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20 setembro 2013

Não dou sorte com os espumantes da ViniBrasil elaborados no Vale do São Francisco: Rio Sol Grand Prestige Brut


Infelizmente - digo isso com pesar - não tenho sorte com os espumantes que a ViniBrasil elabora no Vale do São Francisco. Já degustei em várias ocasiões a linha Rio Sol e os resultados não foram bons. Problemas com a rolha, espumante sem pressão, sem espuma, sem bolhinhas e por aí vai. 

Faço votos que seja apenas falta de sorte mesmo e que alguém já tenha sido feliz em suas compras. Por outro lado - apesar de não ser enólogo - acredito que a opção de fazer um espumante 100% Syrah seja um tanto arriscada, porque espumante tem que ter acidez e, no mínimo, precisa ser leve pra ser agradável. A escolha dessa uva (porque é a que melhor se adaptou ao clima árido da região) é explicável, mas talvez pudesse ser repensada.

Os espumantes Terranova, feitos com outras uvas de maior acidez (Chenin Blanc, Verdejo e Sauvignon Blanc) dão melhores resultados na taça. 

Esse é o espumante branco, mas a vinícola também faz um rosé de Syrah, ambos pelo método Charmat, com a segunda fermentação em tanques de inox. Normalmente, a escolha desse processo resulta em espumantes leves e descontraídos. 

Na taça o espumante tem coloração amarelo palha. Bolhinhas tímidas e pouca formação de espuma. Tem bons aromas, lembrando flores e alguma fruta vermelha, talvez framboesa. Na boca é mais encorpado do que imaginava, com acidez discreta e repetição da fruta vermelha. Notas adocicadas apareceram também. Final ligeiro, com palato frutado. 

Não é um espumante que me deu vontade de comprar novamente e afirmo sem titubear que há muitos rótulos melhores no mercado na mesma faixa de preços.


Detalhes da compra:

Comprei essa garrafa no Supermercado D'Ville aqui em Uberlândia. Gostei muito do preço (R$26), mas não do resultado, infelizmente.

Saúde a todos!



29 outubro 2008

Rio Sol Tinto 2006

Não sei dizer se este Rio Sol foi o "melhor vinho tinto brasileiro" na última Expovinis. Se foi, não sei o que as outras vinícolas enviaram para os jurados. Vinho não deve ter sido!
Já escrevi sobre minhas dúvidas a respeito da possibilidade de grandes vinhos virem do Vale do São Francisco, onde a tecnologia é muito mais importante do que os fatores naturais. Não que em outras regiões não seja, mas lá a coisa parece um pouco mais forçada. Por exemplo, acho que deveriam rotular os vinhos assim: safra 2006-1 ou safra 2006-2, porque não se tem uma safra apenas, pois o clima árido permite que a irrigação (ou sua falta) seja determinante direta dos ciclos da planta.
Apesar de todos os senões, me agradou bastante um Syrah, safra 2005 (
relembre). Mas este tinto 2006, um corte de cabernet sauvignon e syrah (50/50), não empolgou. Vale o que custa (em torno dos R$20), mas provavelmente não entraria na lista dos dez ou vinte melhores vinhos tintos brasileiros que experimentei.
Na taça, coloração rubi, com bordas granada. Muitas lágrimas, longas e lentas. Frutado discreto, um pouco mineral, com notas florais em segundo plano. Madeira imperceptível.
Corpo mediano, com taninos marcantes, vivos. Baixa acidez. Fácil de beber. Álcool sem incomodar (13%). Boca repetindo nariz, com mineral aparecendo.
Final curto, com fruta desaparecendo logo, prevalecendo a sensação tânica. Álcool incomodando de leve e um discreto amargor.
Vinho simples, que melhorou um pouco depois de aberto, indicando que a decantação lhe fará bem. Boa relação custo x benefício, mas sem empolgar. Ainda prefiro o Reserva Syrah da mesma vinícola.

13 abril 2008

Rendeiras Syrah 2004

Quando comprei o último syrah produzido no Vale do São Francisco (relembre), também comprei este Rendeiras, pagando R$ 15,90, no Supermercado D'Ville. Bebi os dois em dias seguidos, para ter uma comparação. Enquanto o outro se mostrou muito bom, este não acrescentou muita coisa na minha vida. Apenas um bom vinho, sem nada de excepcional. Tanto é que no site da ViniBrasil, não há qualquer menção ao produto. Talvez tenha desistido de produzi-lo.
No copo, vinho jovem, púrpura, com lágrimas longas e lentas (13%) de álcool. Aromas medianos, frutos vermelhos maduros, potencializados pelo uso de uma taça ISO para degustação. Taças "normais" não dariam a mesma intensidade aromática (gaste R$20 e tenha uma destas em sua casa!).
Corpo mediano. Taninos firmes e boa acidez. Certa potência. Álcool equilibrado. Final curto, leve frutado que desapareceu logo, deixando a boca "amarrada" e "limpa". Em síntese, vinho bom na boca e nariz, mas que não marca o final, sumindo logo.
Se encontrá-lo a este preço, vale a compra, mas não pago nenhum centavo a mais. Pelo menos o rótulo é bonitinho (segundo avaliação de minha esposa).

28 fevereiro 2008

Rio Sol Reserva Syrah 2005

Tenho tido restrições em relação aos vinhos do Vale do São Francisco. Mas isso não significa que desisti de encontrar coisa boa por lá, afinal o empreendimento ViniBrasil não é coisa pequena e tem gente boa comandando: Dão Sul e Expand.
Os especialistas têm dito que a syrah é a variedade tinta melhor adaptada ao sertão, assim como a moscatel dentre as brancas. Pode ser uma jogada de marketing, mas pode ser verdade. Então, comprei este vinho por R$19,80, no Carrefour. Não deu pra resistir, porque na Expand está por R$29. Passa seis meses em barricas novas de carvalho francês (85%) e americano (15%). É o melhor vinho que provei daquela região, ao lado do Terranova Reserve já comentado aqui (
relembre), que também leva shiraz, num corte com cabernet sauvignon.
No copo, coloração púrpura, com bordas tendendo ao rubi, com pouca transparência e boa formação de lágrimas. Ótimos aromas de frutos vermelhos e madeira bem discreta, dando elegância ao vinho, sem os exageros "abaunilhados".
Corpo mediano, redondo, taninos macios e acidez marcante, com álcool equilibrado. Final muito agradável, longo, marcado por notas de frutos escuros e um leve amargor, que não atrapalha em nada. Madeira bem integrada marcando o final e o fundo do copo, repetindo a alegância inicial.
Evoluiu no copo, indicando que poderia ter sido decantado por um tempo. Surpreendeu. Mas vá devagar, os 12,5% de álcool enganam os menos avisados.

01 abril 2007

Rio Sol Tinto 2004

Este é o segundo vinho que comento após a criação da Confraria Brasileira de Enoblogs, formada por este blog e pelo amigos do Vivinhos, Viva o Vinho, Pisando em Uvas e recentemente contamos com a adesão do Vinhos - Prazer em Degustar e Le Vin au Blog. A escolha desse mês coube ao Edgard e Anny (Vivinhos) e todos postarão comentários no início de abril.
O Rio Sol 2004 é um corte de cabernet sauvignon e syrah (50/50), produzido pela Vini Brasil, no Vale do São Francisco, uma parceria entre a portuguesa Dão Sul e a importadora Expand. Tem sido anunciado como um vinho para atender ao mercado internacional, produzido na "nova fronteira vinícola" do Brasil, a 8º de latitude sul.
Paguei inacreditáveis $ 29 pela garrafa, provando que o mercado de vinhos em Uberlândia, além de carente, pode ser absurdamente ofensivo aos nossos bolsos. Para se ter idéia, no site da Expand o mesmo vinho é vendido a $18,90.
Apesar do preço, tentei pensar neste vinho com imparcialidade. Constatei o seguinte:
No copo, cor púrpura tendendo ao rubi (quase vermelho), com bordas tendendo ao granada. Formação de intensas e longas pernas. Pouca transparência. Demonstrou certa untuosidade.
No nariz, aromas de média intensidade, lembrando frutas silvestres e notas vegetais, que foram mais abundantes do que o frutado. Álcool excendendo no olfato, apesar dos modestos 12,5% de teor. Na boca, taninos firmes, certa acidez, mas o álcool novamente incomodou. Desequilíbrio indiscutível. Melhor nariz do que boca.
Pouco corpo, retrogosto levemente frutado, final de pouca persistência. Palato adstringente. Não percebi presença de madeira. Ao ganhar um pouco de temperatura, apareceram lembranças de mel (que não me atraem).
O site da Expand anuncia que este foi o "único vinho brasileiro a receber a medalha de ouro no II Concurso Internacional de Vinhos do Brasil - 2004", além de "Medalha de Bronze no Decanter World Wine Awards". Não sei, mas acho que bebi outro vinho.
Há vinhos nacionais que representariam melhor nossa produção. Talvez a "curiosidade" leve o consumidor internacional (como tem feito com os próprios brasileiros) a comprar vinhos produzidos a 8º de latitude sul. Mas apenas pelo interesse na novidade, na excêntrica localização dos vinhedos e da vinícola.
É um vinho pouquíssimo interessante. Mesmo na casa dos $19 é um vinho que não compraria novamente. Modestas duas taças, portanto!

20 fevereiro 2007

Rio Sol Espumante Rosé 2006

Este espumante da ViniBrasil é elaborado pelo método Charmat, mais econômico do que o tradicional Champenoise. Consiste em submeter o vinho à segunda fermentação em tanques de aço inoxidável (e não na garrafa, como no tradicional), sendo em seguida engarrafado sob pressão. É um processo similar ao utilizado nos refrigerantes. Foi inventado em 1895 pelo enólogo italiano Federico Martinotti e patenteado em 1907 pelo francês Eugène Charmat.
Paguei R$ 24,50 na garrafa e só leva duas taças na "nota": não me arrependi, mas não compraria de novo.
Espumante tem que ter espumas: fartas, belas e insinuantes. Parece óbvio, mas neste a espuma é muito tímida, como uma adolescente que se tranca no quarto, envergonhada pelo rosto repleto de espinhas!
De coloração rosa claro, apresentou perlage com bolhas pequenas e um tanto raras, contrariando o padrão ideal de um grande espumante.
Aromas de pouca intensidade, lembrando frutos vermelhos, como morango (simples demais). Algo mineral também. Boa acidez e refrescância. Final amargo, persistente e incômodo.
Embora produzido com 100% de uvas syrah, do Vale do São Francisco, faltou a exuberância da uva e a contagiante qualidade de um espumante nacional. Vinho razoável.






16 julho 2006

Adega do Vale Cabernet Sauvignon 2003


Este vinho é produzido pela ViniBrasil, uma joint venture entre a Expand e a portuguesa Dão Sul, uma empresa que produz vinhos nas mais importantes regiões de Portugal (Dão, Douro, Bairrada, Estremadura e Alentejo). A vinícola fica à margem do Rio São Francisco, próximo ao município de Lagoa Grande-PE, cerca de 60km de Petrolina, garantia de sol e céu azul o ano todo, a 8º de latitude Sul.
Mas o Adega do Vale Cabernet Sauvignon 2003 me pareceu apenas um vinho razoável pra bom. De cor rubi límpida, possui fruta média, nenhuma sensação que me permitisse achá-lo interessante. Tem corpo médio e final persistente com predominância do álcool. Fiquei com a ligeira impressão de que poderá melhorar com o tempo, ficando mais dócil. Mas é um vinho de 2003 e deveria estar mais equilibrado. As informações contidas no rótulo não se concretizaram na prática.
Me custou R$ 16,90 e possui 12,5% de teor alcoólico.
Degustado em 21 de maio de 2006.