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13 março 2015

Uma cerveja clássica :: Commerzienrat Riegele Privat


- Família: Lager

- Estilo: Munich Helles

- Cervejaria: Brauhaus Riegele - Augsburg - Alemanha

- Teor alcoólico: 5,2%

- Preço: R$ 23.

No dia em que abri essa cerveja eu sinceramente não queria escrever sobre nada. Não queria fotografar, apenas beber, apreciar sem compromissos. Mas, o resultado foi tão bom que resolvi tomar algumas notas e fazer fotos. Depois, ao olhar meus livros de cerveja descobri que ela está na lista das 1001 para se beber antes de morrer. Pronto! Estava explicado porque gostei tanto mesmo não esperando nada.

Ela pertence à família das Lagers, ou seja, de baixa fermentação, resultando em cervejas mais leves, menos encorpadas, mas nem por isso menos interessantes. Da mesma forma  não se pode comparar uma cerveja lager de boa procedência com as "tipo pilsen" comerciais que o brasileiro bebe "estupidamente" gelada.

Essa aqui é do estilo Munich Helles, criado em 1895 numa cervejaria de Munique para rivalizar com as emergentes Pilsen, da Boêmia. Para pertencer a esse estilo a cerveja deve ter sabor predominante do malte, de cor clara e o lúpulo deve dar um leve amargor, mas em equilíbrio. Pode ter entre 4,7 e 5,4% de álcool.

É produzida pela Brauhaus Riegele, cervejaria alemã da cidade de Augsburg, na Bavária. Seu ano de fundação é 1884, pelas mãos de Sebastian Riegele, mas as origens da fábrica remontam a 1386, época em que a cidade era um importante centro comercial europeu. 

A cerveja tem cor dourada, brilhante, com boa espuma. Nos aromas predominam as notas maltadas, lembrando pães, mas o floral do lúpulo aparece também, mas em segundo plano. Na boca é uma cerveja refrescante, com boa cremosidade e personalidade, presença do malte dando corpo e amargor do lúpulo aparecendo em grande equilíbrio. 

Não é um estilo que permita mais amargor que o apresentado, afinal não é uma ale lupulada. Está como deve ser. Final de boa persistência, equilibrado e refrescante.

Servida na temperatura correta (entre 5-7º C), fará boa companhia para petiscos variados, como camarão, lula frita, bolinho de bacalhau, mas também com pratos mais elaborados, como risotos e massas com frutos do mar.


Saúde a todos!

09 janeiro 2015

Uma cerveja clássica :: Delirium Tremens



- Família: Ale

- Estilo: Belgian Golden Strong Ale

- Cervejaria: Huygue - Melle - Bélgica

- Teor alcoólico: 8,5%

- Preço: R$ 23.

Essa é a primeira Cerveja Clássica que comento no blog, uma daquelas que você deve "beber antes de morrer". Curiosamente não está no livro com esse mesmo nome, mas deveria estar. Não só pelos atrativos da garrafa, dos elefantes cor-de-rosa voadores, do crocodilo exibido, da garrafa estilizada, mas porque é uma baita cerveja.

É produzida pela Brouwerij Huyghe, que foi adquirida por Léon Huyghe em 1906, quando já tinha uma história de 250 anos. Após a aquisição vieram as duas Grandes Guerras e as dificuldades financeiras foram muito grandes, o que só foi amenizado na década de 1980 com o lançamento de novas cervejas: a Artevelde, em 1985 e a Delirium Tremens, em 1989. 

O nome curioso, delirium tremens, que numa tradução livre do latim significa "delírio trêmulo", é uma alusão ao efeito psicótico causado pela abstinência ou suspensão do uso de álcool, drogas ou medicamentos para combate ao alcoolismo, resultando em alucinações e tremedeira. Por essa razão a cerveja chegou a ser proibida nos Estados Unidos por fazer alusão ao consumo do álcool. Mas, o apelo irônico do rótulo venceu e hoje é um produto obrigatório para quem é apreciador das boas espumas. 

É uma cerveja de alta fermentação (da família das Ale, portanto), cujo estilo é Belgian Golden Strong Ale, um dos mais clássicos estilos belgas, que pode enganar os menos avisados porque na cor se parece com uma cerveja Lager, bem leve, mas o teor alcoólico pode variar entre 7,5 a 10,5%. São cervejas fortes, muito frutadas e com amargor típico dos lúpulos utilizados, têm espuma densa e cremosa.

Quem já bebeu uma cerveja dessas certamente vai se lembrar da espuma generosa, dos aromas florais e frutados, às vezes cítricos, deixando a impressão de que será uma bebida adocicada, principalmente por conta dos maltes utilizados que lembram aromas de caramelo. Na boca é encorpada e uma sensação complexa é percebida de imediato, com o álcool aparecendo (8,5%), mas sem deixar a cerveja pesada, os sabores maltados são intensos e secos, com generoso amargor do lúpulo.

Uma cerveja para ser bebida devagar, apreciando cada detalhe desse clássico. O copo ideal para essa cerveja é o tipo tulipa, como esse da foto. Aliás, essa espuma que escorre pelas paredes da taça é o que chamam de lace (renda), algo comum nesse estilo de cerveja. 




Saúde a todos!