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21 janeiro 2016

Casa Valduga acerta ao lançar sua linha de cervejas especiais


Há algum tempo tenho me dedicado às cervejas especiais, estudando a respeito desse imenso mundo (como fiz com os vinhos), degustando, escrevendo e fazendo minha própria cerveja em casa. Tudo isso me permite - creio eu - avaliar como um grande acerto a entrada da Casa Valduga no mercado das cervejas especiais. 

É uma tendência do mercado. Tanto vinícolas quanto as grandes cervejarias apostam nesse nicho que tem consumidores cada vez mais exigentes. Porém, nem todas as apostas tem sido um acerto, porque já provei cervejas bem simples e algumas até ruins, porque uma cerveja para ser chamada de especial deve ter atributos que as lagers industrializadas e que padronizaram o paladar do brasileiro definitivamente não possuem. 

Mas vamos ao que motivou esse texto. 

A linha chama-se Leopoldina, nome que já faz parte da história da vinícola, e foram lançados cinco estilos. Provei todas e acredito que estão em um nível muito bom, algumas com predicados bem interessantes. Segue rápida análise, com preços da loja virtual, sem considerar os impostos para estados como SP ou MG.

Foto: evento "Sabores Gerais" (Wine Home / Maison Greta Cauê) - Novembro/15. 

- Leopoldina Pilsner Extra :: convenhamos, uma lager elaborada apenas com malte de cevada e lúpulo importado tem seu valor. É uma cerveja leve, mas de bom corpo. Ideal para quem já gosta das cervejas "puro malte" que estão disponíveis no mercado. Como sugestão, acredito que uma espuma mais persistente poderia deixar a cerveja mais cremosa ainda. Preço: R$ 20.

- Leopoldina India Pale Ale :: esse é meu estilo preferido, embora não goste tanto das IPA que tenham um amargor acima da média. Essa é harmônica nesse quesito, pois o amargor do lúpulo está em bom equilíbrio com o malte. Preço: R$ 25.

- Leopoldina Weissbier :: provavelmente a porta de entrada para o mundo das cervejas especiais são as Weiss, cervejas de trigo encorpadas, aromáticas e com paladar adocicado. Essa segue o estilo e tem algo bem interessante, que pode parecer insignificante, mas não é. Sabe aqueles copos grandes, especiais para as cervejas de trigo? Pois é, eles tem 500 ml, mas a grande maioria das cervejas brasileiras de trigo tem 600 ml. Essa foi feita para que toda a garrafa seja servida de uma só vez, como se faz na Alemanha, por exemplo. Preço: R$ 23.

- Leopoldina Witbier :: quem gosta de cerveja refrescante esse é um estilo interessante. Surgida na Bélgica, as Witbier são cervejas elaboradas com trigo, mas com aditivos que as deixam bem aromáticas e cítricas. Essa Leopoldina segue a tradição e leva em sua elaboração sementes de coentro e raspas de limão siciliano. Preço: R$ 16.

- Leopoldina Old Strong Ale :: essa é uma cerveja potente (11% de álcool) e complexa. Deve ser bebida com atenção, não só para não se embriagar com facilidade, mas principalmente para apreciar sua complexidade. É uma cerveja escura, com aromas lembrando nozes, mel e vinhos licorosos. Tem maturação de 10 meses em barricas de carvalho francês e a segunda fermentação acontece na própria garrafa, como os espumantes elaborados pelo método Champenoise. A garrafa é um diferencial, lacrada com cera. Preço: R$ 130.

Saúde a todos!

30 agosto 2015

Cerveja do mês :: Schornstein Witbier


- Família: Ale

- Estilo: Witbier

- Cervejaria: Schornstein - Pomerode/Holambra - Brasil

- Teor alcoólico: 5%

- Preço: R$ 20,00.

O mês de agosto quase acabando, mas felizmente consegui postar a "cerveja do mês", mais uma boa surpresa brasileira que conheci em julho, quando fui com os amigos Cristiano Orlandi e Cláudio Werneck à fábrica (filial) da Cervejaria Schornstein, em Holambra (SP). A matriz, na cidade catarinense de Pomerode, foi fundada em 2006 e em 2010 abriram a filial paulista. 

Chegamos ao bar da cervejaria para comprar algumas cervejas, mas por não conhecer nenhuma delas pensamos em provar essa witbier, porque se essa fosse um bom produto os outros estilos provavelmente seriam igualmente bons. Não deu outra. A cerveja é muito boa e acabei comprando outros três estilos (pilsen, stout e IPA), duas delas já com importantes premiações. 

O estilo witbier nasce na Bélgica, em 1966, pelas mãos de um leiteiro da cidade de Hoegaarden, que apesar do declínio da indústria cervejeira da região, que culminou em 1955 com o fechamento da última cervejaria, resolveu fabricar sua própria cerveja usando uma velha receita. 

A witbier é uma cerveja de trigo, que utiliza geralmente trigo não-maltado e alguns adjuntos (temperos), como semente de coentro e casca de laranja, o que deixa a cerveja seca e com aromas e sabores cítricos. Na Bélgica são vendidas também como acompanhamento para as sobremesas e seu teor alcoólico pode variar entre 4,5 a 5,5%.  

Por essa descrição já se percebe que é uma cerveja de trigo com estilo muito diferente daquele encontrado nas cervejas alemãs, mais encorpadas, com os característicos aromas de cravo e banana. Particularmente, gosto mais das witbier porque são mais refrescantes e menos enjoativas, mas é apenas uma opinião pessoal, ok?

Essa Schornstein tem 5% de álcool. De coloração clara e turva, tem boa formação de espuma. Aromas condimentados e cítricos, lembrando laranja e mexerica (tangerina) e algo especiado proveniente das sementes de coentro. Discretos aromas de levedura. É seca, leve e refrescante, sem ser enjoativa em nenhum momento. Final de média persistência, picante. Tem boa drinkability

Parece ser uma boa companhia para saladas e peixes fritos, além de ser obrigatória a tentativa de harmonização com alguma sobremesa, como fazem os belgas.


Saúde a todos!

25 janeiro 2015

Cerveja do mês :: Providência Casca Hell Extra Special Bitter


- Família: Ale

- Estilo: Extra Special Bitter

- Cervejaria: Providência - Cascavel (PR) - Brasil

- Teor alcoólico: 5,8%

- Preço: R$ 18

Aqui em Minas Gerais quando o sujeito diz "vou tomar providência", há uma grande chance de ser uma brincadeira relacionada a uma cachaça com esse nome, Providência. E ao pesquisar sobre a empresa que produz a "cerveja do mês" vi que tem algo parecido relacionado à escolha do nome, pois segundo o site foi a frase dita pelo responsável pelo registro dos nomes até então cogitados.

A história da Cervejaria Providência tem início em 1901 pelas mãos do imigrante sueco Ernesto Bengtsson, mas o atual perfil de micro cervejaria aparece apenas em 2008, já nas mãos de outros proprietários, porque os herdeiros de Ernesto venderam a fábrica em 1945.

A sede da empresa é em Cascavel, no Paraná, e o nome da cidade foi usado para essa cerveja, fazendo uma alusão à cobra, criando um trocadilho com a palavra inglesa hell.

Essa cerveja pertence à família das Ale (alta fermentação) e ao estilo English Pale Ale, um dos mais antigos e populares na Grã-Bretanha. Uma característica interessante é que as cervejas enquadradas nesse estilo têm pouca espuma, pouco colarinho, em razão da baixa carbonatação.

Mas, consultando o rótulo você verá a sigla ESB (Extra Special Bitter), que é um dos três sub-estilos reconhecidos para as English Pale Ale pelo guia de estilos do Beer Judge Certification Program (BJCP), de 2008. A distinção entre os três sub-estilos basicamente refere-se ao teor alcoólico, sendo admitido para uma ESB algo entre 4,6% e 6,2%, sem dúvida a categoria mais amarga, mais encorpada e, claro, mais alcoólica.

A Casca Hell tem cor acobreada, como pode ser visto na foto acima. Uso sempre a tulipa para degustar as cervejas, independente do estilo, porque ela favorece os aromas, mas é possível também usar um pint para essas cervejas de estilo inglês. Nos aromas predomina a presença do malte, lembrando caramelo, mas as notas herbais do lúpulo estão presentes em segundo plano.

Na boca novamente se repete a presença do malte e o amargor do lúpulo em segundo plano, porque nesse estilo o malte é que deve prevalecer. Apesar do corpo leve tem boa cremosidade e final persistente, marcado por um bom conjunto formado pelo caramelo e amargor.

Fácil de beber, mas o teor alcoólico indica que é melhor em dias mais frescos, até porque sua temperatura de serviço (8ºC) é mais alta que para uma lager, por exemplo. Enfim, cerveja para quem aprecia mais a presença maltada que o amargor do lúpulo, senão pode parecer enjoativa.

Harmonização: bebemos a cerveja com alguns queijos e salames, mas li em uma ficha técnica da cerveja que ela irá bem com mix de castanhas, lombo de porco, pernil de porco com abacaxi e salada de bacalhau.


Saúde a todos!

12 dezembro 2014

Cerveja do Mês :: Benedith Rota do Cerrado IPA



- Família: Ale

- Estilo: India Pale Ale

- Cervejaria: Benedith - Uberlândia (MG) - Brasil

- Teor alcoólico: 7,5%

- Preço: R$21. 

Escolhi a Rota do Cerrado para ser a primeira Cerveja do Mês aqui no blog por dois motivos muito simples: primeiro, é uma IPA que bebo com bastante frequência, já que moro a 500 metros da cervejaria; segundo, porque minhas impressões positivas sobre ela sempre são as mesmas de outros amigos que entendem muito de cerveja. Uma IPA de respeito, afinal de contas.

O único problema é que anda tão cobiçada que está ficando difícil encontrá-la por aqui. A procura é grande e a produção é bastante limitada, já que o cervejeiro e sua esposa ainda são os únicos que trabalham na empresa, dedicada à elaboração de 2.000 litros/mês.

Na taça a cor é cobre, com boa formação de espuma. Aromas muito intensos, com destaque para maracujá e caramelo. Na boca tem ótima cremosidade, aparecem as notas adocicadas provenientes do malte e do açúcar mascavo, com o amargor do lúpulo bem presente, mas sem ser inconveniente. Pessoalmente eu gosto bastante das cervejas lupuladas, mas no limite em que o ingrediente não deixe a bebida muito agressiva, interferindo no conjunto.

Aliás, essa cerveja mostrou grande harmonia para quem gosta do estilo. Final de boa persistência e refrescante, com amargor do lúpulo marcando presença, notas de maracujá se repetindo também. Cerveja pra ser bebida vagarosamente, apreciando cada detalhe e, de preferência, com um bom prato para acompanhar, talvez umas empanadas, um belo hambúrguer ou um arroz carreteiro.

Arrisco a dizer que em razão do teor alcoólico e por não ser extremamente lupulada, deixando o malte aparecer também, enquadra-se num sub-estilo de IPA, chamado English IPA, que conforme a literatura é o que mais se aproxima do original, criado no século XVIII quando os fabricantes ingleses acrescentavam grandes quantidades de lúpulo para que a cerveja chegasse à Índia em boas condições, suportando a longa viagem. Daí, o nome India Pale Ale.

Curiosidade: na garrafa existe um pequeno adesivo indicando que foi feito dry hopping do lúpulo Simcoe. De forma muito simplificada, essa técnica consiste no acréscimo de lúpulo ao final da fermentação ou da maturação para que a cerveja adquira mais aromas ligados a esse ingrediente, mas sem aumentar o amargor. O lúpulo em questão tem origem nos EUA e confere aromas cítricos e madeira (pinho).



Saúde a todos!