valeu a experiência!


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela Wine, que atualmente vende a safra 2013 por R$ 32. 

Saúde a todos!



28 setembro 2015

Para guardar por muitos anos: Andeluna Pasionado Cuatro Cepas 2011

Foto: Marcel Gussoni - www.saborsonoro.com.br

Amanhã acontece em São Paulo o Argentina Taste Experience, a nova iniciativa de dimensões mundiais que a Wines of Argentina apresentará ao público brasileiro, com muitas atividades interessantes, dentre elas uma grande degustação às cegas, degustações sensoriais sobre temas variados e um espaço que mostrará os vinhos premiados com medalhas de Ouro e Prata no último Argentina Wine Awards.

Veja mais sobre o evento clicando aqui e para ver sobre os valores clique aqui

Pois bem. Essa breve introdução foi para justificar termos aberto um vinho tinto argentino, robusto, de alto teor alcoólico, em uma semana de calor tão intenso aqui no Triângulo Mineiro. Claro, aberto à noite e refrescado mais que o normal foi possível apreciá-lo sem maiores problemas. 

É um vinho elaborado pela Bodega Andeluna, fundada em 2003, na região do Vale de Uco. A linha Pasionado tem um cabernet franc, um malbec e esse corte das variedades cabernet sauvignon (17%), merlot (20%), cabernet franc (10%) e malbec (53%). 

O vinho tem passagem de 18 meses por barricas de carvalho francês e pelo menos mais 12 meses na bodega para um período de amadurecimento. Tem 15% de álcool e tem a consultoria do famoso enólogo francês Michel Rolland, que não esconde de ninguém sua preferência por vinhos amadeirados, com muita fruta e mais robustos.

Na taça a coloração é púrpura, indicando jovialidade, com muitas lágrimas nas paredes da taça. Os aromas iniciais são muito intensos, com a madeira muito presente, com notas de chocolate, baunilha e um toque mentolado bem intenso. Com algum tempo de serviço (daí indica-se a decantação se for sua preferência) a fruta aparece mais claramente, com frutos vermelhos maduros, ameixa, especiarias, ervas aromáticas e um pouco de terra. 

Em boca é encorpado e as características são de um vinho ainda muito jovem. Apesar de não apresentar desequilíbrios alguns anos em garrafa o deixarão mais harmônico, com certeza. Os taninos estão bem presentes e ainda rascantes, Madeira em grande intensidade e fruta fresca em bom equilíbrio. É seco, sem notas adocicadas e tem acidez mediana. Vinho de perfil mais sério e menos frutadão! 

Além dessa grande possibilidade de ficar ainda melhor com alguns anos de guarda, o vinho não parece ter 15% de álcool, pois não há qualquer desequilíbrio ou sensação de calor que indique isso sem olharmos o rótulo. Boa virtude! 

Cairá muito bem com pratos à base de carne vermelha, especialmente se for um belo corte argentino.


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela World Wine, que ainda não oferece essa safra em seu site, apenas a 2008. Aliás, segundo o contra-rótulo, o vinho é elaborado apenas em safras consideradas excepcionais.  

Saúde a todos! 



02 agosto 2015

Nasceu na Patagônia argentina, mas tem sotaque francês: Marcelo Miras Joven Trousseau Nouveau 2014


Confesso que não conhecia a uva Trousseau. Não com esse nome, porque já conhecia a Bastardo, de Portugal, que é assim chamada em terras lusas, sendo utilizada para a produção de vinhos do Porto e vinhos licorosos em Setúbal, por exemplo. É uma variedade rústica e de maturação precoce, também encontrada na Austrália, África do Sul, Espanha e França, onde recebe o nome usado nesse vinho. 

Em março, quando minha esposa viajou para a Argentina a convite da Wines of Argentina, trouxe na bagagem esse curioso Trousseau Nouveau, elaborado por Marcelo Miras, na Patagônia. Aliás, essa visita encantou a todos os que participaram dela, como o jornalista Bruno Agostini, que já escreveu a respeito em seu blog (veja aqui). Aqui no blog a Érika também já escreveu a respeito da visita a Miras (relembre). 

Bem! Já que as informações sobre a viticultura praticada por Miras estão nos textos indicados acima, vamos direto ao vinho. 

Na taça apresentou coloração rubi, translúcido, lembrando vinhos com a Pinot Noir ou a Gamay.

Aromas em boa intensidade, indicando elegância desde logo. Servido na casa dos 17 graus o álcool aparece, incomodando um pouco. A indicação, portanto, é de um serviço a uma temperatura mais baixa, na casa dos 12-13 graus. Aromas lembrando frutos silvestres, flores, pó para maquiagem, ervas aromáticas e menta. Boa complexidade.

Parece leve e de pouco corpo quando olhamos sua cor, mas é um vinho marcante, de grande personalidade. Taninos finos, bem acabados, sem arestas. Boa acidez, muita fruta, morango, goiaba e cereja. A complexidade do nariz se repete em boca. Vinho seco e gastronômico.

Final de boa persistência, repetindo todas as sensações anteriores. Enfim, um vinho de muita personalidade, com perfil diferente da maioria dos vinhos sul-americanos, sendo mais parecido com vinhos do Velho Mundo e por isso poderá não agradar aos que não estejam acostumados ao estilo.

Em seu texto, Bruno Agostini escreveu que esse vinho tem um caráter "gevrey-chambertânico”, referindo-se à importante região da Borgonha. Confesso que não tenho autoridade para afirmar o mesmo, mas também não tenho condição de discordar. Na dúvida, Bruno está certo!

  
Detalhes da compra:

Os vinhos de Miras são trazidos pela La Charbonnade, de Canela (RS), mas ainda não trazem esse vinho comentado aqui. Então, não sei quanto custaria no mercado brasileiro, mas os demais vinhos da linha Joven estão na faixa dos R$49 e se esse tiver um preço parecido será uma compra excepcional!

Saúde a todos!