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14 outubro 2013

Confirmando a fama de envelhecer bem: Don Laurindo Reserva Cabernet Sauvignon 2006


Os vinhos da Don Laurindo envelhecem bem. Já experimentei vinhos antigos deles, da década de 1990, e sempre evoluem bem. Até acho que o Ademir Brandelli elabora vinhos tintos para serem apreciados com, no mínimo, cinco anos após a safra. Seu estilo é "velho mundo", com vinhos gastronômicos, elegantes e sempre de guarda. 

Tanto é assim que optou por lançar um Merlot Jovem, um vinho pronto para o consumo imediato, como o próprio nome diz, e que se contrapõe aos outros tintos da casa.

Esse Cabernet Sauvignon já tem 7 anos de idade e  não foge à regra. Está em ótima forma agora e pode evoluir ainda pelos próximos anos. Tem coloração rubi quando servido, com muitas lágrimas. Os aromas vêm intensamente ao nariz, com boa fruta vermelha, ameixa, azeitona preta e especiarias. Na boca tem corpo médio, com taninos finos e grande acidez, deixando a boca pronta para um cordeiro ou para massas com molhos mais estruturados, por exemplo.

Final de boa persistência, com o palato marcado por café, fruta madura, ervas aromáticas e discretíssimo amargor. A madeira está presente, mas para dar elegância ao vinho, que evolui na taça. Essa "evolução" lhe dá duas opções: aproveitar o vinho a cada momento em sua taça ou decantá-lo. Mas se optar por usar o decanter, não conte para o Ademir Brandelli. 

Foram colocadas no mercado 24.000 garrafas desse vinho e abri a de nº 12.172. Tem 13% de álcool. 


Detalhes da compra:

Os preços da Don Laurindo são honestos. Não me lembro quanto paguei por essa garrafa no varejo da vinícola, mas a safra atualmente à venda (2009) tem preço de R$40. Justíssimo! 

Saúde a todos!



11 outubro 2012

Provamos um Tannat 1995, da Don Laurindo, em grande forma aos 17 anos

Ademir Brandelli abre sua adega de vinhos antigos. 
Foto: Gilmar Gomes Fotografia Digital

Sei que muitos leitores do blog não gostam dos vinhos brasileiros. Mas espero que esse "não gostar" seja uma questão de paladar e não uma demonstração de preconceito. Conheço muita gente que não gosta de quiabo, mas nunca experimentou... ou não gosta porque alguém disse que não gosta. Com o vinho brasileiro também já vi isso acontecer, mas nada como uma degustação às cegas para acabar com essa história.

Mas, se tem uma característica dos vinhos brasileiros que está se tornando uma máxima difícil de questionar é a sua longevidade, sua capacidade de resistir ao tempo em boas condições. E não estou falando de vinhos caros, mas de vinhos acessíveis, elaborados há 15 ou 20 anos em condições de tecnologia bem desfavoráveis, em vinhedos sem os cuidados que se tem hoje, armazenados em tonéis de grápia porque não havia tanques de inox, e por aí vai.

E no dia 26/09 encontrei mais uma vez um dos grandes entusiastas do vinho brasileiro evoluído, um vinhateiro que não tem nenhum receio de abrir sua adega para que os visitantes provem "seus filhos mais queridos". Tive a honra de reencontrar o Ademir Brandelli, enólogo da vinícola Don Laurindo


A estrela da noite, um Tannat da safra 1995. 
Foto: Gilmar Gomes Fotografia Digital

Nessa visita, que começou às 23:30 h, estavam além desse blogueiro, os amigos Silvestre Tavares (do blog Vivendo a Vida), Orestes Andrade Jr. (Ibravin), Morgana Miolo (Diretora de Marketing da Miolo), Gilmar Gomes (Fotógrafo) e Marina Rossi (IstoÉ Dinheiro), que ficou responsável por escolher o vinho. Aliás, a escolha não poderia ser melhor: um Tannat da safra 1995, com uvas de vinhedos em latada, sem tanques de inox, com rolha "curta" e todas as dificuldades da época. 

O vinho estava ótimo, evoluído em cores, repleto de aromas terciários e sabores mesclando frutos vermelhos, tabaco, frutos secos, com taninos ainda presentes e uma acidez viva. Experiência que o Ademir só compartilha com quem gosta desse tipo de vinho e sabe reconhecer essas particularidades tão especiais de um vinho com 17 anos de idade. 

Provamos outros excelentes vinhos da vinícola, como o Merlot da DO Vale dos Vinhedos (com muitos anos para evoluir em garrafa), o Chardonnay também dessa Denominação de Origem e o Assemblage (Tannat, Merlot e CS) que é um dos meus preferidos (R$ 42), dentre outros.

Mas, a grande estrela foi o Tannat 1995, degustado numa noite fria, com ótimas companhias e com a presença sempre empolgante do Ademir Brandelli, que não esconde seu prazer em elaborar vinhos de corte e sua paixão pela uva Tannat.

Saúde a todos!

*** Viajamos ao Rio Grande do Sul a convite do IBRAVIN, para mais uma edição do Projeto Imagem.

02 março 2012

A ótima experiência de degustar com Ademir Brandelli

Foto: Vivian Costa

No dia 11/2 tive o prazer de retornar à Don Laurindo e reencontrar o enólogo Ademir Brandelli, que eu conhecia de outras situações, mas com quem nunca tive o prazer de conversar com calma. A visita foi viabilizada pelo jornalista Orestes Andrade Jr., que estava fazendo fotos para uma matéria que publicará em breve. Participaram também o Tiago Bulla, do blog Universo dos Vinhos, e sua esposa Vivian.

Em resumo, Ademir Brandelli é  um apaixonado por vinhos e adora conversar sobre isso. É um incansável viajante e, segundo eu soube, vira turista em outros países e faz questão de degustar tudo que encontra e sempre toma notas. Defende que conhecer novos produtos no Brasil e no exterior é fundamental para um enólogo.

Outra característica dele é que parece gostar mais de beber seus vinhos e conversar sobre eles do que vendê-los. Verdadeira ou não essa minha impressão,  o fato é que sempre que encontro os proprietários das vinícolas e se estes forem enólogos, há uma certa dificuldade em falar de vendas.



Já no início da visita fui incumbido de escolher qualquer vinho na adega histórica da vinícola. Tarefa difícil. Indiquei três e o Tiago Bulla decidiu um rótulo: o Assemblage 1995. Logo o Ademir disse: "esse foi o primeiro corte que fiz aqui na Don Laurindo, assim que cheguei de uma viagem a Bordeaux". Não poderíamos começar melhor. 



Ao longo da conversa Ademir Brandelli se revelou um apaixonado por assemblages e pela uva Tannat, tanto que em seus cortes essa uva sempre aparece.

Perguntei a ele se a Merlot é realmente a "uva emblemática" do Brasil ou apenas uma estratégia de marketing. A resposta foi positiva, porque nas condições climáticas da Serra Gaúcha, especialmente do Vale dos Vinhedos, é a uva que melhor oferece condições para vinhos de qualidade.

Os vinhos degustados foram muitos, sem pressa, sem uso de decanter. Apesar de a idade indicar que haveria resíduos, até porque os vinhos não eram filtrados, nenhum deles apresentou depósitos. Além disso, Ademir tem uma preferência que eu também tenho: decantar o vinho e deixá-lo evoluir sozinho torna a degustação menos interessante. Enfim, deixamos que todos evoluíssem na taça, a olhos (e narizes) vistos.

Os vinhos degustados e apreciados lentamente foram:

- Don Laurindo D'Assemblage 1995 - um vinho espetacular, evoluído, vivo, com linda coloração (foto abaixo) e mostrando aromas variados no decorrer da degustação. Fruta madura, frutos secos, estrebaria, tostado, tudo que um grande vinho demonstra. Em boca ainda apresenta acidez marcante e taninos que ainda poderão evoluir. Incrível experiência.



- Don Laurindo Reserva Cabernet Sauvignon 2007 - vinho com boa fruta madura, mesclada com notas amadeiradas. Um vinho ainda muito jovem, que evoluirá com a guarda. R$36

- Don Laurindo Reserva Assemblage 2006 - vou resumir esse vinho com o que disse ao Ademir Brandelli: esse vinho numa degustação às cegas com Bordeaux de até R$100 tem grande chance de levar o primeiro lugar. Vinho de estilo Velho Mundo, com longa estrada pela frente, a incríveis R$ 42 no varejo da vinícola. Corte de Merlot, Cabernet Sauvignon e Tannat.  

- Don Laurindo Reserva Merlot D.O. 2009 - ainda é o único vinho da vinícola produzido sob as especificações da Denominação de Origem Vale dos Vinhedos. É um vinho carnudo, com muita fruta e madeira presente. Se você comprar e abrir agora certamente ficará com uma pontinha de arrependimento, pois ainda não está pronto e ainda evoluirá nos próximos 5 anos (ou mais). No varejo a R$60.    

- Don Laurindo Merlot 2011 - proposta da vinícola para atender um público que ainda está começando no mundo dos vinhos finos. É frutado e leve, diferente dos vinhos de guarda que a vinícola produz ao estilo Velho Mundo. Vendido no varejo a R$30.

Provamos também um espumante Brut elaborado com a variedade Malvasia de Cândia (R$42), que pelo inusitado foi comentado ontem para a Confraria Brasileira de Enoblogs.

Em resumo, os vinhos de guarda da Don Laurindo têm bons preços e a receita para melhor apreciá-los é a seguinte: compre várias garrafas de seus rótulos preferidos e vá abrindo a cada 2 anos. Será prazeroso apreciar sua evolução.

Para saber mais: www.donlaurindo.com.br 

Saúde a todos!

01 março 2012

O inusitado Don Laurindo Espumante Malvasia de Cândia (tiragem 2010) #cbe


Esse é o 66º vinho comentado para a Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE, escolhido pelos confrades do Le Vin au Blog. O tema é o inusitado, o diferente, o raro ou até mesmo o estranho.  Em síntese: "Quanto mais diferente, incomum, curioso e pitoresco melhor", disseram os amigos Cláudio e Rafaela.

A ecolha não é fácil, mas quando estávamos na Don Laurindo, degustando com Ademir Brandelli, conhecemos um espumante elaborado com a uva Malvasia de Cândia, algo incomum. Essa variedade é bastante utilizada por vinícolas gaúchas para elaboração de vinhos brancos leves e aromáticos, mas ainda não tinha experimentado um espumante. Ademir chegou a comentar que alguns colegas o indagaram sobre esse produto, perguntando se seria doce. 

Mas é um brut, elaborado pelo método tradicional (champenoise). São 12 meses entre fermentação e autólise de leveduras. O espumante degustado sofreu o dégorgement em 2010 e custa R$42 no varejo da vinícola.

Ao servi-lo a coloração é um amarelo palha, com reflexos esverdeados. Perlage intenso, bolhas finas, barulhento. Os aromas são em grande intensidade, floral bastante evidente, algum frutado (abacaxi), em segundo plano os aromas típicos da fermentação. 

Na boca é intrigante. O retrolfato leva a pensar num vinho adocicado, mas é brut, seco, refrescante, com leve tostado da fermentação e alguma cremosidade.  Final mediano, com flores, frutos, fermento e tostado. Espumante descontraído, mas equilibrado e com certa complexidade. O inusitado não ficou ficou apenas na variedade, mas se confirmou em boca. 

Saúde a todos!


26 setembro 2007

Don Laurindo Reserva Malvasia de Cândia 2006

Tinha muita curiosidade de degustar um vinho da Don Laurindo, vinícola familiar fundada em 1991, que tem produção limitada e, por conta disso, um preço um pouco superior a outras do Vale dos Vinhedos. Esse malvasia de cândia, variedade de origem italiana, me custou R$ 25, na Canta Maria, cantina de Bento Gonçalves.
No copo, coloração amarelo palha, com tons esverdeados. Aromas medianos, assemelhando-se a um moscatel. Lembrança de pêssego. Notas cítricas, talvez lima.
Leve, acidez moderada, porém referescante. Álcool equilibrado (11,5%). Retrogosto agradável. Final de boa persistência, com lembrança de lima (sumo), com leve amargor que acompanhou todo a degustação, mas sem incomodar.
Faltou um pouco de acidez, que o deixou meio escondido. No geral, no entanto, uma ótima experiência, confirmando o que ouvia dizer da vinícola, que produz apenas 10.500 garrafas deste vinho (a que abri era a de nº 10.320).
Vinho honesto, uma boa opção para dias quentes, acompanhando frutos do mar, massas bem leves ou simplesmente como aperitivo.