21 Novembro 2009

Salton Volpi Gewürztraminer 2009

Gosto muito da uva Gewürztraminer e não poderia deixar de experimentar este vinho da Vinícola Salton, da boa linha Volpi. São vinhos a bom preço e com boa qualidade, quase sempre. Por esta garrafa paguei R$19,90 e o vinho deu conta do recado. Não é exuberante, mas agradou especialmente se considerarmos o preço.
De coloração amarelo palha, com boa transparência, apresentou bons aromas, com floral característico da variedade. Leve e refrescante, tem boa acidez, mas é simples em boca.
Final curto, com prevalência floral. Leve amargor e lembrança vegetal. No fundo da taça, um curioso aroma de amendoim ou castanha(?). Simples e despretensioso. Bom para uma quente noite de quarta-feira. 13% de teor alcoólico.

17 Novembro 2009

Chateau Toutigeac Bordeaux AOC 2006

Definitivamente é difícil encontrar um bom Bordeaux na faixa de preços deste blog. Este vinho, importado pela Sociedade da Mesa, me custou R$34,50. É elaborado pela Vignobles Toutigeac, a partir de um corte de Merlot (72%), Cabernet Franc (18%) e Cabernet Sauvignon (10%), com 12,5% de teor alcoólico. Apesar do bom preço, não compraria outra garrafa, com todo respeito aos que pensam diferente.
Na taça apresentou coloração rubi, límpido e transparente. Aromas moderados. Frutos vermelhos maduros. Notas de especiarias.
Vinho de pouco corpo, com taninos ainda firmes. Seco. Leve fruta em boca. Amargor discreto. Melhorou depois de um tempo aberto, desaparecendo a sensação amarga.
Final curto, boca seca. Madeira discreta.
Tive a impressão de que pode ficar mais macio com um tempo de guarda, mas não creio que ficará mais interessante. Como anotei em minha caderneta no dia da degustação: não é ruim porque não tem defeitos, mas não se justifica. Sem atrativos.



13 Novembro 2009

Errazuriz Reserva Pinot Noir 2008

A Viña Errazuriz é uma prestigiada vinícola chilena, fundada em 1870 por Don Maximiano Errázuriz no Vale do Aconcágua, a cerca de 100 km ao norte da capital Santiago. A região tem clima frio e chuvoso no inverno, mas verões quentes e secos, que recebe brisas úmidas do Oceano Pacífico.
Este Reserva é elaborado com 100% de uvas Pinot Noir provenientes do Vale de Casablanca. Tem passagem de 8 meses por barricas de carvalho francês de vários usos.
De coloração rubi, transparente, demonstrou tipicidade já no exame visual. Aromas em boa intensidade, frutos silvestres maduros (cerejas, framboesas e morangos). Algum traço floral.
Vinho leve, com taninos macios, notas adocicadas, acidez moderada. Redondo, com retro-olfato frutado e leve álcool (13,5%).
Final mediano, com destaque para boa fruta e leve acidez. Álcool repetindo presença, mas sem ser um defeito. Madeira muito bem dosada pelo enólogo.
Não me pareceu necessitar de decantação, mas no fim da garrafa melhorou, indicando que pode receber breve aeração. Vinho com boa cor, bons aromas, boa tipicidade e boa presença em boca. Relação custo benefício interessante. Paguei R$42 pela garrafa. Diria que este vinho fica na metade do caminho entre a delicadeza esperada de um Pinot Noir e a potência a que estamos acostumados na maioria dos chilenos e argentinos elaborados com esta uva.

09 Novembro 2009

Cave Antiga Espumante Moscatel

Comprei este moscatel em Bento Gonçalves, pagando algo em torno de R$ 19. Uma pechincha, se considerarmos que este espumante já foi eleito por várias vezes o melhor moscatel brasileiro. Embora eu tenha um pouco de receio dessas notícias (relembre o que escrevi sobre o moscatel da Garibaldi), a relação custo x benefício é muito boa.
É produzido em Farroupilha pela Vinícola Cave Antiga, casa fundada em 1998.
Posso apontar quatro qualidades desse moscatel - em ordem de importância - que justificam sua compra: não é exageradamente doce, não tem amargor no final, possui boa refrescância e tem bom preço. Ideal para festas em que não se pode/quer gastar muito com os vinhos.
Na taça tem coloração amarelo palha, com perlàge irregular (bolhas grandes). Aromas discretos, com presença do floral característico dos moscatéis. Na boca é cremoso e refrescante, com acidez em destaque. Sem notas amargas. Final curto, com destaque floral.
Espumante simples, mas sem defeitos que comprometam a qualidade. Cumpre o papel, com bom equilíbrio. Álcool a 7,7%.

05 Novembro 2009

Vila Cerna Chianti Classico DOCG 2007

Esse Chianti é produzido com as uvas Canaiolo, Sangiovese e Colorino pela Famiglia Cecchi, que já teve outro vinho comentado aqui (relembre). Segundo o importador, recebeu 88 pontos do Robert Parker... pode ser, mas não foi dessa safra... ou pelo menos do lote do qual saiu esta garrafa que comprei (pagando caros R$48).
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Na taça apresentou coloração púrpura com tons violáceos. Lagrimas grossas. Aromas medianos, demonstrando austeridade, com frutos maduros em destaque, acompanhados de especiarias.
Corpo médio, com taninos rústicos e acidez equilibrada. Retro-olfato com algum frutado. Final mediano, fruta acompanhada por notas de chocolate e leve tostado. Boca seca. Álcool sem incomodar (13%).
Vinho sem complexidade e com poucos atrativos. Relação custo x benefício ruim. Rústico demais. Não consegui beber a garrafa toda. No outro dia, a história se repetiu.

01 Novembro 2009

Salton Volpi Cabernet Sauvignon 2007

Este é o 35º vinho comentado para a Confraria Brasileira de Enoblogs, uma escolha da Fabiana, do blog Escrivinhos, de Recife.
A linha Volpi, da Vinícola Salton, é bastante confiável. Tem bom preço e vinhos ideais para o dia-a-dia, bem superior à linha Classic da mesma vinícola, embora com um preço pouco superior.
Por esta garrafa paguei R$23,90. Foi degustada ontem mesmo, mas me esqueci de escrever a respeito, tanto que o comentário saiu hoje apenas com alguns rascunhos. Alguém deve ter achado que bebi muito, mas não foi o caso.
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Apesar da indicação de ser um Cabernet Sauvignon, esta uva está presente em 85% do corte, que ainda leva 15% divididos igualmente entre Merlot, Tannat e Cabernet Franc.
O vinho passa por um estágio de seis meses em barricas de carvalho norte-americano e outros seis meses em garrafa.
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Servi as duas primeiras taças diretamente da garrafa, deixando o restante no decanter por meia hora. Ao que parece o vinho melhorou um pouco, abrindo-se para um frutado mais franco, com a madeira deixando de aparecer tanto. Melhor com comida.
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Na taça uma coloração rubi escuro, com muitas lágrimas. Aromas em boa intensidade. Domínio das notas vindas do carvalho americano: côco, baunilha e tabaco. Toques discretos de especiarias. Fruta escondida no início.
Corpo mediano. Taninos já domados, macios e doces. Acidez equilibrada. Retro-olfato amadeirado, com especiarias em alguns momentos.
Final mediano. Domínio da madeira, com lembrança tostada. Leve amargor. Álcool a 13% sem incomodar em nenhum momento.
Ficou melhor depois da decantação e a uma temperatura de 18ºC (revelando aromas de especiarias e madeira mais escondida). Vinho correto, sem ser excepcional.
Fiquei na dúvida sobre a avaliação, mas vou usar o in dubio pro vino, porque tem mais aspectos positivos que negativos, a um preço justo. Melhorou depois de um tempo e tem vocação gastronômica.

29 Outubro 2009

Casa Valduga Espumante Brut 2002

Minha "adega" às vezes parece um museu. Não que tenha vinhos caros e de guarda esperando para serem degustados no melhor momento. Nada disso. Mas gosto de comprar vinhos mais antigos, mesmo sabendo que o risco é grande. Se o vendedor cuidou bem do vinho, compro mesmo. Esse espumante eu ganhei de um amigo, que conhece essa minha curiosidade.
É um espumante elaborado pelo método tradicional (champenoise - com a segunda fermentação na própria garrafa), com as variedades Chardonnay e Pinot Noir. Geralmente o método tradicional possibilita espumantes mais complexos e gastronômicos que o método Charmat. Esse "velhinho" da Casa Valduga mostrou estar em ótima forma ainda.
Na taça uma coloração amarelo ouro, com perlage fina e muito persistente, surpreendendo. Espuma rápida. Aromas frutados típicos do tradicional corte, mas em segundo plano. Destaque para aromas da segunda fermentação, como pão torrado e um pouco de mel.
Muito cremoso na boca, com acidez ainda presente, dando refrescância. Retro-olfato marcado por aromas de torrefação, fermento e mel. Final longo, repetindo aromas.
Agradou a todos lá em casa. Um ótimo presente e mais um achado.

25 Outubro 2009

Don Abel Reserva Cabernet Sauvignon 2005

Bebi esse vinho na noite seguinte ao Salton Talento (relembre). Já peço desculpas antecipadas por contrariar a maioria, mas esse Don Abel foi mais interessante. Um vinho que me custou R$26,50 e que tem como características a ausência de passagem por madeira e a não chaptalização (adição de açúcar ao mosto, antes da fermentação, para que o vinho atinja o teor de álcool desejado). Essa, aliás, é uma "bandeira" desta vinícola, fundada em 2005 na cidade de Casca, na Serra Gaúcha. O vinho tem intensa coloração rubi, com pouca transparência. Muito lacrimoso, deixou manchas nas paredes da taça. Como não foi decantado, apareceram resíduos já de início, além de cristais de tártaro.
Aromas medianos, mas muito interessantes: frutos vermelhos maduros, ameixa, pimenta e especiarias. Na boca tem bom corpo, com taninos macios e doces. Acidez equilibrada e retro-olfato frutado.
Final longo, com frutado maduro e intenso. Equilibrado. Certa potência, dada pelos 14% do álcool. Retrogosto marcado por tabaco e um pouco de mel (?).
Confesso que procurei defeitos nesse vinho, mas não encontrei. Aliás, os adjetivos que anotei em minha caderneta foram: denso, equilibrado e intenso.
Compre caixas e me convide para ajudar!

22 Outubro 2009

Salton Talento 2004

Comprei este vinho em setembro de 2007. Lá se foram mais de dois anos de espera para ver como este campeão de premiações da Salton está cinco anos após o engarrafamento. Certamente ainda é um vinho muito bom, de qualidade superior, mas já passou seu auge. Não está com nenhum defeito, mas não aparenta força para evoluir. Já deu!
Na época em que comprei, me custou R$45. Um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Tannat, com álcool a 12,5% e passagem de 12 meses por barricas novas de carvalho francês.
Na taça a coloração ainda é púrpura, com bordas sem evolução na cor. Bastante lacrimoso, apresentou cristais de tártaro.
Aromas intensos. Início dominado pela baunilha, abrindo-se para boa fruta madura, ervas e especiarias. Na boca tem corpo mediano, com taninos macios. Equilibrado e marcante. Retro-olfato com boa fruta, acompanhado por amadeirado elegante.
Final longo e agradável, prevalência de elegante tostado, chocolate e café. Frutado em segundo plano. Melhorou depois de aberto.
Sem dúvida, um vinho nacional de respeito, indicando que podemos fazer bonito também com vinhos tintos, mas se tiver esta safra em casa, beba logo!




19 Outubro 2009

Fina Viognier Sicilia IGT 2007

Este vinho é elaborado pela Cantine Fina, fundada no início dos anos 1980 em Marsala, na ilha da Sicília. Pela garrafa paguei R$27 e fiquei um pouco arrependido quando vi que no site da vinícola não falam desse vinho. Conclusão: não devem gostar muito dele e mandam pra nós.... Mas se até lixo os europeus nos mandam, por que não mandariam vinhos? Apesar disso, foi satisfatório.
Na taça tem coloração amarelo-esverdeado, muito brilhante. Aromas em boa intensidade, com prevalência mineral. Frutos brancos, como pêra e abacaxi maduro. Quando mais frio, apresentou maior citricidade.
Na boca tem boa refrescância, acidez discreta e boa presença. Final mediano, marcado pelo frutado dos aromas e leve tostado, lembrando passagem por madeira.
Vinho simples e despretensioso, que deixou um leve defumado no fundo da taça.
Como disse acima, satisfatório (nada mais).

16 Outubro 2009

Cuatro Vacas Gordas 2008

Quando encontramos esse vinho no supermercado, minha esposa logo pegou uma garrafa, afinal o rótulo é divertido. Mas desconfiei do preço. Pagar R$38 num vinho que nunca ouvi falar, de uma vinícola também obscura (Bodega Caligiore), devo estar fazendo besteira!
Na taça apresentou coloração púrpura, com notas violáceas. Lacrimoso. Muito aromático, prometendo que eu tinha errado na previsão. Várias sensações interessantes: fruta madura, algumas notas florais, pimenta, goiaba e até queijo (?). Álcool incomodando um pouco o nariz (14%).
Na boca a alegria acabou. Pouco corpo, muito leve para um corte de Malbec e Cabernet Sauvignon. Taninos um pouco adstringentes. Acidez equilibrada. Retro-olfato frutado e leve álcool.
Final curto e com leve amargor. Boca rugosa. Álcool esquentando. Fundo do copo com clara lembrança de goiabada. Ficou alcoólico com comida. Agradou apenas no exame olfativo, prometendo complexidade que não se confirmou. Vinho muito simples pelo preço. Deveria custar R$15.



13 Outubro 2009

Dessilani Dolcetto D'Alba DOC 2007

Desde que comentei outro vinho elaborado com a Dolcetto, virei admirador desta uva. Pena que não se encontra vinhos confiáveis em minha região. Quando me deparei com este a $31, não pensei duas vezes. É elaborado pela vinícola Dessilani, casa fundada em 1892 e com sede em Fara Novarese, na província de Novara, na região do Piemonte. O site estava passando por reformulação, impedindo maiores informações.
Um tinto agradável, mas inferior ao que havia comentado em outra ocasião (relembre).
Na taça uma delicada coloração grená, com lágrimas lentas e grossas. Aromas discretos. Frutos delicados como morango e framboesa em destaque. Lembrança vegetal em alguns momentos.
Vinho leve em boca, com taninos finos e acidez em destaque. Melhor que nos aromas. Retro-olfato com frutos delicados. Notas adocicadas muito agradáveis apareceram em alguns momentos.
Retrogosto com frutado discreto, boca enrugada, lembrança de goiaba e chocolate. Álcool (13%) dando mais potência que o esperado para um Dolcetto. Agradável e nada mais!

09 Outubro 2009

Aliança Reserva Tinto Bairrada DOC 2006

Os vinhos da Aliança - Vinhos de Portugal (fundada em 1927, na Bairrada) povoam os supermercados brasileiros. Quase todos com preços inferiores a R$25 e vindos das mais variadas regiões portuguesas: Alentejo, Douro, Bairrada, Dão e Beiras.
No site da empresa não encontrei informações deste produto, elaborado exclusivamente com a uva Baga, que ganhou maior ênfase nos últimos anos em virtude dos bons vinhos produzidos por Luis Pato, seu "domador". Encontrei preços variando entre R$20-25. Provavelmente é produzido aprenas para o mercado externo.
Na taça coloração rubi, muito brilhante e lacrimoso. Aromas iniciais muito maduros, lembrando alguns Cabernet Sauvignon chilenos. Com agitação da taça, surgiram aromas medianos de frutos maduros, como ameixa, e notas florais. Aí sim pareceu um vinho português.
Corpo mediano, com taninos firmes. Vinho seco, com acidez discreta e ataque frutado. Lembrança vegetal no retro-olfato. Álcool a 13%, sem desafinar.
Final com certa rusticidade e média persistência, mas com bom frutado e leve tostado. Equilibrado, agradável e correto para o preço. Acompanhou bem uma comidinha simples numa baita quarta-feira. Ficou melhor aos 18ºC.



Obs.: a partir de março de 2008 a vinícola trocou o tradicional nome Caves Aliança para o atual, coincidindo com uma grande mudança na imagem institucional.

05 Outubro 2009

Yume Montepulciano D'Abruzzo DOC 2005

A Caldora Vini está localizada na região de Abruzzo, no centro-sul da Itália. Este vinho é elaborado com a uva tinta que é símbolo da região, a Montepulciano, e me custou R$61 em janeiro deste ano.
Apresentou coloração púrpura. Vinho denso e lacrimoso, manchando as paredes da taça. Aromas medianos. Frutado muito maduro, com destaque para frutos negros e especiarias. Lembrança de madeira em boa medida.
Melhora muito na boca. Bom corpo, com taninos macios. Boca cheia. Álcool presente, sem desequilibrar (14% de teor). Presença de gostoso frutado, com notas de chocolate amargo. Retro-olfato com leve toque de especiarias. Boa complexidade.
Final longo, marcado por madeira bem integrada e frutado muito agradável. Leve presença tânica.
Vinho que vale o que custa, com boa complexidade, próprio para gastronomia, agradável e robusto. Depois de um tempo aberto ficou mais macio e redondo. Um tinto italiano que vale conhecer, embora não dê para comprar toda semana!

01 Outubro 2009

Miolo Seleção Tinto 2008

Este é o 34º vinho da Confraria Brasileira de Enoblogs, uma escolha do confrade do blog Avaliador de Vinhos.
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Confesso que respirei fundo ao ler a indicação. Não estava nos meus planos a compra desse vinho, por mais que a nova imagem tenha melhorado bastante e apesar do novo corte de cabernet sauvignon e merlot (sem pinot noir). Mas confraria é assim... não basta ser confrade, tem que participar.
Comprei o vinho por R$ 18,90. Num almoço de domingo abri a garrafa e servi às cegas para minha esposa e minha mãe. Ouvi expressões do tipo “vinho agradável” e “fácil de beber”, que traduzem os objetivos desse produto tradicional da
Vinícola Miolo.
Realmente não é produzido para ser um grande vinho, mas é satisfatório e vem cumprindo um papel histórico junto aos enófilos brasileiros: muitos começaram a se interessar por vinhos finos com o Miolo Seleção. Confesso que não bebi as safras anteriores, daí não poder fazer um comparativo, mas esse 2008 é agradável, jovem e informal.
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Na taça apresentou coloração rubi, com halo aquoso, lágrimas grossas e rápidas. Aromas moderados. Início com destaque para gostoso amadeirado, abrindo-se para delicado frutado (frutos silvestres, talvez framboesa).
Na boca apresentou pouco corpo. Fácil de beber, com frutado simples, mas muito agradável. Taninos aparecendo levemente, sem rusticidade. Final de boa persistência, com fruta e madeira equilibrados. Álcool aparecendo levemente em alguns momentos, mas sem prejudicar (12,5% de teor). Sem amargor.Enfim, um vinho com boa relação qualidade x preço e que cumpre o papel para o qual foi elaborado.

28 Setembro 2009

Costa do Pombal Tinto Douro DOC 2006

Este tinto duriense é produzido pela Vallegre Vinhos do Porto S/A. É um corte das tradicionais Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinta Barroca. Foi engarrafado somente em 2009.
É um vinho surpreendente, custando apenas $18. Apesar dos três anos de idade, apresentou-se muito agradável e sem defeitos, embora simples e descompromissado. Esteve melhor aos 17ºC.
De coloração púrpura, apresentou halo aquoso. Muitas lágrimas e boa transparência. Aromas medianos, com frutos silvestres maduros. Muito perfumado. A uma temperatura mais baixa a intensidade floral aumentou.
Pouco corpo, bastante leve, mas com taninos ainda presentes e pouca acidez. Equilibrado em boca. Fruta delicada com boa presença. Muito agradável, fácil de beber. Lembrança resinosa, como é comum em vinhos portugueses dessa região e faixa de preços. Final de boa persistência.
Não é excepcional, mas pelo preço que paguei foi uma ótima compra.

24 Setembro 2009

Cave Geisse Espumante Brut 2007

Pensei muito sobre a utilidade deste comentário. É que este brut da Cave Geisse já recebeu premiações que dispensam comentários. Além disso, praticamente todos os leitores do blog devem ter lido algo a respeito dele ou até já experimentaram este ótimo espumante brasileiro. Os que ainda não o fizeram, estão perdendo.
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Elaborado pelo método tradicional com as variedades Chardonnay e Pinot Noir, encanta pelo equilíbrio. Nenhuma característica se sobrepõe às demais. Frutado na medida certa, com notas da fermentação que não se sobrepõem à fruta, sendo gastronômico e refrescante ao mesmo tempo. Com boa cremosidade, tem perlage fina e persistente, um espetáculo na taça. Aromas frescos, com notas de torrefação, frutos secos e mel. Final longo e seco. Álcool de 12,5%. Pela garrafa paga-se em torno dos R$ 42. Um preço justo, na minha opinião.

Indispensável!

21 Setembro 2009

Finca El Origen Malbec 2007

Os vinhos da Bodega La Esperanza não têm feito sucesso aqui em casa. Já comentei um Malbec 2004 deles e não voltei a comprar outra garrafa (relembre). Ganhei um Malbec Reserva e não encantou. Esse 2007 foi outra triste constatação. Embora não seja ruim, não tem atrativos suficientes para me fazer comprar outra botella, embora esteja numa faixa de preços bem acessível (R$19).
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Na taça apresentou coloração púrpura com notas violáceas. Lágrimas grossas. Aromas de média intensidade. Álcool chegando na frente. Fruta madura, resina e algo químico.
De pouco corpo, tem taninos com leve adstringência, acidez presente, mas equilibrada. Pouca presença em boca, bem magro, embora melhor que no nariz. Final curto, com álcool marcante e leve madeira. Vinho que não se justifica, muito simples e pouco atrativo.
Pelo preço que tem, não haverá grande arrependimento, mas acredito que há vinhos um pouco melhores na faixa de preços.
Produzido com uvas do Vale do Uco, tem 14% de álcool.

17 Setembro 2009

Amadeu Espumante Brut Rosé

No dia 29 de julho estivemos novamente na Cave de Amadeu. Fui com minha esposa e três amigos, que não conheciam a vinícola. É um passeio que vale a pena, seja porque a região de Pinto Bandeira é muito bonita, seja porque visitar essa vinícola é sempre um charme. Agradeço à Kátia pela ótima recepção, como da outra vez em que estive por lá.
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Este brut rosé é elaborado com 100% Pinot Noir, uma opção diferente da vinícola, que antes utilizava além desta uva, um percentual de merlot e cabernet sauvignon. Quando fiz o comentário aqui (
relembre) ressaltei o caráter gastronômico do espumante. Nessa versão 2008 veio mais leve, mas refrescante, mais informal, mas com a qualidade de sempre.
Na elaboração, pelo método champenoise, a segunda fermentação leva aproximadamente 6 meses, com mais um ano de amadurecimento nas caves. Teor de açúcar: 12 gramas por litro. Teor alcoólico: 12,5%.
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Na taça uma bonita coloração voltada para o salmão, lembrando casca de cebola. Nada de "cor-de-rosa", lembrando o Guaraná Jesus, fabricado no Maranhão!
Excepcional perlage, com bolhas finas e constantes. Um espetáculo visual. Aromas moderados, frutado delicado e leve lembrança da fermentação.
Na boca é mais refrescante que a versão anterior. Certa cremosidade. Equilíbrio entre frutado e notas da segunda fermentação. Final mediano, marcando o palato com leve tostado.
Espumante menos encorpado que a versão anterior, que levava duas uvas tintas bem "pesadas" na elaboração. Ponto alto para o equilíbrio. Menos exuberante que outros da linha Cave Geisse. Acompanhou bem alguns queijos mais cremosos. Não me lembro exatamente quanto paguei no varejo da vinícola, mas foi algo em torno dos R$28.

13 Setembro 2009

Avondale Julia 2006

Quando experimentei o Pinotage da Vinícola Avondale, comentado em novembro do ano passado (relembre), fiquei muito impressionado, tanto que foi um dos vinhos "excelentes" de 2008 aqui do blog. Ao encontrar este Julia (nome da minha sobrinha-única), não tive dúvidas em comprá-lo, na expectativa que pudesse repetir o resultado. Parece ser o vinho básico da vinícola, um corte engenhoso de seis variedades: Merlot (29%), Cabernet Franc (24%), Mourvèdre (20%), Ruby Cabernet (13%), Malbec (10%) e Cabernet Sauvignon (4%). A passagem por madeira também é um pouco complicada: 12 meses em barricas de carvalho francês novas (25%) e de 2 anos de uso (45%), além de americanas de 3 anos de uso (30%).
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Na taça coloração púrpura bem jovem. Intensos aromas, abrindo com terra úmida, partindo para floral, um mix de sensações perfumadas. Minutos após servido surgiram notas de carvalho, que se mesclaram com boa fruta, permanecendo por todo o tempo restante em que o vinho foi degustado.
Complexidade aromática não se repetiu em boca. Corpo mediano, com taninos macios e doces. Acidez e álcool em equilíbrio. Retro-olfato com fruta e madeira. Final longo, com destaque para abaunilhado da madeira e leve tostado no palato. Estilo bem "novo mundo", semelhante aos demais sul-africanos nesta faixa de preços ($40-45). Pronto para beber, sem expectativa de melhora com a guarda.




Nota: a uva Mourvèdre é muito importante nos vinhos do sudeste e sul da França, nas regiões de Provence, Languedoc e Côtes-du-Rhône. É uma das uvas que entram no corte do famoso Château-Neuf-du-Pape. Na Espanha recebe o nome de Monastrell. Suas características são muito próximas às da Cinsault, uma das uvas do cruzamento que originou a Pinotage.

09 Setembro 2009

Vallontano Reserva Merlot 2005

Estive na Vinícola Vallontano em outubro de 2008. É uma das primeiras vinícolas na rota do Vale dos Vinhedos e tem um espaço interessante, o Vallontano Café. Não sei se estavam em reforma ou foi por conta da baixa temporada, mas funcionava apenas a degustação. Quando voltei agora em julho, infelizmente não consegui ir até lá.
Comprei este Merlot por $45, após degustar toda a linha de tintos e espumantes. Todos muito corretos e chamativos, mas um turista comedido não leva tudo de todos os lugares, certo?
Abri o vinho somente em junho deste ano, mas esqueci de fazer o comentário. Foi aberto numa quarta-feira para acompanhar uma pizza e caiu muito bem. Ficou doce e harmônico com a massa. Obs.: O rótulo está sujo porque outras garrafas foram delicadamente quebradas pela companhia aérea.
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De coloração rubi-violáceo, não demonstrou a idade. Aromas intensos, típicos dos Merlot brasileiros. Muita fruta madura, leve toque de especiarias e notas vegetais em evidência. Corpo mediano, macio e equilibrado. Opção pela elegância. Taninos finos e acidez moderada.
Final longo, com frutado tomando conta. Álcool equilibrado (13,5%) e sem nenhum amargor. Madeira bem dosada e elegante, com toques tostados e de café. Estilo mais próximo aos vinhos europeus. Passagem de 8 meses por barricas de carvalho. Está num bom momento para ser aberto, embora possa melhorar em 1 ano.
Somente um ponto negativo: poderia ser mais barato.




Obs.: Não sou supersticioso, mas não ia perder a oportunidade de publicar este comentário no dia 09/09/09 às 09:09 h.

05 Setembro 2009

Finca El Origen Reserva Malbec 2007

Já comentei outro Malbec da Bodega La Esperanza (relembre), de uma linha básica e que não me agradou muito. Aliás, em breve virá o comentário do mesmo vinho, só que da safra 2007.
Este reserva tem passagem de 12 meses por barricas usadas e está na faixa dos $ 30-35. Um vinho que poderia custar menos.
Jovem, de coloração púrpura com reflexos violáceos e lágrimas muito lentas. Bons aromas, com o frutado típico dos Malbec argentinos. Um pouco “quente” no nariz (14,5% de teor alcoólico).
Na boca apresentou corpo mediano, com taninos vivos, ainda ásperos, com acidez marcante. Vinho seco, sem a chatice da repetitiva doçura da maioria dos vinhos sul-americanos. Madeira discreta, com retro-olfato frutado.
Final médio, alcoólico. Leve amargor, especialmente quando a temperatura na taça aumentou. Fundo do copo com lembrança discreta do carvalho.

Enfim, um vinho com alguns problemas, especialmente o álcool que incomodou um pouco, demonstrando ter efetivamente os 14,5%. Servido a uma temperatura abaixo dos 18ºC melhorou o frutado e o álcool ficou menos aparente. Mas, "desafinou" no conjunto.

01 Setembro 2009

Palo Alto Reserva 2007

Este é o 33º vinho comentado para a Confraria Brasileira de Enoblogs. Desta vez a indicação foi do Alexandre, do Diário de Baco. Um tinto fácil de encontrar, produzido pela Vinícola Palo Alto, criada em 2006 no Vale do Maule, sendo uma das subsidiárias da gigante Concha y Toro. Vinho bastante semelhante à maioria dos chilenos nesta faixa de preços, bastante frutado, sem muita complexidade, mas agradável. Um corte de cabernet sauvignon, carmenère e syrah, em proporções que desconheço, assim como não sei o tempo de passagem por madeira. Pela garrafa paguei R$35.
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Na taça uma coloração púrpura, com bordas violáceas. Bastante lacrimoso. Aromas maduros em boa intensidade, frutos negros de início, abrindo posteriormente para frutos vermelhos mais delicados, chocolate e nuances da madeira. Álcool aparecendo e incomodando um pouco.
Corpo médio, com taninos vivos e acidez mediana. Início bastante "seco", sem notas mais adocicadas, que somente apareceram após um tempo aberto, mas não ficou enjoativo. A uma temperatura mais baixa (em torno dos 16ºC) ficou mais agradável em boca.
Final mediano, com madeira ainda discreta, sensação de "boca seca". Leve amargor. Vinho jovem, sem muita complexidade. Servirá bem para uma ocasião mais informal, mas não fará feio ao acompanhar uma refeição.
Sinceramente fiquei na dúvida sobre a “avaliação” do vinho. Levando em consideração a relação custo x benefício e o álcool (13,5% de teor) que "esquentou" um pouco o vinho em todos os momentos da degustação, acredito que mereça minhas três taças. Um bom vinho, sem dúvida, mas não mudará sua vida. Ponto positivo para madeira sem exageros. Beba logo!

27 Agosto 2009

Picada 15 Merlot 2006

Não costumo gostar de vinhos argentinos ou chilenos elaborados com Merlot. Que me desculpem os inúmeros incrédulos, mas prefiro o Merlot brasileiro. Na média, mesmo os mais simples e baratos são melhores.
Este vinho é produzido na fria Patagônia, pela importante Bodega NQN. O nome do produto vem dos caminhos abertos pelos primeiros exploradores, que receberam o nome de “picadas”. A de nº 15 passa perto da vinícola.
Um vinho que está na faixa dos $25-30 e tem boa relação qualidade x preço. Tem passagem de apenas 10% em madeira francesa e americana, pelo período de 6 meses. Um vinho equilibrado, apesar da potência dos 14,5% de teor alcoólico.
Vinho de coloração rubi, bem lacrimoso, brilhante e com boa transparência. Boa intensidade aromática, com lembrança de frutos maduros e delicados. Álcool indicando potência, mas sem atrapalhar. Leve presença floral. Servido a uma temperatura mais alta aumentou a complexidade aromática.
Tem corpo mediano, com taninos bem presentes e marcantes. Acidez moderada. Final de boa persistência, deixando a boca seca. Ponto positivo para a madeira muito bem dosada. Algumas notas adocicadas apareceram com a massa ao molho bolonhesa, demonstrando sua vocação para acompanhar refeições.

23 Agosto 2009

Luiz Argenta Reserva Cabernet Sauvignon 2004

A Vinícola Luiz Argenta elabora um dos mais agradáveis espumantes Moscatel do mercado, na minha opinião. E tinha curiosidade de experimentar seus tintos, já que não os encontro na região em que moro.
No dia 29 de julho almoçamos no Di Paolo, na cidade de Garibaldi. Um lugar muito agradável e com vários prêmios dados pela Revista 4 Rodas, inclusive o de "melhor galeto do Brasil". Se é mesmo o melhor não sei, mas estava sensacional!
Pagamos R$ 39 por este Cabernet Sauvignon, com passagem de 6 meses por barricas de carvalho e produção limitada a 16.000 garrafas.
Na taça uma coloração rubi com bordas tendendo ao granada, revelando sua idade. Lágrimas grossas e lentas. Ótimos aromas, com frutas vermelhas maduras e destaque, envolvidas por notas amadeiradas muito elegantes.
Corpo mediano, taninos macios, que marcaram final com leve adstringência. Retrogosto longo, elegante, com madeira se sobrepondo levemente à fruta, mas com elegância e estilo "velho mundo". Vinho prontíssimo para consumo. Sem notas amargas ou agressividade de taninos ou acidez.
Experiência muito boa. Tanto o vinho quanto a comida deram um toque especial em nosso último almoço na Serra Gaúcha.

19 Agosto 2009

Boscato Reserva Merlot 2005

No dia 28 de julho jantamos no Família Geremia, em Garibaldi. Quem conhece a região sabe que fica no Castelo Benvenuti, às margens da rodovia. Lugar agradável, com serviço muito bom, comandado pelo Paulo Geremia, empresário com restaurantes em várias cidades da região. Da carta de vinhos com centenas de opções, experimentamos espumantes da Cave Geisse e da Perini (briga desigual).
Dentre os tintos, ficamos curiosos com este merlot da Vinícola Boscato, localizada no município de Nova Pádua, no Vale do Rio das Antas, e fundada em 1983 pelos irmãos Clóvis e Valmor Boscato. Segundo o site da empresa, todos os Reserva passam por barrica de carvalho, mas não especifica o período. Pela garrafa pagamos R$35.
Na taça um vinho de coloração rubi, com reflexos violáceos, aparentando untuosidade. Aromas discretos, com lembranças de frutos vermelhos e especiarias. Na boca apresentou leveza, com taninos finos e baixa acidez. Presença discreta em boca, o que levou a todos na mesa a utilizar o adjetivo "vazio" para descrever a sensação. Retro-olfato com boa fruta.
Final mediano, notas de bala de café e um gostoso frutado. Vinho delicado e elegante, muito macio e sem nenhum amargor para incomodar. Equilibrado e diferente da maioria dos merlot brasileiros. Não é um vinho excepcional, mas vale a experiência. Pronto para beber. Álcool equilibrado (12,5% de teor) e madeira muito discreta, na medida que deve ser.




Este é o 300º vinho que comento no blog. Não foi escolhido por ser especial, apenas coincidiu com a marca. Obrigado aos leitores por me suportarem há tanto tempo!

15 Agosto 2009

Valmarino Tannat 2005

No dia 29 de julho estive novamente na Vinícola Valmarino, no Distrito de Pinto Bandeira, em Bento Gonçalves. Fomos muito bem atendidos, como sempre. Meu propósito era comprar o Cabernet Franc X, mas acabei degustando vários tintos. Embora a temperatura ambiente fosse bem baixa (inferior a 10ºC) e os vinhos estivessem gelados, fiquei surpreso com o resultado geral. Todos os tintos estavam interessantes, mesmo os mais baratos. Este Tannat me custou $18. Comprei a garrafa nº 0904. Uma relação qualidade x preço muito boa, pois é um vinho surpreendente para a faixa de preços. Compraria uma caixa, se coubesse no porta-malas do carro.
Uma bonita coloração rubi, manchando as paredes da taça. Lacrimoso (14%). No exame olfativo, ainda sem agitar a taça, aromas terrosos e vegetais, abrindo-se posteriormente para ótima fruta madura, notas florais e leve tostado de uma madeira bem dosada.
Corpo mediano. Taninos presentes, como é natural em vinhos desta uva, mas sem exageros. Diria que está macio para um Tannat. Acidez equilibrada e álcool sem aparecer, apesar do alto teor.
Final marcante, de média intensidade. Fruta e madeira se entendendo bem. Boca levemente seca. Um pouco de amargor apareceu para incomodar, mas de resto o vinho está equilibrado.
Vinho que está em ótima forma e com preço muito bom. Apresentou muitos resíduos (como pode ser visto na foto) e cristais de tártaro. Melhor deixar a garrafa na vertical para servi-lo após um tempo. A decantação nesse caso deve ser feita pelo motivo clássico e não para "arejar" o vinho, que não precisa disso. Está pronto para beber.





Busquei mais informações sobre o vinho e obtive resposta do enólogo Marco Antônio Salton: "O Tannat Valmarino 2005 provém de uvas selecionadas de nossos vinhedos com mudas importadas do Uruguai, que na excelente safra 2005 permitiu a obtenção de um vinho com 14% de álcool natural. Este vinho 100% varietal não foi filtrado e envelheceu cerca de 30% em barricas de carvalho americanas e francesas novas por um período de 5 meses. Foi engarrafado em Junho de 2006 num lote de 4.000 garrafas todas numeradas e armazenado em nossa adega em pedra basalto. Sua comercialização iniciou em Novembro de 2007".
Agradeço de público a gentileza da resposta!

10 Agosto 2009

Alto Pampas del Sur Pinot Noir 2008

Fui a um supermercado e encontrei esta garrafa a R$19. Aliás, eram duas garrafas, mas a outra estava sem rótulo e o contra-rótulo. Coisas de supermercado. Resolvi comprar só uma, sem esperar grande coisa de um Pinot Noir desse preço, mas o resultado foi satisfatório. Compraria mais.
Segundo informações do rótulo, é produzido pela Trivento, na imensa denominação de Mendoza. Com teor de 13,5% de álcool é um PN mais vigoroso que o esperado, mas o preço baixo compensa os pontos negativos.
De coloração púrpura, é brilhante e com boa transparência. Aromas medianos, mas agradáveis, com boa tipicidade, notas silvestres e leve álcool. Na boca é leve, com taninos finos e baixa acidez. Muito agradável, com frutado delicado e álcool dando potência. Notas florais apareceram com maior intensidade na boca. Final mediano, com boa intensidade de frutos e flores. Leve amargor.
Pronto para consumo. Mais "quente" que o esperado. Vinho ideal para uma segunda-feira. Servirá aos que querem ser apresentados a essa uva, porque é mais "novo mundo". Não valeria a compra se custasse $30.

05 Agosto 2009

Kanu Rockwood Red 2006

Eis um assemblage sul-africano, elaborado na região de Stellenbosch pela Kanu Vineyards, fundada em 1997. É um corte entre Shiraz (56%), Cabernet Sauvignon (34%), Merlot (6%) e Roobernet (4%), um cruzamento entre CS e Pontac, uva local muito plantada na região do Cabo. De coloração púrpura violáceo, é bem lacrimoso. Aromas iniciais de chocolate e baunilha (lembrando pó para "bolo de caixinha"). Após agitação apareceu frutado bem maduro, com madeira aparentemente equilibrada.
Vinho muito leve, meio "aguado". Madeira surgiu com exagero, se sobrepondo ao restante, deixando frutado escondido. Taninos macios. Sem muita complexidade. Final mediano, marcado por abaunilhado e uma leve presença tostada. Álcool sem desequilibrar.
Um vinho bom, mas nada excepcional, que na minha opinião pecou pelo excesso de madeira, chegando a ficar um pouco chato. Valeu para conhecer um produto com a até então desconhecida Roobernet, que no final das contas não deve ter feito diferença.
Em tempo: o vinho é meio-seco, conforme alteração feita no contra rótulo. Isso significa que o açúcar deste produto fica entre 5 e 20 g/l, segundo as normas brasileiras.



01 Agosto 2009

Casa Valduga Premium Cabernet Franc 2005

Este é o 32º vinho da Confraria Brasileira de Enoblogs, escolha que me coube em nosso rodízio democrático. Lembro a todos que as escolhas refletem a individualidade dos confrades, que não escolhem vinhos porque sabidamente sejam consagrados. Ao contrário, a diversidade é que alimenta a curiosidade. Por vezes essa diversidade traz decepções, mas elas fazem parte da vida, com ou sem vinhos.
Neste mês contamos com a adesão dos blogs
Prazer por Vinhos Tintos (São Paulo), Vim Vinho Venci (Recife) e Vinhos e Vinhas (Belo Horizonte). Bem vindos!
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O vinho do mês é produzido pela
Casa Valduga, com uvas do Vale dos Vinhedos. Pertence à sua linha Premium, com passagem de 8 meses por barricas de carvalho francês. Na mesma linha há os tintos elaborados com Cabernet Sauvignon e Merlot, os brancos Chardonnay, Gewürztraminer e Sauvignon Blanc, além de espumantes.
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Paguei R$35 pela garrafa e o resultado foi muito bom, pois encontrei um vinho muito correto, com personalidade própria e bastante harmonia. Nada de madeira exagerada escondendo as características do vinho, nada de imitação de vinhos chilenos e argentinos.
Na taça uma coloração rubi brilhante, com pouca transparência. Boa intensidade aromática, com frutas vermelhas mais delicadas e presença de floral bem aparente. Madeira discreta e bem integrada.
Servi o vinho a 20ºC para perceber se o álcool incomodava, afinal são 14% de teor e o vinho se comportou muito bem.
Bebido a 18º C, apresentou corpo mediano, macio em boca, com taninos já domados pela boa evolução. Acidez marcante, sem desequilibrar. Final persistente, com boa fruta e elegante tostado da madeira, com nuances de café e chocolate. Boca um pouco seca. Vinho que está ótimo para consumo imediato e ainda pode esperar mais um ano.
Aos 20ºC havia um leve amargor no retrogosto, que desapareceu à temperatura correta de serviço. Enfim, um vinho surpreendente. Fala-se muito do Merlot da mesma linha, mas esse CF está melhor.






No dia 27 de julho, jantei com minha esposa e alguns amigos na Osteria Persona, o restaurante da Villa Valduga, em Bento Gonçalves. Experimentei pela primeira vez o Cabernet Franc da safra 2006. Fiquei surpreso com seu equilíbrio e elegância, com retrogosto intenso, lembrando bala de café. Estiloso. Quando prová-lo novamente com mais atenção faço o comentário aqui.

27 Julho 2009

Casa Silva Colección Cabernet Sauvignon 2007

Já declarei minha admiração pelos vinhos da Casa Silva, elaborados pelo competente Mário Geisse. Essa linha Colección é bastante segura, especialmente o Carmenère já comentado, que considero o melhor da linha (relembre). Seus vinhos tem uma particularidade interessante que é a passagem parcial por madeira, permitindo que as características das uvas se expressem de forma mais franca. Este Cabernet Sauvignon tem passagem de apenas 25% do líquido por barricas francesas, por um período de 6 meses.
Na taça apresentou coloração púrpura com reflexos violáceos e lágrimas lentas, demonstrando certa untuosidade. Boa intensidade aromática, marcada por frutos vermelhos, leve mentolado e madeira escondida. Floral em segundo plano e notas de especiarias, especialmente em temperatura um pouco mais alta.
Corpo mediano, com taninos redondos e macios. Acidez moderada e retro-olfato marcado por muita fruta. Final com leve aspereza dos taninos, permanecendo na boca um logo e gostoso frutado, envolvido por madeira bem integrada. Delicado floral apareceu também.
Vinho com certa complexidade, fácil e elegante. Muito equilíbrio entre taninos, acidez e álcool (14% que não incomodou em nenhum momento). Chegou a ficar "doce" ao acompanhar uma despretensiosa rodada de queijo Brie que estava passando por ali. Está meio degrau abaixo do Carmenère da mesma linha.




23 Julho 2009

Aurora Reserva Cabernet Sauvignon 2007

Comprei este vinho disposto a provar pra mim mesmo que não tenho qualquer preconceito em relação à histórica Vinícola Aurora. É que sempre olho para seus vinhos com uma certa desconfiança, porque "vinhos de cooperativas" podem ser elaborados com uvas de procedências tão diversas que a qualidade pode estar comprometida.
Paguei R$22 pela garrafa num supermercado e o resultado foi razoável. Não valeria mais que o preço pago.
É um vinho de coloração púrpura com notas violáceas. Aromas iniciais lembrando terra úmida. Agitando a taça, apareceram notas bastante elegantes da madeira, lembrança de baunilha, côco e tabaco. Fruta muito escondida. Madeira dominando, mas sem ofender o nariz, como tem ocorrido com alguns importados que tiveram contato com lascas (chips) de carvalho.
Apresentou pouco corpo, especialmente por se tratar de um CS. Taninos finos e retro-olfato dominado pela madeira, mas agradável. Fácil de beber. Final curto para fruta e mediano para madeira. Sem amargor final.
É daqueles vinhos que renderiam um "debate técnico", porque na minha ignorância enológica considero sua estrutura de taninos e acidez insuficiente para tanta madeira, o que acabou escondendo as características mais elementares da CS. Vinhos simples e descompromissado, pra ser bebido ontem, com todo respeito.

19 Julho 2009

Elegido Tannat-Merlot 2007

Comprei este vinho por R$19 e fiquei satisfeito com o resultado. Vinho simples, mas equilibrado e agradável. Um bom exemplar para o dia-a-dia, com o tradicional corte uruguaio de Tannat e Merlot, presente em vinhos de linhas mais simples. É produzido pela conhecida Montes Toscanini, na região de Canelones, onde está situada a capital do país, Montevidéu.
Na taça apresentou coloração vermelho rubi, com lágrimas rápidas. Bons aromas, com início amadeirado, abrindo-se posteriormente para agradável frutado e algumas notas florais. Sem complexidade.
Apresentou menos estrutura do que esperado para um vinho com Tannat, uma contribuição dada pela Merlot. Taninos macios, com leve aspereza. Acidez discreta. Retro-olfato gostoso, marcado por muita fruta e leve lembrança do carvalho. Final persistente, mesclando bem fruta e madeira, com clara lembrança de côco e tabaco.
Vinho com certa elegância para a faixa de preços. Melhor em boca do que no nariz. Beba logo!

15 Julho 2009

Malma Reserva Pinot Noir 2006

Gosto de vinhos da Patagônia, mas esse Pinot Noir produzido pela excelente Bodega NQN já está na curva descendente. O 2007, que já experimentei em outra ocasião, ainda está ótimo, mas este 2006 já não está mais em plena forma, com o álcool atrapalhando um pouco o conjunto. Pela garrafa paga-se na casa dos R$40.
Na taça um rubi brilhante, mais escuro e lacrimoso. Na temperatura indicada no rótulo para melhor consumo (18ºC) apresentou aromas moderados, típicos da variedade, com álcool aparecendo. Leve presença de madeira. Com a temperatura mais baixa, melhorou um pouco, mas o álcool ainda teimou em incomodar (14,5% de teor).
Os aromas modestos de frutos silvestres indicavam um vinho "meia-boca", mas melhorou muito no exame gustativo, com taninos já dóceis, com leve aspereza e boa acidez. Retro-olfato frutado e álcool dando mais potência do que o normal para um Pinot Noir.
Final persistente, com frutado marcante e madeira bem integrada. Como disse, já passou seu auge, mas ainda é gostoso. Pena que o álcool tenha desequilibrado em alguns momentos.
Segundo o rótulo, 15% do vinho passam por madeira americana e francesa, pelo período de 6 meses.

10 Julho 2009

Condado de Almara Reserva 2003

É provável que este seja o vinho espanhol mais elegante e bem acabado que comentei neste blog. Um corte harmônico de tempranillo (70%) e cabernet sauvignon (30%), produzido na região demarcada de Navarra (sub-região de Ribeira Alta de Navarra), pela Bodega Macaya, casa fundada em 1999. Embora com passagem de 14 meses em barricas americanas e mais 12 meses em garrafa, a madeira não interferiu no conjunto, deixando aromas bem aparentes. Vinho de boa presença em boca.
Na taça apresentou coloração rubi com notas violáceas. Lágrimas muito lentas. Aromas iniciais de boa intensidade, lembrando frutos mais delicados, frutos secos e alguns temperos. Agitando a taça, veio muita fruta madura e compota. Elegante no nariz, estilo “velho mundo”, sem aquela “explosão de frutos vermelhos” com a qual estamos sendo obrigados a conviver na maioria dos vinhos.
Na boca é convidativo. De corpo médio, apresentou taninos finos, com ótimo equilíbrio entre acidez e álcool. Final longo, com fruta marcando o palato e elegante madeira. Boca levemente seca ao final, com taninos mandando recado (sem desagradar). Em alguns momentos apareceram aromas lembrando queijo ou algo lácteo.
Não pareceu ter 13,5% de teor alcoólico. Apresentou-se melhor a temperaturas mais altas, em torno dos 18ºC. Envelheceu muito bem e está pronto para beber. Ótima relação custo x benefício (R$ 37,50).

05 Julho 2009

Clos Torribas Tinto Crianza 2004

Este vinho 90% tempranillo e 10% cabernet sauvignon é produzido na região de Penedès, pela Bodegas Pinord, casa fundada em 1942. A região está situada na costa nordeste do mediterrâneo, entre Barcelona e Tarragona e pertence ao grupo de elite das regiões demarcadas do país (DO).
A garrafa me custou R$29, mas o resultado não foi tão bom quanto esperava, afinal, o vinho é vendido com uma etiqueta informando que é "uno de los mejores vinos del mundo", segundo a Wine Spectator. Pode ser que uma safra anterior tenha merecido a distinção ou esta já não esteja tão em forma.
O vinho passa de seis a nove meses em barricas de carvalho francês e americano, segundo informações no site do produtor.
De coloração rubi bastante claro, com bordas alaranjadas, formou lágrimas rápidas. Sem agitação na taça, apresentou bons aromas, com destaque para um elegante amadeirado. Depois de agitado o líquido, apareceram aromas de frutos maduros, algo lembrando compota, em boa intensidade.
Na boca é leve, com pouco corpo. Taninos já domados pelo tempo e baixa acidez. Pouco interessante, com boca marcada por madeira. Final de boa persistência, com leve tostado. Gostoso, mas com fruta muito escondida.
Vinho que certamente perdeu o vigor, embora não esteja defeituoso ou seja ruim. Não compraria outra garrafa. Se ganhar uma de presente, beba logo!

01 Julho 2009

Pizzato Reserva Merlot 2005

Este é o 31º vinho comentado para a Confraria Brasileira de Enoblogs. A escolha foi dos confrades Rafaela e Cláudio, do Le Vin ao Blog. Um vinho fácil de se encontrar em qualquer região do país, a um preço acessível e produzido pela respeitada Vinícola Pizzato. Qualquer enófilo conhece a história do Merlot 1999 desta vinícola, que chamou a atenção dos críticos sobre as potencialidades desta uva em terras brasileiras.
A qualidade deste vinho, portanto, não é surpresa. Com passagem de 5 meses por barricas de carvalho americano, é chamado de "reserva" pela vinícola, um critério próprio porque a legislação brasileira não regula estes parâmetros, como se faz na Espanha, por exemplo. Com a nova Denominação de Origem para o Vale dos Vinhedos, quem sabe não se corrija isso?
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Na taça tem coloração púrpura-violáceo, aparentando ser mais jovem que um 2005. Muitas lágrimas, grossas e lentas. Aromas iniciais fechados e terrosos. Agitando a taça abriu-se para frutado moderado (ameixas talvez) e um fundo de especiarias. Esperava mais complexidade.
Na boca apresentou corpo mediano, com gostoso adocicado na ponta da língua, que desparece logo. Taninos ainda presentes e acidez moderada. Retrogosto com boa presença de frutas maduras e madeira bem integrada, sem se sobrepor. Equilibrado, com álcool sem incomodar (13% de teor).
Final de média persistência, com permanência curta do frutado, prevalecendo um gostoso amadeirado. Boca seca, marcada levemente pelos taninos. Vinho com ótimo equilíbrio, privilegiando a delicadeza e elegância.
Representa bem a tipicidade da Merlot do Vale dos Vinhedos, embora não seja excepcional. Pronto para beber ou para guardar mais um ano.
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Paguei R$ 35 pela garrafa nº 00795, de um total de 29.500.

28 Junho 2009

Da'Divas Chardonnay 2008

Depois do polêmico Quorum, que despertou manifestações de leitores de todo o país, especialmente por causa do preço do vinho, chegou a vez de outro Lídio Carraro. Desta vez um acessível chardonnay (na casa dos R$30-35), sem passagem por madeira e produzido com uvas de Encruzilhada do Sul. É o 100º vinho brasileiro que comento no blog, confirmando minha predileção/curiosidade pelos vinhos nacionais.
Amarelo palha com reflexos dourados, formou muitas lágrimas. Aromas frutados de boa intensidade, com clara lembrança de abacaxi e pêra. Melhora muito na boca. É equilibrado e refrescante, com boa acidez. Vinho leve, mas marcante. Retro-olfato marcado por delicado frutado. Apresentou um envolvente adocicado.
Final de média persistência, com fruta em primeiro plano e álcool dando certa potência, mas sem ser "alcoólico". Leve sensação amanteigada em alguns momentos.
Sem o peso da madeira, demonstrou boa tipicidade e refrescância. Deve-se tomar cuidado com a temperatura. A vinícola sugere 12ºC, mas um pouco acima disso o álcool começa a incomodar (13,3% de teor).
Foram produzidas 10.500 garrafas. Abri a de nº 7.354, que acompanhou bem uma salada de frango com alface, palmito, queijo parmesão e croutons.

24 Junho 2009

Paris Goulart Glam 2006

Este vinho é produzido pela Finca Lugilde Goulart, em Mendoza, casa fundada em 1998. Seria mais uma de tantas bodegas naquela região, se não fosse sua história ligada ao Brasil, mais precisamente à Revolução Constitucionalista de 32, em São Paulo. Ficou curioso? Leia a breve história aqui.
Este vinho é um corte de Malbec (60%) e Cabernet Sauvignon (40%). De coloração rubi, tem boa transparência, com lágrimas grossas e lentas. Aromas intensos a frutos vermelhos muito maduros, compota e algo resinoso. Álcool marcando leve presença (14% de teor). Depois de um tempo na taça, os aromas mais maduros ficaram em segundo plano.
Vinho de corpo médio, com taninos doces, mas leve aspereza. Acidez moderada. Retro-olfato marcado por compota. Boa estrutura dada pelo álcool. Madeira elegante.
Final de boa persistência, com fruta de início, mas finalizando com discreto amadeirado e um pouco do álcool. Aliás, o álcool esteve presente em todos os momentos, mas sem desequilibrar o conjunto. Vinho sem muita complexidade, mas agradável, pronto para beber e gastronômico (acompanhou bem costelinhas suínas).
Pela garrafa paguei R$27, uma relação custo x benefício muuito boa.

20 Junho 2009

Adaga Cabernet Sauvignon 2006

A safra de 2006 no Vale dos Vinhedos não foi um espetáculo, então os vinhos desse ano sempre são cercados de menor expectativa, porque na maioria dos casos não revelarão toda a potencialidade da região.
Este vinho produzido pela Cave de Pedra é de uma linha que já teve um chardonnay comentado aqui (
relembre). Este é um vinho mais delicado do que a maioria dos cabernet sauvignon do Vale. De coloração violácea, mostrou-se lacrimoso e brilhante. Aromas moderados, frutos vermelhos (amoras e ameixa), sem percepção de madeira inicialmente. Agradável nos aromas, sem interferência do álcool (13,5% de teor).
Na boca é menos encorpado que o esperado, com taninos redondos e macios, com pouca acidez. Fruta muito franca, retro-olfato frutado. Melhorou na boca, lembrando um pouco de especiarias também.
Final mediano, marcado por fruta muito honesta. Vinho agradável, que servirá como aperitivo ou para acompanhar refeição. Estilo jovem, simples e direto, com madeira discretíssima, não parecendo ter ficado 8 meses em contato com o líquido. Lembrou CS chilenos de linhas menos amadeiradas. Honesto e pronto para beber!

15 Junho 2009

Prinz Von Hessen Riesling Kabinett Trocken 2006

De vez em quando recebo mensagens de leitores do blog pedindo comentários sobre vinhos da Alemanha. Mas é difícil encontrar vinhos alemães decentes na faixa de preços deste blog e, confesso, me falta coragem para comprar alguns que vejo por aí. Na minha região reinam absolutos os rótulos Black Tower, que não me atraem.
Mas um casal de amigos foi para a Alemanha recentemente e nos presenteou com este riesling, elaborado pela adega (weingut)
Prinz Von Hessen, fundada em 1950. Um vinho que se mostrou extremamente delicado e sedutor. É um qualitätswein mit pradikät, a mais alta classificação de vinhos alemães. São vinhos de qualidade com atributos especiais (ou predicados). É um trocken (vinho seco), produzido na região de Rheingau (considerada a mais nobre região vinícola alemã) e classificado como kabinett (vinho leve, elaborado com uvas maduras, mas são os menos doces dentre os QMP).
Na taça é amarelo-esverdeado, límpido e cristalino. Apresenta bons aromas, lembrando claramente frutos cítricos (lima e limão) e notas adocicadas, lembrando frutos brancos mais maduros e um pouco de mel.

Em boca é redondo, macio e muito delicado. Sem agressividade e com baixa acidez. Retrogosto de boa persistência, marcado por citricidade e leves toques minerais. Álcool bem dosado (12,5% de teor).
Vinho muito correto, delicado e elegante. Melhor em boca, com notas adocicadas interessantes. Experiência muito agradável. Aparentou não ter passagem por madeira.
Não me perguntem o preço, até porque presentes assim não têm preço.

10 Junho 2009

Sottano Reserva Cabernet Sauvignon 2005

Já comentei outro Reserva da Bodega Sottano aqui no blog (relembre) e estava curioso para abrir esta garrafa, que ganhei de minha esposa no meu último aniversário, em agosto. Uma caixa que cuido com carinho e que ainda guarda outros cinco vinhos, todos muito especiais.
Esse cabernet sauvignon é um vinho de respeito. De um rubi intenso e pouca transparência, formou muitas lágrimas nas paredes da taça, que escorreram lentamente (14,5% de álcool). Muito aromático, apresentou frutos vermelhos maduros, compota e terra úmida, com madeira discretíssima. Convidativo.
Na boca é encorpado, redondo, cheio, com taninos doces e macios. Acidez moderada. Muita fruta no retro-olfato. Final longo, persistente e elegante, marcado por madeira (tabaco e café) moldando bem um excelente frutado. Álcool que deu potência ao vinho, sem desequilibrar. Está pronto para beber, embora possa ser guardado por mais 1-2 anos.
Vinho que passou 12 meses em barricas de carvalho francês (70%) e americano (30%), sem que isso prejudicasse as boas características da fruta. Foram produzidas apenas 6.167 garrafas. Não é um vinho "baratinho", mas vale cada centavo.

05 Junho 2009

Lidio Carraro Quorum Grande Vindima 2005

Um fato raro aqui no cerrado é poder beber um vinho tinto à temperatura ambiente. Isso tem sido possível nesse início de junho. Então ontem resolvi experimentar aquele que foi o melhor vinho degustado quando estive na Lidio Carraro em outubro do ano passado. Um corte de merlot, cabernet sauvignon, tannat e cabernet franc, que segue a proposta da vinícola de não utilizar madeira em seus vinhos, deixando com que representem o terroir do Vale dos Vinhedos.
Um vinho muito bonito, de coloração rubi com bordas levemente alaranjadas. Lágrimas grossas, mas rápidas. Brilhante. Aromas moderados a frutos vermelhos maduros, com notas herbáceas e de especiarias, com com algo de café e chocolate(?). Pareceram predominar levemente os aromas da merlot. Ótimo em boca, elegante e equilibrado. Taninos vivos, mas já bastante dóceis, com acidez moderada. Retro-olfato com leve fruta. Sensação adocicada.

Final longo, marcado por frutado muito franco. Vinho muitíssimo elegante e equilibrado, com estilo mais "velho mundo", sem exageros abaunilhados, deixando a potência um pouco de lado.
Pronto para beber ou para guardar mais um ano. Sem defeitos. Apenas o preço é que não agrada muito, pois chega a custar R$90 em algumas lojas, mas deixei de lado esse "problema" para avaliá-lo.
Foram produzidas 20.550 garrafas e abri a de nº 6.238. Vinho capaz de demonstrar que em safras ideais (como a de 2005) o Vale dos Vinhedos pode produzir excelentes tintos também. Não costumo beber uma garrafa inteira sozinho, mas esta me deu vontade.

01 Junho 2009

Tantehue Cabernet Sauvignon 2007

Eis o 30º vinho da Confraria Brasileira de Enoblogs, um chileno de preço acessível e que pode ser encontrado em grandes redes de supermercados. A escolha foi do Jeriel, do Blog do Jeriel, que me ajudou muito com esse vinho. Como não o encontrei em Uberlândia, pedi socorro e recebi três garrafas pelo correio, uma gentileza digna de um verdadeiro "confrade".
Os vinhos se comportaram muito bem nas três oportunidades em que foi degustado. Boa relação custo x benefício. Vinho ideal para o dia-a-dia, tanto para acompanhar comida (até mesmo churrasco) quanto para beber sem maiores compromissos gastronômicos. Não é excepcional (nem deveria ser), mas está acima da média para vinhos nesta faixa de preço (entre R$12-17). É produzido pela
Viña Ventisquero, embora no site da empresa não haja menção a ele.
É um vinho de coloração púrpura, com reflexos violáceos e lágrimas rápidas (13% de teor alcoólico). Sem agitação na taça, apresentou aromas lembrando ervas, com algum resinado e uma pequena nota desagradável. Depois de agitada a taça, os aromas de frutos vermelhos bem maduros tomaram conta (talvez ameixa) e leve sensação resinosa.
Tem corpo médio, com taninos ainda vivos, mas sem serem rascantes. A acidez é marcante e o álcool não incomodou em nenhum momento. Retro-olfato com gostosa fruta madura. Final mediano, com fruta muito madura, algumas especiarias e levíssimo amargor.
Vinho simples e honesto pelo preço. Leve desequilíbrio por conta da acidez, mas sem comprometer o resultado. Não me parece ter passagem por madeira. Melhorou depois de aberto e está pronto para beber, sem perspectiva de melhoria.

28 Maio 2009

Casillero del Diablo Cabernet Sauvignon 2007

Guardei este vinho desde agosto do ano passado. Por se tratar de uma “colheita histórica”, segundo a Concha y Toro, merecia uma ocasião especial. Mas não vi nada de extraordinário nesse vinho. Fiquei até imaginando se não teria sido vítima de alguma dessas falsificações feitas num determinado país vizinho. Sei apenas que esse 2007 não superou em intensidade aromática e estrutura o vinho que em 2005 mereceu 5 taças aqui (relembre).
Na taça apresentou coloração púrpura, muito lacrimoso, indicando boa densidade e untuosidade. Bons aromas, com frutos bastante maduros, adocicado presente e boa dose de tabaco, indicativo de madeira bem dosada (70% passa 8 meses em barricas de carvalho americano).
Apresentou corpo mediano, menos estruturado que o
2005, por exemplo. Taninos marcantes e acidez proeminente. Muita fruta e madeira no retro-olfato. Deixando a boca “arejar”, o álcool apareceu um pouco. Na boca, as notas doces do aroma não se repetiram.
Final longo, marcado por bom equilíbrio entre fruta e carvalho, com leve lembrança tânica. Com o passar do tempo, ficou mais fácil.
Vinho menos intenso que o esperado, sem complexidade. Manteve a boa relação qualidade x preço, mas aqui em casa não foi um vinho histórico, com todo respeito.

23 Maio 2009

Angheben Pinot Noir 2008

É preciso coragem para produzir um Pinot Noir no Brasil. Mais coragem ainda (e talvez uma parcela de "maluquice") é preciso para colocar no mercado um Pinot Noir sem passagem por madeira, exibindo apenas as características da uva e do terroir. Somente por isso este vinho da Angheben já mereceria destaque especial, mas ao bebê-lo e experimentar toda sua delicadeza e elegância, fiquei muito satisfeito.
Aviso: não é um vinho de aromas exuberantes e grande estrutura, como a maioria dos sul-americanos desta uva. Está mais próximo de um vinho da Nova Zelândia e de um Borgonha mais simples (porque não?), mas com o CEP de Encruzilhada do Sul, na Serra do Sudeste.
Na taça um rubi brilhante e de boa transparência. Lacrimoso. Aromas delicados, frutos silvestres (framboesa e morangos) e leves notas de especiarias. Vinho leve, com acidez moderada e retro-olfato repetindo frutado do nariz e algo vegetal. Final mediano, com leve aspereza e álcool equilibrado (12,7%), dando certa estrutura ao vinho. Prevalência final de um gostoso e elegante frutado.
Vinho melhor em boca do que nos aromas. Por ser a primeira safra deste vinho, deve melhorar ainda mais nos próximos anos, embora tenha notícia de que em 2009 os Angheben resolveram não produzir vinhos. Incrível isso, não?
Foram elaboradas 5.152 garrafas deste vinho. Abri a de nº 2.849.

20 Maio 2009

Roca Bonarda Sangiovese 2006

Os vinhos de Alfredo Roca me agradam bastante, especialmente por terem preço muito bom e qualidade acima da média. Já comentei outro bi-varietal que me agradou bastante (relembre), mas esse de 2006 não está mais em plena forma. Um vinho que não está defeituoso, mas já perdeu muito de suas boas características. Pelo que paguei (R$18) a experiência até não foi ruim, mas não compre esta safra se encontrá-la por aí.
Vinho de coloração rubi, com bordas aquosas, demonstrando leveza já no exame visual. Lágrimas finas e rápidas. Aromas tímidos demais, lembrando claramente frutos vermelhos delicados e com álcool atacando as mucosas do nariz.
Pouco corpo, com taninos macios e acidez em destaque. Retro-olfato com leve fruta. Final curto, prevalecendo o frutado tímido e álcool se sobressaindo (14% de teor). Depois de um tempo, ficou mais “doce” e o álcool perdeu um pouco de destaque.

16 Maio 2009

Casa Silva Family Wines 2007

Os vinhos da Casa Silva possuem uma característica que me agrada muito: o uso moderado e racional da madeira, o que lhes confere uma elegância incomum em vinhos na faixa de preço de seus Colección, por exemplo.
Este é o vinho mais barato da casa, um corte de Cabernet Sauvignon (70%) e Carmenère (30%), sem passagem por barricas de carvalho. Diga-se de passagem, um ato de coragem do enólogo-chefe da casa, o premiado Mário Geisse, um dos entusiastas do espumante brasileiro (ver Cave de Amadeu). Este vinho é encontrado na faixa dos R$30-35, uma relação custo x benefício muito boa.
Vinho de coloração bem escura, violácea, com pouca transparência, lágrimas grossas e lentas. Boa intensidade aromática, com destaque para frutos maduros (vermelhos e negros), com ótima integração entre as uvas utilizadas na assemblage.
Corpo mediano, com taninos vivos, mas sem “amarrar” exageradamente. Acidez mediana e álcool sem aparecer (apesar dos 13,5% de teor). Retro-olfato bastante frutado. Final mediano, com frutado agradável e muito elegante, marcado por uma sensação táctil na língua, sem ser áspero.
Vinho marcado por leve adocicado, sem ser enjoativo. Muito bem feito para a faixa de preço. Pronto para beber!

11 Maio 2009

Don Próspero Pinot Noir 2007

Este ano já comentei vinhos que não me agradaram, mas este produto da Pizzorno, casa fundada em 1910, tem uma menção especial: a decepção do ano até agora. Não é ruim ou mal feito, mas por menos do que paguei pela garrafa (R$49) encontramos Pinot Noir mais interessantes.
Na taça tem coloração rubi bem viva e clara, com bordas levemente alaranjadas. Lágrimas bem rápidas (13% de teor alcoólico). Aromas discretos, lembrando frutos silvestres (morangos e amoras), com leve toque de especiarias.
Na boca é levíssimo, com taninos macios e acidez discreta. Retro-olfato com discreto frutado. Finalizou com álcool muito leve (sem desequilibrar), de média persistência, marcado também pelo frutado discreto. Não há indicativos de passagem por madeira.
Vinho com muita delicadeza, mais próximo de um rosé que de um tinto (podem jogar pedras, eu aceito). Depois de um tempo aberto, apareceram notas florais, lembrando pó para maquiagem. Vinho simples, com uma relação econômica discutível.

06 Maio 2009

Crios de Susana Balbo Malbec 2007

Este vinho é produzido pela Dominio del Plata, fundada em 1999, tendo como sócia a enóloga Susana Balbo, figura das mais conhecidas no “novo mundo” do vinho. É provável que se perguntar a um enófilo da América do Sul sobre uma mulher na produção do vinho, o nome de Susana será o mais lembrado. Por isso, ao encontrar este vinho por R$34 não pensei duas vezes em comprá-lo. Se fosse mediano já valeria a experiência.
Vinho bastante agradável e elegante, que pode acompanhar ou não uma refeição. Quando o degustei, estava com uma tábua de queijos e ele deixou doce o picante gorgonzola, envolvendo salames mais condimentados.
Na taça tem coloração violeta e brilhante, com boa transparência e formação de lágrimas grossas e rápidas. Ótimos aromas. Predominância inicial do amadeirado, abrindo-se para um perfume intenso de flores. Frutas vermelhas maduras apareceram em segundo plano. A uma temperatura mais baixa, o frutado cresceu.
Vinho de médio corpo, com taninos doces e leve aspereza. Boa acidez. Retro-olfato frutado, com certa mineralidade em alguns momentos. Final longo, frutado, com madeira discreta e bem integrada.
O uso da madeira neste vinho foi bastante racional, domando-lhe os taninos e conferindo elegância em todas as etapas da degustação. A variação de temperatura permitiu sensações bem distintas, sem que o álcool de 14% aparecesse.
Redondo, equilibrado e pronto pra beber, com ótima relação custo x benefício. Compre logo uma caixa!