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23 janeiro 2024

Sim, existe Bordeaux que cabe no nosso bolso :: Signatures Bordeaux Rouge 2016



País: França
Região: Médoc (Bourdeaux)
Uvas: Merlot (70%) e Cabernet Sauvignon (30%) 
Maturação: 12 meses em barricas francesas
Álcool: 13% 

Não é fácil comprar Bordeaux na faixa de preços que costumo investir. Há o risco de comprar vinhos muito duros, ríspidos, de pouca personalidade e que, no final das contas, não entregarão na taça o que o investimento esperava. 

Mas, assistindo a um programa de TV cujo nome não me lembro, vi o apresentador/cantor/enófilo Ronnie Von recebendo uma convidada que levou este vinho para degustação. E foi muito bem recomendado, embora eu desconfiasse que o importador pudesse ter enviado para esse fim. Comprei mesmo assim, confiando no "pequeno príncipe" (apelido do cantor, para quem não sabe). 

Este vinho é elaborado na região do Médoc, região de Bordeaux onde a uva mais plantada é a Cabernet Sauvignon, seguida de perto pela Merlot. Ente as brancas a Sauvignon Blanc é a mais utilizada. O produtor é a Maison Schröder & Schÿler, fundada em 1739, e que adquiriu em 1925 o famoso Château Kirwan, classificado como “3ème Grand Cru Classé” em 1855. 

A linha Signatures é destinada a vinhos para o dia-a-dia, tendo também um branco que ainda não provei, um corte de Sauvignon Blanc (90%) e Sémillon (10%). 

Ao abrir esta garrafa já com oito anos de idade fui supreendido positivamente com um vinho de grande elegância, como esperava de um Bordeaux realmente bem feito e que valha a pena comprar. Parece já ter ultrapassado seu auge em razão de taninos já bem macios, mas ainda entrega muita qualidade, com frutado intenso, maduro, boa acidez, notas amadeiradas de muita elegância. 

É um daqueles vinho que dificilmente você bebe um gole sem prestar atenção, analisando cada nuance de aromas e sabores. Um tinto de classe que está no momento certo para ser aberto, podendo aguentar mais dois anos caso queira matar a curiosidade de beber um vinho com dez anos de idade. Eu abriria já, se tivesse outra garrafa!

Não sei a proporção do corte entre Merlot e Cabernet Sauvignon, mas a safra atualmente vendida pelo importador leva 70% e 30%, respectivamente, com passagem de 12 meses por barricas de carvalho, obviamente, francês.

Veja o post no Instagram: https://x.gd/J0Txj.


Detalhes da compra:

A Mistral vende atualmente a safra 2020 a R$ 165, mas comprei esta garrafa a R$ 189 em Uberlândia, na Wine Home. 

Saúde a todos!




02 junho 2019

Para beber um balde :: Chateau Lauduc Bordeaux AOC 2016


País: França
Região: Bordeaux
Produtor: Maison Sichel
Uvas: 75% Merlot e 25% Cabernet Sauvignon
Maturação: 8 meses em barricas de carvalho francês e mais 12 meses maturando em cave.
Álcool: 13,5%

Eu gostaria de beber tintos de Bordeaux com mais frequência, mas é difícil encontrar bons rótulos e que caibam no meu bolso. Os baratinhos que encontramos nos supermercados da vida costumam ser decepcionantes, então na mesma faixa de preços opto por portugueses ou sul-americanos. Uma pena. 

Pela minha experiência de treze anos de blog cheguei à conclusão difícil de que para beber um Bordeaux que realmente me agrade tenho que desembolsar uns dinheiros a mais. Esse aqui foi um belo achado. 

Na taça a coloração rubi típica. No nariz uma boa paleta de aromas com frutas vermelhas e especiarias aparecendo em certa complexidade. Na boca um vinho aveludado, de bom volume, suculento, com boa acidez e um frutado intenso, elegante e sem excessos de álcool, fruta ou madeira. Final persistente e muito harmônico. 

Como escrevi na conta do Instagram: "para beber um balde inteiro". Foi essa sensação que tive na primeira taça e quando os 750 ml acabaram eu realmente queria outra garrafa, o que não faço para qualquer vinho. 

Harmonizará bem com pratos variados à base de carne vermelha, massas com molhos mais densos, risotos de cogumelos ou uma boa tábua de queijos maduros e salamaria. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Domno do Brasil e paguei R$113 pela garrafa aqui em Uberlândia. 

Saúde a todos!



  


15 setembro 2016

Um belo exemplar da França por R$ 69,90 :: Maison Jaffelin Côteaux Bourguignons Rouge 2014


Ontem à noite participei de mais uma edição do Winebar, degustação virtual reunindo vários blogueiros e jornalistas do mundo vinho. Dessa vez foram degustados dois vinhos franceses da região da Borgonha, um tinto e um branco. 

Como de costume o amigo Daniel Perches conduziu uma ótima entrevista, dessa vez com o enólogo Jean-Pierre Nié, proprietário de vinícolas nas regiões da Borgonha e Côtes du Rhône, para falar sobre os vinhos que foram selecionados para os assinantes do Le Club, o clube de de vinhos da importadora Chez France.

[Clique aqui para assistir à entrevista!]

Hoje quero falar sobre o tinto da noite, um vinho da região da Borgonha, mas elaborado com a Gamay, uma variedade ofuscada pela presença imponente da Pinot Noir nos vinhos da famosa região francesa. A sub-região é a AOC Côteaux Bourguignons, criada em 1937 e de onde saem vinhos tintos, brancos e rosés em seus 135 hectares de vinhedos. São vinhos que podem ser classificados como "genéricos" ou "ordinários" da Borgonha em razão da amplitude da região e regras mais flexíveis, mas isso não significa que sejam vinhos inferiores ou ruins. 

Esse 100% Gamay é elaborado pela Maison Jaffelin, fundada em 1816 e que elabora vinhos em várias faixas de qualidade e preço, inclusive dois espumantes Crémant de Bourgogne (um branco e um rosé). 

Na taça o vinho tem coloração rubi, com reflexos violáceos e boa transparência. Aromas em média intensidade, com destaque muito vivo para frutos silvestres (cereja, morango), especiarias e frutas secas. Na boca é leve, com boa acidez e taninos elegantes. Daqueles vinhos em que a intensidade e potência ficam em segundo plano, pois o admirável é sua sutileza. 

Final de boa persistência, pedindo mais um gole em razão da boa acidez. Palato mesclando boa fruta silvestre, especiarias e um levíssimo tostado, embora não tenha passagem por madeira. 

É engarrafado após um breve período de maturação em tanques de inox e deve ser bebido jovem, como a maioria dos Gamay para que seu frescor seja preservado. Acredito que esteja no auge e se eu tivesse outra garrafa abriria na semana que vem. 


Detalhes da compra: 

Recebi essa garrafa para participar da degustação virtual, mas é importado pela Chez France que o vende em sua loja virtual por um preço bem honesto: R$ 69,90. 

Saúde a todos!



17 abril 2016

É sempre bom reencontrar a elegância dos brancos franceses: Clos Bellane Côtes-du-Rhône Villages Valreás Blanc 2011

Foto: Instagram do @vinhoparatodos

O amigo Cristiano Orlandi, do blog Vivendo Vinhos, e sua esposa Valdirene são anfitriões fantásticos, sempre recebendo os amigos com muito carinho, boas risadas, boa comida e sempre alguns vinhos secretos brotam daquela adega. Dizem por aí que são mais de 400 vinhos escondidos, esperando boas companhias para desarrolhá-los. 

Esse o Cristiano abriu no fim de fevereiro quando estive em Jundiaí para uma rápida visita. É elaborado no Rhône pela Clos Bellane, vinícola fundada em 1999 com 44 hectares de vinhedos onde são cultivadas principalmente as tintas Grenache e Syrah e as brancas utilizadas nesse vinho,  um corte de Roussanne (65%), Marsanne (30%) e Viognier (5%).

Esse é um vinho considerado orgânico para a legislação francesa e não tem passagem por madeira.

É daqueles vinhos franceses de bom corpo e elegantes. De coloração amarelo palha, já com 5 anos de idade, tem aromas em boa intensidade, destaque para frutos brancos maduros, frutos tropicais e uma nota de evolução lembrando mel. Em boca tem boa estrutura, é untuoso, tem boa acidez, bem refrescante, com muita fruta branca se repetindo. Final de boa persistência, repetindo no palato o frutado e as notas de mel. 

Elegante! E considero que os 750 ml de uma só garrafa foram pouco para a nossa "sede".     


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela Premium Wines, de Belo Horizonte, e pode ser encontrado no mercado na faixa dos R$ 110-120,00.

Saúde a todos!



04 fevereiro 2016

Boa opção de Borgonha por R$ 90 (ou menos): Ropiteau Frères Mâcon-Villages AOC 2013 #CBE


Não é fácil apostar em vinhos da Borgonha abaixo dos R$ 100. Mas, os riscos me parecem menores entre os brancos, porque os Pinot Noir nessa faixa de preços costumam ser muito simples ou decepcionantes. 

Esse vinho deveria ter sido comentado aqui em abril do ano passado, quando o amigo Silvestre Tavares (do excelente Vivendo a Vida) escolheu o tema do mês para nossa Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE: "Branco da Borgonha até 150 reais". 

Então, antes tarde do que nunca!

No dia 14 de janeiro abrimos em casa esse 100% Chardonnay, elaborado pela Ropiteau Frères, fundada em 1848, que tem vinhos de 12 denominações dentro da complexa Borgonha, atendendo a todos os gostos e bolsos. Esse vem da AOC Mâcon-Villages, destinada apenas aos vinhos brancos elaborados exclusivamente com a Chardonnay, cujas regras foram estabelecidas em 1937.

Segundo o importador o vinho tem amadurecimento parte em tanques de inox, parte em barricas de carvalho. Tem 12,5% de álcool.

Na taça coloração palha. Bons aromas, Notas cítricas mais evidentes, mas também frutos tropicais e leve mineralidade. Em boca tem bom corpo e untuosidade. Elegante, tem interferência da madeira, mas sem excessos. Mineral e boa fruta cítrica e tropical dão boa complexidade.

Final persistente. Fruta se sobrepondo à madeira. Palato com toques minerais e leve álcool aparecendo, apesar do baixo teor. Talvez o único senão para esse vinho.

Boa compra para experimentar um Borgonha de região "menos genérica". Para harmonizar imagino queijos leves, ceviche, peixes grelhados, saladas de folhas ou entradinhas descontraídas.


Detalhes da compra:

Por essa garrafa paguei R$76 no site da Wine, por ser associado a um clube deles, mas seu preço normal de venda é R$90. Eles também são os importadores desse produtor para o Brasil.

* Esse é o 113º vinho que comento para a primeira e única confraria virtual do país, nossa gloriosa CBE. 

Saúde a todos!



23 dezembro 2015

Para quem prefere a elegância: Fortant de France Reserve des Grands Monts Carignan 2012 #CBE


Meu amigo Cristiano Orlandi, do blog Vivendo Vinhos, é um sujeito generoso. Certamente não guarda mágoas desse blogueiro atrasado, que deveria escrever sobre o vinho que ele escolheu como tema de nossa Confraria em julho. Sua escolha, como sempre saindo do trivial, foi: "um vinho francês que não seja nem Bordeaux e nem Borgonha".

O vinho que escolhi é de um produtor que já esteve por aqui com um ótimo Viognier (relembre), coincidentemente também degustado para nossa CBE.

A Fortant de France, foi fundada no início dos anos 1980 e elabora esse vinho com 100% Carignan, cultivadas no Languedoc, região que a vinícola divide em três terroir distintos: Litoral, Colinas e Grandes Montanhas (veja vídeo). 

Pelo nome desse vinho percebe-se que vem do terroir das Grandes Montanhas (Grands Monts), com passagem de 10 meses por barricas francesas, permanecendo em contato com as borras da fermentação (sur lie), gerando boa complexidade de aromas e sabores.

* Para saber um pouco mais sobre essa a uva Carignan sugiro um texto bem objetivo (clique aqui). 

Na taça tem coloração rubi. Bons aromas, frutos silvestres, morango, groselha, mas com destaque maior para especiarias secas, tomilho, orégano, feno. Em boca tem corpo médio, com frutado delicado, sem ser uma "bomba" como alguns Carignan que bebemos abaixo do Equador. Taninos macios e boa acidez. 

Final mediano repetindo todas as sensações anteriores, mas com uma pitada de notas terrosas. Boa complexidade. Perfil para amantes de vinhos mais elegantes. O álcool é de 13,5%, mas não incomoda em nenhum momento. Evoluiu depois de aberto.    

Acredito que esteja em um ótimo momento para consumo, já com 3 anos .A expectativa de guarda do importador, no entanto, é para 10 anos. Se tivesse outra garrafa não esperaria tanto!


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Wine e comprei a garrafa por R$83. 

* Esse é o 108º vinho que comento para a Confraria Brasileira de Enoblog - CBE, primeira e única confraria virtual do Brasil. 

Saúde a todos!






20 novembro 2015

1.000 vinhos nesse blog :: um brinde à amizade e aos momentos felizes :: Marcel Lapierre Morgon AOC 2011


Hoje é uma data muito especial para esse blog, que alcança a marca de 1.000 vinhos comentados com carinho, dedicação e imparcialidade (na medida do possível, já que é tão difícil deixar de lado o gosto pessoal a se escrever sobre algo tão particular). 

Nem é preciso dizer muito sobre a alegria que sinto ao escrever sobre esse número e como ele me surpreende quando recordo o início de tudo, em julho de 2006, quando na internet brasileira havia meia dúzia de blogs sobre vinhos e hoje ultrapassam os 500. Muitos nasceram, inúmeros morreram, poucos permanecem desde então. 

Porém, tenho a alegria de ser um dos blogueiros mais antigos em atividade ininterrupta e essa postagem tem o objetivo de celebrar: 

- os milhares de momentos que passei em família tendo o vinho como companhia, as inúmeros brindes que fizemos em casa e na casa de outros amigos e familiares, tendo sempre um motivo de alegria para celebrar; 

- as muitas amizades que fizemos em razão do vinho, amigos das regiões mais diversas do Brasil e com as quais não teria contato se não fosse pelo vinho. Algumas amizades ainda permanecem virtuais, mas isso será gradativamente corrigido; 

- o conhecimento que adquiri ao ler inúmeros livros, revistas e participar de eventos e degustações nesses mais de nove anos de atividade; e

- o prazer de ser um colaborador, uma fonte de informação para outros consumidores que, assim como eu, não foram criados em torno do vinho e tem dificuldades em suas compras e escolhas. 

Confesso que tive dificuldade de imaginar que vinho seria aberto para ocupar o posto de 1.000º aqui no blog, mas a nossa Confraria Brasileira de Enoblogs tratou de resolver meu dilema. Aliás, outro motivo de orgulho para mim, já que fui um de seus fundadores em fevereiro 2007.   

É que o tema do mês de novembro foi escolhido pela amiga Rafaela Giordano, que ao lado do Cláudio Werneck responde pelo ótimo Le Vin au Blog, blog das antigas também, apenas quatro meses mais novo que o Vinho para Todos.

Ela sugeriu: "Claudio faz aniversário neste mês (20). Para comemorar, escolheremos um vinho especial. Inspirados por esta situação, gostaríamos de sugerir como tema do mês da Confraria Brasileira de Enoblogs o seguinte desafio: qual vinho especial da sua adega você abriria para comemorar uma data importante? Por que não abrir agora?"

Então, ótima oportunidade para celebrar a marca, as amizades, o aniversário do Cláudio e abrir um presente que ganhei justamente deles, esse francês 100% Gamay, elaborado pelo consagrado Marcel Lapierre, na região de Beaujolais, no privilegiado terroir de Morgon. Um vinho que bebemos pela primeira vez na casa deles, no Rio de Janeiro, e que nos deixou encantados. 

Lapierre optou em 1981 por elaborar vinhos naturais, sem a utilização de anidrido sulfuroso (SO2) na vinificação e inseticidas nos vinhedos, que atualmente totalizam 11 hectares no privilegiado terroir de Morgon. Pela importância de seu nome aconselho a leitura da matéria divulgada pelo Estadão por ocasião de sua morte (veja aqui).


Quanto ao vinho o risco de uma descrição incompleta ou injusta é muito grande, porque ele precisa ser provado e qualquer relato aqui pode parecer menor que sua qualidade e elegância, que começa pela apresentação da garrafa: rótulo simples e uma elegante cápsula de cera, que dá um pouco de trabalho para retirar, mas é bem charmosa!

O vinho tem 12,5% de álcool e passagem de 9 meses por barricas de carvalho. Tem coloração rubi, límpido e brilhante. Os aromas são florais, de frutos silvestres, especiarias e algo mineral. Delicado, elegante e complexo já no nariz. Em boca tem corpo leve para médio, com acidez lá em cima, muito frescor, elegância e equilíbrio, muita fruta e taninos finos.

Final de longa duração, prazeroso, com frutado e floral se repetindo, mineralidade marcando palato, com notas de café aparecendo discretas, provavelmente pelo tostado das barricas de carvalho. Grande personalidade, para você esquecer qualquer outro Gamay inútil que tenha experimentado na vida. É paradigmático, eu diria!

Enfim, agradeço à Rafaela e ao Cláudio não só pelo vinho, mas pela oportunidade de abri-lo em ocasião tão especial para esse blog, ao lado da Érika e de minha mãe. E, claro, feliz aniversário, amigo Cláudio Werneck!

*P.S.: e um agradecimento especial a você que acompanha esse blog há tantos anos e mesmo a você que chegou hoje pela primeira vez para ler sobre o milésimo vinho. Obrigado pela paciência de sempre!


Detalhes da compra:

Essa garrafa foi um presente dos queridos amigos Cláudio e Rafaela, mas cometi a indelicadeza informativa de ver que seu importador, a World Wine, vende o vinho em sua loja por R$ 231. 

* Esse é o 105º vinho que comento para a CBE, primeira e única confraria virtual do Brasil.

Saúde a todos!



31 dezembro 2014

Gosta de harmonizações pouco comuns? Veja essa que fizemos com o Domaine Laroche Chablis AOP 2012 #CBE


Estive em débito com meus confrades da Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE, mas prometi colocar os textos em dia ainda em 2014 e com essa publicação cumpro meu objetivo, esperando que no próximo ano as postagens não se acumulem tanto. 

O tema "Chablis, qualquer faixa de preço e qualquer classificação" foi escolhido pelo confrade Marcello Galvão, do blog Agenda de Vinhos, e deveria ter sido publicado em 1º de julho. 

Para lembrar, esses vinhos são elaborados com uvas 100% chardonnay, com ou sem passagem por barricas de carvalho, na região francesa de Chablis, localizada no norte da Borgonha. Seu reconhecimento legal como AOC (hoje AOP) aconteceu em janeiro de 1938.

Os vinhos dessa região, em virtude do solo pedregoso e em muitos casos repleto de ostras fossilizadas, tem uma característica marcante de mineralidade, distanciando-se dos chardonnay extremamente frutados e tropicais do Novo Mundo. Além disso, têm grande acidez, provocando na boca a necessidade de acompanhamento. 

Há quatro classificações na região: Petit Chablis, criada em janeiro de 1944 para designar os vinhos mais simples ali elaborados e cujos vinhedos estão localizados em áreas mais periféricas da região. São mais simples, leves e jovens, de preço mais acessível; Chalis AOP, a mais extensa das denominações, com vinhos de qualidade superior à classificação anterior, mas ainda básicos; Chablis Premier Cru, um grupo bem restrito formado por apenas 17 produtores, cujos vinhos trazem no rótulo a indicação do vinhedo autorizado; e a mais alta gama de vinhos, Chablis Grand Cru, formada por sete vinhedos localizados em uma única colina perto da cidade de Chablis. Esses vinhos são dos poucos que passam por carvalho para ganhar complexidade e corpo, sem abrir mão da acidez, podendo estar em plena forma com 15-20 anos de idade. Obviamente, são os mais caros dentre todos. 

Mapa com as classificações de Chablis. Fonte: Vins de Bourgogne.

Vamos ao vinho de hoje: é elaborado pelo Domaine Laroche, cuja história tem início em 1850 na região de Chablis, na Borgonha, mas expandiu-se para elaboração de vinhos no Sul da França e além das fronteiras europeias, no Chile e na África do Sul. Em nosso vizinho sul-americano elaboram pinot noir, chardonnay e sauvignon blanc, no Vale de Casablanca, além de um carmenère (Vale de Colchagua) e um cabernet sauvignon (Vale do Maipo).

Na taça o vinho tem coloração amarelo palha, com reflexos esverdeados. Aromas intensos, frutos brancos maduros, notas cítricas e discreto mineral. Esperava mais mineralidade para um Chablis, mesmo sendo mais simples como esse. Na boca tem corpo leve, fruta cítrica mais abundante, boa acidez, a mineralidade continua discreta, mas aparecendo mais que no nariz.

Final persistente, com palato marcado pela citricidade e notas de mel em segundo plano. Aqui as notas minerais apareceram em maior intensidade. Detalhe importante: a uma temperatura mais alta a complexidade aumenta. Se servido muito gelado pode mascarar as boas características do vinho.

Não tem passagem por madeira, mas fica seis meses em tanques de inox para ganhar mais equilíbrio. Também é filtrado levemente na tentativa de preservar as características da fruta. O álcool a 12% deixa o vinho mais delicado e menos potente como o nosso costume aqui pela América do Sul.


Harmonização: 

Para quem é goiano ou mineiro, o pequi é uma iguaria que se come desde criança. Mas, se você não é da região provavelmente vai ter dificuldade com a comida. Primeiro porque o aroma exótico chega a espantar algumas pessoas da cozinha, embora seja muitíssimo agradável. Ao comê-lo é necessário cuidado, porque seus caroços têm espinhos logo abaixo da polpa, então não é indicado que se vá com muita sede ao pote. Quem não se lembra do episódio em que o senador Saturnino Braga (RJ) teve que retirar mais de 40 espinhos da língua ao comer uma galinha com pequi, em Pirenópolis (GO)?

Pois bem. Aqui em casa a Érika nos surpreendeu ao fazer um arroz com frango e pequi, mas sem usar os frutos, apenas o caldo que tinha sobrado do dia anterior. Aliás, tínhamos falado justamente sobre a possibilidade de um risoto com pequi e ela veio com essa improvisação sensacional, que harmonizou-se perfeitamente com o Chablis.

Que me perdoem os mais sofisticados, mas até parece que Pequi e Chablis nasceram um para o outro!!!    


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela World Wine, mas comprei a garrafa no início de novembro, pagando R$116, no site da Wine. 

* Esse é o 101º vinho que comento para nossa Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE e o 959º desde o início do blog, em 2006. 

Saúde a todos e feliz 2015, com muitos momentos que mereçam uma taça de vinho!




29 dezembro 2014

Com esse 100% Cabernet Franc diminuo minha dívida com a Confraria: Frédéric Mabileau Les Rouillères 2012 #CBE

Um ótimo exemplar de Cabernet Franc sem passagem por madeira.

Estou firme no propósito de atualizar os vinhos da nossa gloriosa Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE, que mantem-se firme como a primeira e única confraria virtual brasileira, na ativa desde fevereiro de 2007 e com mais uma centena de temas comentados por seus confrades, blogueiros que não deixam essa ideia morrer. 

O vinho de hoje deveria ter ido ao ar no dia 1º de outubro, porque o tema daquele mês foi "vinho 100% Cabernet Franc, de qualquer país ou faixa de preços", sugerido pelo confrade Felipe Silva e Silva, do blog BebadoVinho.

Pois bem. Minha escolha recaiu sobre esse vinho do Vale do Loire, elaborado por Frédéric Mabileau, cuja família atua no ramo vinícola desde 1620. Atualmente a vinícola possui 28 hectares de vinhedos, com idades variando entre 25 e 50 anos de idade e que originaram o primeiro vinho em 1991. 

Os 28 hectares estão, em sua maioria, dentro da apelação Saint Nicolas de Bourgueil, onde são plantadas a branca Chenin Blanc e as tintas Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon. Desde maio de 2007 a vinícola adota procedimentos biológicos em seus vinhedos que resultou na emissão, em 2010, do certificado que a habilita rotular seus vinhos como biodinâmicos. A produção é limitada a 173.000 garrafas por ano.  


A região do vinho é a de nº 20, em amarelo. Fonte: Wikipedia

Quanto ao vinho, já adianto que ele é elegante, de bom frescor, chega a ser delicado e seu amadurecimento apenas em tanques de inox - portanto sem madeira - faz dele um produto para apreciadores de vinhos do Velho Mundo. Digo isso porque eu também gosto de vinhos com boa carga de madeira, mas ao provar esse aqui é preciso desligar no cérebro aquele neurônio que pede aromas e sabores de carvalho.

Outra coisa importante: sozinho o vinho não chegou a empolgar, mas acompanhando o almoço de domingo se tornou outro, melhorando muito seu conjunto. Portanto, aposte nas carnes vermelhas (aqui em casa fomos de filé mignon ao ponto), queijos meia cura e até mesmo massas com molhos vermelhos mais espessos, lasanha etc. 

Na taça tem coloração rubi, com reflexos violáceos. Boa transparência. Aromas um tanto tímidos no início: frutos vermelhos mais delicados, algo floral e chocolate em segundo plano. Na boca é leve, com taninos finos, boa acidez, frutado e chocolate se repetindo. Harmônico e muito fácil de beber. Como disse acima, não é grandioso se bebido sozinho, mas melhora muito acompanhando comida. Final de boa persistência, com boca salivando e pedido mais um gole. Tem 12,5% de álcool. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Premium Wines, de Belo Horizonte, mas pedi essa garrafa no site da Wine, pagando R$92. 

* Esse é o 100º vinho que comento para a Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE. 

Saúde a todos!




26 novembro 2014

Ficando em dia com a Confraria: Fortant de France Terroir de Collines Viognier 2012 #CBE

Um delicioso Viognier que acompanhará bem peixes com molhos mais encorpados. 

A Confraria Brasileira de Enoblogs foi fundada em fevereiro de 2007 e eu fiz parte de sua criação. Então, sou um dos confrades que mais tem obrigação de manter-se em dia com a CBE. Porém, não tenho conseguido fazer isso desde junho, mas prometo atualizar as postagens até o final do ano. Que me perdoem os demais confrades que têm mantido a confraria sempre atualizada em com temas muito legais, permitindo aos leitores um painel muito interessante sobre o vinho do mês. 

Hoje vou publicar sobre o vinho que deveria ter aparecido aqui no dia 1º de junho. Para aquele mês a indicação veio do Victor Beltrami, do blog Balaio do Victor, que escolheu como tema: "vinho branco, de qualquer casta e pais, com passagem por carvalho". 

Minha escolha foi pensando em uma variedade francesa que gostamos bastante em casa, a Viognier, muito famosa na elaboração de vinhos no Vale do Rhône. Assim como a Chardonnay, pode resultar em vinhos encorpados, que aceitam bem a passagem por madeira. Em alguns países, como França e África do Sul, essa uva entra no corte com a Syrah na elaboração de vinhos tintos, colaborando com seus aromas e deixando o vinho mais dócil. 

O vinho de hoje é elaborado pela Fortant de France, fundada no início dos anos 1980, com uvas do Languedoc, região que a vinícola divide em três e a partir dessa divisão de terroir seus vinhos são originados: Litoral, Colinas e Grandes Montanhas (veja vídeo). 

Pelo nome desse vinho percebe-se que vem do Terroir de Collines, com passagem de 6 meses por barricas francesas, permanecendo em contato com as borras da fermentação (sur lie), gerando boa complexidade de aromas e sabores.

O vinho tem cor dourada, brilhante. Aromas são intensos, lembrando damasco, melão e banana (sim!). Em boca tem corpo médio, é untuoso, com muita presença de frutos brancos, notas adocicadas em boca, baunilha, chocolate branco e mel. Mineralidade bem presente, com alguma citricidade (limão siciliano) em alguns momentos de variação de temperatura. Boa acidez, um pouco disfarçada pela presença das notas adocicadas e nuances da madeira.

Final de média persistência, repetindo a boa fruta madura e mineralidade no palato. Harmoniza bem com peixes com molhos mais espessos, mas também irá bem com aves.  

Gostei do resultado. É o tipo de vinho cuja presença de frutos de polpa branca e as notas amadeiradas dão o tom, perdendo um pouco na sensação de frescor, mas ganhando em complexidade. Acredito que esteja num ótimo momento de consumo, apesar da indicação de potencial de 4 anos de guarda.  


Detalhes da compra:

Esse vinho me custou R$62,40 pelo Clube Wine, mas o preço normal baixou de R$85 para R$66,30.

* Esse é o 94º vinho que comento para a CBE, a primeira e única confraria virtual do Brasil. 

Saúde a todos!



06 outubro 2014

Um francês fácil de beber: Les Amis Bordeaux 2010


Recebi esse tinto de Bordeaux para uma degustação virtual do Winebar, que estava apresentando três vinhos franceses importados pela Expand, um deles - o espumante - já comentado aqui (relembre).

O vinho é elaborado pela Les Vin Bréban, fundada em 1952. No corte utiliza as duas principais uvas autorizadas para a região Merlot (60%) e Cabernet Sauvignon (40%), com passagem por madeira, mas não sei precisar o tempo. Tem 13% de álcool. 

Gostei do vinho. Sem complicações, muito correto e fácil de beber. Não é um super vinho de Bordeaux, mas também não é daqueles tânicos, secos em demasia e sem personalidade. Esse pode agradar bastante, mesmo os que estão iniciando no mundo dos vinhos finos. 

Na taça tem cor rubi, brilhante e translúcido. Aromas em boa intensidade, frutos vermelhos e notas amadeiradas. Tem corpo mediano, com taninos macios e acidez mediana. A boa fruta se repete. Um vinho de final mediano, agradável, repetindo todas as sensações anteriores.

O vinho está pronto para beber. É seco, mas as notas frutadas o deixam muito dócil. Tem bom equilíbrio, embora não seja de grande complexidade. Fácil de beber, como dito acima.  

Está pronto para beber agora. Não deve evoluir com a guarda. 


Detalhes da compra:

Recebi o vinho para degustação do Winebar, mas na loja da Expand é vendido a R$78. 

Saúde a todos!



22 setembro 2014

Um espumante com a elegância da Provence: Les Amis Rosé Brut


Na última semana foi realizada mais uma edição do Winebar, degustação virtual que contou com a presença do Otávio Piva, da importadora Expand, que gentilmente enviou três vinhos para os degustadores. 

Infelizmente, os meus foram recebidos aqui em casa apenas na manhã seguinte ao evento, mas aqui vão minhas impressões sobre o primeiro vinho degustado, um espumante rosé da Provence, elaborado pela vinícola Les Vin Bréban, fundada em 1952. Na elaboração utilizam exclusivamente uvas Grenache.  

Na taça a cor lembra "casca de cebola", típica dos rosés mais elegantes da famosa região francesa. Bolhinhas delicadas e finas, mas não muito abundantes. Aromas de frutos vermelhos delicados, pêssego e algum floral. 

Em boca é cremoso, com boa fruta, notas minerais, leve lembrança parecendo musgo. Certa complexidade. 

Final de boa persistência, marcado por fruta vermelha presente, mas com leve amargor. Espumante de boa intensidade em boca, correto e refrescante. Tem 11,5% de teor alcoólico.

Impossível beber o espumante e não lembrar de comida asiática, principalmente pratos com salmão em razão da cor.

Curiosidade: no rótulo aparece a inscrição Vin Mousseux, que simplesmente significa "vinho espumante", sem qualquer ligação às classificações francesas mais conhecidas, como Champagne ou Crémant.  


Detalhes da compra:

Recebi o vinho para participar da degustação virtual, mas é vendido na loja virtual da Expand por R$64,80 (veja aqui). 

Para ver o vídeo dessa edição do Winebar, clique aqui. 

Saúde a todos!




09 setembro 2014

Um francês de bom preço, elegante e prazeroso: Terrasses du Pesquié Ventoux AOC 2012

As uvas vêm de vinhedos antigos e o vinho passa um ano por barricas de carvalho velho (2 a 4 anos).  

A região da Côtes du Rhône tem inúmeras sub-regiões e uma delas é Côtes du Ventoux, de onde vem esse vinho elaborado pelo Château Pesquié, fundado no início dos anos 1970 quando o casal Odette e René Bastide iniciou os trabalhos na propriedade antes mesmo da criação da AOC Ventoux, o que aconteceu somente em 1973.

A região tem cerca de 7.500 hectares de vinhedos, onde predomina a elaboração de vinhos tintos (76%), especialmente a partir das variedades Grenache, Syrah, Cinsault, Mourvèdre e Carignan. O restante da produção é dividida entre rosés (20%) e brancos (4%).

Esse vinho é um corte de Grenache (70%) e Syrah (30%), com passagem de parte do líquido (35%) por barricas de carvalho pelo período de um ano.     

O resultado é um vinho fácil de beber, gastronômico, com estilo e intensidade para agradar mesmo os fãs de vinhos do Novo Mundo. Os aromas são de frutos delicados, como morango e cereja. Na boca tem taninos doces e delicados, acompanhados por ótima acidez. Corpo médio, que parece ser ainda mais robusto por conta das notas adocicadas. Equilibrado, de final longo e prazeroso. 

Um vinho que, segundo as informações no site do vendedor, recebe constantemente altas pontuações da crítica especializada.


Detalhes da compra:

Comprei o vinho pagando R$60 no site do Sonoma, que achei muito justo pelo resultado na taça e por ser um vinho com tão altas pontuações da crítica especializada. Repetiria a compra, sem dúvida. 

Saúde a todos!



05 maio 2014

Um tinto muito agradável do Rhône: Le Paradou Grenache 2012

O produtor aposta em duas uvas nessa linha Paradou: Grenache (tinta) e Viognier (branca)

Aqui em casa gostamos de vinhos com a uva Grenache, originária da Espanha e que chegou à França na Idade Média pelas mãos de peregrinos que retornavam de Santiago de Compostela. É variedade muito importante nos vinhos de Châateauneuf-du-Pape e faz ótimos vinhos no Vale do Rhône e no Langedoc Roussillon. 

Esse é elaborado pelo Château Pesquié, pertencente à Famille Chaudiere, na região do Rhône, mais especificamente na famosa sub-região de Ventoux. As uvas são originárias de vinhas antigas, com mais de 75 anos de idade. 

Na taça a coloração é rubi. Aromas muito frutados, amoras. Discreto floral e especiarias (pimenta).

Tem corpo mediano, suculento, muita fruta compotada, especiarias, pimenta, acidez marcante, mineralidade bem presente e taninos finos. Final de média persistência, com frutos silvestres, mas o palato é marcado pelas notas minerais.

Agradável, fácil e gastronômico. As notas doces fazem parte de um estilo que não me agrada muito, mas a qualidade desse vinho do Rhône está lá em cima e não há como não reconhecer isso. Tem 13,5% de teor alcoólico.

Será um ótimo companheiro para lasanha e massas com molhos vermelhos, porque sua acidez dá conta do recado.


Detalhes da compra:

Comprei esse vinho pelo site da Sonoma e paguei algo em torno de R$75. Se ainda estiver em estoque, pode comprar. 

Saúde a todos!


17 março 2014

Um Gamay de estilo tradicional: Henry Fessy Morgon 2011 #CBE


Estou colocando em dia as postagens para nossa Confraria Brasileira de Enoblogs e esse vinho deveria ter sido publicado no dia 1º de fevereiro. O tema foi escolhido pelo amigo Silvestre Gonçalves, o "capixaba boa praça" editor do excelente Vivendo a Vida, que determinou: "vinho da uva Gamay, livre de preço e país".

Essa uva não é tão conhecida pelo consumidor brasileiro, que na maioria dos casos experimentou o vinho que a Miolo faz e é considerado o "primeiro vinho da safra", porque as uvas são colhidas  antes das demais tintas e por não ter passagem por carvalho é colocado à venda mais cedo.

Mas a Gamay é a estrela de uma importante região francesa, Beaujolais, que administrativamente pertence à Borgonha, mas com vinhos bem distintos elaborados com essa uva. O mais famoso vinho da região é chamado de Beaujolais Nouveau, vinho jovem e alegre lançado em comemoração à colheita, na terceira quinta-feira do mês de novembro. Um vinho para diversão!

Mas, esse Gamay que comento hoje pertence à categoria mais importante de vinhos da região, Beaujolais Cru, que para ser rotulado assim deve ter as uvas provindo de dez aldeias autorizadas e situadas na parte norte da região. Esse vinho vem da aldeia de Morgon, que costuma dar vinhos mais robustos que nas demais regiões.

O produtor é Henry Fessy, pertencente hoje à famosa Maison Louis Latour. Mas, a família Fessy desde 1888 está baseada na região e hoje possui cerca de 70 hectares de vinhedos distribuídos pela maioria dos 10 Cruz de Beaujolais.

Um funcionário durante a colheita, suas mãos calejadas e o copo simples para apreciar o vinho. Fonte: http://www.henryfessy.com
  

Na taça a coloração é rubi. Aromas um tanto tímidos no início, mas abriram com alguns minutos de serviço mostrando frutos delicados, como cerejas, e notas florais. Na boca é seco, nem de longe lembrando Gamay adocicados que você conhece. 

Tem corpo mediano, com taninos finos e grande acidez. Final de média persistência e boa fruta. É gastronômico por conta da acidez, que lhe dá refrescância. A titulo de comparação, caso você queira, aproxima-se de um Pinot Noir francês. Não é um vinho "divertido" como seu irmão mais famoso, o Beaujolais Nouveau. 

Sem ter passagem por barricas de carvalho, mas apenas um amadurecimento em tanques de inox por 10 meses, é um vinho para quem gosta de explorar esse mundo tão vasto. Se você gosta de vinhos encorpados, amadeirados, com muita fruta, então esse não é seu número. Mas, eu gostei!


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela Aurora (não confunda com a vinícola brasileira) e foi comprado numa loja virtual por R$ 70.

* Esse foi o 91º vinho comentado para a Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE. 

Saúde a todos!



01 março 2014

Março vai ser quente, então você pode comprar esse ótimo branco de Bordeaux: Les Tuileries Entre-Deux-Mers AOC 2012 #cbe

Um vinho elegante, sem passagem por madeira, seco e gastronômico.

Estou em débito com a Confraria Brasileira de Enoblogs. Na verdade, ainda não publiquei o post de janeiro sobre um espumante especial e o de fevereiro, cujo tema é um vinho com a uva Gamay. Mas, prometo quitar essa dívida nos próximos dias. 

Para ser o vinho do mês de março para a CBE, escolhi esse branco de Bordeaux para atender à convocação do confrade André Rossi, que além de ter um apurado bom gosto futebolístico, mantém o blog EnoDeco, é o representante no Brasil da Wines of Argentina e criador do Winet. Sujeito prendado, que escolheu como tema "vinho branco de corte, em qualquer faixa de preços". 

Pois bem. Esse vinho vem de uma região de Bordeaux não muito prestigiada: Entre-Deux-Mers (entre dois mares). Está situada entre os rios Dordogne e Garonne, afluentes do Gironde. Seu terroir não é propício à elaboração de vinhos excepcionais, como no Médoc ou Pomerol, sendo uma denominação aplicável apenas aos vinhos brancos. Os tintos da região são rotulados como Bordeaux ou Bordeaux Supérieur.

O produtor desse vinho é o Château Les Tuileries, cujas uvas são provenientes de vinhedos com mais de 40 anos de idade. A proporção no corte é de 80% Sauvignon Blanc e 20% Semillion, sem passagem por madeira. Tem 12,5% de álcool.

Na taça o vinho tem coloração amarelo palha. Aromas elegantes, em boa intensidade, leve vegetal, aspargos, folha de tomate (provenientes da Sauvignon Blanc), mas também é frutado, com lembrança de maracujá e abacaxi.

Em boca repete a boa complexidade e elegância, mas ganha em mineralidade. É seco, com bom frescor, equilibrado e elegante. Não tem a intensidade vegetal que deixa enjoativos alguns Sauvignon Blanc do Novo Mundo.  

Final um tanto ligeiro, mas refrescante, com mineral se sobressaindo no palato. Vocação gastronômica bem evidente, como de costume em vinhos franceses. 


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela Premium, mas comprei essa garrafa na loja Bon Vivant, em Uberlândia, pagando R$ 57.

* Foi o 89º vinho que comentei para a nossa Confraria, primeira e única virtual no Brasil. 

Saúde a todos!



08 janeiro 2014

Sim, vale a pena provar um Chablis que custa menos de R$100: Abel Pinchard Chablis AOC 2011


Para muitas pessoas os vinhos de Chablis são os melhores brancos do mundo.  Isso significa que os grandes vinhos dessa região não são baratos. Só pra você ter uma ideia, digitei a palavra "chablis" em alguns sites e os resultados foram todos acima dos R$100 (para garrafas de 750 ml), sendo que encontrei alguns com preços próximos aos R$600. 

Chablis é uma sub-região ao norte da Borgonha, cujos vinhos para serem rotulados com essa denominação devem ser 100% Chardonnay, com passagem ou não por madeira dependendo do produtor. Como principais características podemos dizer que são muito secos, mas um pouco amanteigados.

Imagem: http://www.bourgogne-info.eu/jpg/202_Bourgogne.jpg

O vinho de hoje é elaborado pela Abel Pinchard (fundada em 1821), que produz vinhos em várias regiões francesas: Borgonha, Beaujolais, Côtes du Rhône e Châteauneuf-du-Pape.  Não está entre os principais produtores da região, mas o vinho apresentou um resultado bem satisfatório, podendo ser a porta de entrada pra você que deseja conhecer a característica da Chardonnay nessa região tão especial, gastando menos de R$100. 

Na taça a coloração é amarelo palha. Bem aromático, com notas de frutos brancos e um frescor evidente já nos aromas. Na boca tem boa fruta, mineralidade lá em cima, o que é a principal característica desse vinho. Acidez marcante. Final de boa persistência, com frutado no palato e novamente a repetição das notas minerais. Tem 12,5% de teor alcoólico.    

Bebemos esse vinho sem maiores compromissos com a harmonização, numa noite em que a Érika e nossa filha Antônia preferiram comida japonesa e eu fui de pizza margherita. Com a comida japonesa caiu muito bem, limpando a boca, mas passou por cima da pizza em razão de sua ótima acidez. Interessante experiência. 

Enfim, um vinho que não tem a grandiosidade dos caríssimos vinhos da região, mas que tem as características necessárias pra uma experiência inicial, sem gastar muito. É bem diferente de alguns Chardonnay do novo mundo, amadeirados e pesados. 


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela Casa Flora e não me lembro onde compramos, mas na internet pode ser encontrado na faixa dos R$95-98.

Saúde a todos!



30 dezembro 2013

Pra não gastar muito com um Champagne, vá de Domaine Collin Cuvée Tradition Crémant de Limoux AOC Brut


Gostamos de experimentar espumantes franceses fora da Champagne, porque os preços são mais acessíveis e vez ou outra encontramos boas surpresas, como esse Crèmant de Limoux, tradicional vinho da região do Languedoc. 

Esse espumante é elaborado pelo Domaine Collin, fundado em 1980 pelo casal Philippe & Marie-Hélène Collin, que contam atualmente com 18 hectares de vinhedos próprios. Em sua elaboração entram as uvas Chardonnay, Chenin Blanc e Pinot Noir, utilizando o método tradicional (Champenoise). 

Na taça a cor é amarelo palha. Perlage em boa intensidade. Aromas bem presentes, com destaque para frutos brancos, mineralidade também presente e discreta lembrança da fermentação (casca de pão). Na boca é seco, com boa acidez, causando uma ótima sensação de frescor. É um espumante leve, em que as notas da fermentação não pesam e tem boa cremosidade. 

Muito bem feito, tem vocação gastronômica, porque a acidez o deixa com essa característica. Final longo, com lembrança de fruta cítrica, retrolfato com lembrança de casca de pão. Muito agradável, sem defeitos e bastante equilíbrio.

O casal proprietário do Domaine Collin. Foto: http://migre.me/hb44K

Detalhes da compra:

É importado pela Premium Wines, de Belo Horizonte, mas essa garrafa foi comprada na loja Bon Vivant, em Uberlândia, por R$ 75.

Saúde a todos!


26 novembro 2013

Quer impressionar alguém? Aposte no Maxime Blin Champagne Brut Rosé


No último dia 25 de outubro participamos de mais uma degustação para o WineBar, reunindo vários formadores de opinião em torno de um ótimo produto, de produção limitada, elaborado pelo jovem enólogo Maxime Blin, a partir de 12 hectares de vinhedos próprios, sem adquirirem uvas de outros produtores.

Para assistir ao vídeo com a entrevista e degustação, clique aqui. 

Apenas 10.000 garrafas desse champagne são elaborados, uma produção minúscula se compararmos com os números de algumas casas da região e foi unânime entre os degustadores a opinião de que trata-se de um produto diferenciado quando comparado com outros da mesma faixa de preços vindos dessas gigantes produtoras. 

O vinho base é elaborado com 100% Pinot Noir, passando um ano em barricas de carvalho francês (claro) para ganhar complexidade, além de 2 a 3 anos em garrafa, com o mesmo objetivo. Apesar disso, não se revelou um espumante pesado. 

Na taça a coloração é alaranjada, lembrando salmão e cobre. Na taça tem ótima formação de espuma, indicando cremosidade, perlage em grande intensidade, "barulhento".  Durante a degustação essas características não diminuíram, revelando uma excelente qualidade do produto.

Muitos aromas cítricos no início, leve tostado vindo da passagem por barricas e da própria fermentação, mineralidade bem presente também. Na boca é seco, com acidez marcante, notas evoluídas pelo tempo em barrica, mas sem ser pesado. Muita cremosidade.

Final de longa persistência, repetindo tudo, principalmente a boa fruta e a mineralidade. Ótima harmonia com as notas conferidas pela madeira (tostado) e boa complexidade, além da refrescância e vocação gastronômica.

Aliás, uma dica do próprio enólogo foi harmonizar o vinho com sobremesas, inclusive à base de chocolate. Não experimentamos em casa, mas fica a dica pra vocês. 

Juro que procurei defeitos, mas não encontrei. Não sei se compraria uma garrafa, mas apenas por uma questão de bolso. Então, se você pode comprar ou quer dar de presente para impressionar alguém com um champagne de pequena produção, a compra é ótima!


Detalhes da compra:

Esse champagne é importado pela Vinea, que o vende em sua loja virtual por R$273. Mas essa garrafa me foi enviada para a degustação do WineBar. 

Saúde a todos!